Duplo Clique
A Andrea Janer da Oxygen, e a Fernanda Belfort da Tribo de Marketing, são duas amigas apaixonadas por lifelong learning. Toda semana, elas se juntam para dar um Duplo Clique nos principais temas de tecnologia, negócios e tendências. Conversas gostosas e descontraídas, mas cheias de conteúdo para você ganhar repertório e estar sempre atualizado.
"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."
Duplo Clique
#63 Fer e Dea de Volta da China: Destaques, Aprendizados e Curiosidades
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Fer e Dea voltaram da China com a régua de avanço tecnológico completamente reconfigurada. Carros elétricos são rotina, prédios parecem cenário de filme e a vida urbana pulsa em cidades que "nasceram ontem". Mas o futuro lá também tem fricção: VPN, Great Firewall e os "três Ts" mostram como conectividade e censura coexistem no dia a dia — e a segurança nas ruas vem acompanhada das silenciosas motinhos elétricas na calçada.
O ponto alto foi a visita à fábrica da Xiaomi, altamente robotizada, que fez repensar eficiência e cadeia de suprimentos. A conversa vai fundo em robótica, entregas por drone, robotáxi e no planejamento de longo prazo que sustenta tudo isso — dos planos quinquenais ao alinhamento entre educação e prioridades nacionais. Fecham com reflexões sobre propriedade intelectual, poder brando e até genômica com implicações geopolíticas.
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Oxygen Club - Andrea Janér
Tribo de Marketing - Fernanda Belfort
"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."
00:00:04 Fernanda Belfort
Eu sou a Fernanda Belfort e eu sou a Andrea Janer e bem-vindos a mais um Duplo Kick. Eu sei que a gente ficou um tempo aí sem gravar, a gente teve a viagem, passamos duas semanas na China, voltamos, a Andrea já emendou em outra, eu tive uma viagem a trabalho, fui para Chicago, então muita coisa aconteceu, mas paramos hoje para fazer essa gravação, de contar um pouco da China, acho que essa vai ser a pauta principal de hoje. Depois, Andréa, vai embarcar.
00:00:36 Fernanda Belfort
E emendar em mais duas viagens pro Vivatec e pra Cannes. Vocês vão ter que segurar um pouco o coração de vocês, Ouvintes, nesse período. Mas aí, a gente depois volta e estabiliza. Agora que esse projeto tá virando um projeto mais de longo prazo pra gente, a gente também tá tendo que fazer alguns ajustes pra ele caber na vida, porque, em algumas semanas tava muito pesado, né? Conseguir viajar e gravar e fazer tudo. Eu e a Déia estamos tentando aqui da melhor forma possível. Mas a gente tá num período de pico de viagens que depois vai acalmar, né, Déia?
00:01:08 Andrea Janer
Espero que sim. A gente já nem se habitua mais ao fuso, porque já chegou, já tá na hora de ir pra outra. A minha necessária eu nem desfaço. Fica na pia, assim. Daqui a pouco eu perco o meu CPF de tanta viagem. Mas, enfim, foi isso. Foram 30 dias viajando agora dessa última vez. E, obviamente, antes das viagens é sempre muito corrido. E depois das viagens também. Então eu tô aqui só essa semaninha. Eu cheguei no domingo e tô indo de novo no final de semana agora pros festivais.
00:01:39 Andrea Janer
Europeus. Então vai ser muito gostoso, tô animada. A programação normal volta aí quando as duas estiverem em casa de novo, com tudo mais calmo. Mas foi muito gostoso receber o carinho de vocês também, queria agradecer aqui todo mundo que nos parou na rua mesmo, dizendo: 'cadê o duplo clique? Tô órfã do duplo clique. Quando é que vocês vão gravar de novo?' A gente teve desde pessoas nos parando na rua pra falar isso até mensagens, né.
00:02:10 Andrea Janer
No WhatsApp, mensagens no Instagram, DM, muita gente sentindo falta aí desse papo que a gente bate toda semana, Fê?
00:02:18 Fernanda Belfort
É isso aí. E pode cobrar mesmo, porque daí a gente percebe o quanto está fazendo falta e a gente se movimenta. Entendeu? Podem cobrar, que é bom. Mas, a gente também, eu e a Dea passamos duas semanas, até um pouquinho mais. Um pouco mais se a gente for pensar que é dois dias para ir, dois dias para voltar, na China. Mais duas semanas na China e construímos aqui uma agenda, uma pauta para comentar várias coisas. Nenhuma de nós duas somos experts na China.
00:02:51 Fernanda Belfort
Aliás, a gente não é expert na maior parte dos assuntos que a gente conversa. É mais uma conversa de duas pessoas antenadas sobre o que está acontecendo. A gente queria trazer um pouco da nossa visão, do que a gente chamou mais atenção, do que nos surpreendeu porque a gente não esperava, do que a gente aprendeu de novo, do que a gente confirmou. E até contar um pouco da viagem como um todo, né, Dea?
00:03:17 Andrea Janer
Pois é, eu acho que voltei mais impressionada ainda do que da primeira vez que fui. Minha primeira viagem para a China foi em 2019, logo antes da pandemia. Queria ter voltado. Logo depois, voltei muito apaixonada da primeira vez que fui, mas aí, enfim, a China acabou ficando fechada por quase três anos. Os dois primeiros anos ali, 2020, 2021, a China ficou praticamente em lockdown, cidades inteiras como Shanghai, que é uma cidade de 20 milhões de habitantes.
00:03:48 Andrea Janer
Fechada em lockdown. Então a China demorou para se reabrir para o mundo. E acho que hoje a gente encontra uma China mais parecida com aquela de 2017, 2018, que estava super open for business, recebendo turistas, recebendo investidores, negócios e se comunicando melhor com o mundo. Eu notei, assim, dessa segunda vez que eu fui, algumas coisas muito mais fáceis e tranquilas, né? Por exemplo, o fato da gente poder usar o WhatsApp, Instagram.
00:04:21 Andrea Janer
Poder fazer pagamentos através do Alipay com os nossos cartões de crédito. Da primeira vez que eu fui, em 2019, nada disso era possível. A gente não conseguia acessar esses aplicativos de mensagem. Nem o Google a gente podia usar. Estando em solo chinês, em mainland China, só em Hong Kong a gente conseguia. Eu achei bem mais amigável. O que você achou disso?
00:04:47 Andrea Janer
Overview geral, de China? O que você imaginava e o que você encontrou lá
00:04:53 Fernanda Belfort
Fê? Acho que algumas coisas me chamaram a atenção. Essa parte de conexão, eu já esperava. Concordo que foi mais fácil de certa forma, mas por outro lado essa parte de dados e tudo porque você entra pelo wi-fi e não funciona, você tem que entrar pela Vivo, aí vence o quanto você tem por dia. Aí você faz um outro, aí você compra um VPN. Aí você também é algo que dá um pouco de trabalho. Eu acho que alguns hotéis foram as redes americanas. Eu achei que estavam um pouco mais fáceis do que quando a gente ficou no mandarim. Não sei qual foi a sua sensação, mas é isso né gente, existe esse.
00:05:23 Fernanda Belfort
The Great Firewall que eles chamam, porque eles têm um monte de tecnologias maravilhosas que eles usam para justamente bloquear esse tipo de coisa. É um bloqueio a alguns sites que você eventualmente tenta acessar. É um bloqueio também por palavras. A gente aprendeu que tem os três T's, que são os três T's que são os meio proibidos lá na China, que são o Tibete, Taiwan e a Praça Tiananmen.
00:05:54 Fernanda Belfort
Que é da Paz Celestial, que a gente visitou e foi bem difícil de entrar, no sentido de que eles controlam muito pra não correr o risco de ter uma manifestação de novo que termine como terminou. Esse foi o evento que gerou aquela foto famosa do estudante em pé com os tanques indo pra cima, que o governo chinês fala que morreram duas mil pessoas, e esse é o dado oficial e estima-se que tenha sido muito maior do que isso. E esse, inclusive, foi um dos temas, eu acho, é porque o Google.
00:06:25 Fernanda Belfort
Saiu da China. Eles toparam ir pra China, aceitando que ia ter censura, começaram a receber e sofrer até uma série de ataques cibernéticos, e tudo, e acabaram voltando atrás anos depois, e decidindo sair da China, porque eles acabaram avaliando que não queriam seguir com esse tipo de regulamentação, que eram as obrigatoriedades que precisavam acontecer pra eles se manterem. Acho que teve um pouco disso. Uma coisa que me chamou muita atenção, Déa
00:06:56 Fernanda Belfort
Foi o quanto as ruas são silenciosas. Eu nunca tinha me dado conta de como o carro faz barulho. E, por um lado, eu até brinquei, falei, eu acho que claro que tem uma segurança enorme lá. Você não se preocupa em andar com o celular na rua. Mas eu tenho uma preocupação tão grande de ser atropelado por uma motinho elétrica que você nem ouviu que tá vindo. Eles andam por cima da calçada, por todo lado. Que no último dia, eu até brinquei com o Rui e falei: nossa, eu acho que tá mais fácil não ser assaltado em São Paulo com o celular do que não ser atropelado aqui, dando pontos de vista de segurança.
00:07:27 Fernanda Belfort
Mas o quanto as ruas são silenciosas, com os carros elétricos chamou muita atenção.
00:07:33 Andrea Janer
Nossa, é impressionante mesmo isso. E essa história das motinhos, das bicicletas elétricas, assim, é um capítulo à parte. Lá existe alguma flexibilização, que a gente não entendeu, exatamente qual é, mas aparentemente, existe uma flexibilização de tráfego desses veículos nas calçadas. Você não consegue andar na calçada normalmente despreocupadamente. Tem sempre uma motinho ou uma bicicleta elétrica passando, tirando um fino de você. Só que ela não faz barulho nenhum, como a Fê falou. Você tem que estar muito atento o tempo todo.
00:08:04 Andrea Janer
A gente descia do ônibus, tinha que esperar, porque aquele ímpeto de sair do ônibus na calçada e já sair andando, você podia ser atropelado a qualquer momento. Esse foi um fator que nos pegou de surpresa, a gente realmente ficou assustado em alguns momentos com a facilidade com que alguém podia se machucar mesmo ali numa descida do ônibus, saindo do hotel, indo para a rua. Realmente é muito impressionante porque esses veículos dominaram o tráfego chinês, acho que principalmente nas grandes cidades.
00:08:35 Andrea Janer
É um veículo onipresente, tinha estacionamentos de motinhos elétricos, que você via milhares e milhares de bicicletas elétricas e de motinhos elétricos, como um meio de transporte totalmente disseminado.
00:08:49 Fernanda Belfort
Acho que experiências incríveis que a gente viu foi graças ao Oxygen. A gente viu a entrega para o drone, então a gente estava num parque em Shenzhen. Conseguimos, né, e até pra explicar pra vocês, gente, assim, ainda é uma coisa que é um piloto lá. Tem um totem que você faz um pedido, conecta tudo, né, vai com o celular, não sei o que. Você pede, é como se fosse um iFood, assim, você pode pedir pra várias restaurantes diferentes.
00:09:21 Fernanda Belfort
E você fica esperando. De repente vem um drone com uma caixa embaixo. Esse drone pousa no teto desse totem. Consegue, né, ele baixa essa caixa de algum jeito que não despenca, porque senão ia estragar tudo.
00:09:35 Andrea Janer
Deve ter um elevador.
00:09:37 Fernanda Belfort
Interno, Sei lá. Exato, tem alguma coisa assim, e daí você destrova com o seu celular, tira a caixa, pega o seu pedido, e tem um jeito que você dobra a caixa e devolve ela pra ser uma coisa aproveitada. Acho que essa foi uma experiência muito legal. Andamos num carro autônomo também, Dea? Você já completou três, eu ainda não andei no Robotaxi, eu só andei no Eimo e no deles, mas é interessante porque eles não têm uma marca específica. Pony Eye.
00:10:06 Andrea Janer
Pony Eye é uma plataforma, eu acho que ela é muito parecida com a Wave, que é uma que tem na Europa. Elas não fazem o carro, não têm esse combo. Eles fazem um sistema que pode ser plugado em várias marcas de carro. Acho que é qualquer não, mas provavelmente o modelo da Pony é esse, que eles conseguem ser parceiros de várias marcas de carro.
00:10:32 Fernanda Belfort
E a gente visitou, já que a gente tá falando um pouco de carro e carros elétricos e tudo, a gente visitou a fábrica da Xiaomi, que a gente fala Xiaomi aqui, lá fala Xiaomi, mas acho que essa foi uma experiência incrível.
00:10:45 Andrea Janer
Né, Dea? Foi, porque... Bom... Também eu tenho que admitir que eu nunca tinha ido numa fábrica de carros. Então eu acho que eu devo ser uma pessoa facilmente impressionável, porque eu não tinha parâmetro, eu não tinha referência. Mas precisamos dar o devido crédito. Essa fábrica da Xiaomi é referência na China. Ela é uma referência na China, ela é uma fábrica modelo, eu diria. A Xiaomi ficou famosa porque ela fazia celular. Até pouquíssimo tempo atrás ela era conhecida como fabricante de celular e hoje ela está fabricando um dos carros mais vendidos na China, um carro que está super na crista da onda porque ele parece um Porsche, ele tem algumas características e ele inclusive é considerado hoje superior ao Porsche.
00:11:34 Andrea Janer
E ele, enfim, é um carro que a fábrica faz um carro daquele a cada 76 segundos, gente. Assim, é um negócio violento a quantidade. São quase 1.500 carros por dia que saem dessa fábrica. É uma fábrica totalmente robotizada. A gente encontrou pouquíssimas pessoas, Fê?
00:11:54 Andrea Janer
Pessoas inumanas, né?
00:11:56 Fernanda Belfort
A gente fez uma visita que pegava aqueles carrinhos, assim, né? Tipo, mãe, tô na Globo? Né? Tipo, tô aí. Estou lá no Projac, mas um desses carrinhos visitou dentro da fábrica, realmente. Não podia filmar, tirar fotos. A gente foi e acho que deve ser considerado uma dark factory, né, Déa? Porque acho que se a gente viu três ou quatro humanos, foi muito, né? Muito e assim.
00:12:21 Andrea Janer
Braços Robóticos gigantes, assim, montando os carros, tudo de uma eficiência impressionante. O modo como eles vão montando o carro como um Lego, e tudo muito rápido, porque imagina, a cada 76 segundos você tem um carro saindo pronto, é um negócio inacreditável esse nível de eficiência. Eu acho que assim, do ponto de vista de carro elétrico, a China realmente conquistou um espaço que provavelmente nunca ninguém vai conseguir alcançar.
00:12:53 Andrea Janer
Acho que nem a Tesla, que talvez tenha sido a precursora de tantas outras marcas de carros elétricos, e isso que eu acho interessante falar também. A China não tem só a BYD, a Xiaomi, a Huawei, a China tem quase 70 marcas de carros elétricos, então isso é uma característica bem interessante da China. Lá dentro existe muita competição. A gente pensa, a gente conhece às vezes duas, três, quatro marcas e acha que elas são as principais. Como a gente vê, olha para os Estados Unidos, pensa na General Motors, na Ford.
00:13:24 Andrea Janer
Na China tem muita fábrica de carro elétrico, assim como de robô. Elas têm que primeiro vencer a competição interna antes de olhar para fora. Foi super rico ter entendido como a China olha para esse segmento. Veículos elétricos de fato é uma indústria, uma vertical muito valorizada pelo governo. Houve uma intenção muito clara do governo de ser o líder nesse território.
00:13:55 Andrea Janer
Do carro elétrico e, inclusive, a gente ouviu isso do professor Chao na Universidade de Fudan. Eles agora estão olhando para o próximo capítulo, já que eles dominaram os carros elétricos, agora eles querem entrar em carros voadores.
00:14:10 Fernanda Belfort
Acho que isso que a gente viu, eles realmente deixando de ser simplesmente a fábrica de produtos piores, ou coisas assim, para virarem carinho. Precursores em alguns dos segmentos. Carros elétricos, com certeza, é isso. E essa visão, eles pensam o carro como se fosse um celular. É uma junção ali de software, da tecnologia da bateria, do sensor. Eles têm... Isso foi uma coisa que ficou muito clara pra mim. Claro que eles têm uma parte de inteligência artificial.
00:14:41 Fernanda Belfort
Eu tenho o BYD, gente. Eu tenho um carro chinês, né? Posso dizer. Mas eles têm a parte toda de inteligência. Que bom
00:14:47 Andrea Janer
Você tem um lugar de fala, Fê? Você tem um famoso lugar de fala.
00:14:51 Fernanda Belfort
Um Famoso lugar de fala. Aquela coisa, carro elétrico não é o futuro, lá já é o cotidiano, entendeu? Pra mim também, um carro elétrico é o chinês. Eles têm toda essa parte de inteligência artificial. O que é o grande diferencial da China é essa capacidade de engenharia, de fabricar coisas. Isso é algo que chama muito a atenção. E a gente, além de... Nessa empresa de carros, na Xiaomi, a gente também foi em duas empresas de robôs
00:15:21 Fernanda Belfort
Uma de mãos de robôs, e é super interessante porque quando a gente começa a falar de robô, a gente pensa muito, talvez eu até, por trabalhar com tecnologia e com software, com IA, a gente pensa muito no world model, no cérebro deste robô. Mas existe um monte de tecnologia e a mão é um dos grandes desafios. Então tem uma empresa que só pensa na mão do robô, que é um dos maiores desafios. E tem lá, a maior parte das empresas que a gente visitou, tem meio que um showroom.
00:15:55 Fernanda Belfort
Uma área física com vários painéis contando as informações, com demonstrações dos produtos, expondo seus produtos. Nessa tinha a mão fazendo um teste para mostrar velocidade, a outra mão para mostrar força. A outra para mostrar agilidade, mostrar as capacidades. Ela tem um software ali junto que tem uma API para você integrar com o seu robô. E aí me cai uma ficha, Deia, que esse mercado todo de robô, do mesmo jeito que a gente tem montadoras de automóveis.
00:16:27 Fernanda Belfort
A gente vai ter montadoras de robôs. Parte da tecnologia vai ser proprietária, parte da tecnologia vai ser de um fornecedor, como... Talvez uma bateria, alguma coisa assim. A própria Xiaomi, se não me engano, compra bateria acho que da BYG. Tem várias coisas que vão se misturando, que acho que é muito interessante. E no caso da Xiaomi, eles contaram que entre a decisão de fazer um carro e lançar o primeiro carro, demorou três anos.
00:16:58 Fernanda Belfort
Isso pra você desenvolver um protótipo, decidir tudo só numa economia que já tem muito know-how e que já tem toda a escala de valor ali, todo o ecossistema desenvolvido, você consegue fazer algo tão rápido.
00:17:15 Andrea Janer
É, acho que isso é uma constante também, nas empresas que a gente visitou. O Go-to-market deles é muito acelerado. E aí a gente visitou um mercado que a gente estava na minha lista, Revê. Porque eu estive lá pela primeira vez em 2019. Eu não vou me arriscar a dizer o nome dele, porque é impronunciável. Mas é um complexo onde você encontra não só os produtos eletrônicos, o paraíso dos eletrônicos em Shenzhen, mas também o paraíso das peças
00:17:47 Andrea Janer
Que você consegue montar um protótipo, sei lá, de um fone, de um telefone, de um gadget qualquer, com as peças que você encontra lá. Existe uma facilidade, um acesso muito grande ao produto mesmo, às partes, aos equipamentos que você vai usar para poder construir um piloto, para você poder levar uma fábrica, criar um protótipo e depois transformar num produto, enfim, em escala. Eu acho que isso realmente é uma característica da China.
00:18:18 Andrea Janer
Eles são muito acelerados. Cidades como Shenzhen, que a gente foi, é uma cidade que está totalmente em obra. É uma cidade que existe há 40 anos apenas. É uma metrópole, uma cidade gigantesca, com arranha-céus por todos os lados. E era uma vila de pescadores há menos de 50 anos atrás. É uma característica deles, como eles continuam acelerando, e olhando para todas essas frentes, todos esses campos.
00:18:49 Andrea Janer
Com uma visão de longo prazo, que é uma característica também do regime, do governo chinês, que são os planos quinquenais. Eu sou da época do trema, então me sinto falando muito errado quando eu digo quinquenal. E não quinquenal, mas assim, eu tenho que me acostumar que agora é assim que se fala, quinquenal. E eles, por meio desses planos quinquenais, que são planos de cinco anos, que o último foi anunciado agora em março, traçam as linhas mestras. O governo traça as linhas mestras para o país.
00:19:20 Andrea Janer
Ele define as prioridades, aloca os recursos. E vai em frente pisando no acelerador. Um governo que não precisa se preocupar com a alternância de poder. Ele não tem que pensar em reeleição, fazer campanha, soltar um monte de medida populista para poder se reeleger. Ele pode fazer, enfim, o que ele quiser com os recursos do governo, que são quase infinitos lá na China. E traçar realmente essas grandes prioridades, que vão marcando aí o desenvolvimento, o progresso chinês.
00:19:55 Andrea Janer
A gente teve, Fê, uma conversa com o professor Chao, na Universidade de Fudan, que participa, inclusive, da confecção desses planos quinquenais. Ele é um economista muito respeitado na China, foi um super privilégio estar com ele. E ele contou, inclusive, quais eram três áreas novas desse último plano quinquenal que saiu em março: a Low Altitude Economy, que é essa economia de baixa altitude, que são os carros voadores. Brain Computer Interfaces, que são esses chips implantados no cérebro.
00:20:26 Andrea Janer
E exploração espacial, que é algo que a China realmente ficou um pouco para trás aí, com essa aceleração da SpaceX e tudo mais, da volta da NASA. Acho que foi bem interessante ver quais são as novas áreas que o governo vai acelerar também.
00:20:42 Fernanda Belfort
Essa foi incrível, essa visita. Primeiro, ver uma universidade que já está ranqueada entre as melhores em vários cursos. Entender como é o olhar deles, o quanto eles têm uma preparação. Tinha uma pessoa do nosso grupo que trabalhava numa determinada indústria que não foi liberada a fazer a visita, porque não passou no background check. Acho que isso foi uma coisa que chamou atenção. E a pergunta que eu fiz para ele foi: Puxa, legal, a gente está vendo tudo isso.
00:21:14 Fernanda Belfort
De A. Mas a gente viu na China decidirem, a gente comentou isso aqui no Duplo Clique. Algumas semanas atrás, porque a gente foi algumas sem gravar. Mas a gente viu uma decisão que foi a favor de um funcionário que não deveria, não poderia ter sido mandado embora simplesmente por ser substituído por IA, quando isso era só um ganho de custo. E eu perguntei, mas aí, o que acontece? E ele falou, é, nós somos socialistas, então existe.
00:21:45 Fernanda Belfort
Um olhar para a população. A verdade é que a estabilidade de um país, que tem mais de um bilhão de pessoas, só acontece, assim como qualquer país, se tiver emprego para essas pessoas. Se tivesse não, cai em governos. O que acontece? E aí ele virou e falou: 'Né, this generation will pay for it.' E é algo interessante, a gente já comentou aqui, até também num duplo clique. Se não me engano, no... De como foi o processo de industrialização e quando chegaram as grandes máquinas fabris nas fazendas.
00:22:21 Fernanda Belfort
E começou a gerar um desemprego. E essas pessoas foram para a cidade. Estavam tendo a industrialização. Elas passaram a trabalhar nas fábricas. Depois que o tempo, e até aliás, 1º de maio. É 1º de maio, porque foi a data de uma tragédia que aconteceu numa fábrica e muitas pessoas morreram. Depois de algumas coisas ruins acontecerem e de um certo tempo, a sociedade começou realmente a se adequar a tudo isso e ter lei trabalhista. Agora estamos na discussão se vai ser 5 por 2, 6 por 1, mas existe, com o tempo, existiu uma melhoria de que a maior parte das pessoas trabalha 8 horas por dia, 5 dias por semana, talvez 4 no sábado para das 44 semanais, mas muito menos do que trabalhavam numa fábrica.
00:23:06 Fernanda Belfort
Esta geração vai pagar por isso. É justamente que a geração que pega a transição de grandes revoluções de tecnologia tem um impacto e que a China não está ignorando isso. Ela está, por um lado, acelerando, mas, por outro lado, ela também está cuidando dessa transição. A ideia é uma coisa que até você comentou bastante e a gente viu isso também na escola, em Shenzhen, o quanto o Partido Comunista é uma coisa que a gente tem que cuidar. Depois a gente pode emendar e contar até um pouco.
00:23:38 Fernanda Belfort
Do Museu do Partido Comunista, mas o quanto O Partido Comunista tá.
00:23:43 Fernanda Belfort
Extremamente conectado a todo o setor de educação.
00:23:47 Andrea Janer
Super. Uma coisa que me chamou muito a atenção, na escola, Fê, a gente, pra dar um contexto aqui pros ouvintes, a gente foi visitar uma escola pública.
00:23:56 Andrea Janer
Chamada Guiwan. E, assim, state of the art, uma escola brilhante, linda, super, as instalações, parece a Avenues. Parece a Avenues aqui em São Paulo, total, parece a Avenues. Fomos muito bem recebidos, fizemos um grande tour pela escola, tivemos palestras lá também. E uma coisa que me chamou a atenção é que o próprio currículo, o conteúdo que é transmitido para os alunos da escola, até isso é alinhado com o plano Quem Quer Não.
00:24:28 Andrea Janer
Então você vê dentro da escola, tem uma área dedicada à exploração espacial. Tem lá astronautas, naves, as crianças brincam de fazer esse tipo de interações com elementos da exploração espacial. Tem uma outra área da escola dedicada à robótica, que tem a ver também com essa aceleração que o governo está promovendo com as empresas de robótica, principalmente robôs humanoides. E uma outra área, por exemplo, dedicada a veículos elétricos.
00:24:59 Andrea Janer
Que é outro pilar do governo. E obviamente uma outra área dedicada à AI. As crianças lá estudam AI na escola. Então isso faz parte do currículo. Então é tudo muito costurado. Quando você volta da China, você se dá conta de como tudo lá é muito costurado. Não tem nada que aconteça por acaso. Existe um planejamento e talvez essa capacidade de enxergar o longo prazo. Essa possibilidade de criar. Um planejamento realmente de longo prazo.
00:25:29 Andrea Janer
Que a gente não vê. No Brasil Assim, é terrível, né? Acho que talvez Até pior do que em outros países. A gente tem Uma visão muito curto prazista das, Coisas, né? Esses mandatos, De quatro anos, né? Dos políticos Faz com que as coisas fiquem muito travadas As coisas às vezes regridam, né? E quando você vai pra um país onde As coisas têm essa continuidade, É muito interessante, é muito, Fácil você ver o progresso Chegar, né? Então, acho que essa questão da escola realmente me chamou muito Atenção, como tudo está alinhado, Como tudo está conversando.
00:26:01 Andrea Janer
Um último ponto que eu queria trazer, Sobre o professor Chao, né, na Universidade de Fudan. A gente, quando a Fê perguntou Sobre essa questão Dos empregos, né, e tudo mais, Como é que ele estava enxergando isso, Ele mostrou todo orgulhoso o avatar Dele, né, ele tem um avatar. Ele já criou um digital Twin. Dele próprio para que ele possa, sei lá, dar aula online, Estar em dois lugares ao mesmo tempo, fazer uma palestra remota. Então ele alimentou essa versão digital dele com todos os artigos,
00:26:32 Andrea Janer
Os livros, os podcasts que ele já fez, sei lá, todos os conteúdos que ele já produziu. E ele tem uma versão que fica disponível aí para quem quiser consultar, Fazer alguma coisa com ele, que eu acho que no futuro todos teremos também. Você não acha, Filipe, que a gente vai ter talvez... A gente não estaria trabalhando tanto se a gente tivesse Os nossos gêmeos digitais, né?
00:26:53 Fernanda Belfort
Com certeza. Espero que eles sejam remunerados, Né? Não fique a gente sem emprego E eles ali trabalhando, que é uma outra, Preocupação. Mas eu concordo, ele tava Super animado, né? Eu acho que ele tava mais Interessado em sair pra passar de moto, porque ele era Super, né? Aliás, um cara, Legal. Odé, E você também, a gente também... Quer dizer, você já sabia, né? Eu descobri lá quem ele era, mas Ele é um cara que é muito próximo do partido, Que inclusive ajuda Na elaboração, né? Participa, Um pouco dos planos quinquenais. Ele apresentou, gente, ele ia falando,
00:27:25 Fernanda Belfort
Tinha uma aula com um monte de Slides, e ele falou, gente, eu atualizo esses slides, Todos os dias. Então tá tudo em chinês. Eu virei a louca, né? Tirando foto, Tentando traduzir um ou outro, E tal. E um dos slides Que ele mostrou, inclusive, foi, Os KPIs do plano Quinquenal. Isso foi uma coisa que me chamou a atenção também. Do quanto eles têm um slide de uma página E fiquei eu tentando traduzir no Google Translator, A foto e tudo naquele momento. Mas eles têm lá qual é o crescimento do PIB,
00:27:57 Fernanda Belfort
O crescimento de produtividade de trabalho, a taxa de urbanização. Eles vão tendo uma série de coisas. Qual é o aumento da renda disponível dos residentes. O número de funcionários médicos por mil pessoas, o número médio de anos de educação da população e idade ativa, a capacidade abrangente de produção de energia. Uma série de coisas ali que eles vão vendo. E isso, Dé, foi uma coisa até que eu fiquei bastante conversando com o Rô também. É uma coisa que a gente sempre conversa
00:28:29 Fernanda Belfort
E saiu até um artigo no The Atlantic também falando um pouco disso. Do quanto à democracia... Eu não estou absolutamente defendendo uma ditadura, porque no fundo é isso que a China é. Mas o quanto que a democracia hoje consegue competir com isso? É um pouco o que você está falando. Você já está preocupada com a eleição, aí você entra, ganha, fica dois anos, já está preocupado de novo. Nada tem muita continuidade. A gente precisa de ciclos maiores, de uma visão diferente.
00:29:01 Fernanda Belfort
Tudo bem que entre o que planejaram do comunismo e tudo e o que tem hoje, estava conversando com meu pai ontem por coincidência, ele falando, é filha, uma das grandes coisas que destruiu a ideia do comunismo no mundo foi pagar imposto e começar a oferecer serviços básicos para o resto, mas é de alguma forma o capitalismo se adaptando a isso, mas o quanto não só existe.
00:29:26 Fernanda Belfort
Uma dificuldade dos países democráticos. Acho que isso que os Estados Unidos estão vivendo, essa tensão de pensar nessa competição com a China. Até quando a gente foi fazer o almoço, no primeiro dia, com o Fundo Soberano Chinês, que eu perguntei: 'Mas o quanto vocês estão preocupados com a concorrência, com a competição com os Estados Unidos?' Ele falou: 'Claro que é uma competição', mas tem uma máxima aqui na China... O que a gente acredita é.
00:29:57 Fernanda Belfort
Que a gente não vai te tratar como inimigo, a não ser que você nos encare como inimigo. Aí, a gente vai ser o seu inimigo. Então isso claramente acontecia, mas acho que tem um paralelo aí interessante.
00:30:13 Andrea Janer
É, e esse socialismo chinês é muito interessante. Só estando lá pra entender. Eles chamam oficialmente de socialismo com características chinesas. Esse é o nome. O oficial que o partido dá para o regime. O socialismo com características chinesas. Ele não é um socialismo puro. Eles estudam Marx, eles falam de marxismo o tempo todo nas escolas, nas universidades. Mas eles criaram um regime próprio.
00:30:44 Andrea Janer
Por isso, quando você tá lá, você esquece um pouco que ele é um país socialista. O consumo é desenfreado, assim, na China. A vida lá é uma vida de um país capitalista, assim, pra quem é turista e tá passeando. Você esquece. Acho que pra quem mora lá, talvez, a mão do regime seja mais pesada. Mas pra gente que tá lá, é curioso, assim, a gente não tem essa, muito essa sensação. Acho que você vai pra Sei lá, Sanitum, o shopping que a gente foi em Beijing.
00:31:15 Andrea Janer
Que é um shopping, com as maiores lojas, da Dior, da Hermes, da Louis Vuitton, que eu já vi na vida.
00:31:25 Andrea Janer
Dentro do shopping tinha prédios, Cada marca dessa tinha um prédio De três andares, assim, gigante. Então existe, assim, Uma convivência, né, dos valores Socialistas com o, Ápice do capitalismo, assim, Que eu acho bem interessante. E eu acho que, Com isso a gente pode falar um pouquinho também, né, Fê, Dessa entrada da China numa outra era, Em que a China começa, A criar suas próprias marcas, Né, e começar A, A gerar desejo do próprio povo chinês por marcas chinesas, Que isso acho que é uma novidade, né?
00:31:56 Andrea Janer
A gente via os chineses há tantos anos fazendo fila na porta das lojas de luxo Em Paris, em Nova York, em Londres, E agora eles começam a desenvolver seus próprios produtos, Com uma linguagem própria, né? Acho que talvez depois de ter bebido tanto dessa fonte ocidental, Eles agora começam a desenvolver produtos e marcas. Com características próprias bem interessantes, né? A gente teve um gostinho disso, assim, nas bolsas, né? Com a Songmont, nos perfumes, né?
00:32:27 Andrea Janer
Com a Two Summer, com o vinho chinês, Que a gente tomou ótimos vinhos chineses, Que o Ho, marido da Fê, que é um conhecedor profundo, Aí trouxe, inclusive, na mala uns vinhos chineses. Espero que ele me convide para tomar também, inclusive. Mas a gente viu Carros de luxo, então tem uma série De produtos chineses de luxo, Que foram surpreendentes, né?
00:32:50 Fernanda Belfort
Certeza, né? Saímos, até obviamente você está Convidada, né amiga? É só separar em São Paulo, Que não está fácil. Agora eu vou ficar por aqui. Mas a gente até, Foi comprar bolsas Da Songbont, que é a, Marca mais hypada lá Desse momento. E acho que isso é, Algo que está acontecendo, né? Existe Esse soft power, Chinês. Você já colocou isso De que tem essa trend, De China Maxing, Das pessoas trazerem um pouco, Do estilo de vida chinês.
00:33:21 Fernanda Belfort
E a gente vê isso na cultura.
00:33:25 Fernanda Belfort
Tudo que os Estados Unidos, Se alavancaram, Em Hollywood Para exportar O estilo de vida e o poder, E o imperialismo americano, A gente vê a China Fazendo, Com o TikTok, com outras empresas, acho que as mídias sociais muito fortes aí. E a gente vê, e a gente foi até, visitou lá a Dreamy, Que é como se fosse uma marca tipo uma Daiso, assim, chinesa. Mas que como tudo na China, você não consegue encaixar na sua cabeça.
00:34:00 Fernanda Belfort
Dentro de um quadradinho existente, de fazer um paralelo perfeito. Porque é uma empresa que assim, você entra, o portfólio dos produtos do cara. Os caras têm absolutamente todos os produtos possíveis, imaginários, De cortador de grama, todos os utensílios que você pode imaginar de cozinha, Todas as coisas de beleza, a motinho elétrica, O projeto de carro, milhões de coisas acontecendo. E receberam a gente com uma série de gerentes de produto, Numa sala, para cada um mostrar os produtos da sua categoria, O secador de cabelo, isso, aquilo, o que cada um tem.
00:34:34 Fernanda Belfort
E distribuir cartão para querer fazer negócios Com o Brasil. Olha, se Qualquer produto que vocês viram aqui, se vocês Tiverem interesse de levar para o Brasil, queremos. Então, uma vontade muito Grande de fazer as coisas. Mas a gente vendo, Empresas, e até quando a gente Foi na incubadora, Na Bot Park, que é uma Incubadora que todas as empresas Lá são empresas voltadas, A hardware, de alguma forma Dispositivos, não são empresas de software, Soluções, assim. Sempre tem alguma coisa junto ali, física, para fazer,
00:35:09 Fernanda Belfort
Mas o grande objetivo dessa empresa é ter mais empresas como a DJI, Aquela DJI que faz um monte de coisa de drones, câmeras, coisas de filmagem. A gente visitou a loja conceito deles lá também e é impressionante, Porque eles têm desde o dronezinho que você pode fazer alguma coisa. Um monte de coisa de filmagem e coisas que são usadas, assim, Pra fim militar, pra uma magnitude muito maior. Mas tem empresas que realmente tem, como a Xiaomi,
00:35:39 Fernanda Belfort
Como várias delas, que tem a marca efetiva como a marca chinesa. E, Dé, você sabe que uma outra coisa, né, Quando a gente foi, nesse dia que a gente foi fazer compra, A gente foi, né, em várias lojas e tudo, e... Um dia precisamos contar também, né? Não vai dar tempo de contar tudo, mas, Da ZZR. Mas a gente Também foi no Partido, Comunista, no Museu do Partido Comunista Chinês.
00:36:08 Andrea Janer
A gente foi bem eclética, Né, amiga? A gente fez compra, foi no, Museu do Partido Comunista, a gente foi, A gente faz um pouco de tudo, né, gente? Não é porque a gente é.
00:36:17 Fernanda Belfort
Nerd que a gente Não faz compra, né? Porque a gente faz compra que a gente, Não consome conteúdo, né? Imagina. Por isso que a gente conseguiu gravar, porque vocês podem imaginar Que tava pouco intensa a agenda, Né? Mas uma delícia. Eu comprei, quem está vendo no vídeo pode até ver aqui, Eu comprei uma cadernetinha na lojinha do museu Que tem o souvenir, a cadernetinha do Partido Comunista Chinês. Não porque eu suporte, deixa eu só fazer meu disclaimer político aqui. Gente, eu não estou endossando isso, não é nada disso,
00:36:49 Fernanda Belfort
Mas a expectativa e a percepção que a gente tem sobre o comunismo, Não conecta com o capitalismo a ponto de estar vendendo souvenir. Então, pra mim, eu falei, gente, Isso é uma pequena peça Que tem tantas inconsistências, Interessantes Que ela passa a fazer sentido. E muito ali, Primeiro que assim, um museu muito bem feito, Com uma narrativa muito, Bem construída, Pro chinês, mostrando, E foi um povo que foi muito atacado.
00:37:20 Fernanda Belfort
Teve lá as guerras Do ópio, teve depois, O Japão, teve uma série de coisas. E meu marido, que adora história, Leu um monte de livro e ficava me contando, Todas as coisas, e a gente ficou falando bastante, Sobre isso, sobre a guerra do ópio, E o que aconteceu, de que De repente eles começaram a comprar Um monte de coisa na China e vender, Ópio, e trocar por ópio, e com isso Viciaram a população e fizeram, De alguma forma o país Por um período cair de joelhos Ali pro imperialismo. E essa estratégia.
00:37:52 Fernanda Belfort
De viciar o povo, Voou. Não é, de alguma forma, a estratégia que a China É acusada de usar, Com o Ocidente, ao viciar O povo com rede social, Com TikTok, E, com isso, Tirar um pouco da autonomia, do poder, De pensar. Então, acho que tem algumas coisas, Interessantes quando a gente começa a analisar, Essa geopolítica toda.
00:38:15 Andrea Janer
Total, a gente volta um pouco comunista de lá, né, acho que a gente fica todo mundo meio tipo assim, gente, mas não é tão ruim não, né, tá bom, é legal, esse jeito aí que eles fizeram deu bom, enfim, a gente fica rindo, mas é verdade, a gente volta com uma visão, acho que a China tem muitas coisas que só estando lá que a gente consegue entender, até porque tem uma, uma, a Fê falou no início, né, do Great Firewall, que é essa, essa grande censura que acontece, né, que o governo impede que várias, Várias informações cheguem para os chineses, né?
00:38:47 Andrea Janer
Então, por exemplo, se você está conectado no Wi-Fi do hotel, Você não consegue acessar o Financial Times, New York Times, Você não acessa esses veículos. Você não assiste nem o próximo capítulo da série do Netflix, Que é o que eu queria fazer, entendeu? Então, existe uma tentativa cada vez mais, Eu acho, mais mal sucedida, diga-se de passagem, De impedir que essas informações cheguem. Para a mainland China, que é a China continental. Porque hoje em dia o mundo mudou, acho que as coisas são muito mais,
00:39:20 Andrea Janer
A gente tem muito mais acesso, os VPNs estão aí para isso, Então existem muitos vazamentos aí nessa Great Firewall, né? Mas eu acho que a China, a história da China e o que está acontecendo na China É muito mal contado para quem está do lado de cá, sabe? Eu acho que a gente aqui no ocidente tem pouquíssima informação. A gente tem muitas misconceptions, A gente tem muitos.
00:39:46 Andrea Janer
Entendimentos errados, Preconceitos com o que acontece Na China. Então, quando você vai pra lá, Você vê uma realidade muito, Surpreendente pra muita gente. Então, é claro que a gente ficou, Em cidades grandes, É muito diferente quando Você vai pra China rural, Por exemplo. A China rural é uma outra China, Que a gente não viu dessa vez. Então, acho que a gente tem, Que fazer também esse disclaimer. Porque vimos a China das metrópoles, né? A China de Shanghai, Beijing, de Hong Kong, de Shenzhen, são cidades grandes.
00:40:18 Andrea Janer
Então, existe ainda a pobreza no interior da China. Existe gente que não está conectada na internet no interior da China.
00:40:25 Andrea Janer
Enfim, existem milhões de desafios num país que tem um bilhão e meio de pessoas, né? Um país com a segunda maior população do mundo, só perde para a Índia. E uma população que está envelhecendo também. Então, a China... Uma das questões importantes que a gente precisa entender de macroeconomia aqui na China É que durante muitos anos o governo impôs a política do filho único, Então as famílias chinesas não podiam ter mais do que um filho, E mesmo depois de revogar essa lei, as famílias chinesas continuam tendo só um filho.
00:40:59 Andrea Janer
Isso ficou tão profundo, essa cultura ficou tão marcada. Que hoje os jovens chineses mal têm filhos, né? Alguns optam por nem ter. E quem tem, vai ter só um. Então, essa população, assim como em muitos países do mundo, né? Tá encolhendo. E o governo já tá preocupado com o que vai acontecer daqui a 30 anos, Quando não tiver mão de obra suficiente pra trabalhar em todas essas fábricas, né? Que a China continua fabricando muita coisa pro mundo, né?
00:41:31 Andrea Janer
Então, isso, por exemplo, tá por trás. Dessa grande aceleração da robótica na China. O governo já está entendendo que possivelmente várias funções, Não só no chão de fábrica, mas em vários outros setores da economia, Vão ser desempenhadas por robôs. Então isso explica, de uma certa forma, Por que a China está tão avançada em robótica E por que a gente vê tanto robô homoenoide na China. É um experimento do governo, é uma tentativa de solucionar um problema que ele já anteviu,
00:42:06 Andrea Janer
Ele já está percebendo que essa bomba vai estourar daqui a 30 anos, Essa bomba vai estourar para todo mundo. Só que muitos países, o governante do momento fala assim, Gente, eu não vou nem meter nisso, porque eu só vou ficar 4 anos aqui, Por que eu vou criar todo um planejamento para uma coisa que eu vou estar longe aqui quando acontecer. Então, acho que esse pensamento, Que o nosso querido Roman Ksnaric chama De pensamento de catedral, Que é você fazer coisas hoje, Que você não vai ver o resultado,
00:42:37 Andrea Janer
Você não vai ver o benefício, Antigamente era comum, Os governantes começavam igrejas, Hoje eu li que a Sagrada Família, Finalmente foi concluída.
00:42:47 Fernanda Belfort
Pensei a mesma coisa. Quantos anos,
00:42:49 Andrea Janer
Quantos governos, Quantos reis passaram, quantos papas, Sei lá, quanta coisa aconteceu, Até esse momento chegar. E ninguém deixava de fazer a sua parte Só porque não ia colher os frutos Daquilo, né? Existia Um pensamento de que eu tô aqui fazendo a minha Parte, né? Depois de mim vem Outro e vai fazer a parte dele. Então, Esse pensamento de continuidade, Esse pensamento de longo prazo, Que é muito impactante Quando você tá na China, e que é Admirável, né? Por mais que a gente Saiba que ele é fruto de uma ditadura,
00:43:20 Andrea Janer
Só porque é uma ditadura que isso pode, Acontecer, a gente não tá, Aqui defendendo ditadura, mas assim, Assim, É um silver lining, digamos assim, das coisas, né, um ponto positivo aí de um regime que, enfim, tem tantas falhas, né, mas permite esse tipo de planejamento de longo prazo. É, concordo super,
00:43:44 Fernanda Belfort
E uma coisa que me chamou atenção até nessa mudança, né, que está sendo construída de forma intencional, como você mesma colocou, através da educação, através de uma série de coisas. É a propriedade intelectual. Então, a gente... Uma parte muito legal também Foram as pessoas, as conversas. A Oxygen junta pessoas muito especiais. As conversas que a gente pôde ter. Ah, isso é verdade. Numa delas... Fora as amizades que nascem, Que são as coisas mais importantes, com certeza.
00:44:15 Fernanda Belfort
Mas a gente, em muitas e muitas empresas, Via paredes e paredes Com todas as patentes, Que aquela empresa tinha. Então, um país que Cresceu copiando coisas do, Ocidente, né, e que Não respeitava a propriedade intelectual, Passou a valorizar isso, passou a Desenvolver coisas, e, Uma pessoa, né, do nosso grupo, Tava compartilhando, trouxe um pouco Dessa conversa, né, que enquanto no Brasil, Em 2024 foram 27, Mil pedidos de patente.
00:44:47 Fernanda Belfort
Na China, e você, Até tava me, tava compartilhando O dado que você depois checou, Mas foram, Um. 1 milhão e 800 mil. Então, assim, a magnitude, É.
00:45:02 Fernanda Belfort
Impressionante. Então, realmente, assim, a China Tá crescendo E agora o feitiço Virou contra o feiticeiro, né? Isso me lembra um pouco, Dessa coisa dos países desenvolvidos, Que destruíram todas as suas florestas, Exploraram petróleo, fizeram Tudo e agora não querem deixar que os países Em desenvolvimento façam a mesma coisa. Mas é esse lance, né? A China nunca respeitou A propriedade intelectual de ninguém, Mas agora o jogo está virando, Porque quem está passando a ter, Muitas coisas de propriedade intelectual.
00:45:33 Fernanda Belfort
E usufruir disso tudo, E dessa segurança jurídica que, Traz a possibilidade De você entender que faz sentido, Investir em inovação Porque você vai ter, de alguma Forma, isso respeitado no mundo, Por um período para poder explorar Comercialmente e ter um retorno Sobre o investimento que você fez, é a China.
00:45:54 Andrea Janer
Total, acho que isso das patentes foi um ponto muito impressionante, A gente viu isso várias vezes nas empresas que a gente visitou E é um dos indicadores dos rankings de inovação dos países, Os países mais inovadores, isso é um dado que alimenta esses rankings, E por isso que a China saiu realmente na frente, Ela largou na frente nos últimos anos com pedidos de patente, De uma forma discrepante com relação ao resto do mundo. E isso junto com o dado do número de engenheiros que a China forma todo ano, que também é muito superior à Índia, Estados Unidos, que também formam bastante profissionais de ciências exatas, digamos assim, isso tudo são indicadores que mostram o nível de inovação de um país e a China não é.
00:46:47 Andrea Janer
Considerada tão inovadora à toa, é porque ela tem números que sustentam realmente, como esse, né, do número de pedidos de patente por ano, o número de engenheiros formados nas suas universidades, então acho que tudo isso está caminhando de uma forma muito coerente, né, para transformar a China nessa potência que ela é.
00:47:04 Fernanda Belfort
E nessa mentalidade da China, por um lado...
00:47:11 Fernanda Belfort
Popularizando, conseguindo levar para uma escala industrial, Baratear e tudo, tecnologias. Por outro lado, está vindo também, desenvolvendo as suas tecnologias de ponta. Uma visita que me impressionou bastante foi na BGI. Então, não sei o quanto vocês conhecem, pessoal, Porque para mim foi uma novidade, mas a BGI é a Benjin Genomics Institute. Então, é uma empresa que trabalha com sequenciamento genético em larga escala. E assim, a quantidade de coisas que eles fazem, desde teste para Natal, pesquisa de câncer,
00:47:43 Fernanda Belfort
Uma parte para agricultura, toda a parte de bancos de DNA. E por mais que, bom, o prédio é impressionante, né? Assim, você vê um pouco da escala, de como que é, a arquitetura é impressionante também, Eles muito preparados para receber pessoas, mas parar para pensar sobre esse negócio... E sobre não só o que eles fazem, Mas também todas as, Implicações geopolíticas que isso Traz, foi algo interessante.
00:48:13 Fernanda Belfort
Eles falam que eles trabalham, Com os três verbos, O verbo de ler, escrever e guardar. Então eles conseguem Ler o sequenciamento genético, Fazer isso, conseguem, Ter essa parte de guardar tudo, E de escrever, que daí, Já vai muito até pra CRISPR, pra Essas coisas de como que você consegue até no futuro Ter uma... Medicina de precisão, por exemplo, De entender que tem um problema ali Em uma parte do sequenciamento, Você ir corrigir aquela parte, Escrevendo isso e fazendo.
00:48:43 Fernanda Belfort
Coisas, até essa parte, De armazenar Esses dados. E quando você entra, Nesse mundo, você Entende, até eles foram proibidos de, Trabalhar nos Estados Unidos, não sei se pra tudo Ou pra uma série de coisas, Mas o quanto que, Isso também é, Uma arma geopolítica, né? Isso também é Tem uma discussão, De o quanto o seu dado Está realmente sendo preservado Essa discussão na China, De que qualquer empresa.
00:49:14 Fernanda Belfort
Que esteja na China está sujeita, A abrir as informações, Para o Estado chinês Se o governo Pedir e quiser, que é a mesma discussão, Que existe em relação a TikTok, a Uma série dessas empresas, e que, Que, Esse conhecimento e esse avanço tecnológico pode levar a uma série de coisas, não só a parte de armas biológicas, coisas que talvez seja para onde a nossa cabeça vai num primeiro momento, mas até essa parte de segurança alimentar, de agricultura, seja para fazer o mal ou para fazer o bem, mas o quanto que isso também vira uma potencial força e aí é isso.
00:49:58 Fernanda Belfort
Essa discussão muito grande Que eu nunca tinha parado tanto Pra pensar e, Avaliar um pouco mais, né?
00:50:06 Andrea Janer
Muito bom. Foi muito impressionante. Sem falar no prédio, que foi, Um dos mais incríveis que a gente já visitou. Era uma coisa de um complexo gigantesco, Com, Vários andares e o, CEO é escalador, Né? O cara é alpinista. E na segunda-feira ele instituiu O No Elevator Day. Ou seja, todo mundo tem que subir tudo de escada Na segunda-feira. Achei muito bom Isso. Quando a cultura, quando a, Personalidade do CEO, Vira cultura da empresa.
00:50:37 Fernanda Belfort
Você Entra na empresa E ela é construída de uma, Forma que, O prédio tem um Vão no meio enorme, Que tem uma outra construção, Cheio de plantas, paredes Verticais, não sei o que, tem até, Uma umidade, uma coisa meio floresta Tropical, né, assim, uma Integração enorme, tem lugar pras pessoas, Morarem, tem uma pista de Cooper Em cima, e tem, é Realmente impressionante, né.
00:51:05 Andrea Janer
É, realmente a China, as proporções, São todas colossais, né, a gente Entra nos prédios e fica parecendo caipira, Assim, tipo, meu Deus, o tamanho, A gente... Primeiro a gente tem que superar esse choque quando a gente entra nesses prédios. Porque a gente viu cada empresa gigante e a gente fala assim, nossa. A gente realmente está vindo assim lá do interior, do interior. E a gente realmente fica chocada.
00:51:34 Fernanda Belfort
E além disso, uma coisa que a gente não comentou aqui que foi muito boa Foi que a gente entrou, a gente resolveu descer de escada, Quando a gente estava naquela empresa de telecom. Então... A gente resolveu descer de escada, de um andar pro outro E tudo. A gente entrou na escada, gente. Escada de emergência. Esse prédio era um prédiozinho Normal, assim, modesto, né? Mas a gente entrou na escada pra descer, Um andar. Tinha uma pessoa, Que tinha armado uma cama Na escada e estava, Dormindo, né? Tirando uma cesta ali na hora do almoço. Essa cena foi...
00:52:04 Fernanda Belfort
Foi... De uma forma impactante, né? Literalmente no meio do trabalho.
00:52:10 Andrea Janer
Porque A gente sabe que na China Existe também uma, Cultura de trabalho muito intensa, né? Eles dizem que é o 996, né? Tem um nome isso. Nove horas por dia... Não, das nove às nove, seis dias por semana. Das nove às nove, Seis dias por semana. Então, é uma... Enfim, é uma... Uma coisa que a gente, enfim, não sabe Até que ponto é verdade, acontece em todos Os lugares, mas a gente ficou com a pulga Atrás da orelha quando a gente se deparou, Com esse sujeito tirando uma soneca.
00:52:41 Andrea Janer
Na hora do almoço, numa cama de armar, Aquelas camas de camping, assim. E, sei lá, Deu a entender que talvez realmente eles Tenham uns horários de trabalho muito malucos E isso aí seja uma coisa meio comum, Pra quem tá lá. Enfim, Sei que a gente perturbou, coitado, tava lá Trans, soneca. Imagina o susto que ele aparece em.
00:52:59 Fernanda Belfort
25 Brasileiros descendo a escada, né?
00:53:01 Andrea Janer
Mas é isso, foi muito bom, a gente Cada dia que passa a gente lembra de mais, Coisas, né, vai relembrando, é muito Gostoso viver essas memórias E realmente uma viagem, Transformadora, gente, acho que eu, Sempre falo, quem puder, Ir pessoalmente pra, Visitar a China é sempre uma experiência.
00:53:22 Fernanda Belfort
Transformadora. Queridos, Muito obrigada. E é isso aí. Acho que a gente não vai conseguir a atenção, Da Andrea. Se vocês quiserem muito sobreviver Só comigo, vocês podem mandar uma mensagem E convencer que eu tento fazer um solo. Mas assim que ela voltar dessa temporada, Na França,
00:53:36 Andrea Janer
A gente volta. Gente, e tem, Muito assunto, né? Eu tô aqui aflita porque hoje, Acabou o Elon Musk, acabou de Virar o primeiro trilionário da história, Com o IPO da SpaceX. Tem a história do Irã, tem o Trump. Ih, gente, tem tanto assunto, mas a gente, Vai ter que deixar pra próxima. Queridos, muito obrigada. Um beijo enorme. Obrigada pela paciência, De ter nos esperado a gente voltar. Estamos de volta, não vamos abandonar vocês. Só vamos agora Dar essa equilibrada aí nos pratinhos, Mas já já a gente está de volta com a.
00:54:07 Andrea Janer
Programação normal. Muito obrigada Pessoal e até o próximo Duplo Clique.