Colo de Longe

Pós-parto na China: Tradições, Choques e Escolhas

Giovanna Borges Season 3 Episode 28

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No episódio de hoje, eu converso com a Taynah de Oliveira Marques Tiburcio, a Tatá, da página @meumundonachina. Nascida em Natal, no Rio Grande do Norte, ela já viveu em Portugal e hoje constrói sua vida em Changsha, na China, ao lado do marido Rafael e do filho Miguel, enquanto espera a chegada do Davi.

A maternidade da Tatá começou longe de casa, em um país com costumes, língua e formas de cuidado muito diferentes das que conhecemos no Brasil. Sem rede de apoio, ela viveu a gestação, o parto e o pós-parto atravessada por choques culturais e por práticas que desafiaram tudo o que ela acreditava sobre o próprio corpo e sobre o maternar.

Entre as tradições rígidas do pós-parto, as decisões difíceis no parto e os sentimentos de culpa que vieram depois, ela precisou encontrar espaço para elaborar a própria experiência, ressignificar as escolhas e reconstruir-se emocionalmente ao longo do caminho.

Falamos sobre mudança de país, parto no exterior, pós-parto em outra cultura, maternidade sem rede de apoio e sobre o que acontece quando nossos padrões mais enraizados são colocados à prova.

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A gente se encontra no próximo episódio.

Um beijo,

Giovanna

SPEAKER_00

Bem-vindas ao Colo de Longe, o podcast que fala sobre os desafios, as vitórias, os perrengues e as trocas de quem é mãe fora do Brasil. Eu sou a Giovana Borges e a cada episódio nós vamos conversar e conhecer histórias reais de mães brasileiras espalhadas pelo mundo. Quem disse que rede de apoio precisa estar perto? Aqui o Colo chega, mesmo de longe. Se você também é mãe, está grávida ou se aventura na maternidade fora do Brasil, este é seu lugar. Vamos juntas nessa jornada de acolhimento, conexão e muito mais. She lived in Portugal and her family in Shangixa, in China. Casada with Rafael, Miguel of quasi three years, and Davi, Tata was a maternity along the Brazil, along with the family, and along the appeal. In traditions that are many patrons that carregate as Brazilians. Foi alguma oportunidade? Foi planejado? A vida foi levando e vocês falaram: vamos embora. Me conta um pouco.

SPEAKER_01

É uma loucura, sim, porque eu morava em Portugal, né? E eu passei três anos lá, eu trabalhava muito. Eu e o meu marido, né? E a gente passou pela pandemia lá. Então foi uma época bem complicada. Eu não parei de trabalhar, eu tava bem cansada, bem esgotada. E a gente combinou que era um momento da gente procurar algo que deixasse a nossa vida um pouco mais leve. E o meu marido recebeu uma proposta de trabalho aqui, aqui na China, ele é treinador de futebol. E a gente combinou que eu iria passar um período, ia tirar como se fosse um ano sabático, né? Ia ficar um ano desligada um pouco pra organizar minha vida, né? E ele veio na frente, porque a China foi um dos últimos lugares do mundo a flexibilizar as normas da quarentena. Ele veio ainda fez uma quarentena, e ele estava seis dias aqui na China. Eu tava organizando minha vida em Portugal pra vir, e eu descobri que tava grávida. Então a vida aconteceu, assim, a gente começou a correr contra o tempo, porque é uma viagem muito longa. Eu não podia fazer depois dos seis meses de gravidez, né? Então eu tinha que correr. Então a gente correu com visto, correu com tudo. Correu com as mudanças que a gente ia ter que fazer pra adaptar a nossa família, que agora eram três e não mais dois, né? Quando a gente não tem filho, tudo é mais, assim, é mais. A gente é mais corajoso. A gente tem coragem de pular no vazio, assim, se arriscar. Andas ponderações, né? Então a gente teve que dar uma reorganizada geral. Mas a gente continuou achando que seria o melhor pra gente pela situação de trabalho que o meu marido ia ter aqui. Então a gente decidiu manter a decisão de vir, né? Ele já tava aqui. And contra tudo e todos, porque a minha família entrou em paranoia, a gente decidiu manter a decisão de vir, né? Eu cheguei na China, tava com quatro meses da gravidez de Miguel, do meu primeiro filho.

SPEAKER_00

E teve algum momento, Tata, que você pensou assim, gente. Eu tava. Porque assim, Portugal, querendo ou não, tem costume diferente, cultura diferente, saúde diferente. Mas é a nossa língua, né? Então, assim, a gente dá aquele jeitinho, conversa, é brasileiro indica, né? Principalmente nessa fase de gravidez, que a gente quer um médico obstetra que acompanha, uma clínica que dê segurança pra gente, né? Então, assim, eu não imagino você chegar num lugar que você não fala a língua, não entende nada culturalmente, completamente diferente, e ainda tem que procurar um hospital. Então, me conta, assim, o que te chocou culturalmente e se teve algum momento que você falou, cara, onde eu vim parar? O que eu tô fazendo aqui?

SPEAKER_01

Em todos os momentos, eu pensei em não vir, né? Desde que começou, assim, desde que eu descobri a gravidez, foi totalmente inesperada. Eu fiquei assim, né, maluca, como eu vou fazer com todas essas questões da língua mandarim, é uma língua muito difícil pra quem não tem uma base, que é o nosso caso, né? Então, assim, eu pensava, como eu vou parir meu primeiro filho sem ter ninguém pra me ajudar perto. Não só me ajudar nos cuidados com o bebê, mas também me ajudar na questão logística mesmo. Eu nunca tinha passado por um pré-natal, eu nunca tinha passado por um parto, eu nunca tinha passado pela experiência da maternidade, assim, não tava nos meus planos pra aquela época. Então, em todos os momentos, eu pensei em desistir, mas eu acho que eu repeti tanto um mantra pra minha família que passou a ser realidade pra mim, que eu dizia assim, em todo lugar do mundo nasce gente. Então, né, se as chinesas têm filho, eu também. Meu filho vai nascer lá, de um jeito ou de outro, ele vai. Andrew manteve a decisão de vir, né? No início, assim, foi muito complicado porque a gente não conhecia nada. A gente tá numa cidade, não é uma cidade pequena, because nothing in China is pequeno, but the city, so não tem tantos estrangeiros, não tem tantos brasileiros. Foi difícil pra gente encontrar um hospital, uma maternidade. Então, no início, I think that continuity to my prénat, and no initial complicated, because I arranged a indication of a hospital that was 40 minutes of my casa. I ainda had to move the apartment. And in various moments, it was complicated this question to enter the prénat, to enter what the entertainment with a médica chines, okay. So in many moments I pense, this is. Tanto que eu vou ter o segundo aqui.

SPEAKER_00

Não é, não foi horrível, né? Porque, como você falou, você vai estar tendo Davi em breve. Mas você comentou, Tata, que a sua família entrou em paranoia, né? Porque eu imagino, assim, além de, claro, né, os nossos pais, nossos tios, a família, amigos, em geral, eles querem estar perto da gente, né? Ai, manda fato grávida, queria muito. Queria participar dos momentos do chá, a revelação do chá de bebê e tal, né? E infelizmente não dá. Mas quando você falou que ia pra China, claro que, né, imagina o desespero, mas teve algum plano, assim, de, não, então tá, eu vou te encontrar, vou ficar aí três meses, vou te ajudar no parto. Teve essa movimentação, você sentiu que eles estavam muito resistentes, assim, de meu, volta atrás, você tava tão bem em Portugal, porque também existe isso, né? Às vezes a gente tá muito certo do que a gente quer, mas é muito difícil da nossa família compreender. E a gente fica nesse conflito, né? Entre ouvir a família, que a gente sabe que eles querem o nosso bem, com a gente arriscar, porque a gente também sabe que é o melhor pra gente, mas a gente também tá cheio de insegurança e não tem nem como a gente agarrar na mão de ninguém, porque tá todo mundo inseguro, né? Então a gente tem que vestir o coletinho da coragem e seguir em frente. Então eu queria saber como que foi esse processo pra você, porque grávida a gente já parece que precisa de um acolhimento da mãe, precisa do acolhimento do médico, obstetra, que fala português, e você tava se jogando num abismo ali, né? E sem a sua família ali surtando. Então me conta como que você se manteve forte, assim, sabe? Como que você. Olha e falou, não, cara, é isso. Se vocês quiserem, venham, se vocês não quiserem, terei meu filho aqui. Como que você sustentou essa decisão? Porque é difícil mesmo, né? Onde a gente ia voltar pra você falar, ai não, nossa, não vou. Vou voltar. E vocês sustentaram e estão aí.

SPEAKER_01

É. Meu juízo nunca foi muito bom, nem o meu marido. Então a gente vai fazendo as coisas, sempre acreditando que tudo vai dar certo. E no final as coisas, né, a gente corre atrás e as coisas dão certo. Mas, assim, era o meu primeiro filho, era o primeiro neto do meu lado da família. O meu marido, a gente já tem um sobrinho, mas que também é pequenininho, então também meus sogros queriam participar, né? E assim, como não tava nos nossos planos pra aquele momento, ninguém esperava. Eu não tinha, assim, um instinto materno aflorado já. Tem pessoas que já têm essa coisa do cuidar, do sonhar com aquilo, que o sonho já faz parte ali, até da família, né? Da família como um todo. E não fazia parte da nossa realidade pra aquele momento. Então ninguém tava esperando. Nem a gente, né? Então, eu acho que o choque pra nossa família foi muito grande, porque realmente eles não estavam esperando. Eu não era uma pessoa que tinha na testa tatuado mãe, né? O nosso foco era outro, era trabalho, era outras coisas, tudo. Então, acho que eles ficaram realmente muito em pânico do que é que ia ser. E a China é uma realidade muito diferente e muito distante pra quem não conhece e nunca teve a oportunidade de vir. Então, ninguém da nossa família nunca tinha vindo. Eles não imaginavam como que era, a gente não imaginava como que era. Então eles ficaram resistentes, mas era mais num lugar de preocupação do que de impedimento. No moment que a gente decidiu realmente, não, a gente vai, eu vou. And you falava pra eles isso, que aqui nascia gente e muita gente, né? Because a China é muito populosa, and os médicos sabiam fazer isso de olho fechado. E ele ia sair de algum jeito, né? De dentro da minha barriga. A minha família prontamente se colocou à disposição pra ajudar. Vir pra China não é fácil, né? Não é, ah, vou dar ali um pulinho em Portugal, que ainda assim é uma viagem que envolve preparo e custos, né? Mas o custo pra cá físico e financeiro, ele é muito grande. Não é todo mundo que aguenta uma viagem de 48 horas de avião, né? E a minha sogra e a minha mãe, e o meu pai, e o meu sogro. A nossa família, assim, enfrentou isso e lutou junto com a gente, se organizou, e minha sogra tirou licença do trabalho pra estar aqui no dia do nascimento. Minha mãe chegou um dia depois e elas passaram um mês comigo. Minha mãe e minha sogra, minha sogra passou um pouquinho mais. E logo depois que elas foram embora, meu pai e minha madrasta vieram e assim, também me ajudaram muito. Porque aquela primeira fase do Puerpério, né? Aqueles dois primeiros meses, assim, bem complicados, eu tive que fazer uma cesárea. Então tava operada, não. Teve a questão, toda uma questão realmente, assim, dos costumes, de como as coisas são feitas aqui, a nível médico mesmo, né? Então, assim, eles foram meus pés e minhas mãos nesses dias. Um tempo depois minha irmã veio, e eles. Sempre que é possível, eles vêm e fazem esse esforço. Então, eles apoiam muito a gente, assim, eu reconheço demais o esforço que é pra eles virem. E virem tá perto da gente e virem nos ajudar também, porque sempre que eles vêm, assim, é um refrigério na minha vida. Porque é muito complicado, a gente tá literalmente do outro lado do mundo, né? Mas eu acho que essa paranoia deles foi muito mais desse lugar de preocupação de não saber como que as coisas iam ser, porque realmente a gente não tinha como saber. A gente só tem como saber estando aqui. Mas deu certo, eu tive essa ajuda no início aí, e foi muito bom, foi muito importante pra mim esses. ter esse período com eles aqui. E acho que pra elas, pras avós, né, e pros avôs, foi muito importante também viver esse momento inicial do recém-nascido, que é uma fase deliciosa, né? Com o Miguel na época, e vão viver com o Davi também, que já estão todos no planejamento da viagem, pra vir agora, quando for a vez de Davi.

SPEAKER_00

Ai, que delícia, Tata. Nossa, realmente, porque é uma viagem longa, eu acho que também vem, assim, olhando pelo layer de mãe agora, né? A gente sempre se preocupa, mas imagina se acontece alguma coisa. Como que eu vou chegar até lá até resolver, até, né? Porque, assim, além de ser longe, né? A gente tem que comprar uma passagem de avião do dia pra noite, que é um custo. E mesmo se você tiver esse dinheiro ali disponível, assim, até você chegar, efetivamente, né? Às vezes não vai dar tempo de você colocar a mão na massa e ajudar, às vezes já vai ser tarde demais. A gente só viaja ali, né? Já acha que vai acontecer várias coisas e eu não vou conseguir ajudar. Então eu imagino que é o que você falou, não foi um impedimento, foi uma questão de preocupação de o que você vai comer, como que. E os médicos, e como que você vai ser, assim, passar. E você também tava se perguntando isso, não é que a gente tava indo, mas sabe assim, mas eu acho que com muita gente se preocupada no nosso lado, a gente também dá uma pilhada, né? É muito difícil a gente desvirtuar e falar, gente, dá tudo certo. A gente já começa a ficar pilhada de novo, né? Na verdade, nossa, eu não pensei nisso, minha mãe tá colocando isso aqui, minha madre tá se falando isso aqui, a gente já começa a pilhar, né? E aí eu também, eu queria saber exatamente isso, assim. Óbvio que a gente tem medo quando a gente faz essas grandes mudanças, né? A gente não sabe como que vai ser. E você, indo grávida, eu queria muito que você falasse desse de medo, sabe? Se o medo foi mais físico, antes de você ir, assim, indo. No momento que você chegou, assim, passou muito na sua cabeça, assim, você sempre falou aí na nossa entrevista aqui, você falou, ah, nasce gente todo dia. Mas até então você não sabia como funcionava o sistema de saúde. A gente sabe que na China eles são bem cesaristas, né? Então, eu não sei se você também tem essa questão do parto de, gente, não, eu quero muito um parto normal, eu tô com medo de ir pra uma cesárea porque contra a minha vontade. Então, assim, me conta um pouco dessa parte de medo que a gente sempre sente. A gente não fala muito, mas a gente sente. E eu queria saber se foi mais físico, então, assim, o que a gente consegue tocar, a saúde, o parto, ou se foi o emocional que você tinha um pouco de medo de, assim, de se sentir sozinha, porque é o que você falou, né? Uma cidade que não tem muito brasileiro, é muito longe da família. Então, assim, me fala o que você sentiu nessas apreensões e medo.

SPEAKER_01

Eu acho que a maternidade em si, ela já é uma realidade paralela. A partir do momento que a gente é mãe, eu brinco com o meu marido que a gente adentra no guarda-roupa de Nárnia, and todos os dias a gente avança um pouco mais pra dentro e a gente perde o caminho da volta e a gente passa a viver ali dentro. E aquela ali passa a ser a nossa nova realidade. E eu acho que eu não tinha noção da realidade do que era ser mãe, porque realmente eu não estava preparada naquele momento pra isso. Então eu acho que, em partes, assim, o medo. Essa parte eu acho que foi benéfica, porque eu acho que eu me enganei um pouco e não dei tanto espaço pra sentir medo. Eu acho que eu me enganava um pouco e pensava assim, ah, vai dar tudo certo, sabe? Também numa tentativa de me proteger, de me blindar dessas coisas que eu tava ouvindo num lugar de preocupação da minha família, mas que ainda assim tinham o poder de me atingir, porque quanto mais de perto vem, mais abala a gente. Então, eu acho que eu me blindei um pouco e não senti tanto medo, assim, dessas questões, por uma proteção mesmo, até chegar num momento que eu comecei a ter pressão alta. Então eu achava que eu tava muito bem, quando, na verdade, eu não tava. Eu nunca tive pressão alta na minha vida, então com certeza foi do estresse, porque a mudança pra cá, ela foi, deu tudo certo, mas ela foi muito estressante. Você tentar resolver uma mudança de apartamento, você tentar comprar coisas, você tentar se alimentar sem você falar a língua é muito difícil. E você lidar. Mas tudo isso dá pra fazer. Mas a questão da saúde, ela pega. Porque é diferente você tá colocando num tradutor escrevendo, né? Como é que tá o bebê e o médico explicando em português ou em inglês, ou numa língua que você tem o mínimo de domínio, e você tá dependendo ali de um software da internet pra você saber algo que é tão importante pra sua vida. Então, eu acho que a partir do momento que eu comecei a ter pressão alta foi que eu comecei a sentir esse medo realmente. Eu tinha muito medo de ir pra uma cesárea, porque eu queria o parto normal. And I said, I felt for my marriage, I would nadar, nadar and prayer. Because I won't mean enganando, those won't be in a certain way, I'm not terminated in a cesárea. When my press, I was not gonna have to do it. It was different to stay in Brazil with an accompaniment of medicine who followed the linguistics, I confian with a family at my head, saying, No, and if I induce it, no, and if you don't say what. But in that moment, I had to take decisions that iriam repercutir for my future at particular. And I said that if I tomorrow a decision that in a whole moment, no sentiment of a cesarean or something. So I acabei, when I come to pressure altered, I fiquei internada durante one semana. And the medicine é muito alarmista. So I think, eles têm que informar, but tranquilizar. Como a gente tem no Brasil médicos que são muito humanizados, né? Andem que aquele momento já é difícil o suficiente. Eles colocam os pingos nos zis de uma forma muito literal aqui. Então, não faz parte da cultura deles colocar paninhos quentes. E eu não tava esperando por isso, eu não tava acostumada com isso, eu nunca tinha vivido isso. Então, a partir do momento que eu comecei a ter a pressão alta, foi quando realmente o negócio começou a pegar. E eu falei, ih, agora vem aí, eu vou ter que parir esse menino sem entender nada. Porque até o momento era só assim, vamos fazer um cardiotouco. Eu tava lá escutando os batimentos dele. Eu sou veterinária, então eu tinha um certo entendimento da questão da saúde. Eu conseguia ver as coisas na ultrassonografia. Eu já sabia o sexo, porque eu tinha feito sexagem fetal em Portugal, porque aqui na China não é permitido divulgar, né? Então eu já vim com isso resolvido. Então até então, com o tradutor dava pra ir, né, se virando. Ele tava sempre bem, então isso conta muito, né? Porque eu ficava mais tranquila. Exame de sangue, não tem muito o que fazer. A médica fazia uma mímica, bota o braço aqui, coletava sangue e pronto, tava resolvido. Ela dizia que os resultados estavam bem, então não tinha tanto espaço pra esse medo. A partir do momento que eu comecei a ter pressão alta, foi que eu realmente comecei a sentir isso. O que é que vai acontecer agora? O que é que eu vou fazer aqui se alguma coisa der errado? Minha família ainda não tava aqui. E eu pensava assim, se acontecer um problema sério, grave com o bebê ou grave comigo, como é que a gente vai, na hora da urgência, usar o tradutor? Não é na hora que você tá ali tendo um, sei lá, um sangramento, uma coisa, como é que você vai parar pra. Não, peraí, que eu vou digitar aqui. Aí realmente eu comecei a entrar um pouco em pânico nessa hora. Só de falar me dá. Eu fico engolindo no seco. Só de lembrar.

SPEAKER_00

Eu nem imagino. Assim, eu me senti um pouco desconfortável em pai em francês, mas eu falo francês, mas às vezes a gente fica tipo, ai, como que eu como que eu falo isso? Sendo que em português a gente ia falar, o que tá acontecendo? A gente já ia, né, ter um surto ali. Só que quando a gente se sente menos confortável em uma língua, no seu caso de não falar, gente, assim, você pega o telefone pra traduzir, perguntar o que está acontecendo, é uma situação que ninguém quer estar, né?

SPEAKER_01

Não, sem condições, sem condições, assim, uma loucura. E quando eu comecei, eu fiquei essa semana internada, né, pra tentar repor o líquido, então eu fiquei internada no soro mesmo e tal. E sozinha, tal, porque meu marido tinha que trabalhar, então ele voltava quando dava, mas eu ainda não tinha o bebê, né? Então, tudo eram águas, assim, mais calmas, no sentido de eu estava muito preocupada, mas eu só tinha eu pra dar conta de mim mesma. Eu não precisava dar conta de mais nada a não ser disso. Mas a partir daí eu já comecei a entender que as coisas não iriam seguir o curso que eu estava esperando, que era um parto na minha cabeça, normal, ia ser tudo tranquilo, ia conseguir. Era o meu desejo naquele momento. Então eu comecei a sentir a partir dali que elas já, as médicas que estavam me acompanhando, elas já estavam me dirigindo pra o caminho da cesárea. Já começaram a me preparar, porque eu já tinha deixado muito claro que eu queria um parto vaginal. Então eu já senti que elas começaram a, sabe, ah, porque pode ser. Ah, porque vamos ver. E aí eu me lembro de falar pro meu marido assim: Eu conheço esse papo, sabe? Eu vou nadar, nadar, nadar e morrer na praia no sentido de vou terminar numa cesárea, sendo que não é o que eu gostaria. E foi assim, né? Eu fiquei uma semana internada, fui pra casa, continuei fazendo injeção, né? Tomando injeção na época de anticoagulante pra preparar o pulmãozinho do bebê caso ele precisasse nascer antes, e monitorando minha pressão, que já tava dando uma subidinha ali. E isso o tempo foi passando. Uma semana antes da minha sogra chegar, minha pressão began a subir considerável. Então eu acho que eu tava com medo, mas eu tava me enganando, sabe? Então eu acho que veio daí essa pressão alta, eu acho que foi disso, assim, do estresse mesmo, da sobrecarga que eu tava escondendo de mim mesma, né? E minha sogra chegou, mais ou menos uma semana depois, eu fui fazer o check-up de 38 semanas. De 38 semanas, e eles já não quiseram me liberar pra casa. E a médica disse que a minha pressão tava muito alta, o bebê já tinha tamanho e peso pra nascer, e eu ia ter que ficar na maternidade. Eu já tava esperando, mas a gente nunca tá preparada pra ouvir isso, né? Então eu pedi pra ir em casa tomar banho, me organizar, trazer minhas coisas. E elas me liberaram pra ir em casa porque eu conseguia andar, tava bem, não tava sentindo nada fisicamente. Fui em casa, organizei minhas coisas e já voltei pra maternidade naquele dia de noite. Dois dias depois, meu filho nasceu. No segundo dia do hospital de manhã, foi uma cesárea agendada, né? Na hora, assim, eu só queria resolver, sabe? Ela falou: Ah, se você quiser tentar passar uma semana internada e ver o que é que vai dar. But naquela hora eu senti que eu ia terminar numa cesárea de todo jeito. E isso foi uma questão pra mim durante muito tempo, assim, porque, como eu falei, eu acho que eu não tava preparada pra realidade da maternidade, então eu tinha muitas preconcepções na minha cabeça que hoje, depois de ser mãe de um, em breve mãe de dois, and vivendo essa realidade paralela da maternidade, a gente vai todos os dias aprendendo que essas preconcepções não servem de nada. Elas não representam. Elas não funcionam pra leis da realidade alternativa. A maternidade não funciona assim. Mas essa questão da Cesare me doeu por muito tempo. Foi uma questão que eu precisei, assim, realmente conversar muito e tratar isso até em terapia pra eu me perdoar, porque eu achava que era minha culpa. Eu achava que eu poderia ter feito mais e poderia ter insistido mais e ter me informado mais e ter feito mais. And isso me doeu por um bom periodo, acho que refletiu em muitas decisões que eu tomei no início da maternidade, nessa culpa por ter feito a cesárea. Mas que hoje, assim, eu fiz as pazes com isso. Eu sou muito grata pelo meu filho ter nascido bem. Acho que eu fiz o melhor que estava ao meu alcance naquela realidade. E já aceitei que se Davi precisar de uma cesárea. É o que é. E a minha cesárea foi super tranquila, assim. Me doeu muito mais num lugar mental do que num lugar físico, assim, porque a cirurgia em si foi muito tranquila. Eu não passei nenhuma violência, assim, nada que eu hoje olhe pra trás e diga, nossa, foi por isso que eu fiquei, sabe? Não, foi bem tranquilo, assim, eu não senti muita dor, me recuperei super bem. Então acho que foi muito mais nesse lugar de uma realidade que eu achava que ia ser e não se concretizou, sabe?

SPEAKER_00

Sim. Não, eu super entendo, Tata. Do meu lado, aqui no Canadá, eles é o contrário, né? Eles querem o parto normal até que não consiga. No meu caso, o meu filho não queria nascer de parto normal. Eu tentei 40 horas e ele não nasceu ali na Santo Cesária também. Então, entendo que você fala da questão emocional, porque eu demorei muito pra aceitar que meu filho nasceu de cesárea. Eu olhava pro corte, eu não queria nem ver. Porque eu falava, nossa, mas eu me preparei tanto, fiz tanto exercício, pilates, pulei na bola, não sei o que. E aí, e assim, com o incentivo também, então existe a diferença de você saber que você não teria tanto incentivo, né, dos médicos e tal, igual eu tive. But no final das contas também não foi da maneira que eu queria. Isso é muito frustrante, porque a gente coloca expectativa numa coisa, que lógico que não é uma expectativa nossa, porque no final das contas o que importa é nossa saúde. Mas a gente quer viver uma experiência, a gente sabe que é melhor pro bebê, tem o pós-parto, que é chatinho, é uma cirurgia que dói quando se levanta. Enfim, então é uma coisa muito intensa, assim, sabe? Mas mesmo sendo different, né? Eu tinha o incentivo do parto normal, você tinha o incentivo da Cesare. Então é péssimo. But I'm voice, escolha de alguma forma, and autonomia. Because I conversava com as enfermeiras, eu sentia que elas estavam ali me ajudando a ter o parto normal, me ouvindo, me incentivando. Segura, espera. Eu demorei muito pra pedir pendural, porque eu tava, tipo, segurando no máximo, no máximo, do máximo da dor. Talvez na China eles teriam falado, mas minha filha, por que você não toma agora, sabe? Então, já incentivando a cesárea, sabe? Mas eu me senti muito ouvida, mesmo não sendo da forma que eu gostaria que tivesse sido. Então eu queria que você falasse, assim, mesmo não sendo um parto normal, mesmo não sendo, né, aquela coisa que a gente, ai, na banheira, queria, nossa, eu queria muito. Mas não rolou dessa forma pra mim também. Mas eu, assim, eu queria, porque assim, talvez esteja alguma mãe pensando, nossa, eu vou mudar pra China, ou eu vou pra China e talvez engravidinha na China. Eu queria que você contasse tudo bem, foi Cesare, eles são cesaristas, but teve alguma part that was a conversava and Você tinha voz, você conseguia ter autonomia de alguma forma. Enfim, porque acho que isso faz diferença, sabe? Eu queria que você contasse um pouquinho disso.

SPEAKER_01

Eu acho que assim, eu demorei um tempo de China. Eu tô aqui há três anos, né? Então eu acho que eu demorei um tempo de China, assim, pra me ambientar andender o contexto onde eu estava inserida, né? Contexto a gente não compara, né? Assim, ah, se fosse. Não é. Se fosse no Brasil, não é. Se fosse no Canadá, não é. Se fosse em Portugal, não é. A minha realidade é essa. Eu moro aqui. Eu tenho que aceitar e entender algumas coisas e procurar também, né? Compreender o lado de quem tá, né? De quem mora aqui, de quem é profissional aqui. Então, eu demorei um tempo, mas acho que quando eu fui ter meu filho, eu já tava um pouco dentro dessa ideia de essa é a cultura deles. Por mais que não faça sentido pra mim, eu preciso respeitar, porque eu escolhi morar aqui. Isso não quer dizer que eles tenham me pressionado, eu não me senti pressionada. Eu acho que nas cidades maiores é mais fácil. Xangá, Pequim, né? Eu acho que é mais fácil porque eles estão mais acostumados a lidar com estrangeiro. Tem já muitos médicos que falam inglês. Na minha cidade, praticamente nenhum médico falava inglês. A gente teve que contar com a ajuda de uma médica que foi um anjo na minha vida. Mas era a única médica desse hospital que falava inglês, um hospital enorme. Então ela me ajudou muito nessa parte de traduzir, né? E ela me acompanhou nesárea, porque aqui o marido, né, o pai, não acompanha, nem o pai, nem a mãe, nem ninguém, só entra a grávida, né? Então isso foi uma coisa que pesou muito também pra mim, porque eu entrei pra fazer a primeira cirurgia que eu tinha feito na vida, porque eu nunca tinha sido operada sozinha. Então ela, assim, foi fundamental. Ela me ajudou, ela segurou minha mão, ela ligou pro meu marido pra eu conseguir falar com ele. Eu falei pra ela, eu quero saber tudo o que tá acontecendo. Eu quero que você descreva pra mim de forma médica o que tá acontecendo. Agora eles vão fazer. Porque isso pra mim era importante, isso me tranquilizava. E ela fez isso, colocou uma música, então assim, eu acho que dentro do contexto onde eu estava inserida, eu não fui pressionada do tipo, você vai ter que aceitar uma cesárea. Mas existia um discurso que é assim: é muito arriscado você ir para um parto normal. And this gera in a gente um sentimento de if I insistir and errado was minha culpa. Talvez não seja de forma intentional. Talvez os médicos anders that if I insistisse in my parto normal and the sensation that done. And I mean livre pra questionar os motivos, mas eram os motivos que eles tinham pra me dar. Eu sabia que existiam outros motivos, eu sabia que existiam outras alternativas, eu sabia que eu poderia sim ter tentado induzir. Inclusive, eu levantei algumas questões com a médica que tava me ajudando, né? Falei, ah, mas se a gente tentar. E é como eu falei, ela não me pressionou em nenhum momento, assim, no sentido de, tipo, me obrigou, né, a ter... Não, você vai ter que ter cesárea, você não tem outra opção. Mas eles sempre tiveram esse discurso de que é muito arriscado agora, você tem que pensar no que é melhor pro seu bebê, você tem que pensar no que é melhor pra você. A Cesária é uma cirurgia, vai ser rápido, vai ser simples, a gente consegue controlar melhor o ambiente, né, pra se o seu bebê precisar de alguma coisa e tal, porque ele tava com 38 semanas e dois dias. Então, eu acho que pra o contexto onde eu estava inserida, foi tudo bem. E eu não me senti acuada, porque eu também sou uma pessoa muito opiniosa. Então, assim, eu não me sinto acuada com muita facilidade. Eu sou bem raivosa, assim. Meu marido, que fica sendo o advogado, sabe, o policial bom e o mal, porque ele advoga pra mim, mas também advoga pra ficar tudo, pra eu não perder a cabeça. Então, assim, eu acho que nesse contexto eu não me senti acuada e não me senti forçada. E acho que talvez, se eu tivesse entrado com os dois pés e tivesse dito, não, eu quero ir induzir, eles teriam aceitado e teriam estado ali ao meu lado e me apoiado. Porque aqui na China, quando eles têm um trabalho pra fazer, o que importa é o trabalho. Então, se o trabalho era fazer com que eu tivesse o bebê, não importa o que eles acham de mim, quanto que eu tô pagando, importa o trabalho que tem pra ser feito, o resto vem depois. E eu já tava um pouco inserida nesse contexto, então eu sabia que aquilo iria acontecer daquela forma. Eu sabia que mesmo que eu desse uma surtada anda interferida. And this me dava tranquility. Because I had much amigas who have in my episode and escutava stories, ah, cuid comes out with the micro, ah, tenha cuidado com que você the form that they imported, because it would live prejudiced, they will precisely in that. And I said that this is a reality. So if there's a man who's pensando, or like that in China, se tiver in a city mayor, I ask it's fácil, de ser resolvido and ponderado and so. But in a city menor, send conversado and esclarecid dá certo. Pra segunda, pra minha gravidez agora de Davi, eu tive que mudar de maternidade, infelizmente, porque eu amei a primeira maternidade que eu tive, Miguel. Eu tive que mudar porque a maternidade fechou. Mas eu já cheguei, já tô nesse contexto há mais tempo, né? Então já sei como as coisas funcionam melhor, assim. Então eu já cheguei pra médica, ó, eu quero tentar parto vaginal. Ah, mas tem pouco tempo, né? De um parto pro outro. Eu falei, é, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não tem nada que comprove essa. Não, é, eu sei, se for possível, vamos avaliar isso mais pro final. Então, assim, ela em nenhum momento me forçou, né? Eu até falei, ah, quando eu for escolher a maternidade, isso vai ser um critério pra mim. Se eu vi que eu levantei esse ponto e na hora já cortaram, eu já vou descartar essa maternidade. Mas na maternidade que eu tô agora, a médica foi gentil, assim, foi aberta pra o tema, né? Falou, vamos ver, né, o que é que vai acontecer, como você teve histórico de pressão alta, vamos conversar disso mais no final. E a gente vai descobrir daqui a alguns meses o que é que vai rolar. Mas agora eu também já tô bem mais tranquila em relação a Cesárea, assim, se for necessário pra Davi, ou se. Enfim, né? Eu não sei. Eu nunca entrei em trabalho de parto, então também pode ser que não seja o que eu imagino, né? E vamos ver o que é que vai o que é que vai acontecer, mas assim, pelo menos eu gostei que ela ficou aberta à possibilidade, sabe? Não ficou colocando areia antes de chegarmos finalmente.

SPEAKER_00

Sim, não, total, total. E também a gente, o segundo filho, acho que ele vem com uma leveza, porque a gente já caminhou, já fez o caminho, né? Assim, pode até ter pedra no caminho, mas a gente já tropeçou, já caiu, já tirou pedra. O caminho tá mais limpo do que antes, né? Do que o primeiro filho. Então você já sabe como que foi pra você, como que funciona o hospital, como se comunicar. Então eu acho que, assim, mesmo se for uma cesárea, que é uma coisa que você não deseja, mas mesmo se for, você já teve uma cesárea. Então você sabe que o pós-parto é chatinho, você sabe que, se for possível, como você falou, sua família já tá aí se organizando pra ajudar. Então acho que tem ali o ponto positivo do segundo e de você ter mais experiência, né? Mas de qualquer forma, o pós-parto é muito intenso pra todas as mulheres, né? Por conta de hormônio. Pra quem faz cesárea ainda tem a dor da cesárea após a cirurgia, que é péssimo. Mas existe tudo isso em uma outra cultura. Quando a gente conversou no off, assim, no WhatsApp, você falou, nossa, tem um monte de coisa, que eles não são rígidos, né? Você fica muito social, aí não pode pegar a venta, não pode lavar o cabelo, então eu queria que você me conta assim. O pessoal aqui, né, a galera daqui do ocidente, a gente ouve, mas a gente fala, não, mas, gente, deve ter sido. Isso deve ser coisa, assim, de nossa, do tempo das avós, né? Aquela coisa. Assim como no Brasil, né? Bota uma meia, porque senão vai ficar gripado, né? As avós falam muito isso. Então, quando a gente pega, né, esses mitos, né, assim, do. No ocidente, a gente fala, não, gente, não deve acontecer isso, imagina. Mas conversando com você, né, no WhatsApp, você mencionou por cima, né? Eu falei, caramba, nossa, isso é verdade. Então, eu queria que você me contasse, né? É lógico que você nunca teve filho no Brasil. Então, assim, não dá pra comparar exatamente. Mas você tem amigas, tem o conhecimento, tem o Instagram, que dá pra saber como que é uma cesárea, como que é o pós-parto, como as coisas funcionam no Brasil. Então, eu queria que você me contasse como foi pra você viver esses costumes tão rígidos e tão diferentes. Contar um pouco deles, como que você vibrou os pratinhos, se você teve que recusar alguma coisa e não foi bem visto. Como que foi esse processo?

SPEAKER_01

Menina, é.

unknown

Olha.

SPEAKER_01

Chega até a ser engraçado, assim, porque é uma realidade muito diferente da nossa, assim, coisas que a gente nunca tinha ouvido. Começa da gravidez, né? Eu cheguei grávida ainda, então, por exemplo, grávida aqui, não pode tomar nenhum líquido gelado. O exame de diabetes gestacional, eu tive que tomar aquele líquido quente. Já não é. É, é. E assim, eu chegava na maternidade pra fazer o pré-natal, a primeira coisa, um copo de água quente, né? E eu, doida pra tomar uma água gelada. Entupida de gelo. Mas a minha médica ia infartar e eu precisava dela. Então eu ficava ali. Porque eu também não quero desrespeitar a cultura e eu entendo que é algo importante pra eles. Não teria nenhum problema se eu dissesse não. E eu falei não pra muitas coisas, vou falar disso. Mas eu também não queria desrespeitar, porque eu entendo que é a cultura e tem muitas coisas que fazem sentido, né? Não são. Não fazem parte do nosso cotidiano, mas fazem parte do cotidiano deles e tem um porquê, né? E hoje em dia, assim, eu sou fascinada pela medicina chinesa, assim. Sou. Sempre que eu posso, eu experimento e faço e testo, adoto várias coisas pra minha vida. Então, mas nesse início ainda, né? E ainda mais a gente grávida, assim. Então, começou daí. Eu grávida não podia tomar nada, nada gelado. Não podia. Eles não aceitam, assim, também que você coma fruta, né? A médica sempre me perguntava, fazia teste de glicose e tal. E ela diz, ah, a minha glicose tava boa, mas ela dizia, controle melhor, você tá comendo muita fruta? E eu tô todos os dias. Não, não é pra comer fruta, porque a fruta vem na cultura chinesa de. Ela é considerada um alimento gelado, um alimento frio. Então, pra eles desequilibra o corpo da mulher. Eles também sempre achavam, quando eu chegava pra fazer o pré-natal, que eu usava pouca roupa, no sentido de não tá tão coberta. Às vezes tava um calor dentro da maternidade eu aquecer, dotruando. Assim, ó, 200 graus num dia bom. E elas com uma mantinha pra me cobrir. Que eu não protegia o suficiente o útero. Sabe assim? Às vezes eu ia fazer carga de Otouco, amiga, era muito preguiçoso. De dia, de noite, menino, ó. Carnaval em Salvador, menino. Mas de dia, só queria. E aí eu ia fazer o carro deotô, eu dizia pro meu marido, vá lá embaixo comprar uma barra de chocolate, um café. Menina, elas enlouqueciam me vendo comer chocolate. Não é pra você comer, não sei o que. Eu falei, não, é só pra ele se animar. Porque aí ele ficava animado, já sabia que era bom, né? Desde a barriga. Então, tinha muitas coisas, mas eu não me sentia. Eu sentia que elas eram muito mais tolerantes comigo pelo fato de eu ser estrangeira. E sentia que elas faziam um esforço pra também entender a nossa cultura, sabe? E acho que, às vezes, pra não se indispor. Aqui na China, eles são muito amistosos, assim, mesmo com os estrangeiros, eles têm curiosidade. Da mesma forma que a gente tem de entender a vida deles, eles têm de entender a nossa. A minha cidade é uma cidade do interior, né? Não é uma das maiores cidades, tem 8 milhões de habitantes, então não é uma cidade pequena, logicamente. But também não é uma cidade super internacional. Então, tinham pessoas que nunca tinham visto um estrangeiro, né? O meu parto foi um evento. A maternidade que fez o meu parto nunca tinha feito parto de um estrangeiro antes. And todos esses costumes, assim, no parto, eu não podia comer. Era tanta coisa, que eu agora já nem me lembro, porque nessa gravidez de Davi, eu já tô bem relaxa, assim. Às vezes a médica fala, tá comendo isso? Eu não respondo sem nem pensar, porque já sei que não vai ter problema, sabe? Mas tinha várias coisas durante essa questão do pré-natal, né? E quando eu fui ter, eu estranhei muito, porque cesárea eu tinha que passar seis dias no hospital. E eu, tipo, gente, seis dias eu quero ir embora pra casa. Eu nem como comida chinesa, como que eu vou ficar vivendo aqui? E na época eu não comia, né? E parto normal quatro dias. Então isso eu fui muito relutante, assim, além de encarecer muito a conta, porque é tudo pago. Mas nem era por isso, porque eu tava preparada pra esse custo, era mais assim, por uma questão do que eu não queria, eu queria ir embora pra casa, né? Minha sogra e minha mãe, coitada, iam ficar lá enfiadas na maternidade. E eu também já sabia que nos dias de maternidade iam vir vários eventos que eu ia ter que driblar ali, né? Porque eu não queria fazer. Então, mas era a regra, tinha que fazer, todas as maternidades são assim, ainda é assim, e hoje eu acho maravilhoso. Não sei como vai ser agora com o Davi, porque eu já tenho o Miguel, mas acho muito bom. Outra coisa que é muito popular aqui, e elas, assim, não é que insistiram, mas ficaram meio sem entender o porquê de eu não ir. Muitas mulheres, depois de ter o parto, elas vão pra um centro de confinamento pós-parto. Então elas ficam 30 dias nesse centro, que é como se fosse um hotel. E aí elas ficam lá se recuperando, fica uma pessoa tomando conta do bebê. As chinesas amamentam pouquíssimo. Isso é uma coisa que o governo tá lutando pra mudar. Eu vejo nos hospitais, vejo, but elas é fórmula direto. It's a coisa que eu também não queria, então deu meu marido. When I got a formula, because you don't want to be in condição, né? Eu queria amamentar. Então isso também é uma question, porque eles sempre acham que o bebê tá com fome, sempre acham que precisa dar a fórmula, porque ainda não desceu o leite. Sendo que a gente sabe, eu tinha informação, eu tinha como sustentar isso, de que ele não precisava inquelas primeiras horas depois de ter nascido, mas eu já sabia que isso ia ser uma question. Eu já tava preparada pra lidar com isso, já tinha preparado meu marido, a minha mãe anda minha sogra. Então, quando as enfermeiras que ficam ali no pós-parque, né, viessem, já ia encontrar o exército formado. E deu tudo certo. Elas me ajudaram, inclusive, com a amamentação, depois que eu coloquei tudo em pratos limpos de que eu não iria aceitar, não queria fórmula, queria amamentar. Mas são coisas que você tem que ir preparada, né? Você tem que ir preparada pra dizer que não quer, o porquê que não quer, pode deixar que ele já mamou, não é por isso que ele tá chorando. Essas coisas, né, que eu acredito que em outros países também deva ter, talvez menos do que aqui, porque elas realmente não estão acostumadas com uma mãe que diga, não, eu vou amamentar em exclusivo, principalmente amamentação exclusiva no seio, né? E tinha questões, por exemplo, tomar banho, né? Acho que no Brasil a pessoa pera no outro dia e já pode tomar banho. A gente, o brasileiro, gosta muito de tomar banho, né? De lavar cabelo. Aqui, quando elas vão pra esses hotéis de confinamento, Elas passam esses 30 dias sem lavar o cabelo. E eu assim, gente, como assim? Você às vezes tem um parto normal, você tá ali suada, destruída, não lava cabelo 30 dias. Não, não lava. E o banho é com uma água especial, com gengibre, não sei o que, um banho que pra mim não é um banho, entendeu? Pra mim tem que ser, mas faz parte da cultura deles. Então, um dos motivos de eu não querer ir pra esse hotel foi isso. Eu gostaria de ter a experiência, mas acho que indo pra um lugar assim, eu teria que aceitar muitas coisas que eu não me sentiria confortável. Então eu decidi, depois dos seis dias, vir pra casa, e elas ficaram um pouco chocadas, assim, dizendo, como que você vai dar conta do seu primeiro filho, né? A questão de lavar o cabelo também foi uma questão pra mim. Eu tava desesperada pra lavar meu cabelo e tomar um banho, e elas não queriam liberar. Foi um evento na maternidade, assim. Eu falei pra médica que tava me ajudando, né? Eu falei, eu preciso lavar meu cabelo, porque eu não me sinto gente. Eu não tô me sentindo gente. E ela. É, vamos ver, não sei o quê, como você é estrangeira e tal. No fim das contas, deixaram eu lavar o cabelo, tinha um lavatório, tipo um salão lá, na maternidade, lavaram e secaram meu cabelo na mesma hora. Era uma lavando e a outra já secando o outro lado, que era pra eu não ficar de cabelo molhado, porque não pode. Elas entraram elas entravam no quarto, o Miguel tava sem chapéu, elas, chapéu no menino, pra cabeça do menino não ficar descoberta. Luva no menino pra o menino não ficar com a mão fria. Tava um calor quando meu filho nasceu, o aquecedor da maternidade, explodindo, e elas, luva no menino. Então, essas coisas eu ia, né? Eu também nem me importava. Quando elas saíam do quarto, eu não tirava as luvas do menino. E tirava o chapéu, porque ele detestava o chapéu desde que nasceu. Então, essas coisas, assim, que fazem parte da cultura deles, essa questão de usar muita roupa e se proteger muito bem do frio, principalmente quando tá em um período ali, né, mais sensível e tal, é difícil, mas assim, eu levo tudo de uma forma tranquila. Eu não me aborreço com essas coisas que eu acho que são coisas pequenas que dá pra gente ir fazendo sem gerar um desconforto desnecessário. Eu poderia ter falado, ó, não quero que bote chapéu no meu filho. But I preferia deixar elas botarem o chapéu e eu depois ir lá e tirar. And I think that, desde que a gente descobre a gravidez até o momento que a gente tem um filho, é um treino pra o que vem. Porque a gente não sabe a realidade até o menino tá do lado de fora da barriga. E mesmo assim, cada dia é uma realidade nova. Então eu sou, assim, por via de regras, super controladora. Eu gosto de ter. Então eu acho que tudo foi um treino, sabe, assim, pra dizer, minha querida, realize. Não vai ser desse jeito que você tá pensando. Eu tinha um plano, sabe, assim, o manual. E eu acho que tudo aquilo ali foi tão importante pra mim pra eu ver que as coisas não eram assim, que tinham coisas que eu poderia fazer diferente e não tinha problema nenhum. E poderia aceitar que fosse feito diferente e não tinha problema nenhum. Então, as questões que pra mim eram inegociáveis, eu lutei a meu favor, lutei no meu time. Tipo, lavar o cabelo, tomar um banho, pra mim era inegociável. Então, eu lutei no meu time. Vim pra casa, me alimentar, pra mim era inegociável. Eu não podia passar seis dias depois de parida amamentando, tomando mingau de arroz e saliva de passarinho, que era o que elas queriam que eu comesse. Não tinha condição. Então, assim, isso pra mim era inegociável. Então, lutei essa batalha. As outras batalhas, o chapéu no menino, cinta no pós-né. Ah, não sei o que, não sei o que. Bota cinta. Até me ajudava com a dor. Aqui usa cinta, depois da cesárea. Um tipo de cinta diferente, prende em lugares diferentes, mas usa. Tinha outras coisas. Ah, eu fazia também um Scaldapés, que tinha que fazer lá com um chá, com não sei o que, que eu botava meus pés. Ah, isso aí, pra mim, nem vai nem vem, vou fazer. E no fim até me ajudava, sabe? Assim, eu me sentia melhor depois do Scaldapés, me sentia melhor porque elas vinham secar meu cabelo, então elas que faziam pra mim, eu também não tinha o fazer. Então acabei, assim, escolhendo já desde daí as batalhas que eu ia lutar. Então acho que isso me ajudou demais, porque hoje eu vivo esse lema na minha maternidade, sabe? Então acho que tudo isso foi um preparo. Até essa questão da cesárea mesmo, que era o que a gente tava falando antes, eu acho que foi pra eu ver que na maternidade é assim. Por mais que a gente saiba o que é melhor pro filho e saiba o que é melhor pra gente, e tenha um plano e um desejo, tem um momento que o sonho encontra a realidade. E a maternidade é a gente viver em paz com isso, é a gente fazer as pazes com isso, e encarar essa realidade da forma mais leve e feliz que a gente pode. Então eu acho que isso, até isso foi uma preparação, assim, pra hoje eu saber disso, assim, escolher minhas batalhas, sabe? E a nível de educar meu filho, mas também a nível das coisas aqui mesmo, de escolher batalhas que são importantes pra mim e realmente lutar, e as que não são, que pra minha vida não vai fazer assim tanta diferença, eu simplesmente aceito e vou vivendo. Sabe, assim, porque senão eu vou enlouquecer, então deixa quieto.

SPEAKER_00

Mas é bem isso, tá, tá? A gente, no momento que a criança. É o que a gente fala, né? A mãe perfeita ela ainda não é mãe. Porque a gente realmente tem que mudar muito de tudo que a gente achava. Claro, tem muita coisa que a gente coloca no nosso PDF de tudo que eu quero, dois pontos. Tem muita coisa que sai perfeitamente do jeito que a gente imaginou. Que maravilhoso, né? Assim, querer um parto normal e tal, e aí ter exatamente esse parto normal, lógico, que, né, a gente nunca sabe a dor até sentir a dor. Mas se a gente quer um parto normal, assim, assim, assim, claro, vai ter muita coisa que vai sair muito dentro da caixinha. Mas vai ter tanta coisa, mas tanta coisa que a gente vai perder o controle e vai ter que escolher a batalha mesmo. Claro que na sua questão foi cultural, mas é isso, assim, você podia tomar água gelada na sua casa, logo você, nordestina, não tomar água gelada no calor que tava fazendo, não comer fruta, gente, isso não ia acontecer. Mas na frente da médica, a gente pode falar tudo bem, não, é, tá bom. A gente tá tudo bem, sabe? Eu acho que existem batalhas que, efetivamente, a gente vai ter que escolher, como você falou, da amamentação, que era uma batalha que... Eu tava só começando, né? Amamentar é muito difícil, é muito desafiador. E se você desistisse ali, você ia jogar fora um processo que você nem tentou. Então era uma batalha que efetivamente valia a pena correr atrás e tentar. Mas ah, o Scaldapé, tá bom, gente. Tentando trás do chá, então que eu vou botar meu pé.

SPEAKER_01

Calma em 40 graus, a gente faz Caldapérez. Bota os pés na água quente. E no final ela tá me sentindo bem. Hoje em dia adoro o Scaldopez.

SPEAKER_00

A gente aceita, né? A gente começa a perceber. A gente também começa a ver pela outra ótica de, tipo, será que os. Lógico que a gente tem a nossa cultura, nossos conceitos, a maneira que a gente pensa. Mas a gente. É uma coisa que eu sempre. Eu não sei se vocês pensam em ficar aí há muito tempo. Mas assim, meu filho nasceu aqui no Canadá. A gente pensa em ficar aqui por anos, a gente não pensa em voltar pro Brasil nem nada. Mas eu sempre penso, eu tenho que ter muito cuidado pra impor nele o que pra mim é certo. O que pra mim faz sentido como brasileiro, porque ele não é brasileiro. Ele é canadense. Então, às vezes, o que os canadenses fazem não vai fazer o menor sentido pra mim. Tem coisas aqui que eu vejo que fala, cara, não faz sentido nenhum. Mas eu não posso. Só porque não faz sentido pra mim não quer dizer que é errado, né? Então a gente tem que tomar cuidado, até, né, com o Miguel, que tá crescendo com hábitos chineses em escolas, né? Com crianças chinesas e outros completamente diferentes. A gente tem que tomar cuidado pra não impor uma coisa só porque pra gente não é comum. Então, né, o scal da peça com 40 graus. Cara, nunca no Brasil que eu faria, né? A gente ia falar, gente, tá louca, né? Tá doida, tá doendo, no mínimo. E lá, gente. E passar 30 dias sem lavar o cabelo, meu Deus do céu, meu cabelo ia pingar óleo. Eu nem imagino ficar 30 dias sem lavar o cabelo ainda mais depois de um parto normal, como você falou, suando, o cabelo grudando sem lavar o cabelo. Mas lá eles fazem, deve ter algum motivo, e as chinesas continuam fazendo. E então tá tudo certo, né? Acho que a gente começa a realmente escolher nossas batalhas no momento que nosso filho vem ao mundo, a gente comece a perceber que a gente não vai ganhar todas, que a gente vai perder muitas.

SPEAKER_01

Mesmo que as coisas não sejam obrigatórias, quando elas são uma recomendação e você tá ali naquele ambiente, num ambiente médico, né, você vai acabar seguindo. Então eu acho que nessa situação, é muito importante a informação, né? É muito importante que a gente, como mãe, né, principalmente quem vai ser mãe de primeira viagem, mas em todas as gravidezes e tudo, se informe, tenha informações, esteja preparado, estude, se informe do que é que tá aí hoje, né, pra ser feito, o que é que pode, o que é que não pode, o que é que deve e o que é que não deve. Eu acho que é importante que a gente esteja munido de informação, mas que também a gente decida com tranquilidade o que a gente vai fazer com essa informação. Porque o que, pra mim, é super importante e é uma batalha que é, assim, indiscutível, pra outra mãe pode não ser. Pra outra mãe, isso pode ser uma questão. Então, quando a gente tem a informação, permite que a gente lute as batalhas que realmente a gente deseja. Porque principalmente a gente que mora fora, a gente não vai conseguir lutar todas e muito menos vencer todas. E com o filho, é assim, por mais que as coisas saiam por alguns momentos de acordo com a cartilha que a gente planejou, vai ter um momento que não vai sair, porque aquele ser humano completamente novo e, né, aquela página em branco, ela vai sendo escrita ali diante dos nossos olhos, mas de uma forma diferente do que a gente imaginava que ia ser. A gente imagina coisas pra o filho e ele vem, principalmente no nosso caso, que os nossos filhos crescem com esse acesso a uma cultura diferente da nossa, pessoas que pensam diferente da gente, a um normal que pra gente não é normal. Mas não existe isso de normal. Se pra eles eles fazem, é normal. A gente não faz, não é normal. Mas assim, não existe isso. Então, é um desafio também agora que os nossos estão crescendo, né? A gente ir se adaptando, como eu falei, a esse contexto. A esse contexto que é a realidade onde a gente tá inserido, né? Então eu acho que tudo isso que a gente vai passando vai preparando a gente pra o que vem pela frente na maternidade e na nossa vida, porque a gente também planeja ficar aqui, e essa é a nossa vida, né? Então tem coisas que a gente vai conseguir fazer da maneira que a gente acha que é o melhor, e tem coisas que a gente não vai conseguir fazer, porque não faz parte da realidade onde a gente tá inserido. E tem que ser assim. A gente escolheu estar aqui, né? Tem que ser assim. Então eu acho que à medida que a gente vai também se adaptando mais ao lugar, a gente também vai escolhendo essas lutas que a gente vai enfrentar com mais sabedoria. Assim, será que vale a pena, né? Agora na minha segunda gravidez, eu já sou totalmente diferente com a minha médica do que eu era na primeira. Também eu era bem mais tranquilo porque não sabia de nada do que tava por vir, né? Mas agora eu já sou bem. Assim, algumas coisas é lá, ah, vamos fazer isso. Eu, ah, vamos fazer sim. Vamos fazer sim, porque. Porque eu acho que vai ser melhor pra todo mundo, realmente, se a gente fizer. Talvez eu nem concordo com aquilo. Ou talvez eu ache que, assim, nem tenha uma informação científica que em base aquilo, mas aquilo vai me prejudicar? De alguma forma? Vai prejudicar meu filho de alguma forma? Não, então. Eu vou conseguir dormir com aquilo bem tranquila. Eu não luto essa batalha. Eu deixo. Sabe a batalha do quero ir com um sapato do Homem-Aranha e um sapato do Hulk? Eu não luto, vai pra todo canto com um sapato diferente. Eu tô nessa fase do super-herói. Então, assim, quero ir com um num pé o sapato do Homem-Aranha, o outro pé o sapato do Hulk. Os sapatos são nem do mesmo tamanho. Quer ir com esse filho? Vai influenciar na minha vida. No máximo o povo vai andar na rua e vai dizer, olha a mãe doida, qual é o problema? Sabe, assim? Então, algumas batalhas que eu vou dormir em paz com elas, eu nem entro. Eu nem entro, que é pra não gastar energia lutando, sabe?

SPEAKER_00

Sim, nossa, tá bem isso. É o que eu falei, né? Quando o nosso filho nasce, a gente já começa a escolher batalha desde o momento que a criança nasce. E elas vão se intensificando com o tempo. Porque quanto mais a criança fica com a opinião, mais ela cresce, mais as fases vêm de dizer não, de querer escolher, mais batalhas a gente continua enfrentando. E aí eu queria chegar nesse ponto, assim, agora você tem o Miguel, já já a Davi tá aqui. Como que é o seu cotidiano da questão de rede de apoio, né? Você teve a sua sogra, sua mãe, seu pai, sua madraça, que foram e te ajudaram ali no comecinho, que é sempre muito assim, o que tá acontecendo, né? Mas no dia a dia você não tem rede de apoio, né? Então eu queria que você me contasse como que é pra você não ter rede de apoio, não ter com quem contar. E se dá um. Porque dá um pouco de medo, assim, pensar que potencialmente você vai ficar muito sobrecarregada com dois, porque, claro, com um só a gente, né, vai lá. Mas agora vão ser dois, né? Com diferentes de idade, né? Que ele tem quase três, o Davi vai nascer já já. Você. Como que você. Você consegue imaginar, assim, como que vai ser minha vida? Ou você. É muito meu? Ah, eu passei por um, vou passei por dois, vou passar com três, quatro. Quantos que vier eu vou dar conta? Ou você passa, gente, mas como que eu vou fazer? Porque já é difícil com o Miguel. Já tem essas questões com o Miguel e agora eu vou incluir o Davi. Enfim, me conta como que é o seu dia a dia, a questão da rede de apoio e se isso te aflige de alguma forma.

SPEAKER_01

Eu acho que assim, 80% do tempo eu sou essa pessoa do vai dar tudo certo. Sabe assim, de um jeito ou de outro, eles vão sobreviver. Miguel tá aí ótimo pra contar a história. O meu marido trabalha fora e eu fico in casa. Então eu me dedico exclusivamente a casa e a Miguel, que também não era uma coisa que estava nos meus planos, mas que hoje, assim, eu amo fazer isso. Eu sou muito grata mesmo de poder fazer. Eu sei que tem muitas famílias que não. que isso realmente não pode fazer parte da vida, né? Que os dois pais, por exemplo, trabalhar e aí entram outras questões. Então, no meu caso, eu 80% do tempo sou assim, ah, eu vou dar conta. Também já já a Miguel vai pra escola, então vai dar tudo certo. E 20% do tempo eu sou completamente surtada. Tipo, meu Deus, o que é que eu vou fazer com essas duas crianças? Eu vou me jogar daqui de cima, levando eles dois, porque a gente não vai pra canto nenhum sem o filho sem a mochila, né? Então, assim, eu acho que 80% do tempo eu sou essa pessoa, sabe? Porque é a minha vida, eu tô aqui, de um jeito ou de outro eles vão sobreviver. E 20% do tempo, não deu o meu termo, eu sou completamente surtada. Tipo assim, gente, eu não vou dar conta, eu falo pro meu marido. Então, eu acho que eu sou, assim, esse desequilíbrio entre essas coisas, porque eu já sei como é ter um. E imagino que ter dois deva ser barra pesadíssima. Se Davi nascer metade do que Miguel é, assim, no sentido de energia, de disposição, menina, eu nem sei. Vou ter que tomar soro na veia todo dia. Porque eu não dou conta. Mas, assim, essa questão da rede de apoio foi muito importante no Puer Pério, assim, foi uma fase difícil. De vez em quando minha família vem também, como eu falei no início, é um refrigério, assim, quando eles vêm. Mas a maior parte da minha vida eu sou sozinha, eu e meu marido, pra cuidar de Miguel e, em breve, de Davi. A gente acaba, assim, fazendo amizades, né? Então a gente tem um certo apoio. Assim, eu acho que mais até no sentido social de ter amigos, de a gente poder contar numa dificuldade, né? Assim, numa necessidade. Acaba que aqui na China também, os condomínios, por exemplo, o condomínio que eu moro tem muita criança, né? Então a gente acaba fazendo amizade, assim, com as outras mães ou com os avós, que aqui é muito comum que os avós que cuidem das crianças. Então eu brinco dizendo que as minhas melhores amigas, assim, que eu me encontro todo dia, elas têm, assim, na base de 70 mais. Porque são as avós que cuidam, né, ali. Mas tem algumas mães que, que inclusive, são minhas amigas, né? E que acabam, assim, fazendo uma rede de apoio ali mais nessa parte social mesmo. Na parte do cuidado, é mais complicado, porque a gente tem que dar conta de tudo, né? Então eu fico nessa função, mas o meu marido também me ajuda muito, porque ele tem um horário de trabalho bom. A gente optou por não querer babar, a gente optou por eu ficar em casa e a gente não colocar babá pela questão cultural mesmo. Porque a cultura de educar aqui é muito diferente. E principalmente, assim, eu não moro numa cidade tão grande, então eu sei que existiriam desafios que eu não estava preparada pra ter. Por exemplo, a questão de bater, ou de gritar, ou de repreender coisas que pra mim não fazem sentido serem repreendidas, ou de ofertar coisas que eu não quero que sejam ofertadas por uma decisão minha. Por exemplo, tela, açúcar, comidas industrializadas. É uma decisão da nossa família, então eu achei que seria mais fácil gerir isso se fôssemos só nós. Então a gente optou por não ter babá, o que facilita muitas coisas nesse sentido, né, da gente conseguir ter um ambiente mais controlado dentro de casa. Mas dificulta muito, assim, em outras questões de dar conta de tudo, de cuidar da casa, de manter a casa organizada e de também cuidar de Miguel e tá ali todos os dias, né? Com aquela paciência e disposição e tudo. Ele ainda não vai pra escola, a gente só vai mandar esse ano, então também eu vou passar pela adaptação escolar já já, que eu não faço ideia de como vai ser, mas vai ter que acontecer, né? Então eu tô tentando ficar repetindo isso pra mim mesma. Vai acontecer. Eu vou fazer de tudo pra que seja mais tranquilo, mas vai ter que acontecer. Ele vai ter que ir pra escola em breve, então vamos ver as cenas dos próximos capítulos. A gente tenta ter, assim, uma pessoa pra ajudar de vez em quando em casa. Agora eu me mudei, então vou tentar, principalmente porque vem Davi, ter uma pessoa mais fixa, mas que também não é fácil, porque brasileiro só gosta de faxina de brasileiro, né? Eu acho, assim, que é muito difícil você gostar da organização de uma pessoa que não entende o seu costume, não entende como é que você gosta that. Então, isso também é difficile. That gente ter uma rede de apoio no sentido de ter um funcionário, a funcionaria pra ajudar a gente is becoming cultural mesmo, é muito different. Então, a gente, nesse momento, é assim in our Davi vier, a gente vai ter conseguir manter isso. Or se eu realmente vou ter que ter uma pessoa mais fixa, assim, pra me ajudar in casa, but I continuo decidida com o fato de não querer babar pra eles. Continuo decidida tocar fora de casa andar a eles pra não ter que contratar uma pessoa pra cuidar deles. Uma pessoa pra me ajudar in casa, acho que até agora a gente probablemente vai precisar, notas, mas alguns da semana, but essa ideia. Por mais difícil que seja, allons são mais difíceis, né? Outros dias a gente leva numa boa and no fim do dia a gente diz assim, ai, como eu tô dando conta, né? Ai, como eu tô acostumada. And no outro dia, é o dia do sapato do Hulk e do sapato do Homaranha na hora de sair. Então a gente vai levando assim. Mas 80% do tempo eu acho que vai dar certo, até porque ele vai pra escola em breve, né? Então eu vou acabar tendo aí um pouco mais de tempo, assim. E a gente tá tentando de tudo pra que essa transição de um filho pra dois seja o mais tranquilo possível. A gente tá tentando se organizar, organizar a parte de logística mesmo da nossa casa, pra que seja o mais tranquilo possível, sabe? Então, vamos torcer pra que seja.

SPEAKER_00

E Tata, tem um. Ficar em casa pode ser muito solitário, né? Assim, na função da casa, na função dos filhos, lógico, que o Miguel conversa com você e tal. Mas é, parece que assim, todo dia é a mesma coisa, né? Todo dia precisa fazer o café da manhã, o almoço, cuidar, passear e tal. Você se sente muito sozinha, às vezes, porque realmente, né, a gente sai do Brasil, e até mesmo de Portugal, né? Que a língua é diferente, os costumes são diferentes, mas. A gente sai do Brasil e a gente tá sempre muito rodeado de gente, de pais, de amigos. A gente pega aquele telefone e liga rapidinho, vai no shopping com a amiga, vai tomar uma cerveja com o amigo. Sempre tem ali o nosso ciclo social. E é o que você falou, né? Apesar de vocês terem amigos ali pra contar numa emergência, também pode ser muito solitário, né? Ter essa rotina, estar longe da família. Tem alguns momentos, assim, que você se sente emocionalmente drenada mesmo, assim, e sozinha por estar na China e nessa bolha ali, né? De não sair de casa, assim, pra trabalhar e tudo mais. Que é muito incrível você ter o privilégio de estar com seu filho, mas também tem o lado, né, de você só estar com seu filho. Pode ser muito conflitante. Então, como você se sente?

SPEAKER_01

É, eu acho que tem momentos, né? A partir do dia que a gente muda de país, até às vezes de cidade mesmo, né, dentro do Brazil, a gente vai passar por essa sensação, né, assim, de Ai, como eu queria estar na minha casa, na casa da minha família, ai, como eu queria agora estar com a minha mãe, ou com meu pai, ou com meus irmãos, né? Ai, como eu queria agora comer tal comida. So I think there are days that it's in a form, ainda mais que eu estou muito longe, então não é uma decision that I posso tomar de ânimo leve. Ah, vou passar uma semana no Brazil, né? Que eu tô, enfim, com muita saudade. Então, there are days that I mean sozinha. I have some amigas aqui, tenho amigas brasileiras aqui na minha cidade, ando amigas chinesas que falam inglês. Não é a mesma coisa, né? Assim, não é a mesma coisa mesmo. Eu tenho muitas amigas em Portugal que todas são mães, mais ou menos na mesma época. Então eu às vezes sinto isso, assim, nossa, se eu estivesse lá, a gente dividiria isso de tão perto. Os nossos filhos cresceriam juntos. Então eu sinto isso bastante. Mas também eu tento pensar que é uma escolha, né? Está que traz muitas dificuldades, mas também traz muitas coisas positivas que eu não teria acesso no Brasil e que hoje são a prioridade na minha vida. Em outros momentos não foram, e é por isso que em outros momentos eu vivi em outros lugares e de outras formas. Mas hoje o que é prioridade na minha vida, eu consigo oferecer pra minha família e pros meus filhos se eu estiver aqui. Então sempre que eu tô num dia mais difícil, e eu tenho muitos dias difíceis nesse sentido, assim, de me sentir sozinha, de sentir saudade, de pensar, de repensar, né? Sempre que eu tô nesses dias, eu tento sair um pouco dessa órbita. É porque, como eu falei, essa é a minha realidade, né? E pensar por esse lado, de que as coisas que são tão prioridade pra mim, eu não conseguiria ter acesso e não conseguiria oferecer pra minha família e pra mim mesma se eu estivesse em outro lugar, que não aqui. Então a segurança do meu filho, a minha segurança, né, assim, como mulher, como mãe, eu passo tanto tempo sozinha com o Miguel e me sinto muito segura e muito tranquila em relação a isso. O fato do meu marido ter um bom emprego, no sentido de ter disponibilidade pra estar presente em casa, que se fosse no Brasil, isso seria muito provavelmente diferente. Então, eu tento sempre ficar focando nessas outras coisas pra que eu não entre nesse parafuso. Porque, na verdade, só tem dois caminhos, né? Só tem duas possibilidades. Ou eu fico aqui ou eu vou embora. Eu não tenho como mudar e trazer uma enxurrada de brasileiro pra cá. Ninguém da minha família vai se mudar pra cá, né? O que eu posso fazer é o que eu faço, que é assim, eu sou super a ruaceira. Por isso que Miguel, ele já nasceu assim. A médica nem liberou, ele já tava na rua. Porque quando ele já tinha tomado as primeiras vacinas, assim, eu já. Então, quando eu tô. Quando eu sinto que eu tô num dia assim, que eu já acordo meio pra baixo, assim, eu cato ele, boto uma roupa, vamos pro shopping, vamos fazer alguma coisa. Isso também é muito bom aqui, porque tem muito entretenimento, sabe, assim, é de fácil acesso pra gente. Então eu cato ele, boto dentro de um carro, vou embora andar pra me movimentar, pra ele se movimentar. Porque acho que os desafios, eles existem em casa, mas na rua eu acho que é menos difícil. Eu sempre, desde que ele nasceu, eu sempre acho isso, assim, até soneca, essas coisas. Que no início, né, isso era mais assim, um desafio muito presente, assim, ah, não quer dormir em casa, catava, botava num canguru, ia pro shopping tomar café. As minhas amigas brincam que ele é aposentado e tem, assim, 65 anos, que ele adora ir pra um café. Às vezes ele acorda da soneca e fala assim, tenho uma ideia. Que tal se a gente se arrumar, for no shopping e for tomar um cafezinho? Ele nem bebe café, mas assim, o lugar, né? Então ele já sabe que isso faz parte da rotina dele. Acaba que eu tenho que resolver muita coisa sozinha com ele. Então ele sabe que ele me acompanha, né? Isso é uma coisa que eu aprendi com as chinesas, vendo as chinesas maternarem e vendo. A realidade aqui é que o filho, ele tá inserido na vida delas e no cotidiano delas. E aquilo passa a ser o cotidiano deles. Então a vida não é só pra entreter a criança. A vida continua acontecendo e a criança está inserida naquele meio. E antes eu ficava pensando assim, ai, coitadinho, isso nem é programa pra criança. Tudo é programa pra criança. Se a gente fizer esse programa, né? Então, assim, eu sempre tento equilibrar e levar ele pra atividades que são apropriadas pra idade dele, pra que ele conviva com crianças. But às vezes tá num dia that you vejo that as coisas não estão andando bem, ou pra mim, ou pra ele, ou pra nós dois. Eu simplesmente cato ele e vou tomar um café, mesmo que não seja um programma pra criança, é aquilo que eu preciso inquietar, and he precisa que eu esteja bem. Because depois do café, eu posso ir brincar de Homem-Aranha, de Hulk, de do que ele queira brincar com mais tranquilidade. Então eu acho que eu tenho muitos moments difíceis e de solidão, mas eu sempre tento me arrastar pra esse outro lado, sabe? De saber que essa é a vida que eu escolhi e como que eu posso tornar essa vida menos solitária e mais tranquila, mais feliz mesmo. Então, se tiver alguma amiga pra ir comigo, vamos, se não tiver também eu vou com ele, e a gente assim vai levando. Tem dias que eu tenho vontade de voltar pro Brasil, queria que fosse mais perto, assim, era o meu único desejo, assim, era que fosse um pouco mais perto e mais barato ir, porque eu iria com muito mais frequência. Mas é aqui que eu moro, é assim que tem que ser. Eu não tenho muito. Eu sou bem aberta pra fazer amizade também, assim, então às vezes eu nem entendo a língua, às vezes a outra pessoa nem fala inglês e eu me torno amiga e Miguel também é super sociável, então, porque tá ali uma companhia de um adulto, né? Que mesmo que não fale a mesma língua, mas tá ali, pelo menos tá tomando café também, né? E as minhas amigas que falam chinês também, assim, que falam inglês, eu também sempre tento alimentar essa relação, né? Mesmo que a gente seja muito diferente, né? Assim, tem coisas que eu digo assim, meu Deus, onde é que ela tá com a cabeça? Mas eu continuo nutrindo essas relations because I say that's bon pra elas andiam, nesse sentido, de ter uma companhia, de ter uma persona que vai conversar de things de adulto, né? Conversas de adulto, conversas differentas, assim.

SPEAKER_00

Perfeito, Tata. Or mora na China, está pensando engravidar, but this jornada aí que você já enfrentou e vai enfrentar de novo aí com Davi. I think you deserve, which I think is, ao longo da nossa conversa, mas acho que sempre tem aquele conselho-chave, né, pra fechar.

SPEAKER_01

Ah, eu acho que é que no final tudo vai dar certo, né? Os chineses têm uma cultura muito diferente da nossa, mas tem uma razão de ser. Eles sabem o que eles estão fazendo. E eles são muito abertos, e acho que a gente deve aproveitar isso. Eles são muito abertos pra conhecer a nossa realidade e são muito flexíveis no que toca aceitar as nossas diferenças da maneira deles. Então acho que a gente tem que saber aproveitar isso. Realmente procurar informação, procurar ajuda, procurar depoimentos de pessoas que já tenham passado pela mesma coisa. Às vezes não na mesma cidade, mas tem uma mãe que passou por algo ali numa cidade perto, que tem mais ou menos o mesmo padrão. Então aquilo ali pode ajudar, pode aconselhar na forma de como tomar alguma decisão, ou como até abordar algum tema, né? Às vezes com o médico, com a família, por exemplo, se for casada com um chinês, né? Com a família do marido. A gente aqui tem vários grupos, assim, de troca mesmo entre brasileiras, então isso ajuda muito. E eu acho que o conselho, assim, que eu levei pra minha vida e que eu acho que não só pra quem mora aqui na China, mas pra quem mora em qualquer lugar do mundo, é isso, é escolher as batalhas que vão deixar você dormir em paz naquele dia. No dia seguinte vão ser outras batalhas e você vai precisar de coisas diferentes pra dormir em paz, mas é ir vivendo um dia depois do outro, pesquisar bastante, se informar e tomar as decisões com essas informações que você tenha com tranquilidade, né? Saber o que vai ser bom pra você, tranquilo pra você, e decidir baseado nisso.

SPEAKER_00

Obrigada por acompanhar mais um episódio do Colo de Longe. Se essa conversa tocou o seu coração, compartilhe com outras mães que também estão vivendo essa experiência fora do Brasil. Não esquece de seguir a gente no Instagram, arroba Colo de Longe. A gente se encontra no próximo episódio. Um beijo e até lá!