Portuguese with Jess Podcast
European Portuguese podcast for upper-beginners (A2) and lower-intermediate (B1) learners. Each episode comes with a free transcript in Portuguese, a side-by-side Portuguese–English translation, and a worksheet to help you learn new words, practice and improve your skills.
Portuguese with Jess Podcast
Ep18: B1/B2 | O que é o 25 de Abril? 🌹 [European Portuguese Podcast]
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(includes transcript, English translation, vocabulary list, flashcards and exercises)
🎬 Watch the movie "Capitães de Abril" here.
In this episode, I talk about one of the most important moments in recent Portuguese history, the 25th of April 1974, also known as Freedom Day and Carnation Revolution Day.
This episode is perfect for B1 learners who want to improve their listening skills in European Portuguese while learning practical, real-life vocabulary related to history, politics and Portuguese culture.
Muito obrigada 😊
O que é o 25 de Abril? No episódio de hoje vou falar de forma simples e resumida sobre o meu feriado nacional preferido, o 25 de Abril. Também conhecido por Dia da Liberdade e Dia da Revolução dos Cravos. Olá, bem vindo ao Portuguese with Jess, a podcast for upper beginner and low intermediate learners. I'm Jess and in today's episode I'm going to talk briefly about the twenty fifth of April, o 25 debril, one of the most important moments in recent Portuguese history. This is a complex topic and by no means I'm an expert on it. Nevertheless, I hope to give you a useful introduction. Enjoy the episode and remember, viva a liberdade, viva Portugal! Also, I'd like to remind you that each episode of this podcast comes with a free study guide. It includes a side by side Portuguese English transcript and translation, a topic-based vocabulary list, flashcards and a short comprehension exercise. So let's begin. Então vamos lá. No dia 25 de abril de 1974 aconteceu a revolução que pus fim a 48 anos de ditadura em Portugal. A partir de 1926 viveu-se uma ditadura nacional militar. E depois, em 1933, começou o regime do Estado Novo, que, com a Constituição de 1933, concentrou todo o poder político na figura de António de Oliveira Salazar. A ditadura constitucional do Estado Novo foi um regime autoritário, nacionalista, conservador e anticomunista. Durante esse período, direitos e deveres não eram iguais para todos. As mulheres eram educadas a serem donas de casa, mães e obedientes. Muitas pessoas não aprendiam a ler nem a escrever. E embora o analfabetismo fosse menor do que no tempo da monarquia, Portugal ainda tinha uma das taxas mais elevadas de analfabetismo da Europa. A falta de liberdade de expressão era enorme durante a ditadura. E a PID, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado, censurava muitas notícias, programas, livros, música, etc., que não estivessem de acordo com os valores do regime. Além disso, a PID também prendia e muitas vezes torturava pessoas que se opunham ao regime. Se puderes, aconselho-te a visitar o Museu do Aljub Resistência e Liberdade, que fica em Lisboa, muito perto da Sé. Lá podes ficar a saber mais sobre a vida dos presos políticos e sobre a repressão imposta pelo regime. Tal como qualquer ditadura, o Estado Novo também tinha uma forte máquina de propaganda. E um dos exemplos mais óbvios dessa máquina foi a exposição do mundo português, que aconteceu em 1940. Esta exposição transformou a zona de Belém, em Lisboa, num lugar de glorificação e reimaginação de Portugal e do Império Ultramarino Colonial Português. Muitos dos espaços apresentados durante a exposição foram desmontados no final. No entanto, outros tantos ainda podem ser vistos hoje em dia, tais como o Museu de Arte Popular e a Praça do Império. Contudo, o símbolo mais emblemático que restou da exposição foi o padrão dos descobrimentos. A sua primeira versão era feita de materiais efêmeros e só foi apresentada durante a exposição. No entanto, em 1960, uma nova versão mais duradoura, do padrão dos descobrimentos foi instalada para comemorar os 500 anos da morte do infante Dom Henrique. E bem, hoje em dia é um dos monumentos mais fotografados de Lisboa. A exposição do mundo português foi particularmente utilizada pelo Estado Novo para justificar a necessidade de manter os territórios ultramarinos e as colónias, a todo o custo. E foi neste contexto que, com o passar do tempo, movimentos independentistas surgiram em vários territórios coloniais, dando início à Guerra Colonial, também conhecida por Guerra do Ultramar. A guerra colonial durou de 1961 a 1974 e aconteceu em Angola, Guiné e Moçambique. Foi uma guerra que passou por várias fases and causou muito trauma, tristeza e dor. Para além das pessoas que perderam a vida, que morreram, muitas ficaram feridas, inválidas andar traumatizadas. No contexto internacional, the ONU, Organization das Nações Unidas, condenou e exigiu o fim do colonialismo português. As principais razões que levaram à queda do Estado Novo foram o desejo pelo fim da guerra colonial e por um Estado mais democrático, a falta de liberdade de expressão e a repressão, a crise económica e social, que a partir da década de 60 levou muitas pessoas a imigrarem à procura de melhores condições de vida, a mudança de liderança, pois em 1968 Salazar sofreu um acidente e ficou incapaz de governar, o que levou à sucessão de Marcel Caetano, etc. Em 1974, Portugal era um país pobre e muito isolado do resto do mundo. Se tiveres curiosidade para aprender mais sobre este tema, recomendo que vejas o vídeo que fiz no meu canal de YouTube, Portuguese Widgess. Lá tenho um curto vídeo sobre o 25 de Abril, onde partilho mais informação. Ora bem, agora vou falar um pouco sobre o que se passou efetivamente no dia da Revolução. No dia 25 de Abril de 1974, os capitães de Abril, um grupo de militares cansados da Guerra Colonial, da ditadura e da falta de liberdade, planearam e prepararam-se durante sete ou oito meses para a Revolução. Este grupo, também conhecido por MFA, Movimento das Forças Armadas, tentou um golpe militar em março de 1974, mas sem sucesso. No entanto, um mês depois, no dia 25 de Abril, tentaram novamente e, claro, desta vez o golpe militar foi bem-sucedido e o regime do Estado Novo acabou. Na noite de 24 de Abril às 22h55, a canção E Depois do Adeus passou na rádio e deu início à operação. Na madrugada de 25 de Abril à 6 noite e 25, a segunda senha, a canção Grandula Vila Morena, foi passada na rádio confirmando que o golpe militar seria naquele dia. Um dos clássicos do cinema português sobre o 25 de Abril é o filme Capitães de Abril. E, sinceramente, se gostas de cinema, eu recomendo que o vejas. Se quiseres, podes fazê-lo através da plataforma Filmin. Vou deixar o link na descrição. Está bem? Ora bem, entre as 2 e as 4 da manhã, os militares ocuparam pontos estratégicos, como o Quartel General da Região Militar de Lisboa, o Aeroporto de Lisboa, o Rádio Clube Português, a Emissora Nacional, etc. Por volta das 6 da manhã, o capitão Salgueiro Maia, uma das figuras mais célebres da Revolução, vindo do quartel de Santarém, chegou ao Terreiro do Passo, em Lisboa, local onde ficavam muitos dos ministérios. Entretanto, às 11h, as forças dos capitães de Abril já controlavam toda a baixa lisboeta. O famoso símbolo da Revolução, os escravos vermelhos, já tinham sido distribuídos aos militares pela Dona Celeste Cairo, e o ditador Marcelo Caetano estava cercado no quartel do Largo do Carmo. Então, até às 19h50, hora em que foi anunciada a queda do governo, muitas negociações ocorreram entre os capitães de Abril e principalmente entre Salgueiro Maia e altas figuras da ditadura, sem que ninguém se magoasse. No entanto, e infelizmente mais tarde, cinco pessoas morreram e 45 ficaram feridas à porta da sede da PID em Lisboa. E finalmente, à 1h30 da manhã, do dia 26, o governo temporário anunciou na RTP que a ditadura tinha caído. Muito aconteceu nesse primeiro ano de mudança de regime. Por exemplo, no dia 25 de novembro de 1974, a Democracia Plena foi instaurada em Portugal e no dia 25 de Abril de 1975 celebraram-se as primeiras eleições livres. Após deste período, o país entrou numa fase de grandes mudanças internas e externas. Mudou-se a Constituição, começou-se o processo de descolonização e muito mais. Em 2026, celebramos com muita alegria os 50 anos da Constituição da República Portuguesa. Aprovada the 2 Abril 1976. Muito obrigada por assistir a mais um episódio do Portuguese with Jess. If this episode inspired you to learn more about the recent history of Portugal, leave a comment and let me know. Would you like to visit the Museu de Aljupe? Or watch the movie Capitains de Abril. Also, don't forget to subscribe or share the podcast with other learners of European Portuguese who want to improve their listening comprehension. Fica bem e lembre-te! Viva a Liberdade! Viva Portugal!