Colo de Longe
Bem-vindos ao Colo de Longe, o podcast que fala sobre os desafios, vitórias, perrengues e descobertas de ser mãe fora do Brasil.
Apresentado por Giovanna Borges, cada episódio traz conversas sinceras com mães brasileiras espalhadas pelo mundo, compartilhando vivências reais sobre maternidade, saudade, adaptação e identidade.
Se você está grávida, é mãe ou vive essa jornada longe da terrinha, esse espaço é seu. Porque quem disse que rede de apoio precisa estar por perto? Aqui, o colo chega — mesmo de longe.
Colo de Longe
Autismo e Maternidade no Exterior: Amor em Outra Frequência
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No episódio de hoje, eu converso com Nathalia Foz. Ela nasceu em Santos, já viveu na Espanha, na Nova Zelândia e em Portugal, e hoje mora em Montreal, no Canadá, com o marido Philippe e o filho Lourenzo, de 6 anos.
Foi no Canadá que a maternidade da Nathy ganhou um novo contorno: o Lourenzo recebeu o diagnóstico de autismo ainda pequeno. A partir dali, começou uma jornada intensa de incertezas, descobertas e muita resiliência — tudo isso vivendo no exterior e sem rede de apoio por perto.
A Nathy compartilha o impacto do diagnóstico, os anos de espera sem saber se o filho seria verbal, os desafios emocionais e práticos dessa caminhada e também as decisões difíceis que precisou tomar para garantir as terapias de que o Lourenzo precisava. Em meio a tudo isso, ela se reinventou profissionalmente e encontrou no empreendedorismo uma forma de sustentar o tratamento do filho.
Falamos sobre autismo, maternidade no exterior, culpa, força, amor e reinvenção — e sobre como cada pequena conquista pode carregar um significado imenso.
💌 Quer participar? Esse espaço é nosso. Me encontra no Instagram (@colodelonge) ou por e-mail colodelonge@gmail.com para mandar sua história, sugerir um tema ou só dar um alô.
A gente se encontra no próximo episódio.
Um beijo,
Giovanna
Bem-vindas ao Colo de Longe, o podcast que fala sobre desafios, as vitórias, os perrengues e as trocas de quem vai fora do Brasil. Eu sou a Giovanna Borges e a cada episódio nós vamos conversar e conhecer histórias reais de mães brasileiras espalhadas pelo mundo. Quem disse que rede de apoio precisa estar perto? Aqui, o Colo chega, mesmo de longe. Se você também é mãe, está grávida ou se aventura na maternidade fora do Brasil, este é seu lugar. Vamos juntas nessa jornada de acolhimento, conexão e muito mais. No episódio de hoje eu converso com a Natália Foss, mãe do Lorenzo, de 6 anos, esposa do Filipe, empreendedora. Anath nasceu em Santos, em São Paulo, já morou na Espanha, na Nova Zelândia, em Portugal, and hoje vive em Montreal, no Canadá, where he constrói sua vida in família. A conversa de hoje vai girar em torno de um tema delicado and necessário maternidade no exterior with filho autista and redeems. Nath, I'm very pleased to be here, Nath. And there was another person to talk about this. In the introduction, I was in Espan, in Nova Zealand, a person who via the world and veio parar no Canada. So she cheged to Montreal.
SPEAKER_01Eu sou de Santos, Santos, São Paulo. From the woman feeled my proposed that I'm European present, instead of Port Seguro. I was a person too and I was curious. I was a family of my wife. I think the last time I convinced my parents, when I returned to Brazil, I followed my wife that I prestar owned because I have faculty in Espanha. And my wife said, No, I would have in Europe. And I fui pra Espanha junto com a minha avó. But naquela época não tinha chat GPT, não tinha nada que ajudasse a gente exatamente as diferenças de um país para o outro, I think the ano letivo come in February. And I cheguei lá pra começar in February e só começava em setembro. Andra não tinha as informações também, né? And agora o que eu vou fazer? Meu pai me bancando aqui, né? Muito mais caro. Ando ficar parada. Então minha tia falou. Natália, eu tenho um amigo que mora no exército. Ele é capitão lá e tudo. E a gente pode. Você pode fazer um teste e ver se você passa. Exército. Então foi daí que começou a primeira loucura, né? E eu falei, eu não tinha muita noção ainda, eu era muito, muito imatura, né? Eu não sabia o que era o exército, essa era a verdade. E eu falei, nossa, vamos, que legal, exército, preciso perder peso, né? Uma academia, ótimo. E no final eu fui aprovada, né? Mesmo não falando o idioma, né? Eu não falava o espanhol. E eu fui aprovada, fiz o exército. Só pra resumir, né? Eu acabei saindo do exército de six da faculdade. It was impossible to continuar essa carreira militar. Passei in faculdade public in Espanha, estudei. Andalizei foi justamente na época que o Brasil naquela época de Olimpíadas anda, né? It tinha sido aprovado para ser a sede. Então eu falei, gente, I will voltar para o meu país, I will trabalhate na minha área, vai ser tudo maravilhoso. And I escolhi fazer turismo justamente porque eu queria viajar. I don't tin. I asked a profission, as a profission that really gosta. And I descobri que eu escolhi turismo porque eu gostava de viajar. But I went to a point in my hotel that I had to do. And so I think in Nova Zelândia. This was the second place that I fully. And in return to Nova Zelândia, who was the person who means via um, and Nova Zelândia. And eu falei, ah, vou conversar com ele, porque eu tava tentando passar nas entrevistas a bordo pra trabalhar num cruzeiro marítimo. Então eu falei, bom, é uma oportunidade da gente praticar. No começo a gente só se inscrevia, o português era muito bom. Eu falei, nossa, ele precisa realmente de uma ajuda. E eu descobri que ele não falava nada de português e era um tradutor que estava ajudando. Essa era uma desculpa, não confiem 100%. Então eu comecei a praticar com ele online através de vídeos. Agradeço até hoje, pois foi a porta de entrada, né? Para esse meu trabalho que eu tanto sonhava, que era trabalhar a bordo e conhecer vários outros países, várias culturas, vários outros idiomas, né? Até o momento eu já falava o espanhol e o inglês, mas a gente precisa praticar, né? Então a Natália era essa pessoa que gostava de viajar, que tava sempre pronta pra conhecer coisas novas, gastronomia, pessoas, idiomas, comunicativa. E solta, né? E eu fiquei quatro anos a bordo. Esses quatro anos a gente teve uma relação à distância entre Idas e Vindas. E finalmente eu escolhi o itinerário que ia fazer Canadá, Estados Unidos e Caribe, e justamente parou no Porto de Quebec, Quebec City. Então ele conseguiu, pela primeira vez, ir me visitar e a gente ter esse contato físico, né? E aí ele chegou ali no porto, lindo com flores, com ursinho, tremendo. E foi aquela cena mais de filme mesmo, né? Então a gente dormiu uma noite lá em Quebec. E no dia seguinte, depois do café da manhã, eu retornei pro navio, que ele já ia partir, né? Era só uma overnight ali no Quebec. Mas quando eu subi pro navio, assim, resumindo, eu acabei fazendo minhas malas, eu desembarquei. A gente pegou um trem, realmente, com o filme, e a gente veio pra Montreal. E foi assim que eu cheguei aqui em Montreal.
SPEAKER_00Não, realmente, é o que você falou várias vezes: de filme, aquela paixão, eu vou largar tudo e vou ficar com o Felipe. E realmente foi isso que aconteceu, né? Você largou tudo e tá aqui já há muitos anos, né, Nath? E como que é pra você. Bom, como você falou, né, menina sonhadora, menina solta. E hoje você tá aqui sem família e amigos. Como que é pra você estar longe da sua família? Uma coisa que sempre pra você foi fácil. Ou aí, largar o navio, pegar suas malas, assim, e a pessoa desapegadaça. Ou foi assim, chegou uma hora que você falou, meu Deus, eu não vou voltar pro Brasil, né? Porque no navio a gente voltava e voltava ali, né? Mas você descer daquele navio foi uma decisão de também não voltar pra casa. Como que foi pra você?
SPEAKER_01Então, minha mãe até hoje, sempre quando eu ligo pra ela e falo assim, ai mãe, tá difícil, né? Porque tem aqueles momentos mais difíceis, ela fala, qual parte você não entendeu que eu não volto pro Brasil? Porque realmente era tudo que eu respondia pra ela sempre. Então eu sempre falo, ai, quando que você vai vir morar aqui? Eu falo, qual parte você não entendeu? Porque realmente, depois que eu conheci o mundo, eu não queria mais ficar num lugar só. Então eu desapeguei muito cedo, eu aprendi a lidar com a saudade, meu afiliado nasceu e eu não estava no Brasil. Sobrinhos nasceram e não estava no Brasil, eu não acompanhei de perto o crescimento. Então foi assim. O primeiro momento mais importante da minha vida foi nessa decisão, realmente. So aos poucos a gente foi desapegando. Eu sou uma pessoa super sentimental, carinhosa, mas eu fui aprendendo a lidar com isso. E outra coisa foi a tecnologia, foi acompanhando, porque lá no começo não tinha câmera, né? Então eu falava com meu pai por telefone. Aí depois veio a câmera. Então, assim, eu fui matando a saudade por câmera. Então eu fui me adaptando à tecnologia. E eu acho que foi isso, sabe? A gente vai se adaptando. Então, quando cheguei aqui, não foi tão difícil, sem filhos. Não foi tão difícil esse desapego de ver os pais uma, duas vezes por ano. Porque eu via pela câmera, eu já matava saudade ali, eu conversava todos os dias. Então eu acho que é isso, né? A vida já foi preparando pra não ser um baque, né?
SPEAKER_00E Nath, falando de filhos, vamos chegar no ponto do Lorenzo. Bom, você conheceu o Philip, desceu do navio com as suas malas e tals, casou e decidiu engravidar do Lorenzo. Então, vamos conversar um pouquinho sobre a gravidez dele. Foi uma. Como que foi a sua gravidez, todos esses processos, até chegar no momento que o Lorenzo nasceu e você descobriu que ele é autista. Eu sei que a descoberta não é um negócio que cai do céu. Mas eu queria que você contasse pra gente se teve momentos que você começou a ter um ponto de derogação na cabeça. Nossa, mas será que todas as crianças fazem isso? Mas será que esse bebê faz isso? Porque a gente dá uma nóia, assim, quando a gente é mãe, né? Às vezes a gente fala, nossa, mas tá fazendo isso, será que é normal? Será que todas as crianças fazem? E se a gente não tem muita referência ao lado, a gente pira, né? Mas instinto de mãe nunca mente. Então eu também queria saber quando você olhou e falou, não, vou levar ali no médico, porque eu não acho que isso aqui é comum, assim, eu não acho que todas as crianças fazem isso, meu filho tá fazendo uma coisa que os outros não fazem, enfim.
SPEAKER_01Então, eu cheguei em outubro, em janeiro a gente já estava casada no papel. Nós fomos pro Caribe depois em abril, isso foi em 2018, quando eu dei a notícia que eu estava casada para os meus pais. No mesmo ano, em 2018, no final do ano, eu fui pro Brasil porque meus pais tinham preparado a nossa festa de casamento. Então eu fui só pra ver os últimos detalhes, pra ver vestido, né, as medidas e tal. E nessa época eu tava super atleta, eu acho que todo mundo que vai casar entra ali super atleta, com herbalife, dieta. Só que a costureira tinha que aumentar o meu vestido, todas as provas que eu ia e não diminuir. E eu falava, gente, o que tá acontecendo? E aí minha mãe falou, né, você não tá grávida? E eu falei, não, eu fiz um exame antes de virão, não, mas às vezes não aparece na hora, vamos fazer outro. Vamos, não tô, né? E aí a gente fez o exame em casa, eu tava sozinha com a minha mãe, o filho que estava no Canadá, e apareceu que eu tava grávida. E eu falei, mãe, e agora? Ela falou, como assim? Agora, Nanath, agora. Agora é seu filho. Eu falei, meu Deus! Mas a gente nunca nem falou sobre isso, né? A gente não tinha essa vontade de ter filho, a gente não tinha falado sobre isso, não estava nos planos ainda. Então veio aquela confusão mental, né? Minha mãe, não, a gente tem que agora fazer os exames, tudo. Fomos fazer os exames, tava tudo bem, né? Tinha cinco semanas, era muito recente. Eu dei a notícia pra ele, ele ficou um pouco em choque, né? Porque aquilo a gente não esperava, né? Ainda mais assim, antes do casamento. E ele chegou no Brasil, a gente foi buscar ele no aeroporto, aquela emoção toda. E ele falou, ah, vamos dar essa notícia no casamento. Isso era assim, uns dois dias antes do casamento, da festa. E eu falei, vamos, vamos ver o coraçãozinho dele, a gente pede pra gravar e na hora a gente dá essa notícia. E aí a gente foi no hospital pra fazer a radiografia, né? Ou o raio-x, eu já nem acho. A ultrassom, nossa, ótima. Pra fazer a ultrassom. E chegando lá, o médico falou, não tem nada. E aí eu falei, como assim não tem nada, né? Assim. Eu acho que realmente essa é a parte mais difícil.
SPEAKER_00Pré-casamento ainda, né, Nath? Que é uma coisa que era pra ser um momento muito feliz, né, Nath? Ouro casamento, um sonho de um filho que mesmo sem planejamento já tinha trazido muita alegria. E aí vem dois dias no casamento, um balde de água fria que, enfim, marca a gente pra vida toda.
SPEAKER_01É, eu fiquei assim, como assim? Tá aí sim? Falava pro médico, né? Olha direito. And ele falava, não, não tá. E aí eu mostrei os exames pra ele, ele falou: Se eu não visse esses exames, eu nem ia acreditar que você esteve grávida um dia, porque não tem nada. Você eliminou tudo naturalmente, assim, 100%. E aí meu esposo falou, e agora? Você quer cancelar o casamento? Dois dias antes. Quer cancelar a festa, né? Casado, a gente já tava. Eu sempre fui muito prática, assim, né? A gente veio pra isso. O filho foi algo que veio depois. Me deixa chorar tudo que eu tenho pra chorar agora. E depois a gente continua, né?
SPEAKER_00O casamento, mesmo sendo um momento de muita dor, ele vinha também como um celebração da vida, né? Da vida de vocês. Um planejamento que seus pais tinham preparado com muito amor for vocês também. And talvez não ter a festa ia te deixar ainda mais abalado, assim, putz, né, não tive meu filho aqui e ainda não tive a festa que eu tanto queria, né? Que eu tanto planejei. Então, eu acho que a sua practicidade, acho que algumas pessoas teriam cancelado, mas você olhou pelo lado muito racional da coisa, assim, de Igual você falou, né? O casamento veio antes, o filho veio depois, mas não anula a dor de notir contar pra as pessoas. Eu acho que a gente idealiza aquilo, né? O que você falou, né? Gravar o coraçãozinho e botar motelão e anunciar dessa forma, a gente viaja na ideia e a gente, quando não acontece, é um.
SPEAKER_01É, eu já idealizava aquele momento, que coisa linda que vai ser, contando pra todo mundo, né? Então a gente já faz aquele sonho ali, né? Nossa, que perfeito que vai ser, né? E realmente não foi assim, né? Foi um dia muito triste. Depois realmente a gente vai tentando esquecer, né? Tudo é questão de tempo, apesar de que não tinha muito tempo, né? Dois dias a gente tá ali, pronta, sorridente, né? E aí, enfim, chegou o dia do casamento da festa, né? A gente se casou, foi tudo lindo. E aí a gente começa alguns dias no Brasil. E acho que foi quatro, cinco dias, poucos dias, assim, e depois a gente já retornou, que meu esposo trabalhava. Quando a gente chegou aqui, depois de uns seis dias do casamento, eu comecei a sentir muito enjoo. E eu falei, Fio, eu acho que eu tô grávida. E aí ele falou, Nath, não tem como você tá grávida. O médico falou que vai demorar no mínimo seis meses pra gente conseguir, né? Pra que você consiga engravidar. E eu falei, não, eu tô sentindo tudo, eu tô grávida. E assim, na primeira gestação, o meu corpo tava muito bonito, né? E eu já sentia mudando o corpo, só que já não tava ficando tão bonito. Eu tava engordando assim muito rápido. E aí ele foi na Dolorama, que quem conhece aqui, né? É uma loja tipo de R$1,99, e comprou um teste que eu pedi pra fazer. E deu positivo. E eu falei, olha, é positivo. Eu tô grávida. E ele falou, não, eles fazem isso na Dolorama pra todo mundo ficar feliz. Eles colocam os testes lá e dá tudo positivo. E a gente ria, assim, né? Porque a gente era muito novo. E eu falei, não, eu tô grávida. E aí ele pediu pra irmã comprar um teste daqueles que tem. Clear blue. Clear blue. Clear blue, né? Que aparece. Clear blue. Aparece quantas semanas? E aí apareceu, tipo, acho que foi um, dois. Então, tipo, realmente tá abrindo com ele. Ele falou, não, tá errado isso também. Semana que vem a gente comprar outro. E aí comprou outro. E tava dois, três. E comprou outro, sim, compramos todas as semanas por um mês. Só que eu tava com acompanhamento já psicológico, né? Tava com uma psicóloga, porque não é fácil, né? Sabe perceber que até hoje eu sinto, né? É algo que realmente fica ali, né? E eu não consegui ir no banheiro. Eu ia no banheiro, eu ficava olhando pra ver se eu não ia perder. Então eu segurava o xixi the máximo possible no dia. So realmente foi um processado. From years and years. So this gravity was my gravity more depressive. Because it was this time for much time to perform three years was very difficult. After these three years, I consegued currently a little bit of gravity. But when I had six months, the mic pediatra repo. She had my esposte who trabalhava the turn. So realmente I was so caminhadas for gravidez. Tive diabetes gestacional. So, particularly. A gente ia ter que pagar pro hospital uns 15 mil dólares naquela época pelo parto. E era tudo desinformação, porque eu achava, ah, tô casada com um canadense, o filho dele tem direito a tudo. Mas não foi bem assim, né? Ele não tinha direito. Então era o estresse, tudo junto, né? A diabetes gestacional, a solidão, a falta de apoio. Então realmente foi uma época bem estressante até o nascimento do Lorenzo.
SPEAKER_00Bom, então você teve o Lorenzo. And como que foi esse começo? Bom, você já vinha também de um histórico depressão durante a gravidez que não conseguia levantar muito sozinha e tudo mais. O parto, anda a avalanche oféreo, que nos hormonias do nada muda tudo. And there's gente que não sentou, there's gente que sentou, né? But I could contasse that the post-parto até você começar a identificar alguns traços de autismo, which is autismo, but that colour um ponto de interrogação inicial.
SPEAKER_01O Lorenzo nasceu alguns dias antes da minha mãe chegar. Ela veio dar esse suporte. Geralmente funciona, vem a mãe, o pai pra dar uma ajuda in this community. When Lorenzo nasceu, ainda não estava aqui porque ele nasceu prematura. As pessoas até dizem que a minha primeira gravidez era de gêmeos. Because Lorenzo was a criança pequenininha, it's quite 3 kilos. And for 36 semanas, it i was com as 40. And minha mãe chegou, então a gente já dá aquele alívio. My mãe tá aqui, meu alicerce tá aqui, agora ela vai me ajudar. Nesse começo, o Lourenço teve icterícia, então a gente teve que retornar pro hospital. Minha mãe chegou logo nessa época que eu tinha retornado pro hospital com ele por alguns dias, né? Pro ganho de peso e também. E ela ajudou muito, né? Essa parte nossa psicológica. O fio, ele. A ficha não tinha caído, demorou muito tempo pra cair, muitos meses, eu posso até dizer um ano, pelo menos. E a minha também, porque eu não tinha esse grande sonho de ser mãe, né? Então eu ainda tava super perdida. Eu tinha cuidado de uma criança na minha vida inteira, que foi quando eu cheguei aqui no Canadá. Inclusive, eu vou contar depois a conexão que foi feita. Mas assim, eu era tudo muito novo, né? Eu realmente estava muito perdida, mas por sorte tinha minha mãe aqui pra ajudar. In my hospital. Então, eles esqueceram de me dar ferro, né? De repor o ferro. And I tava com uma anemia, but I don't know, and os médicos não pediram nenhum exame. So I was cansada, but fora do comum era o meu cansaço, né? E o Lorenzo tinha uma dificuldade na pega, né? Que pode ser também algo relacionado ao autismo, que até então, obviamente, a gente não sabia, né? Porque ele tinha contato visual, quando mamava, ele estava sempre olhando pra mim. Então, assim, eu não entendia nada de autismo, né? A verdade é essa. Mas depois que eu entendi, eu tentei lembrar de algumas situações e realmente ele tinha contato visual, ele não tinha nada assim que se eu entendesse de autismo na época que eu diagnosticaria ele, né? Então, bom, então, eu tinha essa parte do ferro, né, da anemia, e aí minha mãe ficou dois meses aqui com a gente dando esse suporte. E aí ela foi embora, depois a gente seguiu, eu e meu esposo, e que eu acho que é algo muito importante, assim. Porque enquanto ela tava aqui, foi uma ajuda, claro, foi ótimo. Mas a gente não teve aquela conexão, eu e meu esposo, né? Porque ela tava ali no meio cuidando da criança e a gente tava meio que de bastidor, assim, né? A gente não pegou ali as rédeas e vamos lá, como é que dá um banho? Não, o primeiro banho ela deu, sabe? Praticamente assim. Então, eu acho que era isso. Eu dormia mais todo o tempo que eu tinha, eu queria dormir. E eu pedia pro meu esposo não me deixar sozinha com a criança, né? Porque eu tinha muito medo de qualquer coisa, assim. Eu via se ele tava respirando o tempo todo, porque eu tinha perdido um bebê. Então é toda aquela parte psicológica, né? Eu ficava o tempo inteiro vendo se ele tava respirando. Quando meu esposo tava com ele, eu coloquei uma câmera e eu ia descansar no quarto, mas eu não dormia. Eu ficava vendo a câmera pra ver se meu esposo não ia dormir. Se tava tudo bem com a criança. Então, assim, eu não descansava. Então eu achava que era isso até eu descobrir que eu tinha uma anemia profunda. E a gente acabou descobrindo, devido a um episódio, que eu estava com o Lorenzo no Colo aqui em casa. E eu saí da sala pro quarto e eu fui caindo pelas paredes, assim, sabe? Com o Lorenzo no colo. E eu falei, gente, o que é isso? Eu vou desmaiar. Meu esposo me levou imediatamente pro hospital e lá eles fizeram os exames e falaram, você tá com uma anemia profunda. E aqui eles não te deram ferro, você teve um parto normal, não foi reposto, né? Então, assim, foram erros médicos, né, que causaram tudo isso. O Lorenzo, eu amamentei ele muito pouco, porque a pega dele era muito ruim, me machucava demais. E ele acabou. Ele não ganhava mais peso. Então o meu esposo me convenceu a gente começar com a fórmula, né? Ele vinha já falando muito antes sobre isso, mas eu sempre, né, aquilo, ai não, eu vou. Eu vou tentar. E assim, eu berrava, porque era muita dor. Eu sempre fui mais sensível, mas realmente ele não tinha uma pega boa, né? Então, assim, tava sendo sofridíssimo pra mim, pra ele. E aí meu esposo sentou comigo e falou assim, Nath, não tem que provar nada pra ninguém. É isso e pronto, eu tô indo na farmácia agora, comprar a melhor fórmula que eles tiverem, nosso filho vai ficar ótimo, mas você não coloca ele mais no peito. E eu acho que eu precisava ouvir isso dele, sabe? Tipo que eu não ia ser menos mãe, né? Que meu filho não ia gostar menos de mim por causa disso. E que tinha fórmulas que eram maravilhosas. Então, no final deu tudo certo. Ele tomou o leitinho dele ali pelo tempo que precisou. Super forte, ficava muito pouco doente. Que eles falavam, ai, mas se você não der o leite, ele vai estar sempre doente. Ah, ele não vai ser tão apegado com você. Muito pelo contrário, ele é um chicletinho. Então, assim, foi uma decisão sábia do meu esposo. Agora a gente passar pra essa parte do autismo. Eu, na verdade, eu não conhecia muito sobre crianças. Eu tinha cuidado de uma criança quando eu cheguei no Canadá. E aí que faz a conexão toda, porque eu acho que Deus vai preparando você, né? Ele não chega e te joga ali na situação. Então o desapego, né, veio das minhas viagens e tudo. E o autismo, eu já fui preparada também, mesmo sem saber o que era o autismo, né? Então, eu trabalhei cuidando de uma criança. E uma grande amiga minha, o filho dela. E ela um dia chegou e perguntou pra mim, você acha que meu filho tem alguma coisa? E eu que não entendia nada de criança, não, nada, tá ótimo. E ela falou, mas você não acha que ele pode ter um autismo? E o meu nível de conhecimento na época era muito limitado. Autista é o quê? Rodava a rodinha e não olhava no olho, acabou. E eu falei, não, normal, menino super inteligente, né? E aí a gente já tinha aquela associação. Não, não acho. E depois de alguns anos, de uns dois anos, assim, um pouco menos, assim, um ano mais ou menos. Ela me ligou, que a gente se fala até hoje, e ela disse ele foi diagnosticado, ele é autista. E por coincidência, fui quase na mesma idade que o Lourenço foi diagnosticar. Então, assim, já veio ali uma preparaçãozinha, né? De leve, mas já veio. E aí eu fui pro Brasil, eu ia muito pro Brasil. Duas, três vezes por ano, né? Porque eu queria que meus pais tivessem esse contato com o Lourenço. E quando ele tinha. Depois do aniversário de um ano, eu cheguei no Brasil e ele tava falando mamãe, papá. E minha mãe falou assim. Nossa, ele já tá falando mamãe, papá, uau! Durou dois dias, depois ele parou. Ele não verbalizava mais, ele não falava nada. E aí eu falei, nossa, mãe, ele parou de falar, que estranho, né? Mas eu achei que ele vai voltar, depois ele volta. Minha mãe não falou nada, minha mãe é pedagoga, né? Então ela já lidava com crianças há muito tempo. Foi pedagoga por muitos anos, né? E já lidou também com crianças especiais. Então, quando eu retornei do Brasil, ela me mandou uma mensagem, ela esperou eu vir embora. Ela mandou uma mensagem e falou assim, Nath, você leva o Lourenço na pediatra, pede pra ela pra encaminhar ele pra um exame de autismo. E aí, claro, né, como é que a mãe recebe a notícia? Ai, para de falar besteira! Nossa, você tá ficando doida. Menino não tem nada. E aí ela começou a fazer algumas pautas, né? Nath, uma criança de seis meses, ela não fica em pé e começa a andar segurando nas coisas. Uma criança de seis meses, ela não sabe o abecedário, ela não sabe os números até 10. Ela foi pra essa parte do desenvolvimento. Ela já tá babuciando com um ano, ela já começa a falar as primeiras palavras e tal. Andiam a pensar. Eu falei, nossa, uma criança com essa idade não sabe obecedário. Porque pra mim era normal, ele sabia obecedário, ele sabia os números. Então, pra mim era super normal. Eu não achava que era uma coisa diferente, porque eu não tinha contato com outras crianças. Eu só tive contato com esse menino que foi diagnosticado autista. E ele era muito inteligente, então ele fazia as mesmas coisas. Então, pra mim, era isso, né? E aí eu falei, de tanto que a minha mãe ficou na minha orelha, porque ela quer a Ariana, que enquanto ela não consegue o que ela quer, ela não para, né? Então ela falou, você também é Ariana. Então ela falou assim: Faz isso, não custa nada, eu vou parar de te encher o saco. E eu cheguei pra pediatra andou, Nathalie, seu filho não tem nada, para de besteira. Andou o encaminhamento. Eu fui tentar uma consulta. E demorava dois anos pra ter o diagnóstico aqui no Quebec. O sistema de saúde aqui é muito limitado, é muito atrasado, né? Muito precário. Então, assim, eu não tinha dois anos pra esperar, né? Ainda mais com a minha mãe na minha orelha. Então, eu paguei particular. E a gente teve três encontros com a psicóloga neuro, né? Psiconeuro, eu acho. E aí ela. Diagnosticou ele com autismo nível 3. Que até então eu não sabia o que era. E aí eu pedi pra ela, mas o que quer dizer um autismo nível 3? Na minha cabeça ainda tava. Ah, não é nada, é um autismo, vai passar. E aí eu falei, ah tá, mas aí como é que faz? Ele começa as terapias bem sem instrução nenhuma. Ele começa as terapias e aí ele vai ficar bem e vai passar, né? Aí ela, não, mãe, o autismo não tem cura. Ele não é uma doença, né? Ele é uma síndrome. E aí eu falei, tá, mas nível 3 o que quer dizer aí ela? Resumindo, severo. Aí eu já entendi, né? Aí falou o meu idioma. Eu falei, como assim, severo? Mas tem como melhorar? Ela explicou que tinha os três níveis, né? Que são níveis de suporte. Geralmente uma criança até seus quatro anos, ele não vai estar num nível 1. Ele vai estar no 2 ou no 3 mesmo. Porque até uma criança típica precisa da ajuda de um adulto, né? Então realmente ele vai demorar um pouco pra navegar entre os três níveis, né? De suporte. Então ela deu essa notícia e eu falei, tá, e se eu fizer muita terapia nele, ele pode ir pro nível 1. E aí veio um banho de água fria, né? Que até hoje eu falo que critico muito ela como profissional, assim, na época, né? Que ela poderia ter um pouco mais de tato pra lidar com a situação, mas realmente o cara desse é um pouco mais frio, né? Ele não vai ali te sentar, não, mãe, aquele jeitinho brasileiro, humano, não tem. Então ele te dá o diagnóstico ali, ó, e se pronto, tchau. Acabou sua consulta. E aí ela falou pra mim que ele era um autismo severo, eu podia fazer muita terapia, mas ele não ia ser capaz de tomar um banho sozinho, de se trocar. Ele seria um pouco vegetativo. Ela usou essa palavra que pra mim foi assim, uau, como assim, vegetativo? Eu fiquei desesperada, né? Eu acho que qualquer mãe ia ficar.
SPEAKER_00Eu tô quase chorando, porque eu acho que como mãe, ouvir isso deve ser horrível. Uma falta de tato horrorosa. Porque, primeiro que na verdade, né, começando por aí. E segundo, porque eu conheço o Lorenzo hoje, o Lorenzo não é a mesma criança que você tá descrevendo agora. E secondo que, né, gente, que mãe quer ouvir it's a form, pensando in, I think, passou um filme na nossa cabeça, putz, what I will say. I think muita passed in your cabin, because passaria, I think passou na minha você contando agora. And I will ganhe, como que eu vou pagar essa terapia? Dois anos na espera pro sistema público. I would pagar privado porque não vou esperar, mas como que eu vou pagar se eu não consigo trabalhar? Eu imagino que tenha sido um tapa na cara sem sensibilidade nenhuma.
SPEAKER_01Tive dois momentos difíceis. Foi a perda do primeiro embrião, né? E o diagnóstico do Lourenço. Com certeza, sim, foram os dois piores momentos da minha vida.
SPEAKER_00Principalmente com escolha de palavras tão pesadas, assim, vegetativo.
SPEAKER_01Palavras duras, sem tato, né? E sem amor ao próximo, na verdade, né? E aí, quando ela usou essa palavra que ficou muito gravada em mim, né? Seu filho vai ser vegetativo. E assim, qualquer outra mãe poderia pensar, poxa, já que não tem nada pra fazer, né? Se um médico estudado tá dando um diagnóstico dessa forma, quem sou eu, né, pra fazer isso ser diferente? Mesmo com muito amor, né, pelo seu filho. Mas, né, tem ali um estudo por trás, tem um médico, uma pessoa que tem uma sabedoria, né? Acima do conhecimento, acima do seu na área, né? E aí ela falou, mãe, você trabalha? E eu não tava trabalhando, né? Eu falei, não, eu tô. Nesse momento eu tô integral com o meu filho. Ela falou, então, você não vai poder voltar pro mercado de trabalho. Você vai ter que. Você vai ter que cuidar do seu filho, da mãe, trocar ele, dar comida. Tipo, praticamente, né, fazer tudo pra ele. Pra sempre. E aí eu cheguei no carro, meu esposo mudo. Ele não abriu a boca. Na hora que chegou no carro, ele só falou pra mim. Esse não é nosso filho. Ela não sabe o que ela tá falando. Eu falei, mas ela é médica. Ela tem informação. Ela falou, mas ela não é Deus. Ela não sabe o que ela tá falando. E esse não é o diagnóstico do nosso filho. Esse não é o nosso filho. Olha pra ele, esse não é o nosso filho. Ele é muito inteligente, esse não é o nosso filho. Ele repetia assim, né? Esse não é o nosso filho, esse diagnóstico não tá certo. Então eu liguei pros meus pais, imagine, na câmera, no carro, e acabando de chorar. E eu falei, pai, mãe, teto de vocês, Aldito. Minha mãe muito calma, né? Claro, chorando também, mas tentando ao máximo manter aquela situação. Falou, filha. Mas vem pro Brasil. A gente não pode ter um veredito final assim, né? Um profissional. A gente vai em outros profissionais. Eu falei, mãe, é severo. Por aí, claro que ela desabou também, né? Porque uma coisa é. Você fala, ah, ele é autista nível 1 ou nível 2, mas... Não, ele era o pior quadro que poderia ter, né? Naquele momento. E aí, voltamos pra casa, né? Aquele clima de enterro, né? E eu olhava pro Lorenzo e comecei a ver tudo que eu tava começando a pesquisar na internet, né? Lorenzo não olhava pro meu olho. Chamava ele, não respondia. Ele não babuceava, ele começou a falar com a garganta, assim. Era uns tiques que ele tinha. Ele andava na ponta do pé, ele rodava a rodinha, ele fileira tudo. Ou seja, ele tinha o quadro completo ali, né? E eu falei, meu Deus! Até usei na época falar, ele é muito autista, né? Que não existiça. Ele é muito, ele é pouco autista, não, né? Mas na época, com a falta de informação que eu tinha, eu, nossa, meu filho é muito autista. E aí nós fomos pro Brasil, eu e o Lourenço. O fio ficou aqui trabalhando. A parte, assim, mais surreal foi que ela escreveu no laudo que o Lourenço precisava de 20 horas semanais de terapia. E aí a gente faz um cálculo bem rápido da época, né? Uma terapia mais baratinha vai ser uns 120 dólares a hora. 20 horas semanais vai te custar quanto por mês? Então, assim, quem é que ganha 8 mil dólares pra pagar só a terapia? E então eu fiz o meu cálculo ali rápido de matemática e falei, ferrou. Como que eu vou fazer isso? Como é que eu vou pagar isso? Eu não tenho condição nenhuma. A gente vivia muito bem, mas a gente vivia muito bem pra vida normal, vida típica, não com uma criança típica com necessidades. Então a gente foi pro Brasil, minha mãe marcou diversos médicos. Eu tive laudo de TDH. Eu tive médico super renomado que disse que ele não era nem autista. Eu tive laudo de superdotação. Então, assim, eu tive de autismo, não autista. Então cada um falou uma coisa. Eu falei, meu Deus! Fiquei na mesma. Ninguém sabe nada. Então, eu tenho uma grande amiga no Brasil que ela tem clínicas de crianças especiais, né? Tem todo tipo de terapia, né? Tem fono, tem tudo que o Lourenço precisaria, né? Psicólogo, terapia ocupacional. E eu liguei pra ela e falei, eu preciso que o Lourenço comece terapia. Eu não sei o diagnóstico dele, mas eu preciso que ele comece essas terapias. E aí eu fiz um pacote lá e eu falei, mas eu quero uma coisa, eu quero estar dentro da sala com a terapeuta. E é uma coisa, assim, que as mães não querem, porque as mães estão tão cansadas. Eu também tava muito cansada. Foi a pior fase, assim, da minha vida. É um cansaço absurdo, porque a criança não dorme bem, o Lourenço acordava de 8 a 10 vezes à noite. Até os cinco anos de idade. Então, assim, eu não dormia, eu não descansava. Eu não trabalhava fora, mas o dia inteiro eu tava com o Lourenço. As creches não queriam pegar o Lourenço, eles não queriam uma criança autista, né? Eles não estão... Não é que eles não queriam, eles não estavam preparados pra receber o Lorenzo. Então, assim, eu pedi pra ela, eu quero entrar nas salas, eu quero participar com a FOMO, eu quero participar com a TO, eu quero participar com a psicóloga, que inclusive foi ela. E ela disse, Nath, pode entrar. Ela falou, é difícil mamãe pedir isso porque as mães querem descansar aí essas três horinhas. Mas você quer, você pode entrar. Então eu digo que eu fiz um intensivão sem fazer uma faculdade na área, né? E aí a gente ficou alguns meses no Brasil, acho que foram três meses. Quando eu retornei pra cá, eu tinha que retornar. Meu marido trabalha aqui, a minha vida tá aqui, não tem como eu morar no Brasil, né? E não tem como deixar meu filho longe do pai dele. Então a gente retornou pra cá. Eu procurei diversas clínicas, mesmo as caríssimas, você tinha que ficar numa fila de espera de anos. E o desenvolvimento no autismo, assim, os primeiros anos, eles são. Eles têm um peso muito grande, né? Então, até os seis anos, a gente fala que a janela de desenvolvimento é tipo corrida contra o tempo, é uma maratona. Você tem que dar ali o máximo possível, né? De terapia, de incentivo, de suporte pra essa criança. E aí eu entrei nesse mundo assim do autismo. Minha sala virou uma sala Montessori. Eu comprei tudo quanto é tipo de jogo, Montessori, e pula-pula que prendi parede, e piscina de bolinha. Isso é algo que eu agradeço muito ao Canadá, porque aqui, né, a gente compra no marketplace, usado é tudo mais barato, a gente tem acesso a essas coisas. Então eu investi bastante nisso. E eu ficava o dia inteiro com o Lourenço. Então, eu fazia terapia com ele era brincadeira pra ele, mas era terapia de tudo que eu tinha aprendido lá no Brasil. Porque eu não tinha 8, 10 mil dólares pra dar em terapia. E nos institutos que eu encontrei aqui, que também não eram muito baratos, mas que conseguia chegar num valor que talvez eu conseguisse pagar, ele tinha que ficar em fila. Então ele ficou em fila por muito tempo em casa. Eu fazia todo esse acompanhamento. Quando ele chegou aqui, que ele já estava com dois anos e pouco, ele já tinha passado por duas creches. Com 18 meses, foi a primeira creche dele. It was familiar. E ela pediu encarecidamente se eu podia tirar o meu filho. Porque ele tinha aberto as portas, as travas das portas, e ele chegou a indo pra rua. Então ela falou, ele é um perigo. E aí, na segunda escola, eles me chamaram na diretoria e falaram. E era consticular, eram assim, 1.200 dólares por mês, não era assim, não estão fazendo um favorzinho, sabe? Você tá pagando pelo serviço. E eles me chamaram na segunda, foram muito educados, falaram a gente não tem condição de parar com seu filho. Ele não para, ele não dorme mais a siesta com 18 meses. Então vocês imaginam uma criança que não dorme à noite e não faz a siesta. Ele toma melatonina desde pequenininho. E aí, na terceira creche, eu decidi, particularmente, eu decidi não contar que ele era autista. Eu decidi. Vamos ver o que vai dar, acho que eles não vão perceber. Mas como é que você não vai perceber quando todas as crianças estão dormindo e a outra ali tá pulando, que nem uma pipoca? Né? Quando as travas são feitas pra criança, mas o meu filho arrasta a cadeira e abre. Né? E aquilo. Eles lidam com criança há muito tempo. Então, como é que ele sabe o obcedário? Como é que ele sabe os números? Com dois anos, ele sabia todos os países do mundo. Que era o hiperfoco dele. Hoje já é bandeiras, monumentos, capitais. Então, por um lado, era um alívio, né? Porque o nosso maior maior medo era que Lorenzo tivesse perda de QI, né? Que ele tivesse mais isso. E, graças a Deus, não foi isso que aconteceu, né? Claro que devido às podas neurais que todas as crianças têm, né? Não é só o autista. As crianças até os seis anos, elas têm essa poda neural que realmente é pra que o cérebro se adapte. Essas extensões, algumas, são desligadas, pra que tenha espaço pro desenvolvimento. E no caso do autista, não acontece dessa forma, né? Às vezes elas não são desligadas, então é um excesso de informação. E às vezes aqui não era pra ser desligada ou desligada, né? Mais ou menos isso, assim, uma explicação, depois coloque aí no chat GPT que vai ajudar melhor. Mas eu acho que foi isso, sabe? A maior dificuldade que a gente teve.
SPEAKER_00Bom, então já era muito difícil, assim, lidar com tudo isso, porque você não conseguia voltar ao trabalho, não conseguia procurar um trabalho, porque bom, nem se você procurasse na Nath, porque assim, 8 mil, 10 mil dólares por mês, assim, é muito surreal, um valor muito surreal. Assim, você trabalhando conseguiria pagar as despesas. Então, realmente a melhor option foi ter ficado na casa, fazendo todas as terapias que você conseguia, porém sem rede de apoio, né? Então, não é que você conseguia, as vezes, deixar com a sua mãe, tirar uma soneca. Foram anos ali de dedicação sem escola, como você acabou de falar, porque a escola não conseguia lidar com uma criança típica, comparado com as outras crianças que estavam ali fazendo uma actividade, ele queria fazer outra. So I entended the lado da escola tocar tanta coisa assim, mas não tinha nenhum alívio das suas costas mesmo. Because seu marido, o Phil, tinha que continuar trabalhando pra bancar notar, butias, acompanhamento do Brasil ando dele. But this was a redeemed, which was a Philadelphia. But the resto, the comida, and the sono. What was criminal, or send ainda, because ainda não temos rede de apoio, a file autista sans rede de apoio. Tanto lá no começo, as coisas foram melhorando de certain form, it was fazendo mais avances andar, but no pico crítico, que a gente estava muito confusa do que é o que. É muito solitário. Ficar o dia inteiro com a criança já é muito cansativo. Uma criança que não dorme, uma criança típica é uma carga muito grande. De novo, sem a família, nem do seu marido, nem a sua família. Então me conta como foi, como é, na verdade.
SPEAKER_01Lorenzo foi seis anos, and hoje, claro, é fruto de tudo que a gente investiu. Tempo, dinheiro, paciência, estudo. Estudar, entender, aplicar, virar fono, virar pedagoga, virar terapeuta ocupacional. Eu tive que realmente virar tudo isso de uma vez só. Andava no começo de casamento, então eu era mulher, dona de casa, cheguei no Canadá não sabia nem lavar roupa. Então, assim, foi tudo muito junto. Então, realmente foi o maior challenge da minha vida. Eu não fugi do compromisso ali, mas realmente às vezes dava uma saudade ali de ter a mãe do lado.
SPEAKER_00A carga, né? A gente acha que vai ter o filho e que o desafio vai ser no máximo uma noite mal dormida, duas, três. A gente nunca acha que vai ser efetivamente uma dedicação 24 horas. Porque é o que você falou, você não dormia e nem de dia você conseguia dormir, não conseguia descansar.
SPEAKER_01É, o fio ele trabalhava seis dias por semana. Três de dia, três de noite. Então, assim, ele muito pouco participava dessa rotina, porque realmente ele precisava bancar a casa, porque eu não tava trabalhando. E o Lorenzo, ele acordava de oito a dez vezes a noite. Eu não sei se vocês têm ideia do que é isso. A privação de sono, ela mexe, assim, com a sua paciência, com tudo, né? Eu já nunca fui uma pessoa muito paciente. Mas, assim, ela acaba com o seu humor, ela acaba com tudo. Então, uma noite, tudo bem, mas você imagina isso por anos. Então, era anos que você não dormia, né? Ele começou com melatonina, melhorou um pouco, em vez de acordar dez, acordava seis. Então, assim, acordava seis vezes por noite, durante o dia não tinha cesta, né? Aquele tempinho ali pra mãe realmente dar uma UFA, uma respiradinha. Não tinha. Não tinha ninguém pra ficar com ele ali 20 minutinhos. A família do meu esposo é uma família asiática, e eles não têm esse costume. O filho nasceu, ele é seu, você cuida. Então, eu não tenho essa rede de apoio, né? Da parte paterna. Então, realmente, foi algo muito, muito difícil. Eu acho que desde o começo, antes do Lourenço ser diagnosticado, eu já proporcionava muitas atividades pra ele, mesmo não sabendo que ele era autista. So I levava ele em zoológico, eu levava ele em todos os lugares, assim, pra. And me entristecia muito depois do diagnóstico, é que, por exemplo, eu levava ele num zoológico safari, onde os animais entravam dentro do carro, algo que me marcou muito na época. Um animal lambeu a cara do meu filho, e meu filho, nem que um. Ele olhando pro teto do outro lado, sabe? E aí no ano seguinte eu levei ele de novo, e no outro eu levei de novo, porque eu sou teimosa. E hoje ele é apaixonado, mamãe. Vamos no zoológico. Então, assim, mesmo sem saber do autismo, eu acho que eu já fui trabalhando de certa forma, né? Pra que desse certo. Aquele diagnóstico lá atrás. Vegetativo, não vai se trocar, não vai fazer nada sozinho. Entrou por um ouvido, ficou ali na cabeça um tempo e eu joguei fora. Não, não é isso. Você não sabe o que você tá falando. Você não é Deus, realmente. Foi o que meu marido falou. Não era Deus. Então, assim, algo que eu digo pra todas as mães é: não importa o diagnóstico. Começa a terapia. Não importa. Ai, mas talvez, meu filho, não importa. Terapia não faz mal pra ninguém. Então, até crianças típicas podem fazer os exercícios de terapia. É um desenvolvimento. Ele já é uma criança típica? Ótimo, ele vai ficar mais desenvolvido ainda. Né? Então, assim, eu acho que é muito importante isso. E com o Lorenzo foi isso, né? Todos os anos tivemos épocas muito mais difíceis, épocas um pouco mais fáceis. Eu ia pro Brasil duas, três vezes pra relaxar ali um mês, pelo menos. E eu falo que quando eu vou pro Brasil, eu sou outra pessoa, né? E meus pais, eles acabaram entendendo, né? Toda a carga que eu tenho, todo o estresse, todo. Mas eu falo que eu fico folgada mesmo, sabe? Aquela mãe folgada que eu falo, pede pro tua, pede pro teu avô, mãe, dá banho nele. Sabe? Aquela que não quer tirar nem o prato da mesa, essa sou eu quando vou pro Brasil. Mas aqui nos 11 meses do ano não é assim, né? Então, é isso. E pras ajudas do Lourenzo, eu só consegui as ajudas do Lorenzo porque eu nasci brasileira.
SPEAKER_02Eu achei que eu.
SPEAKER_00Eu vou te perguntar isso. Enfim, eu sei que a gente é brasileiro, não desiste nunca, mas você mencionou algumas vezes, né? Não, tinha que ficar na fila, tinha que ficar na fila. Você efetivamente deixou o nome do Lorenzo na fila e ficou, bom, até ser chamado, vou fazer a minha parte. Ou você nem deixou seu nome na fila e falou, meu, não vou deixar, vou fazer a minha parte. E a hora que eu precisar, eu vou lá e vou insistir, enfim, vou fazer a minha parte. Mais a minha parte ainda, e pra insistir é uma vaga pra ele.
SPEAKER_01Eu acho que assim. O meu marido ficava com muita vergonha, né? Hoje ele entende e me agradece, mas ele ficava com muita vergonha, porque aqui as pessoas são assim, ele deixou o nome na fila e vamos esperar, ele vai ligar. Ele falou que vai ligar, tá lá na fila, não tem o que fazer. É igual médico de família, né? Meu marido não tinha médico de família até esses 30 e poucos anos. E eu cheguei, conversa com um, com o outro, pede, pelo amor de Deus, conta uma história triste e pronto, temos médico de família. Então, assim, pelo seu filho você vai fazer qualquer coisa, né? Então, eu. Eu ligava no começo, não tinha muita instrução, não tínhamos chat GPT, né? Então eu ligava pra um, ligava pra outro, pegava a informação e esperava um pouco. Mas eu vi que não tava funcionando, porque essa fila não andava, né? Inclusive, ele tá inscrito em uma que eu fui ver outro dia, ele já tá cinco anos inscrito, que é pra parte de forno. Cinco anos, como assim, né? E aí eu comecei a ir até os locals e perguntar. Ah, eu tenho uma consulta, sim, eu mentia. Que Deus me perdoe, mas eu tinha que me ligar pelo meu filho. Eu falava, eu tenho uma consulta com o Fulana, que era tipo a diretora do CLC, que é um orgulho, era, né? E a secretária ligava e falava, tal pessoa tem uma consulta com você. Ela, não, não tenho nada marcado com ela. E eu falava, ah, mas eu não vou sair daqui até ela descer, porque tá marcado. E aí já aconteceu isso na CLC, ela desceu pra falar comigo. E eu falei, ai, desculpa, eu tive que falar isso, senão você não ia descer, mas já te mandei vários e-mails, você não respondeu, já entrei em contato por telefone. E assim, eu preciso de ajuda, eu não tenho ninguém aqui, pelo amor de Deus, me ajuda. E ela falava, ah tá, semana que vem eu vou na sua casa. E aí não aparecia. E aí eu tinha que voltar lá e falar, eu não saio daqui até ela descer. Então, assim. É. Teve até um caso que eu fui até o local, ela desceu, e meu esposo tava comigo mais pra trás, porque ele morria de vergonha. E ela falou, oi, Natália, você é a mãe do Lourenço, né? E aí ele assim, nossa, você conhece ela? Ela falou, claro, ela me manda e-mails todos os dias. E aí ele ficou, não sabia onde viar a cara dele. Ele falou, que vergonha! Eu falei, vergonha do quê? Eu não tô fazendo nada de errado. Eu tô lutando, né, pelo nosso filho. Ele precisa dessa ajuda, eu não tenho ninguém aqui. E aí foi dessa forma que eu consegui que ele entrasse num instituto que tinha uma fila gigantesca, porque a gente pagava muito menos, né? E eram sete horas por dia. Então ele conseguiu fazer as terapias, se desenvolveu muito lá. E com quase quatro anos, ele entrou numa escola especializada, eu acredito que é a melhor aqui da RiveSul. Então, assim, foi muita persistência, né? As ajudas do Quebec, do Canadá, que nós temos uma ajuda hoje, né, pra investir em terapias e tudo. A do Canadá foi aprovada, a do Quebec foi negada três vezes. O que você faz quando ela é negada? Porque você já mandou papel, você já mandou correio, você já fez fax, você já pediu pra todos os profissionais da saúde fazerem uma carta, e aí ela é negada por três vezes. O que uma mãe faz? Poxa, acabou, não vou ter direito. E aí eu ia de novo, até que sim, hoje ele tem. But eu vi que era tudo muito assim, muita persistência. And no meio dessa parte burocrática, I tava ali fazendo desenvolvimento com meu filho. Então, tudo junto, assim, né? Você tem que lutar pra todos lados. Você tem que ter o dinheiro pra terapia, você tem que lidar com a parte psicológica, você tem que ter a parte burocrática, né? Então, assim, é muita pressão, né? Muita pressão mesmo. Só com muita terapia pra gente aguentar, né?
SPEAKER_00No, e Nath, não só a questão A cabeça não para, né? Porque não é só fazer a terapia do Lorentz, o que já é muita coisa. But a comida do Lorenzo, a comida da casa, lavar roupa, é ligar de novo pra mulher que não atendeu, é mandar e-mail de novo pra mulher que não responde. Isso tudo, né, na cabeça de uma mãe comum. A gente já tem um checklist gigante, aquela famosa carga mental materna que nunca acaba. Agora, do mamãe atípica, a lista aumenta, porque ainda precisa dar mais a terapia e precisa mandar e-mail e tal. Andália mulher? Será que vamos conversar sobre isso? Eu sei que lá no começo era muito difícil você encontrar ela, né? But a gente se conhece muito tempo, and I sinto que você foi reencontrando essa Natália Mulher com o tempo também, as things for melhor. But I couldn't do this episode device that me achieved, and ajuda do Quebec, faz as terapias, a escola, but after this is nadando de braçada com ele nas costas. A gente se reconhece. When teve algum momento assim que você falou, teve uma virada de chave, foi um processo.
SPEAKER_01I esqueci completamente a Natália Mulher that I was exercício, não ligava pra alimentação, engordei muito, muito. Peso de gravidez. Eu não me cuidava, não passava mais maquiagem, absolutamente nenhuma área da Natália Mulher eu cuidava, né? E eu acho que assim, quando logo que o Lourenço foi diagnosticado e veio aquela pancada de 20 horas de terapia e tudo, né? Uma amiga me falou assim, Nath, você tem um inflável, porque eu tinha comprado um inflável pro aniversário dele e eu emprestava pras minhas amigas. Por quem você não aluga ele? Que querendo ou não, você vai ganhar ali um dinheirinho pra terapia. Eu falei, nossa, obrigado pela ideia, porque a cabeça já tava tão cheia de coisa que não tinha mais ideia, né? E daí veio a minha primeira empresa, né? A Lulu Inflatables. Que hoje tem mais de sete infláveis. Eu lembro até hoje a primeira vez que eu aluguei. Assim, eu alugava uma vez por mês, uma vez a cada dois meses, né? E aí eu fui aos poucos, o dinheiro dela, né? Fui investindo e tudo. Então, assim, hoje eu digo pra todos os clientes que me apoiaram que vocês ajudaram no desenvolvimento do Lorenzo, né?
SPEAKER_00Realmente, não é que você foi voltar pro emprego das 9 a 5. Que querendo ou não, era um caminho mais fácil. É um caminho mais, relativamente mais fácil do que empreender. Empreender é muito difícil. Principalmente de novo no Canadá, língua, sem família e tal. Com o Lorenzo ali no meio, existindo, precisando de você.
SPEAKER_01Esconder o cliente ali no meio que você tava cuidando da criança sozinha em casa, um marido trabalhando, né? Às vezes em outro idioma, porque eu colocava, falava em espanhol, inglês, francês e ali, né, tudo junto. Mas, assim, eu precisava desse dinheiro pra terapia dele. Então, eu me reinventei nessa época. Eu posso dizer que eu atirei realmente pra tudo quanto é lado. Eu virei vendedora, online, eu empreendi, eu virei fotógrafa. Então, assim, porque eu não tinha como voltar a trabalhar com turismo, eu não tinha como estar no hotel. Meu filho podia ter uma crise. Eles ligavam, seu filho tá tendo uma crise, vem buscar na creche. Hoje não dá pra ficar com o seu filho. Às vezes eu deixava ele na creche 20 minutos depois eles me ligavam. Ai, não tem como ficar com seu filho hoje. Ele não para de chorar. Então, assim, algumas ameaças das creches também eu tinha, né? Se alguma criança se machucar, ele vai ter que tirar ele da escola, né? Da creche. Eu falava, como assim? Só porque ele é autista, ele não é agressivo. Então, por que a culpa sempre ia ali pro autista, né? Então foi essa época bem difícil, né? Eu comecei com os inflave, chegou numa época que aqui no Canadá é praticamente seis meses de inverno. E no inverno não tem tanta saída, assim, né? Os infláveis caem. E eu precisava dessa renda, porque as terapias não eram só de verão, né? Era verão e inverno. E o meu esposo, ele sempre bancou a casa, mas era economicamente impossível você conseguir bancar os dois lados, né? Então, uma amiga me propôs abrir uma sociedade em. Eu já alugava alguns kits de decoração de festa prontos. Mas nada super profissional. E aí a gente abriu a Lulu Party Decor, que é a minha segunda empresa. Eu acho que aí eu fui me descobrindo um pouco como empreendedora. Eu sempre tive isso de criatividade. Meu pai até lembra quando eu era pequena que eu fazia uns bloquinhos pra vender na frente de casa. Então eu sempre tive esse lado, né? Minha avó também era muito empreendedora, vendia roupa e tudo. Então eu acho que eu já tinha isso dentro de mim. Realmente eu só não conseguia pensar nisso, porque eu tava muito focada ali no autismo, mas eu tinha que conseguir uma renda, né? E aí a terceira empresa foi de um amigo do meu esposo que ele me convidou pra fazer uma decoração de um Airbnb. E ele gostou muito, e depois ele pediu mais cinco e mais sete. Enfim, estamos aí com mais de 30 apartamentos Airbnb decorados. E é a terceira empresa. Ou seja, hoje eu sou. Posso dizer que eu sou empreendedora, né? Tenho três empresas. Mas hoje na Natália, como mulher, eu digo que eu acho que eu aprendi com a rotina do Lorenzo, eu aprendi a dividir um pouco a minha vida e colocar numa pirâmide as prioridades, né? Então, assim, claro que a família vem em primeiro lugar e o trabalho, né? Porque a gente precisa ter esse. Não adianta nada não ter dinheiro pra pagar a terapia do meu filho. Tá um pouco tudo muito ligado, né? Então eu acho que eu coloquei algumas regras na minha vida, né? O Lourenço tem uma rotina. A rotina estruturada é algo que funciona muito bem com as crianças atípicas. E também com as crianças típicas e os adultos. Eu aplico na minha vida, né? Inclusive. Eu tenho tudo muito organizado. Eu acho que atento, né, pelo menos. Eu acho que a vida organizada é... Você consegue fazer mais coisas, né? E melhor. E errar menos, né? Produzir mais. Então, o Lorenzo tem necessidade de ter essa rotina, eu acabei ampliando essa rotina pra nossa vida, né? Então, por exemplo, todos os dias eu tenho, eu acordo, eu tomo, eu preparo o Lorenzo, quando ele vai pra escolinha, porque tem um avô que busca ele, né? Eu tento fazer algum exercício físico aqui em casa, não é todos os dias que dá certo, mas assim, uma bicicleta eu montei na minha própria sala, né, uma academia. Or when he changed the escola 4 euros, you follow, I was hora to passe with my filho, dar attention for him. And you come in pouch meses. Because responding to the client ao mesmo tempo, andando comida, respondendo a cliente, que a cliente não pode esperar. And my filho chegou pra mim um dia e falou assim, Mamãe, não tablet, porque ele chama celular de tablet, não tablet, mamãe. E ele tirou da minha mão. E eu falei, nossa, a gente tá tão ali, preso nisso, que a gente esquece, né? Mas na minha cabeça, era pra eu dar conta de tudo: casa, filho, né, e três empresas, eu tenho que fazer tudo junto. Então, algumas prioridades eu coloquei, né? Por exemplo, respondo as clientes, posso estar fazendo uma bicicleta e respondendo, mas quando eu tô com o meu filho, eu tô com meu filho. Né? Então, das quatro e meia às 8h é um horário que assim que eu não respondo mais minhas clientes por conta disso. Às vezes eu até explico, olha, eu tenho um filho especial e eu volto a entrar em contato com você amanhã de manhã. Ela pode esperar pra uma festa, pra um inflável, né? Não é algo assim que eu queria entregar tanto, mas eu tava deixando essa parte, né, com o meu filho, eu não tava respondendo a ele bem. Então, quanto ao Lorentz, eu fiz essa divisão, né? Então, ele chega, a gente vai todo dia andar de bicicleta, vai no Pula-pula, vai fazer um passeio no parque. E eu vi que ele foi melhorando a cada dia, né? Minha mãe também veio pra cá, aplicou muitas técnicas com ele, ele melhorou muito. O Lorentz, ele é muito. Ele repete o comportamento das pessoas. Então, se ele tá num entorno positivo, ele vai ser a melhor criança do mundo. Geralmente os autistas repetem, né? Então o ano passado ele tava numa sala não muito boa, então ele tava com comportamentos muito difíceis. Esse ano ele melhorou muito esse comportamento. E assim, eu acho que essa parte de exercício é algo que eu tô tentando ainda, é muito difícil. Alimentação, eu perdi 10 quilos nos últimos meses. Com uma alimentação mais regrada, com hábitos melhores, caminhadas com o meu filho. Então, esse lado, assim, eu tentei. É a parte profissional, né? Que eu ali tento ter um tempo pro meu trabalho. Eu acho que é isso. E os cuidados mais pessoais, né? Por exemplo, vamos ali cortar um cabelo, vamos, sabe, fazer uma unha. Duas vezes por mês tem que fazer uma unha. Então, alguns cuidados, assim, né? Que eu acho que é importante pra gente se sentir bem, né? Sair pra comprar uma roupinha, porque antes era. Não tinha, né, esse tempo, assim. Então eu acho que é isso. Eu ainda tô me redescrindo, né? Eu ainda não sei quem eu sou 100%. Mas é isso, a gente vai tentando, né? Mas quanto ao Lourenço realmente hoje, eu posso dizer que eu tô na melhor época, né, a melhor fase do autismo.
SPEAKER_00Inath, tem algum momento ou conquista que você se orgulha muito olhando pra trás? Teve algum momento assim que você falou, nossa, eu me orgulho muito. Ainda bem que eu fiz isso, me orgulho muito disso, porque acho que refletiu muito, como você falou, no melhor momento do autismo que você tá hoje.
SPEAKER_01Olha, algo que eu fiz muito lá no começo, e que eu fui até muito criticada na época, era expor o Lourenço com outras crianças. O Lorenzo não brincava com crianças. Ele se isolava num canto, brincava sozinho, né? É um dos traços do autismo. E ele tem um grupo de amigas com filhos. Andas, I levava o Lorenzo. Até hoje ele não gosta de parabéns. Então, when they cantam parabéns, eles me avisam antes, eu levo ele pra fora da casa, pro basement. Mas ele vai pra todas as festas. Mesmo que ele não brinque com as crianças, porque ele ficasse no cantinho dele. So eu levava, eu até tentava, ele não queria. Então ele não brincou com as crianças até os seus quase cinco anos. Mas ele esteve com as crianças. Ele esteve ali presente, né? Mas eu acho que isso é algo que me causou muita emoção quando eu vi ele brincando ali de pega-pega com as crianças. Eu filmei, eu, não, você não tá brincando com as crianças! E eu acho que só uma mãe que passa por isso vai entender a emoção disso, sabe? Que é algo assim tão mínimo, né? Pô, teu filho tá brincando com outras crianças. Por que você tá tão feliz? Porque você vê ali que seu esforço deu certo, né?
SPEAKER_00E eu queria finalizar, eu queria que você desse um conselho. E meio que um final feliz. But I think my money. Or the pai that is passing for this, okayzinho, and faz. Aí no Brasil, no mundo, né? I think the sentiment is o mesmo pra todo mundo in the moment of ouvir um diagnóstico that. So, if you have a conselho, I think it would ajut muita mãe.
SPEAKER_01Melhor conselho que eu dou pros pais é não se limitem a diagnósticos. Isso é simplesmente um papel, um rótulo, né? Como vocês queiram dizer, mas como queiram classificar. Mas a gente não sabe o que tá reservado pra gente, o porquê. Não se façam tantas perguntas, não se cobrem tanto, não se julguem tanto. Porque eu mesma dizia, ai, o que eu fiz errado? Será que foi na gravidez? Fiz algo errado? Será que foi minha culpa? Será que foi lá no começo que ele dormia sozinho? Sabe, assim, a gente vai criando coisas e não é isso. Então, assim, não se culpe. E terapia, gente. Terapia, assim, é algo transformador. Não importa se seu filho foi diagnosticado com autismo terceiro, primeiro, segundo, não tirem esse rótulo. Não importa. Nem importa se o diagnóstico não foi fechado. Terapia começa em casa, coisa simples. Vê no YouTube ali, tem. Nossa, hoje a gente tem esse acesso tão rico de informação. Então, assim, não se limitem. E pros pais, assim, que estão juntos, porque o que acontece muito estatisticamente a gente tem comprovado, é que a mãe acaba sendo mãe solo, né? Muitas vezes o pai não aguenta a pressão. Então, assim, pais é só um obstáculo, sabe? Vocês vão conseguir também, então ali. Vocês têm que estar ali pelo seu filho, sabe? Abraçar a causa mesmo, porque eu vejo pelas estatísticas, é muito mais fácil você fechar os olhos, né? E realmente ou não acreditar, né? Não, meu filho não é. Ai, besteira do médico. Tudo bem. Não foca nisso. Não tem problema ali, não é? Tudo bem, mas como é que é uma terapia? Não custa nada. Não custa nada assim, não custa nada. Financeiramente, custa muito. Mas eu digo.
SPEAKER_00Não vai fazer mal, né?
SPEAKER_01Não vai fazer mal pro seu filho. Então eu acho que é isso. Não fiquem presos em um diagnóstico. Comecem ali a terapia. Entrem em grupos que possam te ajudar, que estejam com a mesma. Com o mesmo tópico, sabe? Que estejam buscando as mesmas informações. E algo que eu digo, tome cuidado com esses grupos, porque, por exemplo, um grupo muito grande, você talvez não seja bom pra esse começo, né? No começo eu entrei em grupos de Facebook e tal. E as mães estavam tão cansadas, tão estressadas, que elas estavam se lamentando tanto e eu tava ficando pior. Minhas energias estavam acabando, eu tava ficando sem esperança. Então eu decidi naquele momento que eu não ia fazer parte de nenhum grupo. E por muitos anos eu não fiz parte de nenhum grupo. Eu não lia depoimento de mães. Porque você acaba rotulando ou acaba, I não vou nem tentar porque não deu certo. Sabe, putz, olha o meu futuro. Sabe? E cada criança no autismo, não só no autismo, mas cada criança no autismo, ela é única. Eles não têm os mesmos hiperfocos, eles não têm as mesmas dificuldades. Então não compare o seu filho com outra criança atípica e não compare com as crianças típicas. Não faça essa comparação, não se compara a criança, sabe? Uma vez eu falei pra uma amiga algo, que eu ouvi na internet, achei muito interessante um dos documentários, né, que eu tava assistindo. O profissional, ele falava: Toda criança tem uma super dotação. Porque eles falam, nossa, o Lourenço é inteligentíssimo, sorte sua que, né? Ele deve ser superdotado e tal. Mas, assim, primeiro sorte sua, as pessoas só olham um lado, né? O que tem muita dificuldade também, muita coisa pra ser trabalhada, quando a criança sabe mais que você, né? Que é o caso. Em várias áreas, principalmente geografia. Então, isso é uma coisa. E a segunda, assim, toda criança tem uma superdotação. Porque uma superdotação, basicamente, ela é algo que você é melhor que os outros. Não é que você é melhor, você tem uma habilidade mais aguçada. Então, por exemplo, eu sou muito boa em alguma coisa. Eu cozinho muito bem. É como se fosse uma super dotação pra cozinha. Sabe? Então, assim, toda criança tem isso. Então, quando as mães chegavam pra mim e falavam, ai, o Lorenzo é superdotado, como ela é engraçado e tal, né? Como ele é esperto e tal. E falavam pra mim, ai, a minha filha, ai, não tem nada, assim, de superdotação. Né? E eu falava, gente, como é que você tá falando assim da sua filha, né? Eu falava, claro que ela tem. Olha o equilíbrio que essa menina tem. Olha como ela pinta super bem. Olha a fala refinada dessa criança. Então, assim, todo mundo, eu, você, pais, mãe, todo mundo tem uma super dotação, né? Que nada mais é do que algo que você seja muito bom, que você faça muito bem. Então eu acho que é isso, sabe? Não comparar, estudar sobre o assunto, mas em fontes reconhecidas. Não ficar preso em grupos muito grandes, né? No máximo ali um grupo de WhatsApp menorzinho. E eu acho que é isso, sabe? E ser positivo - positivo, positividade, perseverança e paciência. Muita paciência. Porque o processo deles é muito mais devagar, né? Do que das outras crianças. Então, às vezes, você espera que seu filho saia andando sem rodinha, depois de andar 100 vezes com a bicicleta, que é meu caso no momento. Mas ele, às vezes, vai demorar 500 vezes pra ele conseguir. Mas ele vai fazer também. Mas só vai demorar um pouco mais. Ou ele não vai fazer. Meu filho é não verbal, por exemplo. Mas ele vai se comunicar. Ah, não, ele é não verbal. Mas ele vai se comunicar com o tablet. Mas ele vai fazer línguas de sinais. Então, assim, vai ter uma outra forma. Então, assim, eu acho que é isso. O que as pessoas têm que realmente focar: positividade, perseverança e paciência.
SPEAKER_00Obrigada por acompanhar mais um episódio do Colo de Longe. Se essa conversa tocou seu coração, compartilhe com outras mães que também estão vivendo essa experiência fora do Brasil. E não esquece de seguir a gente no Instagram, arroba Colo de Longe. A gente se encontra no próximo episódio. Um beijo e até lá!