GALERIA MIGUEL NABINHO - QUE PAÍS É ESTE / SEM TÍTULO
Este podcast é uma produção da Galeria Miguel Nabinho. As entrevistas, conduzidas por Miguel Nabinho, juntam figuras das artes plásticas e da política portuguesa num tom descontraído, curioso e inteligente. Sem lugar para a fofoca, aqui fala-se de ideias, percursos e visões — com leveza, mas sempre com seriedade nos temas.
GALERIA MIGUEL NABINHO - QUE PAÍS É ESTE / SEM TÍTULO
Vitor Rua - entrevista conduzida por Miguel Nabinho
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Hoje estamos aqui para entrevistar o Vitor Rua e é dia 19 de maio de 2026. E esta entrevista vai fazer parte do podcast Que País é Este? Eu sou o Miguel Nephi.
Vitor RuaE eu sou o Vitor Rui e é um prazer estar aqui contigo.
Miguel NabinhoÉ um grande prazer rever-te o passado alguns anos. Cá aqui um pormenor, já agora eu posso desvendar já. O Rui foi uma professora de guitarra há muitos anos.
Vitor RuaExatamente.
Miguel NabinhoMas foi a única pessoa que ele se calhar não conseguiu levar para uma carreira espetacular. Mas abriu um caminho e nós temos.
Vitor RuaMas foi uma aulas pluridisciplinares e por isso.
Miguel NabinhoVamos começar. Eu tenho aqui um grande guião e depois eu mudiste tudo. Como estás a dizer isto, quando eu tinha aulas contigo, se calhar é uma maneira engraçada de começarmos, que a certa altura eu tinha aulas de guitarra contigo. Ainda não percebia nada daquilo, sabia de quatro acordes. E do passado, houve duas coisas absolutamente surpreendentes e que foram de alguma maneira incríveis para a maneira como eu vejo o mundo e de alguma maneira eu falo sobre isso recrutamente nesta história. Tu não te deves lembrar minimamente, mas não é vais-te lembrar, vais de lembrar. Houve duas coisas. Uma é que a certa altura, eu tinha aulas há três meses, tu disseste-me assim, porquê que não vejo hoje uma jam session com o Zinger e com o Rubelo? Eu fiquei, pá, peraí, mas ele nem sei o accordo e não sei o que. E confrontei-te com isso. E tu disseste-me assim, mas estás a brincar, mas sempre dá-te uma faca e um garfo e tu fazes sons.
Vitor RuaExatamente.
Miguel NabinhoE eu senti-me quase humilhado porque eu vinha das artes plásticas, when the princípio é todo esse. Mas a música parece que nós estamos sempre a indexar a música à ideia de cânones ring that nós temos mais dificuldade de transgredir. E mesmo, eu entretanto, fui aprendendo mais música, and quando tu transcassas, imagina, quando estás ainda ao maior ou mi bemol, não sei o quê, passas para outra coisa, tu tens a sensação sempre que mais tarde ou mais cedo eu vou ter que voltar a casa. É uma coisa sempre muito de resolver. Pois houve outra coisa também que é muito parecida, que eu estou altura comprei um perspone, lembras-te? Exatamente. Vamos fazer um disco junto. E eu também fiquei tipo para ser um disco, mas eu não sou música, não sei o que não sei o que mais. Portanto, podíamos começar exatamente por aí, que é como é que tu olhas para a maneira de criar, em geral, porque criar música ou outra coisa qualquer, tem muita chima na verdade.
Vitor RuaEu vou tentar apanhar um global de tudo. Tu estavas a dizer o que eu te disse, convidar, por exemplo, para tocar ainda por cima com pessoas logo como ao Carlos Ginho.
Miguel NabinhoTu pegaste tipo os melhores músicos, tu e o Zinger e o Rebelo eram os três.
Vitor RuaOu gravar um disco. Ou gravar um disco. Isto que vou dizer na música, creio que se pode applicar in qualquer outra arte se usar a misma philosofia que está por trás. But I am, for example, I encontr who had music. And he is a cool time I feel like judges. And I log a segue respond to quality of the girl in what dia? And he felt like a semana I'm living. I don't gossip of one day to do it.
Miguel NabinhoHoje à tarde não existe, é às três, ou às três e meia, ou às seis.
Vitor RuaÉ isso, gosto de concretizar as coisas. Daí talvez tenho uma reasons, por exemplo, por ter 300 e tal discos realizados. Agora, não é aquela, não se trata de fazer por fazer pela quantidade. Não é porque, por exemplo, eu tenho na música, desde o meu início, passei por várias tipologias, estilos musicais. Comecei no rock, depois fui para o folk, para o country, com os King Fiches Band, depois voltei para o New Wave, Rock New Wave, depois passei pelo rock progressivo.
Miguel NabinhoIsto é tudo antes de começar o GNR.
Vitor RuaCom o GNR é quando eu vou para a New Wave, anos 80, New Wave. But depois, logo, por exemplo, mas tudo o resto era antes, claro. Depois, logo, Costelect entered by a música minimal competitive, experimental, música concreta, electronica, finally a música improvisada que vario decades in the music improvised. And so situation in a music improvised, which is improvisation total or a free improvisation, repara, the music improvised. If we improvised objects, we have to have music, and it was a improvisation with the corporate and the objects that are on my line. But the end is what you can, but the other thing is that improvisar is compor in tempo real. The one is a composition. É um ping-pong entre as duas coisas.
Miguel NabinhoVoltas atrás, porque quando estás ao vivo a improvisar, males deves dizer uma frase maravilhosa que era se estiveres a fazer um solo e imagina, e dás uma nota mal, uma nota errada, fora do tom, ou o for, insiste. Não, não, insiste. Insiste até se tornar a música.
Vitor RuaEle diz que não existe o erro, mas é porque. O Monk é que tem uma muito engraçada, Laurence Monk, que diz que uma vez no fim do concerto es perguntar. Gostou do concerto? No. Ele, porquê? I make the wrong mistakes. Fiz os erros errados. Dá assim notas. Mas eram os erros que ele não queria naquele dia no corrava. But isto para dizer que no caso da música improvisada, se é compor em tempo real, então repara. Se em vez desta entrevista fosse um concerto de música improvisada, dava uma guitarra ou instrumento qualquer que eu trazia, and de repente começava a dar o concerto, vocês estavam a gravar, andasse contente com a improvisação, eu dizia, OK, podem dar a gravação, vou editar um disco. E diz assim, mas é assim tão simples. Quer dizer, é assim tão simples. Depois de conquistar as bases of my coisa, andar por isso é que músicos da improvisada, como o John, Derek Bella, Frankfurt, têm também centenas, ou o Hélio Chávez tem centenas de discos editados, porque sempre que dão um conserto, ou sempre que fazem uma coisa, essa coisa tem um propósito, não é só para ficar.
Miguel NabinhoEntão diz-me uma coisa, que tu compões através da improvisação, mas também compões no computador. Eu por acaso componho quase no papel.
Vitor RuaUma malta e no seu. Só muito recentemente é que estou a usar o computador para escrever música. Antes era lápis.
Miguel NabinhoAntigamente era lápis, pronto. Quem ias cantando, o que estavas a competir? Às vezes nem cada um. Às vezes só estava na cabeça. Então fala-me aqui de uma coisa que é uma curiosidade grande para mim, que não sou músico, que é quais são as vantagens da composição sobre improviso contra a sentado numa cadeira em que tu podes ir apagando e não sei o quê. Portanto, tu sentes que as coisas às vezes em improviso saem melhor e porquê? Porquê que tu achas que.
Vitor RuaPortanto, no fundo estás a ver se há alguma vantagem entre uma e a outra? Em primeiro lugar, deixa-me, antes de responder a essa, disseste uma coisa assim passando que eu gostaria de esclarecer. Disses, vou te perguntar isto that I'm so músico. Pronto, já. E eu digo assim, o que é que é ser músico? And I've got me with him, and he said, Ah, I was talking about the aulas, and he said, Now I'm guessing what the Victor me disse in the prime aula. And I felt like what I said. Ah, because I was a compositor. What I said? And he said that the difference between compositor and not serve a compositor? And I said, No. And he said, A compositor components. And I felt like he chegou a casa and crime nunca tinha escrito nada. And I think a difference is compositor, take compor. He come a compor, because compor epoch não compõe porque achou que estão à espera da obra-prime. Não, é como todas as artes, o pintor, a pintor, não estou a dizer de pintura de galerias ando, por exemplo, parede, começa a pintar e depois ficou este branco, tem que dar outra mão andando, but se nunca fizer aquilo, nunca vai cometer erro, nunca vai aprender assim. Seja lá o que for, tem que se fazer as coisas. If that's the composition and the improvisation, I dig in a space of ping-pong, and a cool, use one to be a out, for the other, and something. Ou seja, append with the two and use the two for se complement. Aquilo que I was saying, for example, compared to a person who is sent out, let's support, with lápis or computers, what for them, and really there's this possibility to escape, and apaga. Aliás, the Schoenberg when they were alone done, the Queen, John Keijo was the alone of the club. But when the Schumacher was doing aulas, for example, he marked an exercise for those alumni, and the alumni a fear. And he was carteiras to old, old. And isto é uma ferramenta, não é? Andested and este lado. Este lado é tão importante como este. Tens que apagar, podes usar o apagar. But, for example, claro que tem essa vantagem de estar a escrever and se calhar não vou por aqui ando. Numa improvisação, apparentemente não dá para fazer isso. Já não dá. Like the prime hours, when I dig a, for example, can connect-talk what you say, talk quality, and come to talk. But ainda gets awesome, and alone 90. But one of the things that I dig is, I fica a queen to car, and depois ainda ponho uma carga de uma responsabilidade maior, que é assim, podes fazer o que quiseres, mas pensa o seguinte: em vez de estares aqui, pensa que estás no carneguiole and as pessoas pagaram mil dólares, pagaram mil dólares para te ouvir tocar, and I think, OK, dou-te cinco minutos para tu pensar o que vais fazer. Sai, vou à cozinha, ver o Zoom, ok, pronto. E eles estão assim, andas a derrubar. And they call a cool difficile, or a great probability of error. And there's a error, and the fine, I grabbed it, and the fine. But if we tivéssed no cargo viola e separate, I estaria bem a ver pessoas a reparar que tu irraste. Agora, olha, repara uma coisa. Agora pega na guitarra e não deses um acorde, nada do que tu fazes, raspa nas cordas, passa com a manga do casaco, bate nas cordas, faz assim, é coisa. E eles fazem, eu gravo, assim, agora onde é que está aqui um erro? Às vezes descobre onde é que está o erro. Eu não estou a perguntar se gostas ou não gostas, diz-me só onde é que está o erro. Não há erro. Portanto, tentar mostrar que às vezes a própria escolha do que é que se vai fazer num contexto tem muita importância. And optar por uma coisa muito minimal em que se saiba que se vai conseguir, nem que seja só team. Só fazer team, por exemplo, minimal repetitive, and a person, starting a car, the people or not, but it was a minimal repetitive, but there was error. Or to improvisar, so there was error. But for example, when I was a GNR, I had this problem the prime days that I was in studio to grab the prime single, who was a technical, but old school, and grabbed a Amália, podia grab Marco Paulo, or a orchestra sinfónica, or Jorge Peixinho, se fosse preciso. Chegamos lá, and a concepção que ele tinha de grabar uma banda rock para ficar tudo muito bem, era primeiro gravava-se baixa e a guitarra, a bateria, depois gravava-se as guitarras, depois gravava-se, por fim tinha essa voz. Eu disse assim, no, no, no. Vamos gravar tudo junto, mas tudo junto, o som da bateria. Eu disse assim, isso não é um problema meu. Vamos tocar todos juntos because quero sentir a emoção. A batterista, depois para nos ver, eu também tinha uma barreira para o amplificador and demorou hours top. And to come in real. Normally in this already, I gotta concerts, or people who were saying, I gossip of the group X, but gosh de vos verdes took out ao vivo. Those discos I gossip. And one of the reasons that was, because they have in studio and all that faziam ao vivo, distortions, pequeno erros, pequeno imperfeições. Limata. Por isso é que eles gostavam deles ao vivo e não gostavam, porque retiravam essas idiosincrasias que fazem com que as coisas sejam. Ou seja, primeiro take. Além de se fazerem coisa, sou dos primeiros takes. Portanto, eu não, nesse sentido, eu penso sempre que estou a tocar no carnigoli e que pagaram 10 mil dólares para me ver.
Miguel NabinhoEstás mega concentrado.
Vitor RuaPortanto, eu vou para um estúdio, não vou a pensar que ah, posso falhar, ah, falhei outro take, ah, falhei outro take, ah, falhei outro take músicos e depois chegam ao 18o take e escolhem o primeiro. Ainda é esse. E na composição faço um bocado a mesma coisa, ou seja, eu raramente apago. Raramente o conselho do Schonberg. Não, o conselho do Schonberg é que se devia apagar. Exatamente, porque é isso que eu estou a compor em tempo real, não é? E dizer, ah, depois um era um ré. Mas se calhar vai ficar bem. Ah, ok. E depois também tem a ver com uma só para resumir concretizar a resposta, há uma coisa que é muito importante dizer andar explica um bocado que eu estou a dizer. I explica not sort of a pergunt, but logo a prime convidar to músicos or grab a discount. I use a técnica that criei a méthode, a méthode of composition and improvisação that seemed Ordem Zero to Markov. Markov era físico, and Ordem Zero is a term that he uses para explicar um conceito que eu não entendo de maneira nenhuma, não sou físico, nem sou matemática. But al ler um livro de Jonathan Kramer sobre o tempo na musica, ele abordava esse físico e matemática. And I li, o que eu retirei de importante para mim foi o seguinte: ele dizia uma coisa like. Se eu te disser, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, agora podia estar por aí fora, and you entendias que eu estava a dizer os numbers inteiros. So I tender um imagine, the ordinary Markov, it's a order that the gentleman is a clear, and we'll support talking as a scala de register post terremoto, let's support that order of Markov is order 10, for example, is a máximo de comprehension a person. So I decided one, three, cinco, sete, nove, oneze, okay, is the member comprehensive, those are the numbers ímpares, but it is tão lógico, tão fácil que um three, cinco, seis, sete. Or 2, 4, 6, 8 pares. So já seria, por exemplo, ordem nove organs. So I depois começar a fazer um three, dois, quatro, três, cinco, quatro, seis, cinco, sete, estou a dar assim uns saltinhos de escada, não é? Já é menos ordem 7, por exemplo. Se eu de repente vou para a ordem Fibonacci, ou assim, já será ordem 4, ordem 3, começa a coisa a ficar mais complexa. Agora repara, imagina que chega uma altura em que digo-te assim: 4.323.212, 7, 550. Qual é a lógica entre estes números que relação àquele? E ele diz que existe uma ordem na mesma, mas que é a ordem zero. E o que ele dizia para os números é cada número por si próprio tem uma força intrínseca, e portanto na ordem zero, é irrelevante o 4 milhões 325 e depois ser 552,00, ou ser primeiro o 552 e a seguir 4 milhões 325 e depois ser o 17. And when ele disse isso, de irrelevante, disse assim, isto na música era extraordinário. Se isto resultasse na música, era uma loucura porque acabava com o problema da inspiração and uma pessoa estar a compor and, or é melhor o ré, ou o sol, ou começo com o som de flauta, flat is de um tipo, ou começo com um gong. No, o que ele diz isó, or neste caso, se o som por si só é autosuficiente, é irrelevante se bem primeiro, se vem depois. Isto é exterior. Então o que é que fiz? Para experimentar se resultava, fiz 100 improvisações do minuto em 100 instrumentos diferentes, de pressão, de sopra, de cordas, tudo.
Miguel NabinhoE depois misturais, não é?
Vitor RuaE depois numerei-os. E depois me sei a meter para o computador assim, estilo o 18 e vou pôr o 32 com o lado com o outro. E estava a ouvir os 18 e passava para o 32 e dizia, está ótimo, fica bem. E ele dizia também, ou então ao mesmo tempo, e então de repente punha o 32 debaixo do 18 e eu ouvia e dizia assim, ah, isto fica, aparece-te a propósito as coisas, parece que eu metia o 46, ah, e depois tirava o 18 e metia o 79, e tudo estava a resultado. Então eu fiz um disco, que intitulou Ordem Zero, com essas improvisações, porque eu via que tudo dava perfeitamente e encaixava-se tudo perfeitamente. E de repente fiquei assim, mas isto é extraordinário. But na altura, na altura fiquei assim, isto um dia de pensar melhor nisto e parei. Até aqui in 2004, estava a trabalhar para o Ricardo Paes, uma peça de teatro no Porto, and recebi um telefonema da Orquestra Utópica, dizia-me lá, Victor, gostávamos de encomendar uma peça para a orquestra. Eu já tinha escrito peças para orquestra, but nunca tinha sido tocado, porque nunca tinha tido a oportunidade de uma orquestra tocar a minha peça. E eu disse, eu disse imediatamente, é um prazer, obrigado. E eles, ah, só há um problema, é que os outros compositores que nós convidamos já os convidamos há seis meses atrás. Este encomendo, portanto, eles já estão a trabalhar há sixes, and só estamos a convidar agora, porque foi o António Pinho ou não sei o quê, que se lembrou. Mas o problema é que o concerto é daqui a 18 da 100. E eu disse assim, não tem problema. A peça tinha quanto tempo? Vai já ver. Daqui a 18 dias, eu disse, para mim não há problemas, I faço. Pois, mas ainda há um problema, além de ser 18 days, os últimos 30 já são os ensaios. Portanto, na realidade só tens 15 days para compor a peça. I did, OK, for me no problem. Okay, desliguei, fiquei, OK, estava lá com o teatro, anda three days for Ricardo. The moment had 12 days. And the I screwed, and I saw recently continue to screw, but so recently recently nine years I saw a company in computers, and I'm Lisboa, what I'll do, what I don't think. I got the computer and said, opportunity to use a ordin zero, because it was rapid. And I said, Okay, let's use ordinary. What will you do? I'll say I was in 1999, which was junted peces. So what I did, what peças I tenho escritas até agora? Escolher assim peças. I comecei a pensar, olha, piano tenho esta, esta, esta, esta é a maior. Ok. Então dragava para o computador uma peça de 15 minutos de piano. E depois, vi os instrumentos que queria escolher de orquesta e era flauta, obué, a minha peça de obué, clarinete, a minha peça de clarinete, trompeta, peça de trompete, trombora, peça de trombora, corta de cordas, violinho, piano, já lá estava, percussão, e fui metendo as peças para o computador e ficou assim, tudo alinhado à esquerda. Mas imagina, a de piano tinha 15 minutos e 15, a de flauta só tinha 6 minutos, outra tinha 3 minutos e 5, outra tinha 11, outra tinha 7, outra tinha, mas tudo alinhado à esquerda. E eu olhei, ando antes de ouvir, visualmente vi assim aquelas coisinhas assim, assim uma coisa assim, eu disse, não, vou pôr isto bonito, mais bonito, assim, sentar, assim como se fosse assim, sentar, esta aqui, esta aqui, a equilibrar, a comprida no meio, depois esta aqui, depois esta aqui, depois assim aqui, isto sem escutar, estava assim, pus tudo, peguei-nos ao afetador, play. Que loucura. Terminou e não mexe mais assim, isto está perfeito. Portanto, eu demorou cinco minutos, foi dois minutos a dragar, três minutos a dragar músicas para o computador, e depois foi estar a ouvir os 16 minutos ou assim da peça, porque o instrumento que demorava mais europeo tinha quase 16 minutos, e foi e dizer assim, está perfeito. Agora imagina-me, está perfeito, ok. But agora surge um problema que é, repara, eu escrevi aquelas peças ao longo de décadas, não sei se escreveu em 87, estávamos em 2004, aquelas peças, e peças que eram para solo, flauta solo, ou bué solo. Agora repara, por exemplo, vamos pôr a peça de piano, vamos supor que dizia o tempo que era-se mínima igual a 60 inicial e numa determinada tonalidade, mas depois ia compasso, por exemplo, 3x4, e passado 4 compassos, o tempo já é 120 e já é 6x8 e está nutra tonalidade, isto só numa peça, só na de piano. Agora imagina, agora a de flauta começava à velocidade 75, noutra Time Signature, noutro ritmo, noutra tonalidade, e eu disse assim, como é que eu vou escrever isto? Quer dizer, como é que eu vou pôr isto? E então, resolvi fazer, dividir.
Miguel NabinhoTu tinhas as peças em áudio.
Vitor RuaEm áudio, mas também tinha individualmente elas todas já escritas, porque foram escritas e depois dadas a eternos para interpretar, não é? E então, como é que eu vou escrever isto? Então, o que é que fiz? Foi dividir a partitura, as folhas da pauta, em segundos, traços com régua de um segundo, um segundo, um segundo. Imagina que cada página tinha 20 segundos, e fiz isso para todas as páginas, até chegar aos 16 minutos. E depois era com os colutadores, ia olhar para a partitura, por exemplo, piano, e olhava para o piano e via, começava, pus tudo, se mínima igual a 60, para ser 1 segundo bater o segundo, e pus 4x4 para facilitar tudo. 4x4x4 e sempre 60 toda a peça. Portanto, facilitei a vida dos intérpretes e do maestro, que podia estar a ler o jornal. Mas porquê? Porque depois puse os retadores.
Miguel NabinhoMas as tonalidades eram cada uma por si.
Vitor RuaEram peças que eu nunca pensei que iam ficar juntas entre si.
Miguel NabinhoUma coisa completamente atonal, não é?
Vitor RuaMas curioso é que de repente ficava melhor com harmonias. Com harmonias, pá. E então era estar a ouvir e estar a ver os segundos no computador, esta nota aqui é mais no segundo, entre o 3 e o 4, ok? Esta aqui ia acabar o piano, ia para a flauta, acabar. E depois no fim ainda tive que fazer as partes, que é a parte flauta, só a parte piano, and consegui apresentar a tempo. O que é que aconteceu? Mandei-lhes a peça. A minha peça tinha, portanto, à volta de 16 minutos, e o Stefan dizia, é pá, fantástico, estamos a ver. E sabes uma coisa curiosa, como te disse, those others compositors tiver si. And a peça with maior duration that existed was doing six minutes and me. And a minha tinha 16. And depois foi interpretada na Cultura Gesta, acho eu, exactly. And curiosamente teve um sucesso tão grande. Fui three, that meses tardou-me a dizer, um amigo meu que foi a gente, Stockhausen, Shenakes, Rua. Eu fiquei assim, desculpa lá, Stockhausen, Shenakes, Rua. I said, I don't perceive okay. No, okay. Oh by the computador met a programação da casa, era um programa de orquestra utópica, and I interpret Stockhausen, Shenakes, and a peça that integrated, and tocavam a minha peça. But I utilizo esta técnica in those that faço, which are relacionados com a música. For example, I além de música, escrevo, and I escrito, I have poesia, romance, fiction científica, livre técnicos ofrece one of song, the Big Bang to intelligence artificial editor of Andretti Odosi. And we use this technical escritor. Then I pinto or collagen, sculpture, many ways used this technical.
Miguel NabinhoThe film, for example, those parties used technically, in terms conceptual, no, it has a sentiment, and that the sentiment is done those people, or there's quality primordial quees sobre isso. Depois há outra parte também interessante que é a questão gráfica, que é uma coisa que já tinha sido realizada por muitos compositors no passado, que têm a importância quase da beleza da maneira como aquilo está escrito, ou seja, são pautas visuais e tu usaste um pouco isso quando sintes que aquilo fica tudo a mão. Exatamente. Como é que tu olhas para isto?
Vitor RuaQuer dizer, eu sinceramente acho que é um bocado as duas que tu disseste se isto está nas mãos do público ou se está nas mãos de uma coisa que está lá atrás. Eu costumo dizer que eu, por exemplo, nunca tive problemas de inspiração, aquela coisa de ficar músicos ou pessoas que vêm a dizer que eu tenho um trabalho para fazer, mas estou preso, não me sai nada. Eu nunca tenho esse problema que é pelas técnicas, porque para cada encomenda ou cada coisa que eu quero fazer, tento usar o método mais appropriado for this and seja o mais eficiente, o mais rápido, and the mais funcional. Já me aconteceu que fiz in power or poor hours or mel do que coisas que depois fico às vezes two or three years. Some situations different, but nunca me preocupa essa situation. Agora, claro que o público tem uma importância muito grande, talvez até mais nas artes plásticas do que na música, acho eu. For acaso, a vida como música, especialmente do Stelect, but I told my relation pluridisciplinary, trabalhamos with artistas plásticos, performers, poetas, teatro, dança, música durance. I mean no GNR trabalhei com o pintor Luis Camacho, com o Stelecto Palolo, for example, and others. Now, I was coming to Silvestre Pestana, who had a performer, but artista Pilar, com a Nova Voice. In 82, já estava a trabalhar com ele, anda já trabalhava há mais tempo. Sempre tivemos essa relação. But uma das relações logo entre a música e pintura, andalmente a música é que vai atrás da pintura é, por exemplo, a terminologia. Repara, por exemplo, a música impressionista, no fundo, esse termo vem do impressionismo na pintura. A música é expressionista, vem do expressionismo na pintura. A música minimal vem do minimalismo nas artes populares, a música pop também, pop e pop art. Há uma relação muito grande e quase sempre a música vai buscar a terminologia.
Miguel NabinhoA música, a arquitetura, muita coisa.
Vitor RuaPronto, exatamente. Isso é a primeira coisa. E a segunda é eu vejo que, por exemplo, como é que é dizer? A relação da, por exemplo, está-se mesmo, por exemplo, vamos pôr o Poloco, o Pollock, por exemplo, e aquela fase dele mais conhecida, de tirar. No fundo, repara, ele não explique talvez que seja, se calhar, mais adequado para aquilo que eu quero dizer. Vamos pensar no John Cage, 4 minutos e 33 minutos, a obra mais conhecida dele, one of the most conheced, the silencious silence, query, there's silence. Jogavam até xadrez and the channel. I jogavel xadrez. And the cage tinha o apreço, era uma espécie de Duchan, era uma espécie de mentor, o que é que o Duchá fez? Criou o Ready Maid.
Miguel NabinhoO Ducham era mentor do Cage.
Vitor RuaCriou a noção do Ready Made ao objeto rebelde ou lá que é. Então repara. O que é que é mais? Se tivéssemos que escolher um exemplo de Ready Made na música, é o 4 minutos e 33 minutos.
Miguel NabinhoNunca tinha pensado.
Vitor RuaJá viste, é que não há o outro ainda tinha que buscar o urinol ou tinha que buscar uma roda bicicleta, ele não foi buscar nada. Quer dizer, é mais Ready Made que aquilo não existe. E no fundo, para mim, foi. Não estou a dizer que seja uma, mas é uma influência, uma coincidência muito grande. Ele dar-se tanto coisa e de repente deve ter pensado no. Como é que eu vejo isto na música? Na música, e dizer assim, não fazer absolutamente nada. Já está, é um objeto, já ready made, mais ready made não existe. E portanto, há uma relação entre as duas artes. Mas eu acho que se pode aplicar quase para todas as artes. A situação de que é compositors or artistas em que toda a vida, por exemplo, pegam uma coisa e estão toda a vida a trabalhar com essa coisa. Por exemplo, aquele o dos cubos nas artes plásticas. No, aquele americano. Ah, agora aquele que fez cubos nos anos 60, preto e branco, depois era cubos, já era há cores, e depois cubos, depois já era cubo holograma.
Miguel NabinhoO Solito.
Vitor RuaE toda a vida fica nos cubos, a trabalhar. No entanto, há artistas.
Miguel NabinhoDepois me esteriancos também, mas é porque tudo daquilo.
Vitor RuaMas está a ver, pegam numa coisa. E há artistas que é precisamente o contrário, estão numa coisa e depois mudam para a outra e mudam para a outra, mas vai ficando. Ele mudou numa coisa impressionante andam para não sei o quê, depois passam para a pop, mas fica lá sempre, se forem bons, fica lá sempre qualquer coisa que a pessoa reconhece. Isto é o artista X, but the fase YZ, and tomate this decision to pass. I, for example, so passei por dozenas de estilos musicais different, tecnologias, ferramentas.
Miguel NabinhoComo falaste de Luchan, eu atuava a ver uma entrevista dele, and ele disse uma coisa que aquilo era na mousse, e normalmente quando as coisas são na mousse, a gente não as percebe na sua totalidade. Porque senão é uma seca. Ele, no fundo, dizia que o artista, o vazio arte, é o único sítio onde o homem se liberta do seu lado animal. Eu achei aquilo maravilhoso que é quando tu já não estás naquela coisa de predador ou de primata e que vais para um outro sítio. Não sei que queria que falasse um bocadinho sobre isto.
Vitor RuaEssa situação do Xano que tem, mas conhecia uma do Quijo, mais uma vez, em que ele dizia assim. Ele também deve ter visto interpretados. Não, mas olha, estamos a rimar, se calhar. Se calhar é verdade. Por exemplo, só para dar um exemplo, quase sempre, toda a gente diz que é do John Queige, a definição que ainda hoje se usa nas universidades, nas escolas de música, que é música é só organizado, e que foi o Quijo que disse em 68, and ainda hoje se usa muito essa frase de que música é só organizada. No entanto, o Varese, o Edgar Varese, tinha dito isso em 1937, mas em francês. O Wat is organizado, ele tinha dito musique organizé ou qualquer coisa assim. Em 1937. Que por estou a ver o Luigi Rossolo, o futurista, tinha dito em 1917 em italiano. Música é organizada. Agora, só que na altura não havia. Espera aí, música é sobre a idade. Não aparecia. Ah, é o Rossolo em 1917. Não, ah, é o não sei quem é isso. Por exemplo, toda a gente fala do 433 de Silêncio do Queijo. Mas se tu fores, por exemplo, lá à Wikipedia, e se fores lá, na Wikipédia tem uma página dedicada, não é ao João Queijo, é mesmo 4 e 33, metes 4 e 33.
Miguel NabinhoSó sobre aquela página.
Vitor RuaA Wikipédia metes 4,33 e aparece uma página sobre o 4,33. No fundo da página, que tem influências e não sei o quê, tem para aí 4 ou 5 exemplos de pessoas que já tinham feito isso antes do queijo. Por exemplo, o Ive Klein tem uma sinfonia de 19, 20 minutos de silêncio em que ele só acho que é só pintar o azul cobalto dele num corpo nu de uma mulher ou assim uma coisa. E é assim é silêncio. O Shuloff tem uma peça para, o compositor tem uma peça para piano em que tem três andamentos. Um dos andamentos é só constituído por pausas, não tem notas, é só as pausas. O intérprete a tocar e chega ali e tem que estar a ler pausas. Está a contar pausas, por exemplo. Outro, Adolfo, qualquer coisa, escreveu mesmo uma partitura de 30 e tal compasso, ou não sei quê, sem nada em cada compasso. Portanto, só que na altura. Mas tu ias a dizer que o Keix referia à frase que ele tinha era: qualquer coisa deste género, que é o artista está sozinho, está no seu ateliê, and começa há o público, há críticos, à imprensa, aos mídia, ou não sei o quê, não sei que mais. Depois vai Blueing, and de repente há só os críticos, e ele vai dizendo assim umas coisas e no fim termina assim. E depois, se tiveres muita sorte, acabas por estar só tu no teu ateliê, no ateliê. É uma outra forma de ver a frase do Duchá, mas que é como diz: se tiveres sorte e se fores bom, no fim vais ficar só tu já a fazer sem pensar em ninguém e não ter que estar a fazer para. Nesse caso da frase do Duchá, que diz que se compreendi bem, ele dizia que era o que nos diferenciava dos outros animais.
Miguel NabinhoO artista é quando tu chegas a um sítio onde as coisas que são iguais em nós aos outros animais já estão mais distantes. Ou não estão lá. Bem, vamos. Vamos começar a entrevista.
Vitor RuaAh, exatamente, agora passar deste interlúdio.
Miguel NabinhoExatamente. Exatamente. Eu fui à Wikipedia e diz que tu nascias tem mesão frio, é verdade. Mas foste toque para o Porto. Foi.
Vitor RuaEu continuo a manter a dizer quando me pergunto onde nasci, claro que digo onde, mas foi aquele género. Os meus pais já viviam no Porto. E portanto eu fui só lá nascer e fui logo embora. Posso ter ficado dez dias, oito dias, ou assim.
Miguel NabinhoPortanto, tu és um filho de uma cidade, não? Claramente não és um tipo com ligações rurais ou nada. Queria que me explicaste, já agora se passo de uma forma narrativa, como é que tu caíste para a música? Como é que aconteceu? Porque eu sei que eu já tinha só uns anos, portanto, eu sei que tu começaste muitíssimo cedo. Como é que foi? Qual foi o teu primeiro instrumento? Os teus pais tocavam, também cantavam.
Vitor RuaTu tens um irmão, é possível. Tenho um irmão e uma irmã. Mas ninguém na minha família tem relação com a música ou mesmo com artes.
Miguel NabinhoOs teus pais ainda são vivos? Não, foi há pouco tempo, mas eu lembro que quando encontrava eles ainda eram vivos, tu és no futebol clube do Porto, e o teu pai também, tu vibrava assim com a mão. Foi sócio. Eu nasci ele pôs-me sócio. Exatamente. Eu lembro que era uma coisa que tinha, era uma proximidade que tinha só a teu pai.
Vitor RuaNão só não tinha relação com música orte, como for example, I record one of the country miúds, I was like in casa and my paired i emprego, with a minha tia, a tia in a liveria latina in Port. And I was with my money and amigos of my money who visited. My paired in texters, my thousand Antonium Rua, texters in Port. But the disc and what a mãe continued to be. What I had in infancy were things like Juli Iglésias, Roberto Carlos, Demis Russes, all that we chamber of música ligeira, Nelson Ed, this type of music. Depois what was a determined idea. Nasci em 1961, vamos por 1974, 1965, my iron is 10 years more than you. De repente has a phase that I mean that aquatic that I ouvia porque me punham a tocar, and I banhava-me com aquela coisa. Lembro-se que há uma altura em que eu de repente me apercebo, eu gosto disto. E comecei a ouvir os discos do meu irmão, and aí há logo uma primeira escolha, a primeira escolha de uma pessoa dizer assim, no, entre isto ando, I quero isto aqui. E é a minha primeira passagem de dizer assim, OK, vou virar-me para isto aqui, andou concentrado com isso. And this moment in which I think is, and dentist, the instrument that I quero to do. And at 90 years had a prime guitar acoustic. But this can say that at this moment desperate, because I lembro my pay and my garf or facas and songs, and I record me, not to be so instruments to bring, and imagined me done concerts. I was in a piano to bring up and imagined a dark, but it was this moment. And de repente it was a particular day, I tive a prime guitar acústica, aos 10 tive a primeira guitarra elétrica, aos onze tive a primeira sintetizador, na altura só para ir 3, 4.
Miguel NabinhoQue sintetizador é que era?
Vitor RuaEu tive um corg monofónico. Corg. Corg. Mandei vídeo de França a um motivo que me trouxe de França. Não era caríssimo na altura? Era, era, era, foi.
Miguel NabinhoOs teus pais te deram.
Vitor RuaDeram porque eu ia conquistando as coisas. Não era aquele género de dar-me. Por exemplo, eu comprei guitarra acústica, uma guitarra clássica. I tive one a tocar today, sempre que podia, no, for me. Depois, my tarde, when tive a guitar electrica, talvez até antes da guitarra elétrica, tocar a professora who chamava-se Garda, Donna Garda, who had a friend. In order to ensinasse música, música classic, I lembre a casa andar, anda, guitarras electricas, the prime year took a guitar electric. And I perceived that the instrument was a guitar, but I was a guitar because there was distortions of Speak Floyd or the Deep Purple. And when I peguei, too, chegue a casa with a guitar classic and quis took the smoke on the water, and saí, e depois melhor diz que era. Não é o mesmo instrumento. É uma guitarra elétrica. Ah, tu é que ser a guitarra elétrica. Então, a guitarra elétrica, mesma coisa. Chega a casa com a guitarra elétrica, tudo contente. Com o puficador, sim, também. É um apescador, o meu tio deu-me um apescador, liguei ao pescador, e era tin, tin, tin, mais alto, mas era na mesma tin, tin, tinha ainda não era, porque faltava à distorção, não é? E só aos poucos é que fui conquistando o som que eu realmente queria, tive que me explorar para a guitarra. E depois, à determinada altura, era aquela fase do rock sinfónico, os IS, os Genes, Gentle Giant, King Cream, que usava o sintesador e os Pink Floyd especialmente. Eu disse, é isto é que é vestial, faz ventos, e então quero. E eles viam. Quando teve a guitarra clássica, teve um ano, tocar todos os dias. Guitarra elétrica já tinha bandas, comecei a ter bandas de rock e assim. Como os amigos, sim, e mesmo já ganhava dinheiro, já íamos tocar a sítio e tocar músicas do outro. Tinha-se 11 anos. Aí tinha 10 até.
Miguel NabinhoTinha até 10. Mas tinhas uns.
Vitor RuaO grupo chamava Sniff. Sniff. Eram todos mais velhos que eu. Pois era isto que eu provotava, os outros tinham o quê? 15, 16. Sim, 15, 16.
Miguel NabinhoSó que tu eras um bocado sobredotado.
Vitor RuaE depois era lá em casa, e depois o que é que aconteceu? Tu tocava as guitarra, não? Tocava a guitarra. Mas agora, repara, naquela altura os grupos tocavam músicas de outros. Eram os covers. Na altura não eram covers, chamava-se de música de baile. Música de baile. E tocava os beatles, procolaram, não sei quem. E o que é que aconteceu? Os outros eram todos mais velhos que eu. E eu, os instrumentos, estavam todos em minha casa, os disse a minha casa. Agora imagina.
Miguel NabinhoOs instrumentos, porque eras quem tinha mais instrumentos.
Vitor RuaNo, I digo, eles ensaiavam-se lá em casa, porque o baterista pôs a bateria, oras. Os teus pais na boa. Na boa. Eles sofreram imenso, mas pronto. Mas agora imagina, puseram-se lá os instrumentos todos. E eu estava lá todo dia. Imagina que só ensaiávamos ao sábado. Mas eu estava segunda, terça, quarta, quinta, sexta. E ia para o baixo, ia para o órgão, ia para a bateria. E até um dia lembro-me de estar a compor e começa a compor músicas assim, pode ser, e a guitarra faz isto, o baixo faz assim, a bateria faz isto, e um dia eles chegam para o ensaio, and eu estava a tocar uma coisa assim, e ele disse, é pai, seja giro, o que é que é isso? Ah, foi uma coisa que fiz. Ah, é, é, ou toca. E o que é que tu sabes o que é que os outros mentam? Eu sei, olha, o baixo é assim, o coisa assim. Então eles tocaram, ensinei-lhes, eu disse mais ou menos o que era, eles fizeram, andamos um concerto que nunca mais esquece, foi no Salão dos Bombeiros de Matozinhos, aquelas festas, qualquer coisa assim. Imagina, começamos a tocar, os Beatles, os Colling Stones, para o Colar, o grande fã, não sei o quê, e depois de repente tocamos a minha música, e o que é que acontece? Nas outras pessoas, por exemplo, acabavam os beats e as pessoas. Tocam a minha, pedem bis, começa, bis, bis, e então tocamos duas vezes, e os gajos ficaram assim a olhar e terminaram o concerto e disse assim, tu tens mais música, eu tenho, e então mais outra, mais outra, até que o último concerto que dei.
Miguel NabinhoComeças a pôr com essa anciana.
Vitor RuaExatamente. O último concerto que dei com esse grupo já era só música minha. Já era só música. Foi o último concerto que dei e já não tocávamos uma música, o que era raríssimo. Por exemplo, estavam lá os, era a primeira parte daquele grupo, os Pesquisa, que depois mudaria o nome para Taxi. Era os Taxi. Portanto, era os Taxis, mas com outros grupos.
Miguel NabinhoEstavam a fazer a primeira parte do grupo. Eles são muito mais velhos que tu, mais cozinhado.
Vitor RuaNa altura mutava, não, nem três, ou assim, por exemplo, imagino, eu teria na sala, depois, porque isso já foi mais tarde, foi, já tinha outro grupo, mas eram os King Features Band, mas que ia fazer uma coisa. Aquilo era experimental, ainda eu não sabia o que era música experimental, e era um grupo que ia tocar, imagino, era sintesador e máquina de barbear, voz e aspirador. O percussionista era com uma sanitia e penicos e tocava com duas colheres de pau. Esse era outro grupo que tu tinhas. Que chamava Trompas de Falópio. E o que é que aconteceu? Ficou marcado, há o cartaz em que diz Trompas de Falópio, King Fichas Band e Pesquisa. No Pavilhão dos Carvalhos é uma coisa para 4 mil pessoas, é uma coisa grande, eles tivéssemos a educação nos matavam porque aquilo era uma coisa completamente forex. Agora, se calhar, já têm uma abertura. I imagine a altura eles iam tocar Paul Simon, por exemplo, King Fish i took Country Road, I'm City in the Ralyst, or to come from the Wechuari Spin Floyd. Nós era o que todos é com a máquina de barbear e sintetizador, só o gajo com duas colheres de pão, uma sanita e pipnicos, ando com o aspirador, era uma loucura. Por sorte, para mim, foram todos presos no dia anterior do concerto. Os membros da banda, menos eu, por causa de um roubo ou assim, uma coisa qualquer. Foram todos presos, and fiquei sem banda. Lembrei-me ao Schniff, que eles tinham continuado sem mim, eu tinha saído. Fui, imagina, o concerto era às 9 da noite, eu fui a uma da tarde que defonei. Vocês querem tocar hoje à noite? Ok, defonei, fui lá a uma da tarde, tipo de uma às três, a transmitir-lhes uma peça minha, era uma suíte assim de 50 minutos. Tinhas 15 anos, pai? Aí já tinha, não, ainda tinha BT pai, sim, 14, 15, exato. E eles já foi tudo só uma peça minha que tocou surpresa. Tanto que era tão raro que no fim, recorre-me do vocalista dos táxi e o guitarrista vieram no fim, e foi engraçado que todos os outros eram mais velhos que eu, não é? Portanto, eles foram falar com os mais velhos, dizendo, isto é muito giro, isto é música bossa, ele sim-me, e foste-te que compuseste, ele, não, foi aquilo. E ele pontou para o puto, e então vieram e falaram, foste tu que composeste, andou um belé para casa, queria talvez saber, até me dar um belet, but in this altered times, five programs of rádio to took those a solar, guitar, a peculiar 12 years a suite, a piece of suite for flauta transversal, piano, synthesizer, percussion and guitar. You imaginavas this too in the cabinet, because you took a flauta transversal, epoch convidava e depois na guitarra, na altura não escrevia, anda guitarra e dizia, tu fazes isto e tu fazes assim, tu fazes assim, and lá a coisa e já portanto já eu quando fui para quando cheguei ao GNR já tinha passado. Tu fundaste o GNR, quando cheguei a fazer o Alexandre Soares, o GNR nasce, porque eu tinha os King Fishers Band, que era um grupo who tocavas música Fall Country, tocavas todos os dias, mas quando digo todos os dias, é todos os dias. É no meu aniversário, é no aniversário do meu pai, é no Natal, é no ano novo. Mas durante quanto tempo? Durante 3, 4 anos, durante 3, 4 anos, percebes porquê? Porque nós fazíamos contratos do mês. Sim, com um bar, com bar, clubes, restaurantes, galerias. E a primeira vez que aconteceu, imagina, fomos era ao Twiggy, um pano, assim, muito chique, assim, no Sado da Bandeira, que só iam aqueles casais, e as pessoas que se iam do teatro do Sado da Bandeira iam lá, depois assim, e recordo-me até que eu era... Portanto, aí devia ter pai 13, os outros tinham todos tipo 18, 19, 20, eu tinha para aí 13, e então eu lembro que fomos lá a montar os instrumentos no pavo e o dono do pavo assim, a ver, nós todos, assim, para ele éramos cabeludos ou fricos, na fricos não havia hippies, hippies, assim, uma coisa assim. E então, e aquilo era muito chique, o gajo fadinho, gravado, toda coisa. Ai, como montem os instrumentos, levantaram e tal. E depois no fim de todos estão aqui, às 9h30, para começar às dez, e os mais velhos mais diamantes, pronto, saíram. Eu ia a saíram. E eu tipo, olha para mim e disse, coloca alguma coisa. Logo à noite não vem assim calçado, boa noite. E eu olho e estava de sapatilhas, e eu olho e faço assim, eu, não estou a perceber, ele não vem de sapatilhas, boa noite. Olha que as minhas sapatilhas devem ser mais caras que os seus sapatos. Andou assim, rio-se, e disse assim, ok, pode vir, mas para dizer que para ver como é que eram as coisas na altura. And I had 13 anos, não sei o que, and tocava-me as 10 até à 1, das 10 às 11, depois da meia-noite às 1, and I puto ali até à 1, 1 e meia.
Miguel NabinhoDepois na boa.
Vitor RuaNa boa, porque eu ganhava 30 contos por mês.
Miguel NabinhoEra mais 30 contos por mês.
Vitor RuaUm professor universitário ganhava 21, 19, 20, 21. Eu já estava a ganhar 30 e assim. E depois o que é que acontecia? Às oito da manhã levantava a escola e tinha sempre as melhores notas, e assim, eu dispensava, era daqueles alunos que dispensavam aos exames e assim. Mas assim, ele está a fazer, mas continua a coisa, deixa eu estar, enquanto tiver, está tudo bem, assim. Sempre me deixaram fazer as coisas porque eu conquistava até que houve uma altura que se tornou inconfortável. Quer dizer, a terminar, ficávamos até às 2 da manhã, não sei que, depois de ir às oito, e depois estar com física, química e aprender aqueles címs, tinha que se estudar minimamente. Quando cheguei ao sétimo ano, tive que tomar a opção, que era, ou continuar. O sétimo ano era o décimo primeiro. E tinha que só optar para ir para coisas, and I disse aos meus pais: Olha, eu quero me dedicar à música, por isso. E o meu irmão, que era 10 anos mais velho, deve ter dito qualquer coisa assim. Isto sou eu que sei agora, e deve-lhe ter dito qualquer coisa assim. Ele está a fazer tudo, está a ganhar. Aí já estava a ganhar 60 contos por mês. Sabe porquê? Porque era, porque aqui foi um sucesso tal que os outros bares ouviram falar porque enchiamos os bares. Eles não tinham quase ninguém e de repente estava aquilo cheio, começaram a ouvir, e era, nós estávamos a terminar, já tínhamos o contrato no outro bar. Estávamos a terminar, já tínhamos o contrato no outro bar e tivemos assim 3, 4 anos assim. E então, até que um dia, como eu te disse, eles eram todos mais velhos. E o batrista, o Pet Taber, que era um excelente batrista, foi até quem ensinou a bateria ao Mário Barreiros e esses coisas assim. Um dia chegou lá à minha garagem onde ensaiava e disse assim: uma garagem tão grande, sabes? Achas que dava para eu trazer, eu tenho duas baterias, achas que dava para trazer a segunda bateria? E aquilo é umas caixinhas, fica só ali no cantinho da maior, depois à vontade, não há problema nenhum. E ele, ok, obrigado. E eu disse assim, mas espera aí, tu tens outra bateria? Ele disse, tem. Se montássemos a bateria num pub e outra bateria no outro bar, tocamos das 10 às 10h30 no este, depois vamos a este das 11 às 11h30 neste, depois à meia-noite, às 8h30 neste, e depois. E fica assim, virou-se para os outros e disse, viste que o puto disse?
Miguel NabinhoEu boto a bateria com outra coisa.
Vitor RuaEntão aquilo era, imagina, nós também no Difante no Porto, a tocar das 10 às 10h30, acabava, éramos nós a metermos em motas com os bandolinhos, com as guitarras, assim nas costas, íamos de moto assim para o Wildish Coffee no Aforge, tocávamos das outras e meia, depois íamos outra vez para o outro, vai, depois íamos outra vez para o outro, para voltar, e começamos a ganhar 60 porque era 30 em cada bar. 60 já nem um neurossurgião. Ganhava na altura. Por isso os meus pais viam assim, e o meu irmão era ter sido, enquanto ele tivera.
Miguel NabinhoE tu gostavas, ou essa altura começaste a sentir que estás a fazer aquela música, era um xerop.
Vitor RuaO xerop não, porque eu aprendi muito com eles porque eu eram mais velhos e aprendia muito, aprendi coisas muito importantes de música. Mas havia um problema que era, eu gostava de rock, por exemplo, naquela altura aquilo devia ser tipo 75, 76, 77 aparece o punk, talvez 78 a New Wave. Começa a haver aquela coisa, e o rock sinfónico, eu vinha do Rock Sinfónico, nunca me interessei propriamente por aqueles country roads, John Deborah ou Paul Simon. Na altura coisa folk, não era uma. Tocava porque era o que eles tocavam. Eu não tocava guitarra lá, lá era tocava bandolim, slide guitarra, vai guitarra baiana e cantava, tocava as percussões, eram umas coisas desse género. Portanto, a uma altura, enquanto aquilo deu assim, dinheiro e o que eu aprendi, já viste, todas as noites a tocar com o público. Eu, quando fui dar o primeiro concerto de Genier, eu lembro-se todos os outros nervosos, porque era o primeiro concerto, eu para mim era mais uma noite dos últimos quatro anos em que sempre tive público, portanto ganhei um cálculo de teatro. Mas a minha altura falei com o Orlando, era o mais velho lá do grupo, e disse: Olha, eu gosto mesmo de coisa. E o que aconteceu? O Alexandre Soares foi ver um concerto dos King Fiches on Bar e no fim veio falar comigo.
Miguel NabinhoMas é mais velho do que tuis dois ou três anos.
Vitor RuaMas imagina, na altura não se nota e está tudo bem.
Miguel NabinhoTu tinhas 15 e ele tinha 18.
Vitor RuaAí já devia ter para aí 17 e ele, por exemplo, tinha 19, por exemplo. Mas agora imagina, ele olhou para mim a roupa, a coisa, não sei o quê, e olhou para os outros e disse assim: eu identifico-me com aquele e veio falar comigo, e de repente começamos a falar a mesma linguagem, gostas do não sei o que, gosta dos Divo, gosta dos Talking Nets, gosta dos. Ai, tu toca assim, eu sou dos pesquisos. Ele era dos pesquisa, que depois viriu a ser táxi, mas ele depois não foi para os táxi. No, porque foi à minha garagem e começamos a tocar juntos, começamos os dois, ele convida depois o Tolie e formamos o GNF. Portanto, quando os pesquisa passam para a táxi, já está ele também no GDF. Portanto, a formação inicial era eu, o Tol e o Alexandre só.
Miguel NabinhoO Ranin era uma personagem que andava lá no Porto. Não, não, não.
Vitor RuaO Raninho foi daquelas coincidências cósmicas que acontece. Que foi eu para aí em 70 ou uma coisa qualquer, 75, 76, uma vez chegou um amigo meu à minha beira, mais uma vez, mais velho que eu. Eu dava-me por sempre com a pessoa mais velha. E disse assim: queres ir ver um concerto de electronic music? Eu ouvi aquele tema assim, Electronic Music. Wow, isto parece, quero, quero ver. Então fui ver esse concerto, não me fazia a ideia, e era o Zanar Band, que era o grupo de Jorge Limonreto, que nessa altura com o Reninho and outros. Bem, aquilo mudou a minha vida, que é de repente chega, imagino, eu estava habituado a ver aqueles grupos de rock a tocar Deep Purple and dependent apanho um concerto com cinco gajos vestidos, tipo laranja mecânica, fatos macacos brancos, o Jorge no piano a tocar e bolas de ping-pong a saltarem, o tipo a tocar violoncelo e um ganso com um laço cor-de-rosa a cair no palco, a voar no palco, e banda magnética a dar sons de relógios, tigres, leões, rugidos de leões, portas a bater, música concreta. Eu disse, que loucura, isto é maluco. E então lembro-me que foi tão importante que eu escrevi no meu caderno diário de filosofia, ou psicologia, escrevi qualquer coisa do gênero. Ontem fui ver um concerto de tal. Um dia ainda tocar com estes dois músicos, que era o Jorge e o Reninho. Primeiro a convidar o Reninho para vir tocar com o Jorge.
Miguel NabinhoPorquê que tu convidaste o Reninho?
Vitor RuaTambém primeiro porque conheci o não estive com ele, mas sabia que ele era aquela pessoa. Ok, isso primeiro.
Miguel NabinhoCantava.
Vitor RuaTocava guitarra de dois braços, baixo e guitarra, mas assim com palitos e fitas adesivas, só fazia assim, pão, pchim, tipo Derek Bear, muito para a frente. Eu conhecia isso. But depois, quando já tínhamos o GNR, de repente havia uma revista que era Rock in Portugal ou Rock Week, acho que era Rock Week. Nós editamos o disco, o single, and de repente saiu uma crítica a dizer: este group a dizer muito bem de nós, e depois tinha uma frase que é assim: Qual era a música que vocês tinham editado? Tínhamos editado Portugal na CE e o Espelho Meu, do lado B. Ele dizia assim: perguntem ao meu espelho, que era a letra, quem é que fez o melhor sol de sintesador in Portugal? Ora, esse sol tinha sido eu a fazer no tema do espelho meu, uma coisa que eu vou. Ele disse, olha, este gajo é o gajo que eu vi. O Reninha que tinha escrito isso para o Rockwick. E eu de repente disse, Olha, este tipo é aquele maluco que eu vi há uns anos atrás a tocar, não sei. Ah, bem-vindos, não sei o que. Andar, como eu te digo, desde puto que tinha coisas. Eu não sabia o que era música experimental, não conhecia cage, não conhecia nada disso, mas sempre fiz coisas esquisitas. A tal point chegou aos ouvidos of an amigo do Raninho who havia um tipo in Francos, que era onde eu vivia onde eu vivi, que tinha coisas esquisitas, por exemplo, que tocava com balão na guitarra, enchia a guitarra com balões, and tocava ao mesmo tempo sintesador e guitarra. Um dia o Reninho foi lá à casa, levado por esse amigo, para conhecer o maluco que tocava com balões na guitarra, e aí conheci-o pessoalmente. E devo ter falado com ele, ele falou comigo, ficou-se e marcou-se na altura. Ele convidou-me para um concerto que era a Bienal Dalmada, não sei que a zero, como é que se chamava? Qualquer coisa zero. Uma Bienal de performance, pintura, arte espaço que era organizado até pelo Egidio Albert e depois Manuel Barbosa. Estavas lá, aqueles todos, Albuquerque Mendes, Barbosa, Pestana, andacionais também, pessoas internacionais. And one of the groups convided era o Narband, the Jorge Limoreto e o Raininho. So Jorge Limalete estava no Brazil. O Raininho convidou-me a mim para ir tocar. Sintesador. Na altura sintesador e ali também nem sei o que era. Ah, era a guitarra de dois braços.
Miguel NabinhoMas já cantava ou não poesia?
Vitor RuaNão, não, não, era guitarra de dois braços. E então, imagina, marcou o concerto e eu esqueci-me do concerto. Eu tinha o GNR, e de repente estou no Algarve. Tinha dado um concerto, estava no hotel, recebeu o defendema da minha mãe e disse: Olha, está aqui um amigo teu a dizer que hoje tens um concerto. Passa-me de fora. But podes-me levar os sintetizadores. Ele é que levou os sintetizadores, porque o concerto era Almar, ele é que levou os sintetizadores and I tive que, na altura não era como hoje o Uber, imagine o comboio. Ident the combo at 9 day, and so having às 7 days chegava no Porto à meia-noite, so I fui a táxi, paguei o dinheiro que eu tinha gente no concerto. Foi para o táxi para dar o concerto in Almada. And foi a primeira vez que toquei com ele, anda a partir daí comecei a pensar na possibility of him entering and convidou-no for audition at the garage. I can transmit to Alexandre, and the Alexandre can see cords and stuff. But the Portugal ACE foi who can copiava, mimetized. But I convinced, and it was a he appeared with a guitar with those brass, with the palette, and imagine a town in the alter docile, quality, and he the guitar era. And then alter ainda não sabia improvisar. And so saí, lembro que saí o Toly, e não podes sair. Dizia. E eu dizia assim, dizes tu, e ele, não, não, que convides, dizes tu dizes tu que não dá para estar na band, and estávamos a dizer isso, and he was dental. And de repente está o microphone ligado, and come. And a cantar, give me your backstage pass, a cantar para a Anne Ferry. And I ouve, and one of the fraquezes was a voice. Limited, no limit for all these cousins that I had. But it was not. And the performance of a manner. And when entered the grace, give me your back to pass, and I feel like Wow. And I sent me, e de repente disse assim, olha, sabes o que é? Nós guitarristas, já sou eu e o Alexandre, não precisamos de guitarristas. Mas olha, mas para cantar era ótimo e tal. E pronto, conseguimos convencê-lo, e foi aí que ele começou a cantar.
Miguel NabinhoE tu estiveste, tu antes de sair do GNR, tiveste quanto tempo com o Reninho do GNR? Pouco tempo, não?
Vitor RuaPor exemplo, eu estou a falar do GNR e nas entrevistas as pessoas falam e puxam às vezes para coisas. Mas repara, o GNR são quatro anos da minha vida. Os Telect, por exemplo, ainda hoje existem, são 42 anos. 42, claro. Quer dizer, portanto, já vai em 42 anos. 44, desculpa, 44 anos da minha vida. E mesmo os Kingfishers, tipo, aí cinco anos, ou assim nos King Fishers. Portanto, agora, claro que teve importância porque foi uma coisa para as massas e que lançou o nome e assim.
Miguel NabinhoPorquê que tu saíste do GNR? Tu ainda fazes o álbum.
Vitor RuaPorque para mim as pessoas todas podem ficar por aí, pelo GNR. Eu sou suspeito.
Miguel NabinhoPronto, mas essa parte interessa-me, isto não é para dizer mal daquilo, é em termos musicais, o que é que tu faz sair do GNF? E depois há outra pergunta que é. Mas primeiro tu escreveste no setor, tu mandaste para o set, aquele manifesto, que eu não consegui encontrar em parte nenhuma na internet. Não sei se de onde é que isso existe.
Vitor RuaNa internet não sei se existe, mas eu tenho e tens. Acho que talvez já exista, por causa no Instagram e no Facebook, é capaz, mas é pronto. Não consegui, mas sei mais ou menos. Eu não tenho, eu demito o grupo. Exatamente.
Miguel NabinhoMas era por motivos comerciais ou por motivos era. Demitir é assumir que o grupo continua contigo.
Vitor RuaNão, foi muito simples, porque eu de repente começo a tomar, já tinha, cusquinho fixe, assim, mas de repente tomo uma consciência não só de músico, mas também política, social, tudo a ver a música não só por Dorrami, mas também a influência que isso tem na sociedade e assim. E de repente vou a Nova York em 83 e já conhecias os Jorge? Já fui com o Jorge, aliás, a Nova York. Já foste com o Jorge Jorge. Era o que eu digo, a minha vida quase se divide em antes e depois de conhecer o Jorge. Antes, até lá, era rock. Era como se eu vivesse numa sala de rock, não é? Só com umas raríssimas exceções, mas era rock. E de repente ele chega e abre a janela dessa sala e vejo a música concreta, a música eletrónica, o jazz, a música clássica, a música contemporânea, a música espetral, a música vodkafónica, a música serial, quer dizer, abrir uma porta. E de repente eu vou a Nova York, imagina, no dia anterior estás a dar um concerto, a cantar Quero Ver. E outro dia estás em Nova York, e logo na primeira noite vou à Kitchen, um dos centros de arte e de música principais, ainda hoje acho que existem, e o que é que vejo na mesma noite? Vejo o Derek Bailey, o John John, o Fred Frize, o Bill Laswell, o Ciro Batista, o Peter Rothman, ou seja, todos os poentes máximos da música improvisada a solo e depois em grupo, no fim. Então era assim, viu o Derek Belli e ficava assim, que loucura, e depois era o Fred Frizz a tocar com as guitarras deitadas numa mesa e a tirar o boneco e a bater assim e depois a passar com o arco, eu nunca tinha visto, porque depois o Vilazo, estávamos sentados no chão, era aquilo que chamava-se The Kitchen, a pessoa era no andar 49, a terceiro direito, entravas and passavas pela cozinha, depois sentavas no chão na sala de estar, almofadas. Eu lembro de estar a ver o Derek Vela, depois a Joel Leanne, a Fred Fritz, and the Derek Vela dizia Billasville. E eu estava à espera porque estava dos materials, ele fazia parte dos materials, and eu estava assim a olhar para ver onde é que ele estava, sabes onde é que ele estava. Estava sentado ao meu lado. Então de repente levanta-se um gajo e eu, oh, é o Billaso, e foi tocar e pega assim no baixo, e mal pago no baixo, está assim e parte uma corda daqui, pá, e ele fica assim e pega na corda e começa a bater na corda assim nas outras cordas, e que coisa de uma loucura. Eu lembro-se que cheguei ao hotel e disse assim, é isto que eu quero fazer. Então cheguei a Portugal e tive uma reunião com o Reninho e o Thalia e disse assim: olha, o GNR para continuarem é desta forma. Damos só três concertos por ano, tipo, Porto, Coimba e Lisboa, ou seja, nós andávamos àquelas aldeolas todas e festas de rumaria, chegávamos a sítios que nem palco tinha ou estrada à série, em furgões e naquelas um desgaste. Só dámos Porto, Coimba, Lisboa, gravámos um disco por ano, estamos em estúdio um ano para gravar um disco, and os concertos são multimídia, vamos-nos ligar a performers, pintura, slides, vídeo, e acabo de dizer isto, e Toli diz assim, tipo, mas isso não dá para o beef. Andou a falar de música, estou a falar de gastronomia, e terminou aí. Ou seja, foi por razões quando faço as coisas manifesto já no sentido de dizer não cometam o mesmo erro que eu, não faço música comercial, faça música pela música e pela arte, sem pensar em sair nos jornais orejornais, or essas coisas assim.
Miguel NabinhoE diz-me uma coisa, portanto, qual é que é?
Vitor RuaAí já estava no Estelect. Nós em Vilado Mouros já dei o concerto com o GNR e com o Estelecto. Mas o GNR já estava no fim, claro.
Miguel NabinhoEntão diz-me uma coisa, portanto, saes porque isto também é importante em termos musicais, é o que é que são o GNR para ti antes de tu saíres em termos musicais, e o que é que são o GNR para ti depois de tu saíres?
Vitor RuaPronto, é muito fácil porque é um bocado aquela frase que eu disse. Eu queria fazer música que eu estava a falar em beefes, no fundo foi isso um bocado que aconteceu. De repente eu fui por um caminho que era tocar em galerias de arte, tocar em sítios pequenos, embora, for example, logo em 1984 fomos ao centro de Pompidou, and in 1985 fomos a Moscou and to 10 people and 20 mil people. Aliás, Vilado de Mouros, the prime concerto foi para 20 mil pessoas também. But, quer dizer, when começamos mesmo emo, era em galerias, in clubs very pequenos, and depois começamos a tocar também na Golbenca, essas coisas todas. Ou seja, começamos a conquistar a publication and fomos por um caminho que era totalmente different of tocar a festa ofra ingracia, melancias, que era um bocado que estava a acontecer com o rock in a future, que andava ali a tocar essas coisas, tocava no pavilhão, but era uma música.
Miguel NabinhoMas eu estou a perguntar o que é que é para ti musicalmente.
Vitor RuaSim, eu percebi. Posso ser mais concreto. Eu mesmo no GNR, a minha intenção era sempre evoluir. Se reparar bem, olha, repara, o primeiro single do GR, Portugal Lance E, Espelho Meu. Lado B. O Portugal Lance, all the gente conhecida, ainda hoje, o Espelho Meu quase ninguém conhece. But it's much experimental, much avancado. Depois says the second single, Lado A, ser um GNR. There connects, quero ser um GNR, gord the GNR. The lado B is an instrumental. Quase no instrumental in rock portuguese, feito in Portugal, and era avancada, experimental, dava-lhe já a editora who screamed, está aqui o it, but now the other lady está is. Até que chegou à independência, que era o LP, and six músicas de one, and the other A Varias que era um tema de 26 minutos, a improvisação in tempo real, com poesia concreta do Reninho, uma coisa avançadinha que ainda hoje é raríssimo e avançado. No rock, uma improvisação de 27 minutos que ocupa o lado inteiro de um disco, não há muitos exemplos passados 40 e tal anos, não é? Portanto, eu sempre tentei ir para a frente, the mais para a frente possibilidade. Até que, como te digo, na mesma altura, de repente, tenho isto, Telecto, tenho isto. Estes não querem fazer, não estão a querer fazer aquilo que eu quero, to ficar um grupo ligado à performance, ou multimídia, estar um ano a trabalhar em estudos, com este posso fazer isso e ir muito mais longe and acabar a cançãozinha. Por exemplo, mas é o que eu tenho a dizer que tem a ver com o que estás a fazer. Mesmo com o GNR, isso já se passava. Por exemplo, nós, como eu disse, tínhamos que tocar naqueles. Eu nunca comprei nenhum disco de rock português, nunca ia ver concertos de rock português. Tinha que ver porque tocava nesses concertos e apanhava. Agora repare, eu ia chegar a casa e pôr a ouvir-me a Rua do Carmo ou Amor dos Iróis. Então eu estava a ouvir Telonios Monk, Stockhouse, Xenakis, Tolkien, Divo, Roberto Fripe, Braenino, ia chegar a casa e ia pôr um disco a ouvir, quero ver Portugal, agora repare, nós nunca fomos, nessa fase do reininho, nunca fomos cabeça de cartaz. Por exemplo, se iam tocar os heróis de mar, os heróis de marca cabeça grande. Se íamos tocar com os chutes, os chutos eram cabeça de cara, se íamos tocar com os gafes eram a cabeça de crédito, se íamos tocar os táxis e os staxis eram cabeça grande. Ou seja, nós fazíamos sempre a primeira parte desses grupos. Porquê? Uma razão muito simples. Imagina, estão 3 mil, 5 mil putos, a ver o conceito, não é? E agora imagina, entra os táxi, andava os táxis, o público cantava as letras todas de principio ao fim. Chicleta é fora, chiclete, é fora, olha como é a rua do carro, amor, sabiam as letras todas, não é? Entrávamos nós, Reininho, refrão, horrorosa natureza pseudo ao mãe, transformada em pátria, guerra, e chegava assim, o que é que ele acabou de dizer? Selaco Luz, ursinho de Peluche, quer dizer, eram refrões de poícia.
Miguel NabinhoMas tu não achas que o Benin também conseguiu em disco, já depois de tu saíris, ter algumas letras fabulosas?
Vitor RuaAs letras, por exemplo, essas letras que ele usou no Independência na altura were um livro que saiu na etc, and muitas delas estavam lá, andam coisas que ele estava a trabalhar em livro. Ele sempre foi muito bot a escrever things. Agora, one is a letra em si, otra coisa é o contexto de uma letra metida depois numa música, and I, por exemplo, imagine, eu posso estar a cantar Herberto Helder, but se a música foi tão, tão, tão, tão. Tu és a gerar para perceberes, e se estiver a dizer o poema a vaca daço pode transpirar. Herberto Helder, mas quer dizer, e o que eu acho que aconteceu foi muito simples. Eu escolhi um caminho em que, por exemplo, hoje somos conhecidos, por exemplo, os telecks are conhecidos in the world, and it is like não é Taylor Swift, but in todo mundo, no Japão, na China, na Itália, Moscovo, States Union, inglaterra, un nicho who nos conhece and who compra a nossa música e que sabem quem são os Telecks. Não só o GNR, mas quase todos os grupos de rock em Portugal fazem assim. A fronteira está aqui, fazem assim e já ninguém sabe quem eles são. Por exemplo, isso não se passa comigo ou com o Stelec.
Miguel NabinhoPortanto, tu sentiste que tinhas que era um desperdício.
Vitor RuaNão era bem um desperdício. É como tu querias fazer, queres vestir-te de azul e aqueles que estão todos vestidos de vermelho. Era uma coisa. Criamos coisas diferentes. Eu queria ser músico, queria estudar música, queria trabalhar para a música, e eles queriam.
Miguel NabinhoMas como é que tu olhas, por exemplo, há muitas músicas, porque o que acontece muitas vezes também, há músicas que são vistas como menores na sua altura, e que depois, 30 anos depois, toda a gente as canta e toda a gente quer, sei lá, imagina o My Way, que foi composto pelo Polanca, a versão inglesa, pelos franceses, quaisquer que eu não me lembro agora a versão francesa, que é a primeira. Portanto, as músicas todas do Call Porter eram músicas comerciais. And muito mais tarde, espera aí, mas o Call Porter era absolutamente um género, or tu não concordas com isto.
Vitor RuaNão, eu já percebi ainda bem que fazes essa pergunta porque isso é muito importante. É uma coisa importante e é importante, por exemplo, imagina, eu sou além de música e de outras coisas, sou etnomusicólogo. E na etromusicologia, uma das coisas que existe é tentar evitar juízes de valor. E estuda-se a produção, a recepção, a parte sociológica da coisa, mas tenta-se evitar dizer, mesmo na musicologia, tenta evitar dizer que o Mans Davis é o maior trompetista de sempre. Tenta-se evitar, evita-se essa classificação e assim. Mas é lógico que é quase impossível, por vezes, transmitir também. Não équizar. Exato, pronto, e transmitir, por exemplo, por isso é que a musicologia é uma ciência. Não é uma ciência exata, mas é uma ciência, como a filosofia também, mas que, portanto, é uma ciência. E sendo uma ciência, tenta ser o mais exata possible. E às vezes tentar estudar porque é que determinados fenómenos têm sucedience. Agora, voltando ao que estás a dizer das músicas menores, vou dar exemplos of why através the things mud. For example, aquele que é mainstream or who is vanguarda or experimental, dependent fica mainstream, or the contrary, which are mainstream and se transform in vanguard. For example, one who apparently seria mainstream and fica super experimental, Scott Walker. Scott Walker, the Walker Brothers, vieram ao programa do Jolicid. For example, I gostava à minha avó, à minha tia, a se virem aqui, ai que bonito, cantau tão bem e assim.
Miguel NabinhoMas é engraçado, porque aquilo é uma música super negra e as melhor tissaram capazes de gostar.
Vitor RuaMais melócra, não sei o que, os Walker Brother. Vendiam melhar, não sei o quê. O Scott Walker, a mesma vozinha que ouviu e gostou dos Walker Brothers, se ouvisse o de Drift, ou a partir do tilt, tilt, drift, não sei o quê, do Scott Walker, podia ter um infarto e ficava logo ali. Portanto, uma coisa que começa meio assim e que de repente fica super coisa. Mas também o contrário, por exemplo, mesmo no rock, vamos supor, grupos como o Radio Ed eram música alternativa, ou rock alternativo, e de repente ficam aparentemente mainstream. O que é que mudou? Nada. Eles continuaram, aparentemente, continuaram, mas aparentemente parece que não há nada. Mas o que é que há? Há uma assimilação e de repente as massas tomam conta daquilo e fica e de repente uma coisa que mainstream deixa, ou aparentemente, que era alternative, aparentemente deixa de ser. Quanto essas coisas do. For example, eu vou dar um example que acho que é fácil de entender do que ir para o Cole Porta ou essas coisas assim. For example, na minha quando eu tinha, sei lá, não sei que idade teria, 15, 6, 17 anos, for example, aquela coisa, o Festival da Canção in Portugal. Ou se no meu grupo de amigos, se alguém um dia dissesse assim, estive uma pessoa para uma pessoa dizer assim, olha, hoje vamos. Hoje vamos ao bar, não sei o que, a curtir com não sei o quê, não posso, porque vou ver o Festival da Canção. Olhávamos assim para eles e diziam o quê?
Miguel NabinhoNão, isso é desta geração. Pronto.
Vitor RuaSe alguém falasse Marco Paulo ou qualquer coisa. E a mesma coisa acontecia, por exemplo, com a Abba, os Abba. Se alguém dissesse, o que é que tu gostas? E eu dizia assim: gosto de King Crimson, Pink Floyd e Gentle Giant. E tu o que é que gostas? Gosto de Abba. Nem precisava dizer mais nada, mal insecesso, gosto de Abba, que era the Festival da Canção, the Eurovision, OK, because in these altogether is a roupa, is o que se ouve, isso formate groups, and there were diverse types of groups. I wanted to say, or apparently integrated so much. It was a parole, it was a term that we used, but retrospectively. 40 anos depois, de repente, estão a fazer filmes Mamamias 1 and Mamamias 2, baseado nesse grupo e não sei o quê. Agora, eu entendo o fenómeno, como é que é o musicólogo, entendo o fenómeno e tento perceber de produção e depois a recepção e a forma e consigo perceber porque é que o grupo vai atingir não sei o que. Agora, daí a dizer-se ou usar-se na mesma frase, vira palavra tipo grupos como os Beatles e usava. Não existe para mim isso, não existe.
Miguel NabinhoQual é que é a diferença para ti?
Vitor RuaRepara uma coisa. Lembras que eu no início desta conversa a falar da relação da música e da pintura, da música e buscar coisas à pintura. Então, vamos ver a mesma coisa. Na música nunca aconteceu, só agora, recentemente, com os Cultural Studies da Etonomusicologia, é que está a acontecer um bocadinho, andiclopédias que finalmente, em vez de ser aquele duas páginas para a música do mundo, como é que era uma enciclopédia de música até os anos 80? Era assim, era as primeiras dez páginas é falar: ah, música tal, há música indiana, música chinesa, música japonesa, os raga, não sei o quê. Depois eram 60 páginas, a começar pelos cantos gregorianos, e depois Barra, Vivaldi, Mozart, Betova, até que chegava ao Schoenberg e uns iam até ao John Cage, aqueles maluquinhos já chegavam até ao John Cage, e depois quanto muito, as últimas 5 páginas era para dizer, e também existe o rock e o jazz. Na arte é a mesma coisa, mas na arte há uma grande diferença para melhor, que é tu compras uma enciclopédia de arte, ou livros de arte, e tens, por exemplo, o não sei quem, o impressionismo, o expressionismo, a pop arte, e tens lá o Andy Warhol, sei lá, o Rosenberg, ou não sei quem, aquele das bandeiras, como é que o Jasper Jones, não sei o quê, tens essas coisas todas, ou seja, a pop arte na pintura e nas artes baixas ganhou o estatuto de agriculture, alta cultura, portanto, tu vais ao museu à Tate Gallery e podes ter uma exposição de sei lá de não sei quem, e outro dia está uma exposição de pop arte do melhor e vender mais caro até do que os outros, e com houve críticos.
Miguel NabinhoMas isto tem a ver com uma questão que eu estou sempre a fazer nas entrevistas de artes plásticas, que é nas artes plásticas, a parte popularucha não entra nos museus. Pronto, porque aquilo não é uma coisa de massas, as pessoas não andam a comprar a arte assim dessa maneira, e a música entra pelas rádios.
Vitor RuaMas aí é que eu estou a dizer que é uma grande vantagem a pop foi tão na música, ficou tão desvalorizada e tão coisa, andou tanto por baixo, low, culture, não é sei o que é, que de repente parece, repara, nós temos os Velvet underground, quem é aumentou dos Velvet Underground? É o Andy Warhol, e então uma pessoa devia dizer assim: os Velvet são o expoente pop na música.
Miguel NabinhoSó que é um bocado difícil.
Vitor RuaPronto, só que recentemente, por exemplo, só recentemente aqui em Silvio Pedas, de repente podes dizer assim: Carlinhos Stockhausen, Xenakis, Lighetti, Paul McCartney, nem John Lennon. E você ficar assim: parece, ah, isso é diferente. Porquê? E respondo-te o musical, ah, porque os outros são música erudita. E eu, esse termo, deixa-me logo com o pele de galinha, porque quer dizer, repara, eu um negro com um osso no nariz a tocar num tronco de árvore na Amazónia pode ser tanto ou mais relevante para a música do que o compositor que tem, caso escreve umas bolinhas que depois ninguém vai ouvir aquilo ou ouve aquilo e aquilo não tem interesse nenhum. Porque é que aquele há de ser música erudita e o outro é música não sei quem. I, hoje, e como é todo mundo, já digo, por exemplo, que compositores é que cortas? Eu posso dizer assim, precisamos, Elmuth, Stockhausen, Elmuth Lagman, Scott Walker, Frank Zapa, David Bowie, Shenakis, Thelonius Monk, Miles Davis, quer dizer, já digo, sem qualquer problema, meter esses nomes. O Paulo Macart, como eu disse, já os meto e não me importo, e já existem enciclopédias de música em que já não é cinco páginas de rock, já são 600 páginas para o rock, ou 700 páginas para os jazz e não sei o quê. Portanto, nesse sentido, eu não sou daqueles de dizer agora, há limites, quer dizer, é o que eu estou a dizer. Agora, eu estou a falar.
Miguel NabinhoTu, como compositor, se calhar vamos para a pergunta de outra maneira, tu, como compositor, percebes que a música do Zaba, ou até a música para não estar a agredir para fora, ou mesmo o Portugal nascei, é uma música, são três acordes, é top, top, top, top, top, top, top, top, top, mas é que às vezes. Nem é percebo porque às vezes há coisas que são muito diretas. Voltando um bocado à tua primeira pergunta, a letra, quem é que escreveu a letra de Portugal?
Vitor RuaFiz tudo, a música. Mas também é super contemporâneo agora faz 40 anos que entramos para a Cena.
Miguel NabinhoÉ super contemporâneo que parece Portugal ao mesmo tempo hoje, não é? Só que a gente não está para nascer.
Vitor RuaEu não tenho vergonha nenhuma daquilo que fiz. Agora, o que estou a dizer é, repara, logo na primeira pergunta disseste: o que é que tem interesse? É o público, uma pessoa que compõe para o público, me lembro já, era outra coisa, havia uma relação, uma coisa. E repara uma coisa: e eu disse, o queijo dizia, tu primeiro começas e há muita coisa, há muita coisa, e depois começa a diminuir, diminuir, e se tiveres short, ficas sozinho no teu.
Miguel NabinhoOu seja, ficas sem pressão.
Vitor RuaPronto, ficas sem pressão do bife. Pronto, exato. Agora é isso, é de repente uma pessoa sentir que quando uma coisa é feita com o objetivo de. Mas mesmo aí a fronteira às vezes é muito esquisita. Porque, por exemplo, Filipe Glass, para o Filipe Glass, não era conhecido, quase ninguém conhecia, não sei o quê. Hoje tem sento e tal óperas escritas e vão ver, chegou a editar na Virgin, que era a mesma editora da Tubular Bells of Michael Field e não sei o que, vendeu milhares, não sei o quê. Os Beatles são conhecidos in todo o mundo, ainda hoje são o grupo que mais vende, ou os tons, and coisas extraordinárias that se pode considerar como compositor, uma canção como a Imagine John Lennon ou não sei o quê, ou Yesterday of McCartney, coisas extraordinárias como canção como a Beolid, na música chamada clássica contemporânea, and são coisas excelentes. Agora, há outras coisas que, por muito esforço que se possa fazer, eu, musicologicamente, através da musicosia, posso explicar porque é que os Aba estão aqui e os Beatles estão aqui, não é? Estás a ver? Como se calhar se explica um crítico na arte, porque é que, sei lá, não se pode dizer nomes, perdão.
Miguel NabinhoPode.
Vitor RuaPode, então, porque é que a Joana Vasconcelos está aqui e o Rui Chaves está aqui.
Miguel NabinhoPode ser um problema.
Vitor RuaNo entanto, se calhar toda a gente sabe quem é Joana Vasconcelos, assim, se for ali à Tasca ou não sei quê, se calhar é o único nome que conhecem de artes plásticas. Há aquela que faz rendinhas ou não sei o quê? E se calhar ninguém sabe quem é o Rui Chaves. Agora tu vais comparar uma coisa com a outra, não se compara, o Rui Chaves é talvez as pessoas mais extraordinárias na escultura, e não é em Portugal, é no mundo. Portanto, se pode fazer isso nas artes plásticas, dizer assim, uma coisa está aqui, outra coisa está aqui. Na música também se percebe. E não é só por. Agora não tenho tempo, e nem é subjetivo da coisa, but existem conceitos andos, and na ciência que é a musicologia, eu consegui estar a explicar porque é que este está aqui e porque é que é. É porque este não é um.
Miguel NabinhoTu às vezes tens vontade de reciclar, tens vontade de ir buscar coisas que foram feitas, e que tu achas que são menores.
Vitor RuaEu reciclo menores.
Miguel NabinhoSim, ir buscar coisas que são menores. Podes ter duas abordagens. Uma é dizer assim, olha afinal. Ainda outra pessoa, tu olhares para uma coisa e dizer assim, olha, eu achava que isto era menor, mas afinal isto é na muse. Isto é conteste.
Vitor RuaQuer dizer, por exemplo, eu já fiz aquilo que se chama hoje in música que é recreações. For exemplo, já recebi uma encomenda da Casa da Música, o António Jorge Pacheco, que me pediu para eu fazer uma peça para a orquestra remix, para remix ensemble, fora em músicas do Sid Barat to Spink Floyd. I escolhi uma música do Spink Floyd, Interstellar Overdrive, and tem three minutes, eu fiz uma peça de 17 minutos baseado nesse tema. Agora, eu não vou dizer que isso é menor porque adoro aquela música do Sidbar do Sid Barat é genial e os Pink Floyd são geniais. Agora, por exemplo, sei lá, eu ter a ideia, por exemplo, ou alguma vez ter tido uma ideia de pegar, vamos supor, uma música popular qualquer, ou até chamada, por exemplo, porque popular também há o popular verdadeiro, genuíno, por exemplo, assim, e depois há o popular por aí abaixo.
Miguel NabinhoMas tu não achas que se nós tomamos uma posição muito elitista.
Vitor RuaMas eu não tomo uma.
Miguel NabinhoMas isto é uma pergunta, tu dizes o que é que tu achas disto? Vou dar um exemplo ao contrário, em vez de falar, mas a música aplica-se a mesma coisa. As pessoas queixam-se que as redes sociais são uma porcaria, são um veneno, não sei o quê. E é tudo verdade, e não sei o quê. Eu acho que nós não devemos entregar as redes sociais à bicharada, porque se não fica só lá à bicharada, as pessoas ficam só na bicharada e transformam-se na bicharada todas, inclusive aos nossos filhos e toda a gente.
Vitor RuaExatamente.
Miguel NabinhoPor isso, eu acho que a gente deve fazer bons conteúdos para as redes sociais.
Vitor RuaExatamente.
Miguel NabinhoResponder com elevação, com qualidade, com etc. Pronto, mas tu, e tu acho que tu tens feito isso, tu tens uma carreira muito grande em termos musicais, música de vanguarda, que atins muito poucas pessoas, mas depois tu podes utilizar música mais que chega a mais pessoas para não chamar comercial para conseguir passar mais mensagens. O que é que tu achas sobre isto?
Vitor RuaDuas coisas. Uma é, por exemplo, falaste das redes sociais and não entregar à bicharada assim. Eu tenho uma position muito semelhante, é assim, eu uso as redes sociais para fazer aquilo que quero e quase como pedagogia, até muitas vezes, às vezes com humor, outras vezes mesmo pedagógico, pedagogia no sentido. I say that won't be o meu mural and as my publicações because different than aquelay, or aquellas were assaltado, I want alias different. I ask this I'm going to those fui and have sempre a position different than aquellas. For example, aparecia a fotografia i acabar a pintura. Apareceu o vídeo anda acabar a rádio. Apareceu a máquina de calcular, os putos iam deixar iam ficar todos burros e analfabetos na matemática e não sei o que. Depois era o computador, não iam aprender nada. Agora a inteligência artificial vai ser o YouTube. Eu vejo coisas ao contrário. There are ferramentas. And all these ferramentas pode usar mal, ou para o mal, ou bem and. For example, agora estávamos aqui a almoçar os dois, andamos com a faca e o garfo, andou a usar a faca para cortar a couve, o pepino, and a cenoura, mas posso pegar a faca andar-te with a faca. It's the same object. Eu estou a usar o mesmo objeto, estou a cortar a cenoura e não sei o quê. Posso usar para o mal para o bem.
Miguel NabinhoThere are things that you do no YouTube, etc., are para chegar mais pessoas.
Vitor RuaNo YouTube é a mesma coisa. Se calhar, quem quiser construir uma pistola, se calhar está lá as instructions or no Google como é que constrói a missile termonuclear, but uma borboleta que tinha caído masa, and I aprendi no YouTube como é que se punha a asa na borboleta e ele ainda voou mais um bocadinho e não sei o quê. Pode-se usar as ferramentas para o bem e para o mal. Issem sempre para a frente e acho tudo ótimo. Se alguém me vier, ah, inteligência artificial, era a mesma coisa com a máquina de Calfrada. Íamos ficar todos burros e todos estúpidos com a máquina de Calfra e não se ficou. Portanto, são ferramentas, não se molam a bem. Agora, voltando à coisa a dizer, eu, por exemplo, sou capaz de perceber o que estás a dizer e até sou capaz de ter feito e querer fazer algumas coisas, mas sempre pegando em exemplos que eu considero que são coisas positivas. Eu vou tentar ser coisa. Por exemplo, uma canção como, por exemplo, vamos pôr aquilo que se. Vou pegar uma canção de um festival da canção. Não me lembro porquê, mas falou-se do Festival da Canção. Foi feito com um objetivo, creio eu, que era, por exemplo, para o Festival da Canção. Já aí ganhou, acho eu. E era um tema com uma melodia bonita, uma orquestação fantástica, um arranjo festival, não sei o quê. Mas depois ganha outra dimensão com a senha, por exemplo, do 25 de Abril, não é? Estás a ver? É a mesma música e só porque sociologicamente acontece uma coisa, de repente ela ganha uma, mas ganha mesmo, transforma-se quase noutra coisa, como o Grandula que também ganha essa dimensão. Portanto, um tema, por exemplo, é um tema que eu considero extraordinário, muito bem feito, e aí volto a dizer que é, tanto me faz dizer assim, na música ligeira, que se chamava música ligeira comercial, há bons compositores, bons intérpretes e há maus intérpretes. Na música contemporânea ou clássica, também há maus e bons compositores. Em todos os estilos, na música Pimba, que chamam Pimba, existem bons e maus executantes e maus e bons. E eu sei perceber que, por exemplo, que um tipo como o Immanuel ou o Toy são melhores do que se calhar a Erika e o não sei quem. Não considero Kim Barreiros Pimba, o Kim Barreir já existia muito antes do Pimba. O Kim Barreiros era na tradição de música popular como o conjuntatório Mafra, e que já tinha aquelas letras tipo, ela deu coração por ele. Já tinha aquele tipo de humor, essas coisas assim que hoje usou muito no PIME. PIMBA era uma tema do Immanuel, que as pessoas depois passaram, e nós pimba, e nós pimbamos, e ficou pima. Mas mesmo, repara, o termo, voltando a uma coisa, uma imagem de computador. Nos computadores tens os folders, ando subfolders, anda. A música em England, when the term pop? Bang the popular doing inglês popular, no bem do português popular, bem do English popular, popular music ou popular art, agora repara, se é popular music, por exemplo, só do lado da música, popular music, e abreviaram para pop. Então, repara, na popular music, gajos como o Adorno, por exemplo, e assim, consideravam o jazz na música popular e de entretenimento, consideravam o jazz. Consideraram o Telonios Monk.
Miguel NabinhoAh, mas isso é porque o jazz lá no princípio era uma coisa de baile, as grandes burbances e não sei o que.
Vitor RuaPronto, mas consideravam, mas já existiam grandes nomes também no jazz, mas era a música popular, porque eles eram da Erudita, da clássica contemporânea, não sei o que dizer. Eu isso não sou, por isso é que eu digo, eu não sou essa coisa. Portanto, eu acho que há pessoas boas, seja em que estilo musical for, há músicas, há pessoas boas e assim. Por isso, nesse sentido, e respondendo, eu, por exemplo, neste momento estou a dar início a um projeto em que é pegar-no e depois do adeus esse tema cantado por Paulo Carvalho, e fazer um projeto muito complexo e muito complexo e completo, em que se for para a frente, pode envolver um disco, um documentário, um livro, um vídeo no YouTube, ou seja, uma série de constelações, dar uma constelação artística em que várias pessoas vão participar da pintura, do vídeo, do cinema, da música, da performance, e tudo baseado num tema que em princípio nasceu para uma coisa que era o Festival da Canção, mas que eu creio que. Creio não, tenho a certeza que ganhou uma dimensão e assim, e mais uma vez volto a dizer, eu estou-me a Marimbar, por exemplo, aquela música da Isabel Sobral que ganhou o Festival da Eurovisão da Canção e depois da Eurovisão.
Miguel NabinhoÉ a ICPL, não é? Não, ela tem outro nome qualquer.
Vitor RuaEla tem outro nome? Como é que? Luísa Sobral. Por exemplo, essa canção é lindíssima. Não me interessa se é de Festival da Canção, se não é de Festival de Canção, é uma canção lindíssima. E essa compositora é extraordinária naquilo que faz, seja lá qual for o estilo que queiram meter, seja pop, seja música popular, seja o que quiserem, tudo que faz, faz com um bom gosto extraordinário e com qualidade. Portanto, eu não tenho problemas nenhuns em admitir que há pessoas extraordinárias no fado, chamado de música ligeira, comercial, rock, pimba, seja lá o que for, há de sempre a ver pessoas boas e pessoas más a fazer essas coisas. Por isso não tem problema nenhum.
Miguel NabinhoA tua música tem um lado irónico e roça, às vezes, o humor, mas o lado de canções de amor, de lírico, não aparece. Tu já deves ter pensado sobre isto.
Vitor RuaHá aparecer qualquer coisa similar é nas óperas que fazes. Mas não é nesse género, não é aquele género.
Miguel NabinhoPorquê que achas que isto acontece? Nunca tinham perguntado.
Vitor RuaNão, mas eu digo, porque é que não acontece existir esse lado.
Miguel NabinhoPorquê que não há um lado mais lírico, mais do canso muiteiro de amor, mais trovador, uma coisa mais talvez tenha existido. Castras essa parte que tu sentes sempre que é um sítio perigoso.
Vitor RuaÉ o que eu estou a dizer, por exemplo, a existir algo parecido com o que estás a dizer, são nas óperas, em que em que posso fazer um lead ou uma canção final em que de repente é uma coisa muito melodiosa e com uma letra, às vezes até agusar com.
Miguel NabinhoPois estás a ver.
Vitor RuaPor exemplo, eu tenho um tema, uma composição que chama, está em inglês, mas se fosse em português é tão tonal que me dá vontade de vomitar. Ou seja, é tão melódico que me dá vontade de. It's so tonal that makes me vomit. A minha primeira ópera era toda ela uma anti-ópera, era a acusar com todos os clichês andos das óperas. A minha opera começava com a soprano o cantor a virar-se para a soprano e a dizer porque estamos assim a cantar desta forma ridícula. É assim que começava a minha primeira ópera, já vão em 18. Nesse sentido, eu próprio me apercebo de limites de coisas assim. E repara uma coisa, eu fiz letras no tempo de Gener, entre 80 e 82. Nunca mais fiz letras na vida. Nunca mais usei letras, foi sempre música instrumental, exceto nas óperas em que utilizava libretos meus ou libretos de outras pessoas. Quando era libreto meu, e aí sim, recorri ao amor à ironia, sacar-me essas coisas assim. But nunca mais escrevi, nunca mais senti vontade de escrever porque não escreves uma canção de amor. Muito simples, porque nunca mais escrevi letras, nunca mais escrevi letras nenhumas na vida. Por isso é que te disse, a existir algo similar ao que estás a dizer é nas operas.
Miguel NabinhoPara acabarmos, vou-te fazer aqui umas perguntas, é para fazer um comentário por várias palavras que eu tenho aqui escritas. É um comentário rápido. Podemos começar gerações mais novas.
Vitor RuaSim, adoro. Adoro porque para uma coisa, especialmente isto é assim. Todas as gerações vão evoluindo aparentemente, seja lá no que for, e assim. E há retrocessos, há evoluções, retrocessos, mas o que nunca quero cair, nem espero cair, é aquela teoria de que no meu tempo é que era extraordinário, ou a minha geração é que é fantástica, a geração dos anos. Isto é um absurdo total, porque em cada geração sempre houve pessoas impsis e pessoas inteligentes em todas as gerações. E continua assim e vai continuar sempre assim. Não é agora, por exemplo, agora há os telemóveis, não sei o quê, não sei o que mais. Ótimo, eu também tenho aqui o meu no bolso e também pego.
Miguel NabinhoMas o que é que te fascina nesta geração mais novo?
Vitor RuaOlha, fascina-me o seguinte, por exemplo, isto só para se resumir às artes. É muito simples. Quem neste momento ver um puto, os jovens dedicarem-se à pintura, ao cinema, à música, à escultura, seja lá o que for, tem que ser completamente loucos da cabeça, porque quer dizer, repara, por exemplo, eu e vou dizer no meu tempo, mas não é para dizer que era extraordinário, é para explicar. Eu acabei de dizer que ganhava 30 contos com 12 anos, and com 15 já ganhava 60 contos, não sei o quê. Hoje, a maior parte dos putos que vão para a música quase que pagam para tocar, porque tocam às entradas nos clubes, tocam aos bilheteiros, vão à noite, bom de Uber, com instrumentos, para tocar num bar à meia-noite and 15 euros de Uber e depois outros 15 euros às 20 para casa para ganharem se calhar 50 euros e 70 euros e 80 euros. Não sei como é que era na pintura, but having exemples, já fui tocaria no Porto, não sei o quê, in which havia espírito totalmente different. For example, just a problem that vendere or not conseguirem vender the country. Era o contrario. Era eu ver, fui tocar in a galeria in Porto, andar, and especially who said, Oh, I am. I said done, se calhar to comprar, I say what is, but I gotta compromise. I said, I said, I don't want to vendor. No. But vent the quadrant? Ela não vende os quadros. Andi a falar anda faz, faz as obras, but não vende depois as obras. Não sei bem qual é o que está a pertrar, mas não vende, porque não quero. This concerto não foi anunciado. Eu de repente ia de convoy de Lisboa para Porto e não estava anunciado em nenhum jornal, ando, mas tem cartazes não, e não sei o que, não sei o que não, cheguei lá, estava cheio de putos, assim, millennials, não sei o quê. Como é que estas pessoas estão aqui? Ah, Instagram, WhatsApp e não sei o quê, e só mandam uma hora antes de dizer concerto, é o espetáculo, e de repente estás. Portanto, é outra filosofia, não sei, mas para dizer que eu acho que sempre foi, por exemplo, mesmo na altura eu vejo aqueles filmes dos anos 20, anos 30, não sei, e era aquele género, a menina de boas famílias que queria dançar e os pais nem pensaram, isso é uma vergonha. A arte sempre teve essas coisas, mas hoje é uma loucura, porque quer dizer, portanto, eu tenho que admirar os jovens que hoje se dedicam a qualquer arte porque tem que ser uma força de vontade anda inacreditável que os faz mexer. Porque ainda por cima não há mercado que já era difícil nas outras gerações anteriores, agora é quase uma impossibility, não é?
Miguel NabinhoOk. Vamos continuar, vou pôr aqui mais duas palavras. Pode ser Luís Montenegro e este governo.
Vitor RuaOk. É para terminar, não é? É para terminar aqui, não é? Pode ser, pode ser. Eu vou te dizer, sou política tento estar a par de tudo e sempre fui muito, não quero dizer anarquista, mas muito fora das coisas. Durante anos e décadas nem sequer votava porque e depois as pessoas diziam, ai, mas se não votares, depois ganham os outros. E eu disse, tem que saber é o contrário. Vocês é que votam, ele está lá porque vocês votaram. Eu não tive culpa nenhuma. Eu estive sentado em casa, ouvir música, vocês é que os puseram lá. Mas pronto, mas agora tem outra concepção e assim, mas falar, tentar resumir tudo assim. É assim, uma frase, a primeira frase. Nunca pensei chegar a esta idade e ver o mundo como está agora. Pensei que as coisas iam evoluir para melhor, de low culture para high culture, ou seja, ia evoluir dos Abba para os Beatles e depois para o Scott Walker. E está a saber, é uma coisa assim, não é? Mas também vejo que na política, tal como in muitas outras coisas, há ciclos andas que aconteceram. Por exemplo, a pandemia aconteceu in 2020 and 1920 tinha havido a gripe, há coisas que são cíclicas. Andes-se de passar por uma coisa para depois passar para outra. I asked a acontecer um bocado. E aconteceu um bocado isso também porque, por exemplo, a esquerda se acomodou muito, ficaram todos muito confortáveis, que eram os senhores da verdade, and os outros foram evoluindo dentro daquela loucura, não sei o quê, e de repente os outros, quando deram conta, já estavam aqueles maluquinhos todos no cima, e assim. Agora não vem, não é com conversas, internacionalmente, quem é que eu estou a falar? Do Sputin, do Natayu, do Trump, não sei. E uma pessoa diz assim: como é que existe uma pessoa como aquela a governar o país que era o pilar da democracia, como é que hoje pode estar uma pessoa como aquela? O João Queijo, nos anos 80 perguntar-lhe porquê que você não vota, e ele disse: Eu não voto porque entre escolher um e outro, na altura que era republicano ou democrata, que são os dois a mesma coisa para mim, eu falo. Então, o que vou esperar é que um dia apareça um que é tão mau, tão mau, tão mau, tão mau, que as pessoas vão perceber que aquela loucura e finalmente vão tomar consciência. Parece que isso está a acontecer agora, mas, por exemplo, disseste porque Montenegro suponho que eres valer em Portugal. Em Portugal, a primeira coisa que queres dizer é o seguinte: é como há música comercial, é como na música, por exemplo, há músicos, ou músicas, ou bandas que atingem as massas porque são tão aparentemente fazem tudo de uma forma realmente vender milhares. Não interessa se para isso fazem coisas que musicalmente podem se comprobar como imitações, falta de original, sem criatividade, só para atingir um objetivo de vender milhares ou millions, and the others who know, so nested. In Portugal has a phenomenon very interesting that is that there was a particular that existed a year, and this particular subject, subside, subscribed, subscribed, and now there are both, and more, and the frase is established a very poor time to say that. I don't come to rastejar, and then a frase é esta: tenho que respeitar um milhão e 200 mil portugueses que apoiam esse partido. Eu acho uma piada incrível.
Miguel NabinhoTem que respeitar os gajos que apoiaram o nazismo.
Vitor RuaO Hitler ou o Stalin, não é? Quer dizer, o Hitler teve milhões a apoiar, ou o Stalin tiveram milhões a apoiá-los. O gajo dizia assim: no, but tem que respeitar os milhões. No, eles estavam do lado errado da história. Como estes vai acabar por ver que estão do lado errado da história absolutamente, podem demorar mais um tempo. Eles dizem contra a corrupção atrás em que têm o poder para ser corrupto, are a pedofilia até o momento em que coisa, e dizem, andamos há 50 anos nisto. Eles só estão há cinco e já têm casos mais graves do que os 50 anos dos outros. Portanto, essas coisas, para mim, é assim na política assim, vejo que é, em primeiro lugar, não é só em Portugal, no mundo inteiro, é o nível político é como a música mainstream e a música temos, na altura também, mas agora temos quase que se podem contar pelos dedos, seja lá em que partido for, as pessoas que uma pessoa ouve com o mínimo de inteligência and a pessoa percebe assim. E eu estou a dizer, seja em que partido for, porque eu lembro, por exemplo, que naquela altura, por exemplo, que havia aquelas figuras como o Soares, o Cunhal, o Freitas do Amaral, seja lá o que for. Uma pessoa podia não gostar, mas havia ali uma coisa, e o sacaneiro, não sei o que. Havia qualquer coisa de. Mais tarde, de repente, eu dou por mim a ouvir pessoas na televisão a falar, políticos a falar, e de repente estou por mim a ouvir, e dizer assim, este gajo sabe falar coisas. E era o Adriano Moreira, por exemplo, que vinha do Salazar ou do Marcelo, ou não sei o quê. Portanto, não tenho problema nenhum em admitir que uma pessoa que coisa, e de repente estou a dizer que este gajo é mais inteligente do que todos os outros que em princípio estão ali a falar e que são de outras coisas. Portanto, isso não tem problema em admitir se isso acontecer. Agora o problema é que não acontece. Esse partido, segundo as estatísticas e assim, é os partidos com menor literacia e a coisa mais baixa. Agora, eles têm culpa. Não, quer dizer, é como a pessoa eu agora vou ficar contra uma pessoa que ouve daquilo que se diz a música pima e que compram nas feiras aquelas que há sete ou que em casa estão a ouvir o aionina, vais a ver, e eu dizes, esta pessoa não. Agora, o que posso dizer é a minha opinião do que é que deveria acontecer. E o que devia acontecer, e eu sei que isto vai parecer mal, mas é a minha opinião. E não é só a minha opinião, é a opinião também das outras pessoas, coisa que é, por exemplo, aquela noção o povo é quem mais ordena. Não, por exemplo, é um erro ver a coisa assim, porque vendo a coisa assim, é por isso que muitas coisas chegam ao estado que está de loucura e de degradação e assim. Por exemplo, sou absolutamente contra qualquer tipo de referendo, porque o povo não tem consciência, o chamado povo, não há consciência política para lhe darmos esse poder de referendar, seja o que for. Aliás, os exemplos que se têm de coisas que vão a referendo, dá sempre normalmente chachada. Quero em Portugal, quer ir lá fora, como ao Brexit e assim. Portanto, aquela ideia da democracia.
Miguel NabinhoPois é que tu tens democracias representativas.
Vitor RuaPronto, mas diz assim, a democracia. A democracia começa logo mal, que é, começa na Grécia, como? Com escravos, com a escravidão, e com os homens, e que as mulheres nem sequer podiam votar, pelo contrário, não é? Nem pensar. Portanto, é assim que começa a democracia. Hoje em dia é um bocado a mesma coisa. Substitui, em vez de escravos, tens os funcionários públicos. E os homens continuam a ter um lugar, mesmo com cotas e não sei o que, as mulheres continuam a estar assim, aparece um e depois outro, ainda bem, mas quer dizer, ainda não é a igualdade. Primeiro que há assim, há uma primeira-ministra num país, é uma loucura, há uma mulher que é presidente, que loucura, que ainda parece que é uma loucura, quer dizer, quando devia ser a coisa mais normal do mundo, e assim, portanto, aquela coisa de referente, e a mesma coisa para votar, e diz assim: tu não queres que as pessoas vote, não, ou então vota-se, mas primeiro fazem um exame de cultura geral às pessoas, tipo assim, por exemplo, a terra é A, redonda, B, quadrada, C, triangular, e quem falhasse, não votava, estás a ver? É tão simples como isso, e depois apertava uma coisa assim simples, assim, assim, deve-se comer, o que é que faz melhor à saúde? Somos de laranja, fanta ou bagaço, ou bagaço, e a pessoa respondia mal, já não votava, porque um dos problemas é a CEP, pessoas com o mínimo de noção porque é que essas pessoas vão votar.
Miguel NabinhoNós podemos acabar aqui, mas aí tens o problema muito complicado. Pois está, porque eu tenho que estou a dizer depois das classes mais intelectualizadas. Mas não é intelectualidade.
Vitor RuaÉ um pastor, eu falo com pastores de Vila Cobadá, não tem a casa, não sei o quê, falo com o pastor e depois falo com o gajo que saiu da universidade e o pastor é mil vezes mais inteligente que o gajo da universidade.
Miguel NabinhoO problema que é aqui a fazer as perguntas? O problema que é aqui a escrever as perguntas. Eu percebo o que é que está a dizer que faz sempre muito perto.
Vitor RuaMas eu estou a dizer, parece-me uma brincadeira, mas há muita gente e há países, por exemplo, da mesma maneira que dizem que o voto devia ser obrigatório e há países em que o voto é obrigatório, por exemplo. O Brasil, mas por exemplo, eu fui a Cuba, olha que bem que fica. Isto foi a última música que eu fiz. Agora repara, eu estava a dizer do. Eu fui a Cuba. Ok. Fui a Cuba para aí em 99 ou 2000. Eu andei de táxis, falei com empregados de hotéis, falei com o gajo da merceria, falei com não sei o que. Nunca vi um povo, nunca tinha visto um povo com uma consciência política como aqueles. Ou seja, por exemplo, desde o empregado da merceria, ou o taxista, ou o gajo do balcão do hotel, o gajo de não sei o quê, pessoas de toda ordem com uma consciência política inacreditável. E eu disse assim, olha, estes podem votar, estes iam poder votar e deviam poder fazer referenda, a pena que estejam numa ditadura, não sei o quê, não sei o que mais, porque têm todos uma consciência política, não sei o quê. Agora há outros sítios que agora estás assim, então és contra a democracia, queres proibir o voto. Não, só estou a tentar, através do extremismo, mostrar que de facto acho inacreditável como é que se dá o direito a voto a pessoas é que se fizéssemos aquele teste, a terra é redonda, ou é quadrada, ou é plana, iam falhar. Estás a ver? Como é que vamos dar referendo a uma pessoa dessas, vamos dizer se quer a regionalização, ou se quer o aborto, ou estás a ver? Nem sabem se a terra é redonda. Pronto, acho que foi um ao final.
Miguel NabinhoFicamos por aqui, foi bestial, isto é imenso. Nós continuaremos a falar, mas fora daqui.
Vitor RuaFazemos o como nos filmes, há sempre uma suela.
Miguel NabinhoE pronto, ficamos por aqui, acho que podem estar.