Conexão sapiens

Café com leite, a marginalização profissional da pessoa que não sabe pensar criticamente #42

Kald Abdallah Season 3 Episode 42

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Conexão Sapiens: a ciência desvendando você.

Podcast número 42

Café com leite, a marginalização profissional da pessoa que não sabe pensar criticamente.

O pensamento crítico não é apenas uma habilidade desejável, mas uma competência essencial para o sucesso profissional. Quem não a desenvolve corre o risco de ser visto como um “peso” pela equipe, perdendo espaço em discussões importantes e oportunidades de crescimento. Investir no desenvolvimento dessa habilidade — por meio de leitura, cursos, troca de ideias e prática constante — é fundamental para se destacar e ser respeitado no ambiente de trabalho.

 

Por favor me enviem sugestões, críticas construtivas e perguntas para o e-mail conexaosapiens@hotmail.com . Para concluir, caso você ache que este é um assunto que vale a pena, me siga no Instagram @kaldconexaosapiens e por favor espalhe essa notícia - Conexão Sapiens: a ciência desvendando você. 

 

Um grande abraço do Kald

 

PS – Nos últimos meses, estou utilizando a inteligência artificial como referência e assistente administrativa na redação dos textos, todas as referências indiretas são confirmadas com artigos publicados em revistas científicas. Ou seja, este texto foi parcialmente criado com inteligência artificial, mas cuidadosamente revisado pela inteligência natural desse ser que vos fala.

 

 

 

 

 

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Conexão Sapiens: a ciência desvendando você.

Podcast número 42

Café com leite, a marginalização profissional da pessoa que não sabe pensar criticamente.

 

Quando eu era criança em Borrazópolis, às vezes uma criança mais jovem queria participar da brincadeira junto com o nosso grupo, e para incluir esta criança sem estragar a brincadeira, a gente chamava esta participação de café com leite. Todos cuidavam desta criança mais jovem sabendo que sua participação era irrelevante para a competição.

Há alguns anos, quando eu estava reorganizando a estratégia de pesquisa do meu departamento, passei vários meses revisando diversos projetos de pesquisa e neguei a aprovação de iniciativas de vários países. O time médico estava frustrado e com dificuldade de entender por que era tão difícil conseguir uma aprovação. Em uma das inúmeras reuniões de revisão de projetos, lembro-me bem de uma discussão apresentada por uma diretora médica do time dos Estados Unidos. A reunião foi rápida, mas intensa. Questionei sistematicamente todos os pontos do projeto que ela estava propondo: população, intervenção, grupo controle, endpoint, análise estatística, contexto clínico de tratamento, fundamentação para próximos passos, entre outras perguntas. A diretora médica respondeu todas essas perguntas com fatos, dados e números, sem hesitação. Fiquei impressionado com a solidez e a qualidade da proposta de pesquisa, que aprovei. Depois da reunião, houve rumores de que eu tinha uma preferência pessoal pelo time dos Estados Unidos, pois eles conseguiram uma aprovação rápida. Fiquei inicialmente abismado com isso, mas depois percebi que fazia sentido. Os executivos que estavam reclamando da dificuldade de aprovação eram exatamente aqueles que não tinham a capacidade de pensar criticamente, esta limitação não permitia nem preparar um projeto sólido, como também entender o debate que aprovou o projeto dos Estados Unidos. 

A diretora médica conseguiu a aprovação porque preparou uma proposta de forma crítica e sistemática, apresentando um projeto sólido. Porém, para os outros diretores entenderem e acompanharem o debate socrático da reunião era necessário atenção focada e uma habilidade sólida de pensar criticamente, pois a velocidade do debate não permitiu espaço para uma mente distraída com vieses emocionais e sociais. A visão de muitas pessoas que participaram da reunião foi enviesada por influências sociais e relacionamentos pessoais, e elas não conseguiram entender o cerne do debate. Sem habilidade de pensar criticamente, essas pessoas ouviram e viram a mesma coisa que eu, mas a interpretação foi totalmente diferente. É como se a mente dessas pessoas fosse um rádio sintonizado na estação errada. Elas não perceberam que o projeto era sólido do princípio ao fim, devido a uma preparação sistemática e metodologicamente robusta. 

Não ter a habilidade de pensar criticamente é quase fatal do ponto de vista profissional para executivos de médio e alto nível. Na minha concepção, pensar criticamente no mundo executivo de uma corporação de pesquisa e desenvolvimento como a indústria farmacêutica é o que separa os amadores dos profissionais. Eu sempre tentei orientar as pessoas para refinar o pensamento crítico quando eu observava uma certa limitação neste quesito. Porém a grande maioria dos executivos de alto escalão não tem tempo nem treinamento para guiar o desenvolvimento do pensamento crítico dos outros executivos mais jovens. Para agravar esta situação, a pessoa que não sabe pensar criticamente não sabe que não sabe. Isso é um problema grave, pois ela não pode fazer nada a respeito até que a consciência plena da própria limitação aconteça. 

A capacidade de pensar criticamente é uma das habilidades mais valorizadas no mercado de trabalho. No ambiente profissional, a habilidade de pensar criticamente é um dos diferenciais mais importantes para o crescimento e reconhecimento. Uma pessoa que carece dessa competência tende a se comportar de forma previsível, enfrenta dificuldades pessoais, cria atrito e desafios para a equipe, sendo frequentemente marginalizada de discussões importantes. A falta de pensamento crítico manifesta-se em comportamentos específicos que, ao longo do tempo, erodem a confiança e o respeito dos líderes. Esta pessoa está fisicamente presente no ambiente profissional, porém não está participando de forma significativa do diálogo e das decisões, ela é café com leite e não sabe.

 

O Comportamento da Pessoa com Baixo Pensamento Crítico

Uma pessoa com baixa capacidade de pensar criticamente tende a agir de maneira previsível, baseada mais na emoção e na conveniência do que na lógica e na evidência.

  1. Não consegue acompanhar e nem acrescentar valor a um debate socrático. Tem uma argumentação fraca ou circular, usa frases vagas, generalizações ou repete o mesmo ponto sem desenvolver uma linha de raciocínio clara. Em debates, não consegue sustentar suas posições com dados ou lógica. Em reuniões, os colegas param de direcionar perguntas complexas a ela. Em vez de perguntar "Como podemos garantir que essa estratégia será eficaz?", eles simplesmente a informam sobre a decisão final. As conversas que exigem um debate genuíno começam a ocorrer sem a sua presença. 
  2. Tem dificuldade em definir os problemas (framing), em vez de analisar o problema a fundo, ela pula para conclusões rápidas baseadas em uma única evidência ou em suposições. Não entende que para definir o problema apropriadamente é preciso disciplina de fazer perguntas e questionamentos metodicamente. Tira conclusões precipitadas, não consegue enxergar além do óbvio, aceitando soluções superficiais ou repetindo erros já cometidos. Em vez de analisar causas, fica presa aos sintomas. Falta disciplina para enquadrar (framing) o problema e fazer um diagnóstico mais cuidadoso antes de começar a agir, para então tirar conclusões ou fazer recomendações.
  3. Aceita informações sem questionar, ela aceita fatos ou opiniões de figuras de autoridade, de notícias que confirmam suas crenças ou de colegas mais assertivos sem verificar a veracidade, a lógica, a fonte, a coerência ou a validade dos dados. Demonstra dificuldade em separar fatos de opiniões, levando a interpretações distorcidas. Por exemplo, pode repetir informações erradas ou desatualizadas em reuniões, apenas porque “alguém disse” ou “estava na internet”. 
  4. Não sabe pensar um sistema complexo pois tem dificuldade em prever consequências não lineares de causa e efeito, não avalia os possíveis desdobramentos de suas ações ou decisões, agindo por impulso ou conveniência imediata. Vê o mundo em preto e branco, tem dificuldade em lidar com a complexidade e o nuance. Para ela, uma ideia é "boa" ou "ruim", uma pessoa está "certa" ou "errada", sem considerar o contexto ou os múltiplos fatores envolvidos. Apresenta soluções simplistas para problemas complexos, ignorando variáveis importantes.
  5. Resistência a feedback e mudanças, reagindo mal, na defensiva ou com desconforto quando suas ideias são questionadas, interpretando análises como ataques pessoais. Isso dificulta o aprendizado e a adaptação a novas realidades. Se apega às próprias ideias, mesmo quando confrontada com evidências contrárias, ela se recusa a mudar de opinião. A crença se torna uma parte de sua identidade, e a crítica à ideia é vista como um ataque pessoal. Reage emocionalmente a críticas ou pontos de vista divergentes, em vez de analisá-los racionalmente.
  6. Susceptibilidade a Manipulação: É facilmente influenciada por discursos persuasivos, mesmo que falaciosos, ou por colegas que buscam benefícios próprios.
  7. Dependência Excessiva de Autoridade Aceita ordens ou opiniões sem questionar, apenas porque vieram de uma figura de autoridade, mesmo que a orientação seja claramente equivocada. Segue ordens mecanicamente, sem considerar consequências ou alternativas.

Consequências no Ambiente de Trabalho

As consequências dessa deficiência não são apenas teóricas; elas se manifestam em problemas concretos no dia a dia profissional.

  • Tomada de Decisão Falha: Imagine uma reunião de planejamento de projeto. O gerente de produto apresenta uma nova ideia baseada em uma pesquisa de mercado. A pessoa com baixo pensamento crítico aceita a ideia imediatamente e sem questionar, enquanto os colegas mais críticos levantam dúvidas sobre a metodologia da pesquisa e os riscos do projeto. Sem a capacidade de avaliar os prós e contras, ela se torna uma "peça" passiva, incapaz de contribuir de forma significativa para uma decisão sólida.
  • Dificuldade em resolver problemas complexos: Em uma reunião de projeto, quando surge um imprevisto, essa pessoa tende a propor soluções superficiais ou genéricas. Enquanto colegas exploram cenários, riscos e alternativas, ela repete os mesmos argumentos ou fica em silêncio, incapaz de contribuir com análises consistentes.
  • Falta de credibilidade com o tempo, os colegas percebem que suas contribuições não agregam. No início, ainda tentam incluir a pessoa no diálogo, mas a repetição de ideias frágeis, não fundamentadas, faz com que deixem de levá-la a sério. Sua opinião passa a ser vista como ruído — e não como insight.
  • Estagnação na carreira
    Profissionais sem pensamento crítico tendem a ser relegados a funções operacionais, sem espaço em processos estratégicos. Como não conseguem questionar, conectar informações ou enxergar implicações de longo prazo, não são considerados para posições de liderança.
  • Comunicação Ineficaz: Quando um problema surge, ela pode atribuí-lo a uma única causa simplista ("o cliente é exigente" ou "o outro departamento é incompetente"), ignorando os fatores sistêmicos que contribuíram para a falha. Essa incapacidade de analisar a causa-raiz impede que a equipe encontre uma solução duradoura.
  • Resolução de Conflitos Prejudicada: Ao invés de focar nos interesses subjacentes de um conflito, ela foca apenas nas posições superficiais. Se há um desentendimento sobre a prioridade de uma tarefa, ela pode simplesmente defender a sua própria posição de forma teimosa, em vez de questionar por que a outra pessoa tem uma visão diferente e buscar um meio-termo.

A Marginalização Gradual

A longo prazo, o profissional com baixa capacidade crítica tende a se afastar dos processos decisórios. Embora possa manter seu emprego devido à competência técnica, ele não conquista respeito intelectual nem influência significativa. Seus colegas, mesmo reconhecendo seu esforço, deixam de vê-la como parte ativa na construção coletiva. Essa exclusão não é necessariamente intencional, mas resulta de um ajuste natural: no jogo de ideias, quem não pensa criticamente deixa de ser ouvido. Com o tempo, os colegas com pensamento crítico desenvolvido, especialmente os líderes, percebem que o diálogo com essa pessoa não é produtivo. Eles não a veem como um parceiro na busca pela verdade ou pela melhor solução, mas como um obstáculo. 

A exclusão do diálogo relevante acontece de forma sutil, mas sistemática:

  1. Reuniões estratégicas: quando um problema complexo é discutido, a pessoa tenta impor uma visão simplista e é ignorada. O debate segue sem ela.
  2. Definição de prioridades: colegas não pedem sua opinião, pois já sabem que virá sem análise profunda.
  3. Projetos multidisciplinares: seu papel se limita a executar instruções, enquanto os colegas com pensamento crítico assumem a elaboração e tomada de decisão.
  4. Feedbacks: quando recebe críticas construtivas, interpreta como ataque pessoal, o que reforça ainda mais a imagem de alguém despreparado para o diálogo racional.
  5. Reduzem a escuta: deixam de pedir opiniões em decisões importantes.
  6. Selecionam os interlocutores: preferem trocar ideias entre pares que oferecem argumentos consistentes.
  7. Limitam a interação: interagem com a pessoa apenas em tarefas mecânicas ou rotineiras, evitando diálogos estratégicos.
  8. Ignorar opiniões: Suas contribuições são ouvidas, mas não levadas a sério. Se ela sugere uma ideia, os colegas não a descartam diretamente para evitar conflito, mas simplesmente a ignoram, voltando a discutir as ideias dos outros.
  9. Redução de responsabilidade: Ela para de receber tarefas que exigem autonomia, análise de dados ou tomada de decisão independente. Ela é direcionada para trabalhos mais operacionais, que não exigem o exercício do pensamento crítico, o que, ironicamente, a impede de desenvolver essa habilidade.

Em essência, a pessoa com baixa capacidade de pensar criticamente se torna, aos olhos dos colegas, um indivíduo que contribui para o trabalho, mas que não contribui para o pensamento do trabalho. Ela é vista como um membro da equipe que executa, mas que não participa da jornada intelectual da solução de problemas, limitando não apenas seu próprio crescimento, mas também a capacidade da equipe de atingir o seu potencial máximo.

Conclusão: O pensamento crítico não é apenas uma habilidade desejável, mas uma competência essencial para o sucesso profissional. Quem não a desenvolve corre o risco de ser visto como um “peso” pela equipe, perdendo espaço em discussões importantes e oportunidades de crescimento. Investir no desenvolvimento dessa habilidade — por meio de leitura, cursos, troca de ideias e prática constante — é fundamental para se destacar e ser respeitado no ambiente de trabalho.

 

Por favor me enviem sugestões, críticas construtivas e perguntas para o e-mail conexaosapiens@hotmail.com . Para concluir, caso você ache que este é um assunto que vale a pena, me siga no Instagram @kaldconexaosapiens e por favor espalhe essa notícia - Conexão Sapiens: a ciência desvendando você. 

 

Um grande abraço do Kald

 

PS – Nos últimos meses, estou utilizando a inteligência artificial como referência e assistente administrativa na redação dos textos, todas as referências indiretas são confirmadas com artigos publicados em revistas científicas. Ou seja, este texto foi parcialmente criado com inteligência artificial, mas cuidadosamente revisado pela inteligência natural desse ser que vos fala.