Colo de Longe

Adoção no Exterior: Maternidade pelo Foster Care

Giovanna Borges Season 3 Episode 34

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No episódio de hoje, eu converso com a Cristiane Domingos — a Cris. Nascida em Campinas, formada em turismo e pós-graduada em eventos, ela construiu sua vida atravessando diferentes caminhos até se estabelecer nos Estados Unidos. Já foi au pair, morou em diferentes estados, trabalhou em navio… e foi no meio dessa trajetória que a maternidade encontrou um novo significado.

Casada com o Andrew há quase 9 anos, Cris se tornou mãe da Maeve, hoje com 5 anos, através do sistema de foster care — um caminho pouco falado, cheio de camadas, incertezas e, ao mesmo tempo, profundamente transformador.

Diferente do que muitos imaginam, o foster care tem como principal objetivo a reunificação familiar. E é nesse contexto que a maternidade da Cris começa: acolhendo, cuidando e criando vínculo com uma criança sem a garantia de que ela ficaria. Um processo que exige entrega, presença e uma capacidade enorme de amar… mesmo sem controle da história.

Falamos sobre como funciona o sistema nos Estados Unidos, os desafios emocionais de viver entre o temporário e o permanente, o impacto de maternar sem rede de apoio e o que significa construir um vínculo que nasce no cuidado diário.

Esse não é só um episódio sobre adoção.
É sobre o amor que se constrói no caminho.

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 A gente se encontra no próximo episódio.

Um beijo,

Giovanna

SPEAKER_00

Bem-vindas ao Colo de Longe, o podcast que fala sobre os desafios, as vitórias, os perrengues e as trocas de quem é mãe fora do Brasil. Eu sou a Giovana Borges e a cada episódio nós vamos conversar e conhecer histórias reais de mães brasileiras espalhadas pelo mundo. Quem disse que rede de apoio precisa estar perto? Aqui o Colo chega, mesmo de longe. Se você também é mãe, está grávida ou se aventura na maternidade fora do Brasil, este é seu lugar. Vamos juntas nessa jornada de acolhimento, conexão e muito mais. Às vezes a maternidade não começa com uma gravidez, it's a decision, with a chamado, com a caminho que ninguém te ensinou a percorrer. No episódio de hoje, I converso com a Cris Domingos, nasci in Campinas, andient, estabelecida in Students. After experiences like Au Pair, temporadas in different and a passage for navi, it was less for that tomorrow that none imagined. Cris, seja muito bem-vinda.

SPEAKER_01

Acho que pode ajudar, né? Trazer o conhecimento, ou até ajudar quem tá aí querendo ou almejando uma adoção através do sistema Foster.

SPEAKER_00

Eu tô muito animada porque, enfim, quem acompanha aqui o podcast sabe que a maioria das mães tem uma trajetória muito comum, né? Assim, I tive your filho no Brasil e mudei, idade different, ou mudei, depois tive meu filho fora. And é completamente fora do que eu já entrevistei. Então tô muito animada, porque acho que realmente ia ajudar muitas mães até pra trazer o conhecimento desse processo que é muito nebuloso. Se você não vai atrás pra efetivamente, é muito por cima que a gente tem as informações. But antes da gente entrar no foster care and the process, I think that's it, what was it? Você é de Campinas, but já passou por vario também. Me conta como foi esse caminho até você estar aí hoje.

SPEAKER_01

Nascei andas. No decorrer, foi when I CEO Pair, English in 2005. I passed three years, but in the episode I graduated, post-graduated, post-graduated in administration and organization of events with SENAC. And I started in the area of tourism, it was fundamental English. And this peg on my formation. And it was a big experience for my all pair, as many men have difficulty, which is used exactly what the program of it is. And the empecility of my English. So it was difficult. I feel the rematch two days, and I think the principal foi a falta of English napo. Então já foi um baque pra mim essa experiência. E eu cuidei de uma criança típica, sem saber que ela era típica. E fui aprendendo conforme eu fui cuidando. O menino que eu cuidava, eu passei a maior parte do tempo, foram dois meninos, e um deles tinha um ADADD, que é o TDH, né? Então foi a primeira vez que eu ouvi falar disso na minha vida. Eu nunca tinha ouvido falar ou presenciado alguma criança com isso. Aí voltei com o objetivo de... Voltei pro Brasil com o objetivo de retornar à minha profissional. E fiquei. Mais ou menos uns 10 anos. E aí, com o tempo, eu fui ficando insatisfeita, porque meio que inquela época era um modismo fazer turismo, né? A gente não colocava muito in balança, não tinha uma expectativa. There's gente que já said, ah, I couldn't have a person, casar, I didn't have much expectative. But I was satisfied with it. I was perceived that I could have always been in São Paulo to do one different, it was a mochilong in Europe. That was my second experience international. So I passed a month visiting three places and completely, I was sick, I had no telephone, it was Wi-Fi, so it was awesome. And I think this was a chance to be forward. I can do it. It's not very confirmed before I was a chance that was the work. I think much, when they seem to be perfect when Brazil. So in this time I had a deficiency, not exactly my deficiency, but an alimen orthopédically, which I done alerted, and I despencou no navio. So I pratically saw the navy, conseguired concluir, but I pratically saw. In that episode I was directly, I was meant to mancan ainda. And I thought, no Brasil, I poderia aposentar e conseguir qualquer trabalho com aquelas vagas especiais. Isso o Brasil concede. A medicina do Brasil é muito mais avançada em qualquer outro lugar, né? Aqui onde eu moro hoje na América, isso não existe. Meu pé praticamente move pra cima e pra baixo, não faz os movimentos laterais, não tem equilíbrio. E não sei o que me passou na minha cabeça. Eu tinha amigos do navio que vieram. Eles sempre me perguntavam, ah, você morou na América, você fez ao pé na América. E eu nunca demonstrava interesse em voltar. Sim, me sentia perdida no Brasil, mas não pensava em voltar. E não sei que cargas d'água passou na minha cabeça. Conversando com uma amiga na época que eu estava em recuperação. Ela falou: Olha, eu tô aqui em Boston, morando num lugar e tal. E você não quer vir? E eu falei, mas o que eu vou fazer? Ela falou, de repente você aplica pra estudante. Foi esse o meu flash principal. Ela falou, olha, eu tô num lugar, então ela me deu toda a estrutura, porque ela tava aqui já, e já tinha outras pessoas também que eu conhecia, então vim naquela esperança, ah, não tô sozinha. Mas aqui quando você chega, dessa forma que eu vim da segunda vez, o bac é muito diferente, porque as pessoas estão aqui sobrevivendo. Então é diferente quando você tá num lugar que você pode contar com as pessoas, que é fácil, todo mundo te dá uma mão e te ajuda. Não, é que se sente meio perdido, né? Então foi um baque, eu apliquei pra estudante, já é uma idade mais avançada, né? E não fui negado, mas eles ficavam pedindo pra provar evidência, né? Prova de evidência, alguma coisa assim que eles usam. E isso foi três vezes. Mas nesse processo todo, logo que eu cheguei, em um mês eu conheci o meu esposo. Então, em um mês e pouquinho, a gente já estava namorando e ele acompanhou todo esse meu processo de aplicação de troca de visto, né? E aí foi que eles ficaram pedindo evidência, evidência, e eu falei assim, agora eu não sei se eles vão me pedir mais evidência ou se eles vão me recusar e eu vou voltar para o Brasil, porque eu não vou ficar aqui ilegal, eu quero ir embora. Aí, em seis meses, ele me pediu e noivado. Com nove meses, eu tava me mudando pro apartamento dele, que é em outro estado. A gente se conheceu online e ele morava in outro estado, no estado vizinho. Andava morando com ele andar in one. So it was the process that was operado, 16 years at the time, adulthood. And he was adotaries. Sempre, can me accompanied the episode of infância and adolescent is adotar a criança. And I'm gonna do it. And we were two years. And I was in Boston, a city grandeur, in a city in Rhode Island. A city of fazenda, which didn't have any caminhtag of my casa, I had documents to dirige, I was in the process of my green card, I was in the house, I had no concept, family, nothing. I could have a caminhada in animal selvagem, because it was a fazenda, and I come in in this epoch and answer, I nunca told in my life. Me deparei, not entendi o que era que está acontecendo comigo, me senti umas agonies, I think a gente mora perto do mar, me leva pra ver o mar, que eu senti a saudade do mar pra acalmar. Foram three of those acontecendo. Enfim, consegui um trabalho, trabalhei in a hotel, trabalhei do few. Só que aí eu fui fazer um emprego no trabalho, né? I fui trabalho como se fosse meu estágio lá do faculty. I felt recepcionista of hotel. And it's stress, it's puxado ainda mais dominando 100% a sua língua, a cultura of an ambiente ofrece, que for me foi a primeira vez realmente trabalhando. Então foi muito estressante, muito estressante. Andava afetando, de certa forma, a nossa relação, né? Porque é sábado, domingo, feriado, é isso que é o turismo, né? É você trabalhar pros outros curtirem, né? Então não tava rolando. E aí ele falou: olha, se você quiser, você não precisa trabalhar, e calhou da gente comprar a nossa casa, mudar do outro lado do estado e logo veio. Começou a pandemia, né? Nesse processo da Pentão, ainda todos sem trabalhar fazia um tempinho aí com todo esse processo da compra da nossa casa. E aí, acho que bateu assim. Quando deu quatro anos e pouco de casamento, a gente sentiu que estava faltando alguma coisa na nossa família, né? E aí ele falou: você quer ver o processo de adoção, ver como funciona? Então a gente começou a pesquisar processos de adotar no Brasil, que a gente viu pela nossa idade, né? A gente já tava numa idade mais do que limite, ele é 11 anos mais velho que eu, então falei, é um reloginho, né? Porque querendo ou não, você tem que ter uma disposição física pra aguentar uma criança, né? E aí a gente viu que pelo Brasil não ia dar, ficar numa lista de espera não ia rolar. Aí a gente começou a estudar opções de adotar fora da América, mas aí tinha aquela adaptação, você tem um gasto pra ir pra outro país, se adaptar. E aqui também existe uma possibilidade, não sei, eu não conheço todas as opções, mas foram as que a gente teve acesso. E tem uma opção, que é através de um programa da Igreja Católica, se não me engano, que você adota, mas é uma adoção comprada, vamos dizer assim. É até estranho, porque pra mim me remete, eu cresci ouvindo na televisão, acho que quem é da minha geração ouvia no Fantástico, as crianças desapareceram no Nordeste, não sei o quê. Então quando você fala que vai comprar, me volta isso em mente. Eu falo assim, mas isso é correto, apesar do valor ser bem absurdo, eu acho que na época, um recém-nascido, era em torno de 60 mil através desse programa. E aí eles explicam pra onde vão esse dinheiro, que são mães que desistem da gravidez, e eles convencem, tem um programa dentro da Igreja Católica, que eles convencem a dar pra adoção, né? Que aqui também você pode, é anônimo, deixar o feto em algum lugar, isso não é visto como um crime, né? Enfim. E aí a gente descartou, porque eu fiquei um pouco impressionada, assim, com essa forma. E aí eu comecei a perguntar na minha cidade. Aqui tem uns aplicativos que você fala com a sua comunidade, né? E eu perguntei, ó, nós somos um casal, recém, né, moramos aqui há pouco tempo, e a gente gostaria de ter um conhecimento sobre adoção. E aí uma pessoa indicou pra gente o foster care. A gente não tinha noção do que era. E fomos, achando, como a maioria das pessoas que adotam, achando que era completamente diferente. E eu vou confessar, por mais que era um desejo meu adotar, eu não tinha nenhum conhecimento em relação ao que se passa a criança quando chega, como ela chega, traumas, eu não tinha nenhum conhecimento. Eu acho que como a maioria, porque até hoje.

SPEAKER_00

Eu ia até te perguntar isso. Eu ia te perguntar exatamente isso, assim, eu não sei se como o Angel já era pai, né? Os filhos adultos. Eu acredito que ele também não tinha conhecimento, mesmo sendo americano, né? Não é uma coisa que você sabe até você ir procurar. E aí você chegou no momento de falar, ah, a gente viu no Brasil, viu no exterior. Eu queria saber, assim, por curiosidade mesmo, por que vocês optaram por primeiro ver no exterior do que nos Estados Unidos? Foi mais por curiosidade de ah, vamos explorar as nossas opções, ou porque no sistema dos Estados Unidos é mais complicado. Que assim, quando muito leiga, assim, a minha opinião de leiga. Quando a gente ouve sobre adoção nos Estados Unidos, me parece um sistema muito complicado, né? Não que no Brasil não seja, mas parece assim, nossa, deve ter muitas pedras no caminho e tal. E às vezes, em outro país é mais fácil. Eu vejo muitos americanos, por exemplo, adotando chineses, né? Que vão até a China adotar uma criança chinesa. E eu fico pensando, será que é mais fácil todo esse processo burocrático? E aí, tudo bem, existe o custo de ir pra China, mas às vezes lá é ir num orfanato, escolher a criança e trazer de volta não tem muita burocracia. Como, assim, passou na cabeça de vocês procurar no exterior por ser mais fácil, teoricamente, ou vocês também nem foi só assim, ai, estamos pesquisando?

SPEAKER_01

Não, a gente estava pesquisando e sem muito entendimento sobre adoção. A gente não tinha, que hoje eu vejo que a maioria das pessoas que. É normal, as pessoas veem a nossa história e falam, ah, eu gostaria tanto de adotar uma criancinha pequenininha, nananã, com aquele muito encantamento, né? E é exatamente, totalmente diferente a situação. Eu acho, na minha experiência, e minha honesta opinião, as pessoas que têm conhecimento de foster care, que sabem a realidade dessas crianças, acho que eles buscam formas alternativas, porque foster care não se fala com dinheiro, não tem custo. A gente não teve que pagar nada. Mas eu acho que é o que você vai passar com uma criança vindo do foster care. Então eu acho que é isso. Que tem um grande movimento de americanos indo adotar fora do país, assim, buscando outras opções de adoção. Imagina. Não sei se essa é a única razão.

SPEAKER_00

É, não, mas eu acho que faz muito sentido o que você falou. E eu acho que a gente pode começar a falar muito desse do foster care. Eu acho que tem muita gente que deve estar ouvindo a gente agora, que deve estar se perguntando, mas o que é o foster care? Qual que é a diferença entre você acolher uma criança e você adotar diretamente? Existe essa possibilidade? Então eu queria que você trouxesse agora essa parte mais teórica, né? De como que funciona, por que vocês optaram pelo foster care, quais as diferenças entre o foster care e um processo comum, se existe, né? Que você falou que tinha vários processos. E por que vocês optaram por ele também, né? Eu acho que é válido saber.

SPEAKER_01

O Fostercare é um programa que tem o objetivo de retornar as crianças para as famílias. Não necessariamente para adoção, não é voltado para adoção. Porém, muitas dessas crianças não retornam pra família, infelizmente. Muitas nem são adotadas, crescem e vão pra abrigos. Eles chamam aqui casas pra adolescentes, e eles moram junto com outras adolescentes que por algumas questões não foram adotadas no processo, or porque já tinham a idade avançada quando aconteceu alguma coisa. Então, quando a gente opta por o programa foster care and adotar, o programa em si, as pessoas envolvidas no programma, não te olham com a bonhear. Because a instituição a criança vai no Brazil? Desculpa, me fugiu a palavra. Orfanato. Então o que se tem? Vamos relatar uma situação. Então a polícia recebeu um chamado e foi na casa de uma pessoa, o vizinho estava escutando gritos, não sei, ok, teve uma abordagem nessa família and foi descoberto que teve um abuso, sei lá, any tipo de abuso com as crianças dentro da casa, ou aconteceu alguma coisa que essas crianças não podem ficar com os pais, ou que os pais estão colocando a vida dessa criança in risco. Eles vão tirar essa criança e aí eles vão imediatamente entrar in contact with as families of foster care and perguntar several respite, se você pode receber essa criança. So I don't tive no meu periodo de foster care, I don't tive nenhuma coragem to say it, recebi algorithms, but when you take entendimento disso, é uma grande questão. Because imagine the jeito que eles pegam essa criança, ela chega às vezes, com geralmente é assim que eles chegam, eles estão trabalhando para mudar isso, but he chega com um saco de lixo, com algumas pecinhas de roupa, às vezes não deu nem tempo de pegar o sapato, que é muito comum as crianças saírem sem um chinelo, um sapato no pé, e chega assim na sua casa, sem os brinquedos que ela ama, sem os objetos que ela gosta, uma cobertinha, não tem nada. Então imagina a criança que vivenciou, experienciou alguma coisa e chegar nessa situação pra você, às vezes no meio da noite. Duas da manhã, a polícia chega, alguém do infância local, que aqui é DCF, DCYF, tem várias nominações, dependendo do estado, and bate na sua porta quando você aceita. Então a gente tem um treinamento, né? Tem todas as etapas para se tirar a sua certificação do foster, and uma delas a gente aprende, né? Como acolher essas crianças, o que ela precisa para acalmá-la, o que você pode fazer com ela. Muitas vezes você não vai ter roupa pra acolher essa criança. Então, aí que entra a questão, se eles perguntam muito, você é envolvido com alguma religião, você faz parte de alguma igreja, porque geralmente as pessoas na igreja ajudam nessa questão quando você está fazendo isso. And foi aí que pegava pra gente, porque a gente não tem família, a gente não tem nem amigos aqui, nada. Então, a gente sabia que ia ser muito difícil aceitar essa opção. Mas, no geral, são crianças que são separadas dos pais e, de repente, já foram pra essa casa que já estava acolhendo, mas essa casa não tem a intenção de ficar com essa criança. Ela fez isso para socorrer naquele momento. Então, eles têm que direcionar essa criança para uma família acolhedora. Ou é uma criança que nasceu, que foi o caso da minha, que a mãe perdeu os direitos já na maternidade. Eu fui e fiz a retirada dela do hospital. So já saiu, já veio com a gente. In the época da pandemia, teve um grande número de nascimento de crianças. In função de tudo que acontece, muita gente perdeu o trabalho, um número grande de pessoas com alcoolismo, drogas, isso tudo afeta diretamente na comunidade. Então, ao contrário de hoje, for example, hoje o cenário é completamente diferente. But naquela época eu fiquei surpresa, porque depois de entrar em contato com eles, você faz todo o seu. Vou passar um pouquinho das etapas. Então você procura a vara da infância no seu estado, que aqui geralmente é DCF, DCYF, você pode optar por fazer direto com eles ou através de agências de adoção. Aí eles fazem esse intermédio, você não precisa ter muito acesso. Eu não fiz dessa forma, então eu não tenho muito conhecimento, mas eu sei que eles te poupam, às vezes, de ter um acesso direto com os pais e com o serviço social, coisas desse tipo. Então, depois eles vão checar sobre os requisitos básicos, então, a idade mínima que você tem que ter, se você tem estabilidade financeira, checar os membros da família, eles passam por uma entrevista a todos os membros da família, você passa por uma psicóloga que investiga a sua vida inteirinha, eles checam o seu background para ver se você tem alguma ficha criminal, se você está em estado de saúde e mental para receber, para estar apto para fazer parte do programa. Eles vêm investigar a sua casa, porque existem algumas regras que você tem que seguir. Então, em questão de segurança, em questão de como você monta o quarto da criança, até a disposição da cama, tem várias coisas que a gente tem que seguir as regras. E depois você começa a fazer um curso. Um curso na minha época, como foi por causa do Covid, foi totalmente online. Foram muitas horas de curso semanalmente. Acho que a gente fez por um mês. Acredito uma vez por mês, mas era uma ou duas vezes por semana, mas por um mês quase, e foi bem longo esse curso. Só que nada compara com a prática, porque assim, tudo que eu ouvi não foi o suficiente. Muita coisa eu aprendi depois, que aí você começa a se integrar em grupos de ajuda e de suporte local, né? Reuniões semanais online, que você dividir. Às vezes a maior situação você não tem com quem dividir a sua situação, né? O que você está passando. Então, esses grupos acolhem as pessoas por região. Então você conta a sua história e eles te aconselham, te dão direção de tudo do que fazer, como fazer, então ajudam muito a gente. E enfim, é isso. É depois que você faz esse treinamento e você espera a sua certificação. Só que nós não recebemos uma certificação. Passou three semanas e eu comecei a receber ligação. E é muito dolorido porque a gente tem em mente alguma coisa. A gente começou com a ideia de adotar uma criança de 6 a 8 anos. Andar, de fazer o curso, a gente meio que se assustou um pouquinho. So a gente resolveu descer a idade para recém-nascido menor. Enfim, e aí eu comecei a receber ligações. E eram todos pequenininhos, de três meses, muitos recém-nascidos. Muito. E é uma incógnita, porque você preenche, é muito burocrático o programa pra você aplicar, né? É muita papelada. Eu falei: acho que é até mais papel do que eu preenchi pro Green Card pra pegar os meus documentos americanos. É muito papel. E aí, eles não leem, quando você recebe essas ligações, se você está disponível a pegar a criança, eles não leem aqueles requisitos que é muito semelhante à adoção no Brasil. Se você está. Você aceitaria crianças em certas condições, com alguma síndrome, que passou por quais os tipos, diferentes tipos de situações, se veio através, enfim, e se vai colocando, né? Só que quando eles ligam, eles ligam e falam exatamente, olha, eu tenho uma criança, de exemplo, três meses, ela precisa ser acolhida, e você nunca sabe o que está acontecendo com os pais, a história dessa criança, eles não vão entrar em raça, eles não vão entrar em detalhes do caso, o que está acontecendo. É meio que assim você responde no escuro e você abraça. Então, quando você fala assim, você só vai conhecer a criança ali no momento, né? Claro que o nosso objetivo inicial era a adoção. Então, é um baque, assim, porque eu cheguei no hospital, aí ela já começa, olha, não pode ter muita intimidade, você não pode beijar a criança, você não pode. Tem todas as regras que a gente aprendeu antes, mas ela era uma recém-nascida, prematura de sete meses, que tinha tido problemas de respiração, estava entubada. Quando eles me ligaram, eu falei, como que eu vou cuidar de uma criança entubada? Não sei, eu não tenho suporte, eu não sei se eu sei passar por isso. Aí como eu já tinha aceito uma outra criança e nunca me deram o que acontecer, nunca me ligaram de volta, então a gente não ficou colocando muita expectativa. E independente se eu quero adotar ou só ser uma família Foster, você tem que passar pelo programa Foster. Você não adota de imediato. Então você tem que acolher essa criança, passar pela. Às vezes não vai ser a criança que você acolheu, tem casos que pessoas que acolhem mais de uma criança, outras crianças, e volta, e retorna e não tem a sorte de ficar com alguma criança, né? Que bom que a criança pôde voltar para os pais, né? Porque esse é o objetivo do programa, é que esses pais se restabeleçam e consigam provar que eles têm condições de ficar com essa criança. Mas a gente ouve muita história triste também, né? De crianças que voltam e voltam para o programa. Tem famílias que falam, olha, eu fiquei com uma criança foster que ela veio pra mim três vezes, e cada vez que ela volta é pior. Porque o trauma aumenta e essa criança vai crescendo numa situação que ela não se vê o futuro dela ali, né? Fica todo bagunçado. E volta, né, ou muda de casa.

SPEAKER_00

É muita coisa, né, Cris?

SPEAKER_01

Muitas famílias não aceitam e fala que não quer aquela criança. Então, acontece de algumas crianças mudarem muito de casa. Então, imagina, né? É muito difícil pra eles. E eu acho que é essa parte que muitas pessoas desconhecem. Independente of foster care, a criança não é. Todo mundo fala, porque a mãe dela não quiser. No, a mãe dela sempre quiser. Ela tem contato com a mãe até hoje. A mãe biológica is presente in the situations completely different. A gente entende that exists in motives and reasons. As a person in the world, she departed in situations that were perdida, as for a question of saúde, as a person who feels escolas in the life and situations differently. So não cabe a nós julgar, sabe? Eu tento não me envolver, porque querendo ornhã você acaba ficando próximo e você acaba pertencendo a uma história de outra pessoa, querendo ou não, mesmo que indiretamente. Então a gente tenta não se envolver. Mas eu vejo ela com os olhos de é uma pessoa que chegou no... Algum motivo teve pra ela chegar no meu caminho, né? Então eu trato ela com muito respeito. É assim que eu a vejo.

SPEAKER_00

E Cris, você comentou que vocês sempre tiveram o objetivo de adotar no final. Então, querendo ou não, vocês queriam fazer o foster com o objetivo de ficar com aquela criança, indo pro risco de ficar ou não ficar. Mas, enfim, foi. A gente vai chegar no processo da sua filha. Mas vocês passaram na cabeça de vocês em algum momento falar, cara, se a gente não conseguir adotar em X tempo, eu acho que eu não vou mais passar por isso. Porque é o que você mencionou várias vezes na nossa conversa, pode ser muito exaustivo pras famílias que acolhem, ficar indo e voltando, ficar indo e voltando, você nunca sabe o que vem, como você mencionou várias vezes. E eu sei que tem famílias que optam só por fazer o fósforo, eles não querem adotar, eles querem só acolher. Tem muitas famílias que querem também só acolher. Mas muitas delas, eu acho que a maioria quer adotar. Mas passando na cabeça de vocês por algum segundo assim, e se a gente não conseguir adotar? E se nunca vier alguma criança que seja elegível pra gente, que a gente queira brigar pela criança de certa forma, tipo, não, a gente quer essa criança e tal. Vocês continuariam com o Fostering só assim, só pra acolher? Ou eventualmente vocês iam falar, ai, gente, se não é pra continuar avançar o sinal e adotar, eu acho que pra gente deu porque não tá confortável?

SPEAKER_01

Olha, eu acho que cada um sabe o que consegue passar, né? Eu, sinceramente, não conseguiria. Não conseguiria. A gente foi pediram pra gente se a gente gostaria de continuar. Até por questão física, estrutura física na nossa casa, a gente não tem espaço, porque você tem que ter um quarto extra, não pode misturar as crianças, né? Mas eu não sei se eu conseguiria só fazer o foster. Because a minha tem uma demanda muito grande. E a gente ainda está naquela phase of entender o que ela tem. Todo dia é um desafio different, porque ela sim, mesmo que ela veio bebê recém-nascida, ela carrega muito trauma da gestação dela, que afetou ela, querendo oro, physically, então, pra mim, assim, eu não sei se eu conseguiria. Eu admiro muito quando eu ouço uma mãe que teve filhos, né? Até biológicos, e fala, ah, eu tenho duas, três crianças, sei lá, num espectro autismo ou uma outra situação, porque, gente, é muito puxado. E sim, sem suporte, morando fora, longe da família, longe de todo mundo, é muito. Eu sou mãe oficialmente há dois anos e pouquinho, né? Porque a gente adotou ela com dois anos e meio. Mas eu tenho ela desde que ela nasceu. Eu não tenho um dia sequer de descanso. Não tive, assim, a única, a única. Um período para um jantar, que foi a professora dela, porque ela tem muita ansiedade de separação, ela não se conecta com as pessoas com facilidade. Eu não sei se isso são questões do Foster, porque desde que ela nasceu, ela passa por visitas semanais com a mãe, né? E as visitas eram meio caóticas pra ela, mas o que eu sempre ouvia, ah, ela não vai lembrar disso. Ai, pode deixar, porque ela saía um ano e meio, eu levava ela pessoalmente nas visitas, né? Eu não podia ter contato com a mãe biológica, eu meio que estava no anonimato. So até a questão psicológica minha afetou muito, porque começou a me afetar muito, muito, todas as questions. And it come to one, me tiraram de levar ela pessoalmente. And the negócio pegou, porque ela começou a virar bem traumatizante, because those i was fair, retirava ela aos prantos, ela entrava em carros diferentes, com pessoas diferentes, não sabia pra onde ia, quanto tempo ia ficar, eu não fazia ideia de como estavam lidando com ela. E por mais que você está cuidando dessa criança, né? Tomando conta dela, você não tem autonomia dela, porque a autonomia ainda é os pais, por mais que eles estão em alguma situação que eles não podem responder para essa criança. É até contraditório, né? Porque não pode ter a criança, mas eles que respondem pela criança. Então, coisa simples que eu queria colocar ela em aula, porque eu via que ela era uma criança extremamente hiperativa, com um ano e seis meses, ela começou a sinais de hiperatividade muito grande. E eu queria colocar ela em aula de natação, alguma coisa pra ela, sabe, tudo era um empecilho, não podia, porque a mãe não queria. E aí, se eu falasse, a mãe, eu tinha que abrir o lugar que eu tava indo. E aí eu não queria que a mãe tivesse esse contato no nosso ambiente onde a gente tava levando ela. Então, era tudo muito complicado. Cortar o cabelo dela não podia. Tudo eu tinha que pedir uma permissão. Fiquei muito surpresa o dia que ela estiver em casa com a orelha furada e ninguém tinha me contado nada. E até hoje, até hoje, eu vou trocar o brinco dela. É um. Eu não sei como isso aconteceu. Eu não sei se ela foi preparada, porque ela é uma criança que a gente tem que preparar ela pra tudo que vai acontecer depois, né? Ela é neurodivergente, então é completamente diferente de uma criança, né? Ela tudo tem que. Tudo ela parece que assim, ela... Hoje ela vive, parece que é no modo assim de se proteger, sabe? No modo alerta a todo momento. E eu não acredito, com a minha experiência, eu não acredito que a criança não lembre das coisas. Eu acho que pra ela marcou muito. Foi bem traumatizante essa parte das visitas semanais e a gente não sabia o que acontecia com ela, pra onde ela ia. Foi bem difícil pra ela isso.

SPEAKER_00

Eu acho que talvez ela não lembre efetivamente a memória, mas eu sempre acredito que tudo que a criança vive, o bom e o ruim, vai moldando a criança, né? Então, assim, se ela vai pra um lugar super feliz, sei lá, vai pra uma viagem pra praia, a criança talvez não lembre que ela foi pra praia, né? Daqui, sei lá, cinco anos, talvez a criança não lembre que ela foi pra praia com a humana de idade. Mas aquele acesso à areia, acesso à praia, acesso ao mar, a criança vai respirar aquilo, ela vai viver aquilo e isso vai moldando a criança. Então, o ruim também, né? Então, assim, talvez ela não lembre, ah, é porque eu fui, me tiravam, talvez ela não consiga verbalizar isso no futuro, só que são traumas, né? São situações, é um choro que sofrido de sair daquela casa, e é o que você falou, você não sabe como que furar a orelha dela. Então, assim, são coisas que vão marcando, deixando marcas na criança, né? E eu imagino que em vocês também, porque aqui pensando assim, é muito contraditório mesmo, porque como que você tá levando na escola, pagando roupa, pagando alimentação, criando uma criança, mas você não pode cortar o cabelo dela porque a mãe não quer que corte o cabelo. É assim, eu não imagino você criar, tentar criar conexão com uma criança, também tendo medo de eventualmente tirarem ela do nada e você tá super pegada àquela criança, já na esperança, né, de ter ela, como você falou, adotar ela oficialmente depois de um tempo. Mas eu queria saber dessa parte, emocionalmente falando, assim, você dormia com esse medo, assim, e se amanhã alguém bater na minha porta e falar, a mãe vai pegar de volta? Era uma coisa que você evitava, às vezes, se conectar muito bem com ela por esse medo de, meu, eu não vou me apegar tanto, porque vai que me tiram e eu vou sofrer muito depois, ou você se jogou e falou, ai, eu vou me jogar, vou me conectar, e se me tirarem, eu vou lidar com esse sentimento depois, e é isso, assim, eu não vou criar uma barreira que talvez não exista. Como que você lidou com isso?

SPEAKER_01

O nosso cenário foi um pouco diferenciado, porque logo que ela chegou, que a gente acolheu, eu tive. Ela tem outros irmãos, né? Muitos irmãos, todos pequenininhos. E aí, uma das mães que adotou duas irmãs, as mais velhas, entrou e conseguiu me achar logo de imediato. E ela fez a ponte pra gente conhecer a família biológica que não tem nenhum contato com a mãe biológica. A mãe biológica não tem contato com a família dela. Andéman essa aproximação. And isso foi uma das questões que a mãe biológica ficou muito contra a gente. Ela não queria que a gente estivesse por ela ter esse atrito com a família. But você vê que é uma família simples, é uma família americana, é uma outra realidade que a gente imagina in Stads Units, people with dinner, coisas confortáveis, é uma outra realidade, mas é uma família excelente. When you follow, sendo mãe, né? A gente nunca sabe, a gente cuida, a gente planta a nossa sementinha, dá os nossos exemplos, mas você não sabe, não sei, foi culpa de alguém, foi erro de alguém, ore que tomou essas decisões, a gente não sabe. Então a família já tinha me alertado, falou assim, olha, ela teve três outras crianças antes da sua, os três estão adotados, então a sua chance de adotar é muito grande. I don't think it was positive in all the process. So this will demorate. Much desgastante for a criança. So we had a prevision of time, the families and a mãe who adotoured as out of men and oriental and the chance that you adotarely. And during this process, two times a gente was amea that was retired from this aconteces and opportunity to despise. The same way that many people are. And they don't think. I received it, prematurable, exigiring various cups. And I described that gestação that was of fet calories, which is common when this acontece. Meu marido ficava assustado. Ele não queria muito relar nela nesses momentos de crise, porque eu falava, gente, é muito pequenininha, mas é muito difícil, eu não sei conter. Aí as pessoas, não, você que não sabe conter. Tem pessoas conhecidas minhas que trabalham professoras. Ai, a gente trabalha em escola, a gente consegue conter uma criança de sete anos. Como que você não consegue conter uma criança de 3 anos? E eu acho que eu tinha um medo também, sabe? Na hora de conter, sei lá, ela é muito branquinha, segurar ela e ficar alguma marca, não sei, né? Só na questão de segurar. E é muita contradição de especialistas, e isso me fez ficar muito perdida. Porque você tem que segurar, abraçar forte, ando que eu ouço, não, você tem que expor ela num ambiente aberto, deixar ela ficar livre. Até hoje a gente está tentando entender como lidar com ela, but a gente já entende que ela tem uma ansiedade de sepressão extremamente grande, ambientes differentos, pessoas different, coins that chamar muito atenção dela, desequilibrar. And when she menor, emocional, nada, ela não sabe se regular. Andas crianças perdem this descontrole emocional, mas muitos é por falta de. Falta de conhecimento, né? Porque a criança é muito pequenininha, ela não sabe falar ainda o que ela tá sentindo. Ou que ela teve. Ela foi afetada de alguma forma, né? Na gestação dela, alguma coisa. Principalmente quando pais são adictos, né? Passa isso pra criança e afeta o cérebro dela, né? E é um desafio. É um desafio, não é fácil.

SPEAKER_00

E, Cris, falando da questão também emocional, eu acho que muitas mães, assim, eu digo, eu tive meu filho, engravidei no meu filho e tudo mais. A gente passa por momentos de incerteza também, assim, não é porque você engravidou e pariu e tal, que você sabe tudo. Muito pelo contrário. Exatamente isso. A gente lê as coisas e depois a gente fala, nossa, não foi nada assim que eu li, não funcionou pra mim. Assim, você também vai descobrindo o seu filho, mesmo não nascendo de você, esse sentimento de descoberta de um outro ser humano é igual pra todo mundo. Porque eu não. Eu pari o meu filho, mas eu não sabia quem era ele. Eu estava descobrindo um ser humano que ele gosta, que ele não gosta, padrão de sono, padrão de alimentação. A gente passa por tudo isso e é uma ansiedade para muitas mães. Não ter resposta, principalmente mãe de primeira viagem. Acho que segunda a gente já meio que, né, já sabe, já percorreu ali o caminho. Mas mãe de primeira viagem, a gente sempre tá muito ansiosa, né? Mas eu imagino que nessa questão, assim, de total falta de controle do lado de vocês, eu me pergunto, assim, além de estar conhecendo a sua filha nesse processo todo, ainda tinha questão de vocês não conseguirem controlar direito até os dois anos e meio, né? Como você mencionou, tudo que tava acontecendo. Então, me diz assim, questão de saúde mental, como que, como que você contorno? É terapia, foi medicação? Tipo, porque assim, já é muito difícil ser mãe. Mas assim, eu sabia que ninguém ia bater na minha porta e, igual você falou, ia me retirar o meu filho em qualquer momento. Eu sabia que isso ia acontecer. Mas você tava ali se dedicando, dando tudo e que possivelmente, talvez, eventualmente ia acontecer. E lógico que você já tinha algumas garantias faladas, né, ali no processo, mas nunca era uma chance zero de acontecer. Então, assim, me passa o contato dessa terapeuta, porque, assim, muito alto controle, né? Muito alto controle, muita fé, muita. Então, assim, brincadeiras à parte, eu queria muito que você contasse como que você deu conta mentalmente desse desafio, que não é fácil pela maternidade, mas também pelo risco, sabe? De como que. Como que eu consigo seguir em frente sem tantas certezas, né? Como que você conseguiu se manter inteira, né? Nesse processo que era tão difícil de controlar.

SPEAKER_01

Olha, quando a gente. Acho que no maternar, né, já tem aquela questão de crítica por eu ter adotado, por eu ter. Ai, você é louca fazendo isso. Ai, você sabe o que vai acontecer? Você pega uma criança, é porque vai trazer o que o pai e a mãe é. Você vai sofrer. Então, essas críticas, no momento que você tá passando por tudo isso, é muito difícil, né? Mandaram vídeos, na época, eu lembro que um menino adotivo de uma mãe brasileira em Portugal, um menino matou a mãe. Me mandaram vídeo falando, eu não quero que você faça isso, porque isso vai acontecer com você. Olha isso, o estado que chegou, a situação. E sem falar que foi o ápice da educação positiva, né? Que todo mundo vendia curso online, não sei se vocês recordam, foi bem nessa época. E o que todo mundo falava quando eu chamava a pessoa pra conversar no particular, ah, isso não culpa ela. Eu tenho até uma profissional em questão que ela era adotada. E ela falou muito ríspida comigo, muito mal. Ela me tratou muito mal. Ela falou assim: não faça isso com a adoção, não culpe a adoção. Você que é culpada, ela é assim por sua causa. E é isso que a maioria fala: que é o descontrole dos pais, a forma que os pais tratam a criança, que reflete como a criança se comporta. Só que aí eu tenho uma outra questão. Eu tenho os três outros irmãos que têm duas mães diferentes e passaram por situações diferentes. Uma delas não teve nem contato com a mãe biológica. Ela foi retirada na hora do parto e nunca mais viu a mãe biológica, porque ela nasceu em outro estado e o Estado tira o direito da mãe de imediato. Então, ela já foi para a mãe adotiva. E aí eu fico pensando, as três crianças estão passando pelo mesmo problema. Então, assim, nós três somos três mães incompetentes que adotamos e não sabemos cuidar. Uma dela, inclusive, acho que ela adotou cinco crianças, que eu não tenho contato com ela, que é uma antes da minha filha. E aí eu fico pensando, é muita desinformação, é muito julgamento, é muita falta de apoio. Então, eu acho que a gente começou a se fechar, sabe? A gente se colocou numa redoma tentando nos proteger nessa época. Foi muito difícil. Sem falar que quando eu saí com ela do hospital, a mãe sente uma revolta, né? Quando ela recebe a informação de que ela vai perder a criança. Então eu tive que sair, eu parecia a cena de filme. Quando a gente saiu, eu recebi a ligação, eu tinha uma hora e meia pra buscar ela no hospital. Ando, o quarto, mas eu não tinha. Eu não sabia que sexo que viria, qual a idade da criança, nada. Então, eu tive assim, acho que foi 40 minutos pra eu providenciar as coisas essenciais pra receber aquela criança sem saber se ela ia ficar comigo. E você, de imediato, você não tem uma ajuda deles, né? Você ia por sua conta no começo. E eu lembro que eu liguei pra uma amiga do Brasil, que tinha acabar de ter neném. Ela falou: peraí, eu tô aqui amamentando, eu vou olhar no quarto, pega uma listinha, pega uma caneta e um papel. E você vai anotar tudo que é de essencial que precisa pra receber um bebê da sua casa. E eu fiz uma lista. Literalmente, eu fui na Target e comecei a comprar. Coloquei tudo no carrinho. E meu marido não estava em casa, ele tinha ido trabalhar. E, por sorte, Deus sempre faz as coisas certinhas. Colocou um anjo, uma brasileira, no grupo enquanto eu estava fazendo o curso do Foster, ela também estava fazendo. E ela foi comigo no hospital fazer a saída do bebê no hospital. E eu tava muito perdida, muito nervosa, porque ainda mais falar com o médico, né? Que você não domina totalmente o inglês. E fala que era muita informação, e minha emoção estava super alta. E era muita informação. Era muito médico e vem enfermeira e vem falar, falava, olha, se você me perguntar o que falaram pra mim, não lembro de nada. Eu tava anestesiada. E aí me viram e falam, eu acho que a mãe vai tentar te encurralar na hora da saída. E você tem que sair de sigilo. Ela falou, eu vou chamar um segurança. Então eu saí escoltada e ela falou: a gente vai fazer essa colocar a criança rápido, o carrinho dela no carro, no seu carro, e você sai a tiro e eu vou sair atrás de você e vai vir um estudo com segurança. E foi assim que a gente saiu. No fim nem teve segurança, foi só a serviço social dirigindo atrás da gente. E eu, desesperada, porque eu não sabia com o que eu tava lidando, quem que era essa pessoa. Eu tinha que manter até hoje a minha casa em sigilo, ela não tem ideia de onde mora. Eu não sei se ela já conseguiu descobrir alguma coisa, mas a princípio, por nossa parte, ela não sabe onde a gente mora, não sabe o nosso sobrenome, nada disso, o que a gente faz, então a nossa conversa é sempre muito superficial. Ela não oferece risco, mas as pessoas que estão em volta dela oferecem risco. Deu tudo certo. But no decorrer do processo, enquanto ela faz in the car with supervision and sigiloso, I felt encurralada because I described that I was a criminoso. Enquanto I was in the establishment, and she saw me deixando a criança. He chegou mais cedo pra acompanhar a chegada da criança. Andy, but I don't sabia quem que era. Eu vi que o cara me encarando o tempo inteiro que eu estava lá. E depois eu vi, vim a descobrir, que depois que eu falei com o serviço social, puxaram as câmeras, e aí descobriram que era um cara que tinha acabado de sair da cadeia e que era de um risco muito alto. E eu ali sozinha. E aí eu falei, meu Deus, ele viu o meu carro. Aí meu marido, não, calma, porque o filho dele é policial. Ele falou, fica calma, porque a gente já passa, né? E eu tirei foto do carro que ele tava. E aí eu, a partir disso, eu saía, sabe, aquele modo assim, ai meu Deus, vai acontecer alguma coisa. Isso começou a me afetar. Eu já tinha vindo daquela ansiedade que eu tava tendo da época que eu tava trabalhando, morando isolada, que me afetou de uma maneira completamente diferente, eu nunca tinha vivenciado aquilo, e aí passei por isso. Então eu pedi ajuda no meu grupo fechado de pessoas, e eu falei, gente, eu preciso, eu nunca fiz terapia, eu acho que eu preciso, porque eu não tenho como conversar, eu tô ficando assim sufocada, e eu preciso conversar, o meu marido já não aguenta mais eu falar com ele, porque também é homem, né? Não tem. E eu preciso de uma ajuda profissional. E aí uma prima me indicou essa pessoa maravilhosa, que a princípio foi uma terapia pra mim, mas eu acho que foi voltada mais pro Foster. Ela me ajudou muito, assim, conforme a Mave foi crescendo, ela me ajudava, ela me dava dicas de como conter, acalmar, colocar o gelinho na mão dela. Nossa, várias dicas. Ela me ajudava, ela pesquisava, falava várias coisas, and essa pessoa foi uma benção na minha vida, por quase que todo o processo. Ela ficou comigo até quase, eu não lembro se ela ficou até adoção. Eu acho que ela foi até depois da adoção. E ela me ajudou muito, assim. Eu digo que não foi uma terapia pra mim específica, foi pro que eu estava passando, e foi excelente. Recomendo todo mundo esse tipo de ajuda, porque de repente você começa que foi o meu erro, eu comecei a confiar in two or three people in, and de repente aquela pessoa tá mais ali por curiosidade, orgulho, não é uma pessoa que sabe conversar, falar alguma coisa propriedade by te colocar, deixar ainda pior, né? Eu acho que o ideal é um ajuda profissional.

SPEAKER_00

Família não tinha, amigos não tinha, tinha o pessoal da comunidade, né, Fauster, que vocês trocavam ideias e tudo mais. Mas é o que você chegou a mencionar, é uma brasileira que foi comigo e tudo mais. Você acha que se você tivesse tido uma rede de apoio, por exemplo, se você tivesse morado no Brasil, adotado no Brasil, você sente que seria diferente, lógico que, né, de novo, é sempre uma utopia, como seria no Brasil, né? É muito difícil saber na prática como seria. Mas você acha que esse processo foi um pouco mais pesado porque você sentiu que, meu, eu tenho eu e meu marido e não tenho nem com quem. Claro, né? Depois a terapeuta acho que super te ajudou, como você acabou de falar. Então não é uma rede de apoio física, mas é uma rede de apoio mental, mas físico, né? De ajudar ali e tal. Não teve. Não sei se você pensa por um lado assim, ai, não teve, mas foi bom, porque a gente também conseguiu manter tudo muito confidencial, não envolveram outras pessoas, porque daí teria, sei lá, o carro da avó, o carro do avô, que poderia entrar numa jogada, como você acabou de mencionar. Então foi mais fácil nesse sentido, porque era você e seu marido só, mas também mais pesado, porque não tinha ninguém pra dividir, não tinha ninguém pra ajudar nos cuidados. Então, como que você se sente, assim, passado por todo esse processo sem rede de apoio?

SPEAKER_01

Olha, cada família é uma família. A maioria da família tem o apoio da família. Mas eu não acho que seria muito diferente no Brasil. Seria sim por questões de amigos, né? Tem minhas primas e tudo mais. Mas quem tem um pouquinho de conhecimento de Campinas, sabe, tem uma pessoa de fora vai morar em Campinas. É uma cidade por si só famosa por ser bairrista, fechada em grupos. Então eu cresci assim, não tendo muito essa coisa de interior, de acolhimento. Já é algo que eu já tinha experimentado. Andha família é um pouco diferente. Então eu não acho que seria tão diferente, mas é muito difícil. Por isso que eles batem muito na tecla. Você vai em alguma igreja, alguma coisa, né? Porque, querendo ou não, o mínimo de apoio que você recebe, né? Igual eu falo, eu não tive um parto, eu não amamentei, mas eu tive a privação de sono e o estresse muito enorme em relação ao processo do foster, né? De ter contato, de lidar, de ficar perdida. Eu fiquei muito perdida por ter sido, não sei, de repente, se eu tivesse tido um outro foster, não ia ficar tão perdida quanto eu fiquei. Mas assim, era tanta gente ligando na minha casa, tinha gente que ligava às 9 horas da noite, e eu com ela, assim, tentando colocar pra dormir. E aí a pessoa falava, falou assim, ai, eu já nem sei de onde que a pessoa fez, ela perguntou isso, isso, isso, mas eu não entendi de onde que ela era, porque toda hora era alguém diferente, porque durante o processo tem várias pessoas falando com a gente, né? Mas se sente muito perdida. Era muito confuso. Hoje eu falo, eu queria ter um caderninho, teria feito meu diário anotado, porque eles perguntam várias coisas, assim, a mente da gente, a gente, quando não tá dormindo, a gente não consegue. Então eu me sentia meio assim, burra, porque eu falo, gente, ele pergunta pra mim isso como se fosse a coisa mais óbvia. E eu não tenho a resposta, porque eu tenho que olhar na agenda, ou eu tenho que perguntar pro meu marido, eu não lembro. E tem a questão da idade também, que a gente a mente da gente passou dos 40, já fica uma fumacinha, né? A gente não consegue lembrar de tudo. E eu acho que foi isso que pegou, essa falta de preparo, né? Se eu tivesse que ter sido um pouco mais organizada, que eu não sabia da necessidade. Eu ia em tanto médico, tanta terapia, porque ela foi uma criança que precisou de terapia logo que ela nasceu. E eu ficava perdida. Às vezes eu tinha que relatar toda a história. Cada médico novo que você faz, você tem que contar toda a história. E já é tanta coisa que acontece do Foster. Ai, como que você lembra? Resgata tudo, eu queria ter sempre um caderninho, olha, foi isso, isso, isso, isso. Eu ia ser muito mais organizada se fosse uma outra experiência. E foi difícil. Foi difícil passar por tudo isso sozinha, viu? Mas eu não acho que seria muito diferente. Não acho que seria muito diferente do que a gente passou aqui.

SPEAKER_00

E, Cris, você falou que você ficou dois anos e meio, né, no sistema, depois oficialmente adotou ela, então ela tem cinco anos, mais ou menos, né? Então, dois anos e meio oficialmente é parte da família, digamos assim. Mas em que momento você sentiu? Eu sou a mãe dela? Foi ali na maternidade, quando você saiu ali na cena de filme e você já se sentiu mãe? Ou demorou um pouquinho? Porque, assim, na experiência de ser mãe Paris e tal, eu sabia que eu era mãe do meu filho, mas eu demorei pra me conectar um pouco, assim, eu amei ele logo ali, mas é querendo ou não, uma criança que é uma pessoa nova, né, na sua vida. E eu demorei muito pra me conectar nesse sentido, assim, de quem é você? O que que você. Existe um amor ali da gravidez que você constrói. E aí, quando nasce, o amor aumenta. Mas no caso da adoção, eu não sei como que é esse processo, eu queria muito entender, assim, quando que você se sentiu mãe dela? Foi quando você pegou o papel oficial e falou parte da família? Ou foi ali no hospital vendo o rostinho dela de sete meses? Virou uma chavinha ou foi uma construção também nesse sentido?

SPEAKER_01

Olha, pode ser errado o que eu vou falar, mas a minha conexão eu senti na hora que eu a conheci. Foi muito grande, foi muito grande, assim. Sabe quando você sente, você já quer acolher? Eu falei assim: não acredito que ela tá aqui e ela não tem quem dar esse abraço nela, no entanto que a médica falou, ai, não pode abraçar, não pode beijar, porque ela sabe saber que eu era brasileira, né? Acho que dá fama nossa de calorosas, né? E aí eu lembro que a minha amiga falou assim pra serviço social, eu posso filmar? Aí ela falou assim, é, mas ela não é dela ainda. Aí ela falou assim, não, só pra ela ter porque ela queria filmar, porque ela falou assim, se ela adotar, ela vai ter esse registro, né? Enfim, mas tinha muitas pessoas na sala que a gente foi uma coisa que tem que ser um vídeo particular nosso. E aí ela meio que filmou, mas assim, foi naquele momento. Naquele momento. Então, pra mim, foi sempre muito doloroso. Foi muito doloroso quando ela batia na porta e saía aos prantos, chorava pra ir pra visita. E eu sabia, às vezes, o que ela vivenciava, o que ela passava. E eu, nossa, foi muito choro, foi muito choro. Porque, para mim, pra minha personalidade, foi difícil separar isso. Foi muito difícil. E é até hoje, né? Porque ela ainda, por lei aqui, eles fazem de tudo, mesmo após a adoção no meu estado, eles fazem de tudo para manter o contato com os pais biológicos, né? E ela tem visita com a mãe biológica até hoje. Então ela pode pedir quatro visitas, isso é acordado diante do juiz entre o seu advogado e o advogado da mãe. No nosso contrato ficou quatro visitas. And pede, mas isso não está acontecendo. Ela não tem tanto filho que ela não dá conta de ver todos os filhos. And várias regras para visitar na nossa frente, nos lugares públicos, a mãe tem que estar presente sozinha, não pode nunca levar ninguém. É uma horinha de visita. E é muito difícil ver ela na situação da mãe, ver ela ali com a mãe, e ela já tá chegando agora num ponto. Até esses dias a gente tava conversando, né? Se preparando pra fazer o podcast. E aí eu falei, eu não acredito. Hoje, pela primeira vez, caiu a ficha dela e ela me perguntou, eu queria ser filha, eu não queria ter vindo dela. Agora ela tá associando filho vindo da barriga e vindo do coração. Porque eu sempre falei isso pra ela. Ela sempre tem ciência de que ela é adotada e eu quero que ela seja orgulhosa da história dela. E aí, no dia que a gente se falou, foi o dia que eu tava escovando o dente dela, e ela virou do nada e ela me perguntou, mas por que eu não vim da sua barriga? E aí eu tava explicando pra ela, aí ela olhou pra mim e falou, começou, o olhinho dela encheu de lágrimas, ela falou assim, mas eu queria ter vindo da sua barriga, eu quero ser sua, não dela. E aí eu comecei a chorar junto com ela, e ela, mamãe, mãe, você tá chorando. Eu falei assim, porque eu tô orgulhosa, porque você quer ser minha filha, e você é a minha filha pra sempre. Ninguém vai mudar isso agora. E a gente ficou as duas chorando juntos. Então ela tá começando a entender, as irmãs delas mais velhas, a mãe optou por falar agora tardiamente, né, sobre adoção. E eu percebo como elas já receberam essa informação de uma maneira different, vem com um pouco de revolta, né, quando não é trabalhado. E, no entanto, que agora elas estão se recusando já, estão novas ainda, com oito anos, sete anos, e elas já não querem viver a mãe biológica porque tá numa revolta, anda confuso, porque ela tem uma filha biológica e ela tem a minha e os outros irmãos. Então eu acho que é. Pra gente é confuso tudo isso, toda a história, né? Imagina por uma criança tão pequena.

SPEAKER_00

E o que te surpreendeu mais na maternidade através da adoção, né? Você comentou lá no comecinho, foram muitas coisas que a gente já comentou. Então, vou relembrar o pessoal que tá ouvindo que você sempre. Você nunca imaginou ser mãe, não era uma coisa que passava na sua cabeça, né? Ali naquele tempo. Mas que se você fosse, sempre ia ser via adoção. Mas quando, né, aquela gente também tem um sonho, uma imaginação do que é uma adoção, de como vai ser o processo. E quando a gente vive, como a maioria das coisas, né, a gente tem uma expectativa e a realidade é diferente. Mas eu queria que você me dissesse o ponto positivo, né? Porque assim, a gente falou de várias pedras no caminho durante aqui o podcast, porque não tem como negar que existem. Mas o que te surpreendeu positivamente nesse processo da maternidade? Ah, eu tinha uma expectativa, sempre soube que queria isso, e apesar de ser difícil, isso aqui foi uma surpresa muito grande. Olha.

SPEAKER_01

Então, só fechando no que você falou, eu acho que eu tive a certeza que ela era minha quando eu bati o olho nela. Mas eu acho que quando eu peguei, a gente adotou, foi pra corte, assinou o contrato e ela é sua. Eu acho que isso deu um alívio, sabe? Assim, não tô mais presa nessa situação. Tô, pela questão da visita, mas agora é confortável, é nossa, sabe?

SPEAKER_00

Eu queria saber o que te surpreendeu positivamente na maternidade através da adoção.

SPEAKER_01

É. Eu vou falar uma coisa que eu acho que é até, assim, o fato de eu não querer ter filhos, eu acho que eu vim do parto. A minha mãe teve muita complicação, foi um parto muito de sofrido e difícil pra minha mãe. E acho que traumatizou ela, de certa forma. A gente nunca conversou muito bem sobre isso, mas é algo que eu ouvi durante toda a minha vida, todo o meu crescimento, o quanto foi difícil o meu parto, o quanto ela sofreu. E eu não sei se isso fez alguma coisa em mim eu não querer ter filho. Eu não sei se foi daí. Nunca, pra mim, associo a sofrimento. Ao contrário de muita gente, alegria, vida, eu não sei, não sei de onde veio isso. Mas eu me surpreendi, agora eu vou falar outra coisa. Quando você passa por uma criação que foi muito difícil, que hoje, graças a Deus, tem tanta mudança, tanta conscientização, não usar a mão nas crianças, uma educação positiva, vários tipos de educação, ensinamento fácil através da internet, a gente também entende o quanto é difícil quando você passou por um, quando você foi um filho de uma questão Você foi fugiu as palavras agora. Quando você veio de uma criação diferenciada, o quão difícil é separar isso em certas situações quando você se torna mãe. E eu me sentia muito culpada por isso, sabe? Por ter aquela. Você estava sempre plugada ali, não, eu tenho que fazer isso. Sabe assim, eu acho que a terapia me fez ter consciência do que eu tinha que ter alerta em relação a ela, as dificuldades que eu passava com ela. Então é muito difícil, se torna mais desgastante, porque você tá sempre naquele alerta, sabe? Eu não posso fazer isso, eu não posso repetir isso, eu tenho que manter minha calma, eu não consigo manter a calma, o que eu faço agora? Quando você tem uma criança desafiadora, I gostaria de dividir com as mães que passam com isso. Não se sinta culpada, não ouça que é top your culpa, gente, a gente isolada, a gente explodir, a gente sores, a gente has sentimentos. But if you want to the crime at the moment, I because the crime will be. No, it's a situation more delicate, it's a situation very difficult, independent if she was my family, the desafiary. But I'm gonna call the things that it's possible, but they have to take a look. Hoje acho que tá muito mais fácil esse tipo de ajuda. Porque é muito desafiador, é muito desafiador. E eu acho que o que me mudou foi que eu consigo. Existe, você consegue superar, você consegue passar, é desafiador, mas que toda mãe vai errar. E é, e infelizmente é, né? A gente não se graduou numa faculdade para ser pai e mãe, principalmente de uma criança atípica, de uma situação atípica. Então, é isso, é errando e não existe a mãe perfeita. Por mais que você ouviu aquela mãe que tá ali do lado dando sugestão, Pitaco, que falou que ia dar tudo saudável e de repente a criança já não tá comendo mais saudável depois de alguns anos. Não existe a mãe perfeita, é só a mãe que tá amando, tá lutando e tá aprendendo todo dia. Eu acho que é isso.

SPEAKER_00

Com certeza, a mãe perfeita não existe. A mãe perfeita não é mãe, é o que a gente fala, a mãe perfeita só existe na teoria. Ah, meu filho não vai, meu filho não faz, meu filho não sei o quê. A mãe perfeita ainda não é mãe, né? E independente dos desafios que a criança tem, tem crianças mais fáceis do que outras, mas sempre vai ter um desafio, né? Criar um ser humano é muito desafiador, não importa se a criança é super boazinha ou tem alguma neurodivergência, não importa, existem níveis de desafio, mas não importa, é sempre muito desafiador, né? E é importante, às vezes, a gente. Não esquecer disso, que a mãe adotiva, ela também passa por esse. Ela também tá criando um ser humano. Não, ela não pariu a criança, mas ela pegou a criança pra criar, e os desafios de uma criança de dois anos que eu pari, e uma criança adotada de dois anos, são os mesmos. A criança vai estar passando pela fase exatamente do mesmo jeito, né? Então, assim, fico muito triste de saber que quando você comentou com algumas pessoas sobre a questão da adoção, te mandaram notícias horrorosas, assim, como se fosse menos mãe, né? Como se fosse assim, como se filhos que nascem, né, da mãe não fizessem isso. Eu falei, gente, faz todo dia, adotivo ou não adotivo, se for pra acontecer, vai acontecer. E eu sinto muito que colocaram essa carga a mais em tudo que você já tá passando, que hoje você tá contando aqui pra gente, mas assim, toda essa vulnerabilidade, instabilidade, medo, ansiedade, e ainda o pessoal te mandando notícias ruins, falando, não, você não deveria fazer isso. Assim, você teve que se manter junto ao seu marismo como se fosse uma fortaleza mesmo, muito forte, pra vocês não desistirem, né? Pra não falarem, nossa, então quer saber? Realmente, melhor não, porque essa tendência do ser humano, né? Ver um desafio e não querer mais. Só que com o filho, né, quando a gente quer muito uma coisa, com o filho não tem como a gente desistir. Então, fico feliz, porque com certeza sua filha tem pais maravilhosos que tentam fazer o máximo. E, enfim, essa história é extremamente inspiradora. E pra gente fechar, Cris, eu queria muito que você desse uma palavra, assim, pra uma mãe que tá pensando em adotar, mas assim, de novo, dentro da perspectiva dos Estados Unidos, não sei como é na Europa, não sei como é no Brasil, in outros países, então é importante também frisar essa questão, né? Que talvez seja mais fácil in outros países que não tenha faster care e tal. But pensando numa forma mais branda, assim Uma mãe que tá pensando em adotar, mas sem medo. Medo de talvez não conseguir amar, talvez não ficar com a criança. Independente do medo que ela sinta, eu acho que você consegue muito ajudar essa mãe agora.

SPEAKER_01

Eu acho que você tem que ter ciência, assim. Estude. Estude, tente entender o que é adoção, porque eu vejo que quando as pessoas vêm falar comigo sobre o tema, é mais do lado encantamento. Adotar é escolher amar. Adoção não é uma caridade, adoção é um ato de amor, né? E com isso não são flores. Porque tem a ciência, se uma criança deixou os pais, tem uma história, and não é uma história legal do outro lado. E a gente não vai mudar isso. E a criança, por mais que ela não lembre se é uma criança pequena ou não, isso vai estar nela, vai estar presente nela de alguma forma. Então eu acho que é isso. Tente entender o que é adoção antes de dar o passo. Porque hoje, principalmente, a gente tá ouvindo muitos pais, muitas histórias de pais retornando filhos que não quer filho. Outro dia, eu vi num group of brasileiros morando fora aqui. Quem gostaria de retorna? Eu não aguento mais meu filho, mamãe, desabafou. Eu gostaria de retorno. E uma mãe biológica falando isso. Então, assim, isso acontece com todo mundo. Tem gente que não se identifica com o maternar. E eu vim de uma criação que minha mãe literalmente não se identificou com o maternar. Então, é isso. É errando, mas a gente tem que ter consciência do que está fazendo. Pra tudo na vida. A gente tem que se preparar, estudar e dar o passo, né? Pra acontecer. Mas eu gostaria de dizer que, ok, eu tenho conhecidas que adotou e a criança vive uma vida normal, como uma criança outra normal, não tem nenhuma necessidade, não é uma criança típica. Então é uma caixinha de surpresa, mas você tem que estar preparado o que pode vir. É isso que eu recomendo, assim, porque eu vejo que as pessoas falam mais de uma forma de encantamento ou julgamento, né?

SPEAKER_00

E se prepare, se prepare que é possível por acompanhar mais um episódio do Colo de Longe. Se essa conversa tocou o seu coração, compartilhe com outras mães que também estão vivendo essa experiência fora do Brasil. E não esquece de seguir a gente no Instagram, arroba Colo de Longe. A gente se encontra no próximo episódio. Um beijo e até lá.