Language Learning with Sean!

12 - De volta ao Brasil, de volta ao português (português)

Sean Doherty

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Neste episódio, eu relato minha experiência voltando ao Brasil e ao português depois de um tempão.  

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 Oi, bom dia, tudo bem? Eu estou em Salvador, na Bahia. Hoje à tarde eu fui assistir a um espetáculo do Balé Folclórico da Bahia. Gente, era maravilhoso! Mas merece um episódio inteiro só pra isso. Então, hoje eu me sentei para escrever esse texto em que relato minha experiência voltando ao Brasil e ao português.

Eu cheguei ao Brasil, no Rio de Janeiro, pela primeira vez em mais de dois anos. Durante esse período longe do Brasil, eu usei pouco o português. Em geral, escrevi e gravei alguns episódios do meu podcast, mas fora isso, pratiquei bem pouco.

E eu comecei a sentir que tinha quase perdido tudo. Nas semanas antes da viagem, fiz cinco horas de aulas de conversa pelo italki, escutei parte do audiolivro que eu já tinha lido quando estava no Brasil e voltei a usar fichas de memória para me preparar.
 Meu tutor no italki, Daniel, é muito gentil e me disse que o italiano que eu tinha aprendido com certeza tinha me ajudado com o português… mas, mesmo assim, eu tinha a sensação de ter esquecido tudo.

As línguas podem ser assim — criaturas efêmeras que mudam todo dia. É como tentar guardar uma borboleta… ela muda devagarinho, só um pouquinho por dia — mas, se você não cuidar, ela escapa.

Um aspecto importantíssimo do aprendizado de línguas é tolerar a incerteza. É preciso aceitar não entender tudo, cometer erros o tempo todo e, às vezes, parecer a pessoa “menos inteligente” da sala — simplesmente por não conseguir expressar suas ideias espontaneamente.

Então, no meu primeiro dia no Brasil, eu avisei todo mundo: “olha, eu perdi tudo… mas já estou em modo de reconstrução.”

Eu também tinha passado os últimos três meses falando bastante italiano. Então, toda hora me vinham palavras em italiano, tipo “adesso” em vez de “agora”. E mesmo depois de dez dias no Brasil, bastava eu pensar em italiano… e eu já escrevia “tinha parlato” neste texto — uma espécie de portaliano. Como a mente é estranha!

Mas, felizmente, quanto mais eu falava e passava tempo em um ambiente de imersão quase total, mais o português voltava. Era como se a porta da sala de italiano no meu cérebro estivesse se fechando, enquanto a porta do português se abria — me deixando entrar de novo.

E é isso que eu quero: ficar nessa sala, nesse espaço, para aprofundar meu português. Porque aprender uma língua é assim mesmo — tem passos para frente e para trás, períodos de crescimento e regressão.

E, no fundo, eu gosto de pensar que cada ciclo de aprender, esquecer e aprender de novo deixa o conhecimento ainda mais forte do que antes.

Quando cheguei em Floripa, jantei com a minha querida professora, Celisa. E foi ali que eu percebi: eu ainda cometia os mesmos erros de dois anos atrás.

Eu dizia coisas como “dois semanas”, “eu decidi de fazer”, “é melhor que…”, “o nivel”… Muitos verbos com “de”, tipo “tentar de” — provavelmente influência do francês (essayer de). Eu dizia coisas como "DOIS semanas, em lugar de "duas semanas", "eu decidi DE fazer", em lugar de "Eu decidi fazer," "É melhor que Blá blá blá" em lugar de, "é melhor fazer," "o NIVEL," em lugar de "o nível." (Agora é mais fácil para mim dizer o nível, porque eu fiz muita atenção, prestei muita atenção em corrigir isso.)

Mas, se fosse fácil, não teria graça.

Reconectar-se com uma língua é algo incrível. E se desafiar… é viver de verdade. Então, espero que vocês tenham gostado deste episódio e até mais. Muito obrigado! Tchau!

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