No Caminho da Vida
Podcast da Igreja Católica Ortodoxa Antioquina S. Jorge de Curitiba, com temas do Evangelho, curiosidades culturais, históricas, cantos e orações.
No Caminho da Vida
Ep. 20 - Domingo dos Santos Padres
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A Unidade e o Testemunho
Trezentos e dezoito bispos. Muitos chegaram com cicatrizes das perseguições. Alguns sem olhos. E Constantino, ao vê-los, desceu do trono e beijou as marcas das torturas. Neste episódio: por que uma única letra grega separava a salvação de uma religião decorativa, o que é ser luz do mundo no sentido original do grego, e os três homens que brigaram em vida e hoje são celebrados juntos.
Venha Conosco, no Caminho da Vida
Bem-vindos! É com alegria que nos encontramos com vocês em nosso programa semanal No Caminho da Vida, um espaço de encontro com o Senhor, dedicado à leitura da palavra de Deus, às orações, aos cânticos, às reflexões espirituais e às tradições da nossa Igreja Ortodoxa Antioquina. Este programa é apresentado com a bênção do nosso querido Pai Metropolita Dom Damasquinos Mansur, arcibispo metropolitano da Igreja Ortodoxa Antioquina em São Paulo e de todo o Brasil. Permaneçam conosco e caminhemos juntos no caminho da vida.
SPEAKER_04A Ti se deve a glória, ó Deus nosso, e te rendemos glória, Pai, Filho e Espírito Santo, agora sempre, pelos séculos dos séculos, amém. Glória a Deus nas alturas e paz na terra para os homens, a benevolência. Louvamos-te, bendizemos-te, adoramos-te, glorificamos-te, agradecemos-te por tua grande glória. Senhor Rei, Deus Celestial, Pai Onipotente, Senhor, Filho Unigênito, Jesus Cristo e Espírito Santo. Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho do Pai, que tiras os pecados do mundo, tem piedade de nós, tu que tiras os pecados do mundo. Aceita nossa súplica, tu que estás sentado à direita do Pai e tem piedade de nós. Porque tu és o único santo, Tu és o único Senhor Jesus Cristo na glória de Deus Pai, amém. Diariamente te bendigo, louvando o teu nome, para sempre e pelos séculos dos séculos. Tu foste, Senhor, o nosso refúgio de geração em geração. Eu disse, Senhor, tem piedade de mim, cura minha alma porque pequei perante Ti. Em Ti, Senhor, me refugio, ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus, porque em Ti está a fonte da vida e na tua luz vemos a luz. Estende a tua misericórdia sobre os que te conhecem. Dignifica-nos, Senhor, para que estejamos neste dia guardados e impecáveis. Bendito és, Senhor, Deus dos nossos pais, que o teu nome seja louvado e glorificado para sempre. Amém. Exerça-se, Senhor, sobre nós a tua misericórdia, segundo esperamos em ti. Bendito és, Senhor, ensina-me os teus mandamentos. Bendito és, mestre, faz-me compreender teus direitos. Bendito és, ó santo, esclarece-me por teus juízos. Senhor, eterna é a tua misericórdia, não abandones as obras das tuas mãos. A Ti se deve o louvor, a Ti o cântico, a Ti se deve a glória. Pai, Filho e Espírito Santo, agora sempre, pelos séculos dos séculos. Amém. Volta-te para nós, Senhor, até quando? Aplaca-te para com os teus servos. Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste e pelos anos em que vimos o mal. Apareça a tua obra aos teus servos e a tua glória sobre os teus filhos. E seja sobre nós a formosura do Senhor nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos. Sim, confirma a obra das nossas mãos. Glória ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém. Bom é louvar ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, para de manhã anunciar a Tua benignidade e todas as noites a Tua fidelidade.
SPEAKER_03Bita, Rod.
SPEAKER_00Leitura do Santo Evangelho, segundo o Evangelista São Mateus. Estejamos atentos. Naquele tempo, quando Jesus estava passando, dois cegos os seguiam dizendo: Filho de Davi, têm piedade de nós. Quando entrou em casa, os cegos se aproximaram, e Jesus lhes disse, eles responderam: Sim, senhor. Então, Jesus tocou os olhos deles, enquanto dizia: Que vos seja feito conforme a vossa fé. E os olhos deles se abriram. Em Tom Severo ele lhes avisou: Cuidai que ninguém o saiba. Mas, saindo dali, eles espalharam sua fama por toda a região. Tendo saído os dois cegos, apresentaram a Jesus um mudo endemoniado. Ele expulsou o demônio e o mudo começou a falar. O povo admirado dizia: Nunca se viu isso em Israel. Os fariseus, porém, diziam: É pelo poder do chefe dos demônios que lhe expulsa os demônios. Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda enfermidade e doença do povo. Glória a ti, ó Senhor!
SPEAKER_02O domingo de hoje comemora os santos padres dos concílios ecumênicos. Esta palavra ecumênico aparece o tempo todo. O que ela significa de verdade?
SPEAKER_00Vem do grego oicômene, e essa palavra se forma a partir de oicos, que significa casa. A oicômene era a expressão dos gregos para designar toda a terra habitada - a grande casa, o mundo como morada, não o planeta visto do espaço abstrato e frio, mas o chão onde se pisa, a mesa onde se come, o teto que abriga. Quando os concílios se chamaram ecumênicos, não era uma pretensão política, era uma confissão de fé. A verdade discutida naquela Assembleia era para toda a casa, para cada cômodo, para cada habitante. A verdade da igreja não é local, nem nunca foi local. É doméstica no melhor sentido. É para a casa inteira.
SPEAKER_02E o Evangelho fala de uma lamparina, de uma lâmpada. Qual é a palavra grega e o que ela carrega?
SPEAKER_00É lâmpada, lamparina, candeia, o objeto que carrega o fogo, mas não produz o fogo. A lamparina não tem luz própria. Precisa do óleo, precisa do pavio, precisa de alguém que acenda. É a imagem exata do cristão, recipiente da graça, não fonte da graça. Quando o óleo acaba, quando o espírito não é mais buscado, quando a oração esfria, a lamparina continua ali, talvez bonita, talvez ornamentada, mas escura, opcional, inútil debaixo do alqueire.
SPEAKER_02E o verbo final do Evangelho: glorifiquem ao vosso Pai. O que é glorificar nesse sentido?
SPEAKER_00É doxazo. Na raiz, doxa é opinião, visão, aquilo que se crê sobre algo. E doxazo é manifestar a visão correta. É fazer com que, ao nos ver, o mundo veja Deus. É alinhar a nossa vida de tal forma que quem olha para nós não encontrar nós, mas aquele que nos habita. A glória não é brilho nosso. A glória é transparência. É a lâmpada que deixa a luz passar. E aqui fecha o arco com lâmpas. A lamparina existe para isso, para ser transparente à luz, não para ser admirada por fora, mas para deixar ver o que está por dentro.
SPEAKER_01Em 325, 318 bispos se reuniram em Nicea. Não vieram por vontade própria, vieram porque a casa estava em chamas. Um presbítero de Alexandria, chamado Ario, ensinava que o Filho de Deus era criatura, o primeiro entre os criados, o mais elevado dos seres feitos, mas feito, não gerado, não eterno, não Deus de Deus. E aqueles bispos, muitos com cicatrizes de perseguição, alguns sem olho, outros mancando das torturas, não discutiram como acadêmicos. Eles choraram, eles se abraçaram antes de se sentar, porque sabiam que o que estava em jogo não era uma opinião teológica, mas a própria salvação. Se Cristo não é Deus, a cruz é vazia. São João Crisóstomo, o Boca de Ouro, nasceu em Antioquia por volta de 349. O apelido não veio do púlpito, veio do povo. Quando João pregava, a catedral ficava pequena, ele não teorizava sobre a pobreza. Na sua, Antioquia organizava hospitais, sustentava viúvas, confrontava o imperador. Quando foi levado a Constantinopla para ser patriarca, encontrou um palácio cheio de luxo e uma cidade cheia de miséria. Ele escolheu a cidade, denunciou a avareza dos ricos, foi exilado duas vezes. Na segunda, morreu a caminho, em 407, com as palavras nos lábios, São Basílio Magno nasceu em Cesarea de Capadócia por volta de 330. Família de Santos, a avó Macrina, a mãe Emélia, o irmão Gregório de Nissa. Basílio era organizador, o tipo de homem que vê o caos e não lamenta, constrói. Fundou a Basiliade, um complexo enorme nos arredores de Cesareia: hospital, asilo, hospedaria, cozinha. Tudo para os pobres. Na época da fome, esvaziou os celeiros da igreja e alimentou a cidade inteira - cristãos e pagãos, sem distinção nenhuma. Escreveu a liturgia que até hoje celebramos nos Domingos da Grande Quaresma. Morreu com 49 anos, consumido pelo trabalho. São Gregório, o teólogo, o poeta, nasceu na Capadócia, amigo de Basílio, desde a escola em Atenas, mas onde Basílio era pedra, Gregório era chama. Ele não queria ser bispo, queria silêncio, oração, retiro. Mas a igreja precisou dele em Constantinopla, então foi, e encontrou uma cidade entregue ao arianismo, com as igrejas tomadas, os fiéis escondidos. Transformou uma capela doméstica no santuário da ortodoxia. Pregou os cinco discursos teológicos que o definiram para sempre a linguagem da trindade. Quando enfim a cidade voltou à fé e o povo aclamou, sentiu nojo da política eclesiástica e se retirou. Morreu em 390, em paz. Os três são celebrados juntos no dia 30 de janeiro. Não porque concordaram em vida. Basílio e Gregório brigaram. João foi julgado injustamente por bispos invejosos. Mas na Igreja, a União não exige uniformidade, a União exige humildade. Três homens, três temperamentos, uma só luz.
SPEAKER_03É justo, em verdade, glorific. Sempre bem-aventurada, inmaculada, mais de nosso Deus, mais venerável que os querubins, e mais gloriosa, que os serafins, que libadamente deste verbo de Deus, logo és verdadeiramente mãe de Deus, pois nós te glorificamos.
SPEAKER_05Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, um só Deus. Amém. Queridos irmãos e irmãs em Cristo, em uma aldeia durante a época da colheita, um menino acabou se perdendo no meio das imensas plantações de trigo. As espigas eram muito altas, o campo se estendia onde a visita podia alcançar. Assim que os pais eram por falta da criança perdida, o desespero tomou conta de toda a aldeia. Os moradores correram para os campos e começaram a procurar. Mas cada um foi para um lado. Cada pessoa buscava in a direção diferente. Sozinha. O dia inteiro se passou, a noite caiu e não encontraram nenhum rastro da criança. Na manhã seguinte, percebendo que os esforços isolados e dispersos de nada adiantaram, eles decidiram mudar de estratégia, deram as mãos uns aos outros como fazem os escuteiros, formando uma longa e inquebrável corrente humana. E começaram a caminhar juntos pelo campo, passo a passo, vasculhando cada palmo daquelas espigas. Não demorou muito, andaram a menino sal e salvo. Foi então que os homens suspirou, aliviado, andemos dado as mãos desde o primeiro momento, teríamos poupado a nós mesmos de toda essa dor que teríamos encontrado ontem. A essência desta história é a explicação prática de vós, a luz do mundo. Quando Jesus nos dirige à palavra, Él não fala a uma única pessoa no singular dizendo Você é a luz do mundo. Não aponta para um indivíduo isolado para dizer, so você brilha. Pelo contrario, Él fala a todas nós no plural, Vos sos a luz do mundo. Jesús nos ensina aquí que na economía divina, nenhum de nós está llamado a ser luz sozinho. Jesús, no singular, é a única luz verdadera absoluta, a fuente de todo esplendor. Él mesmo disse: Eu sou, eu sou a luz do mundo. Nós, seres humanos, não passamos de pequenos espelhos, no iluminamos a menos que estejamos unidos, refletindo a Sua presença no meio de nós como um só corpo. Por esta profunda razão teológica, a nossa Igreja utiliza este texto evangélico, especificamente neste día en que comemoramos os santos padres dos concílios ecumênicos. Quem são esses padres? São os pastores e teólogos que se reuniram de todos os cantos da terra, movidos pelo Espírito Santo, para confirmar e esclarecer a doutrina. Qual era o objetivo principal deles? Era preservar a unidade da Igreja através da unidade da fe. Eles compreenderam perfeitamente as palavras de Nostro Senhor andam que somente juntos, somente juntos, com as mãos dadas and a mesma fé, seremos luz para o mundo. Mas na dispersão e na divisão nós perdemos entre as espigas de trigo. Esta verdade toca o nosso cotidiano. Quantos dias, sob as pressões e provações da vida, sentimos que a nossa chama espiritual começa a enfraquecer, o que a luz dentro de nós está prestes a nos apagar devido ao canção ou ao desânimo. É aqui que brilha a beleza de sermos a igreja and uma família. Imagine comigo a experiência simples. Se pegarmos duas velas, vamos fazer uma experiência. We pegamos duas velas, acendemos ambas andar a elas. No moment in which aproximamos a vela que está acesa da fumação that da vela que foi apagada, o que acontece? Faça essa experiência. Vemos que o fogo saltar rapidamente and a vela apagada se acende novamente num piscar de olho. Assim somos nós na comunidade dos fiés. Eu preciso de vocês, e vocês precisam de mim. Há dias em que me sinto fraco, ou como a alma é secada, então os corações de vocês, o amor, seus corações, a presença de vocês vem inflamar o meu coração nuevamente. E nos dias em que um de vocês passar por uma aflição, ou quando o mundo escurece ao seu redor, a nossa missão como irmãos é aproximar a nossa chama para que a vida deles seja iluminada de novo. Queridos irmãos e irmãos en Cristo, o Evangelho de hoje nos conduz também a um otro critério fundamental da vida cristã. Onde o Senhor diz: aquele que praticar e ensinar, este será considerado grande no reino dos. Veja que orden divina maravilhosa. Primero, praticar, and en segundo lugar, ensinar. Na igreja, o ensinamento pela palabra tem certo um valor imenso. Claro, porém, as pregações só geram frutos y se completan quando sustentadas pela práctica y pela vivencia real. Ao longo de sua vasta historia, a igreja sempre foi muito criteriosa. Ela só concediu o título de Doutores Ecumênicos a três grandes santos: João Cristóstomo, Basílio o Grande e Gregorio Teólogo. Por que receberam esse título único? Não porque falar muito, mas porque as suas vidas foram a tradução real y a prática de cada palavra que saiu de suas bocas. Basílio o Grande não se limitou a pregar sobre a Caridade, mas construiu com as próprias mãos a Basiliada, a cidade de Basílio, para servir aos doentes e necessitados, entregando a sua alma enquanto exclamava em tuas mãos entrego meu Espírito, Sal Gregorio o Teólogo não ensinou sobre Deus detrás de uma escrivania, mas viveu a teologia como oração no silêncio do deserto, e partiu deste mundo em silêncio, para encontrar a luz que tanto invocou, cumprindo os versos de su propia poesia. O corpo se dissolve, as palabras silencian, mas a alma acende para encontrar a verdadeira luz que siempre busque en minha solidão. Y cuanto a Sa João Crisóstomo, que ensinó copiosamente explicó las Sagradas Escrituras, y mandó con sus orações, la teología, a base da divina liturgia que celebramos nas igrejas el domingo o toda fecha, Él pagó con seu trono y con su liberdade o preso de defender los oprimidos, morrendo no exílio en cuanto cantava Gloria a Dios por todas las cosas. O ensino por palabras es un deber, claro, mas agir conforme o ensino que toca as almas y las transformas. Este es el alerta paterno que el apóstol Pablo nos direciona en sua epístola aos Romanos quando nos convida a examinar primeiramente a nossa própria consciência y comportamiento, dizendo: Tu, pois en ti mesmo. Queridos irmãos e irmãs em Cristo, se pensarmos um pouco no Evangelho segundo os quatro evangelistas que temos em mãos, ficaríamos surpresos ao saber, de acuerdo con estudos minuciosos, que os irmãos direitos e as parábolas educativas proferidas por nosso Señor Jesucristo não passen de quase 20% dos cuatro livros, de quatro evangelistas, sendo assim, para onde vai a maior parte? Se as palavras de Jesus, as parábolas dele, não passam de 20% de todos os quatro livros. 80% dos livros é o registro da vida do Senhor, de suas ações, de seus movimentos, dos toques de cura, de seus diálogos existen com os discípulos e com tantas outras pessoas, até a entrega de si mesma na cruz e a sua ressurreição. Jesus não veio nos dar um catálogo de teorias, Ele veio nos dar vida. Sua vida inteira foi o testemunho vivo, o pilar fundamental é o celular de cada palavra que seus lábios pronunciaram. Mesmo o seu falar, aquele que menos de 20%, não era composto de teorias ditadas de longe, mas eram palavras mergulhadas no amago de suas ações. Falava enquanto tocava o libroso. Falava quando abria os olhos do cego. Ensinava enquanto lavava os pés de seus discípulos, acolhia aos pecadores enquanto sentava y comia com eles. Testimonyava o amor e o perdão enquanto se entregava suspenso na cruz. A sua vida entera foi o testimonio vivo e o celular de cada palavra de seus lábios pronunciaram. Portanto, o desafio que o Evangelho coloca a diante de nós hoje, se quisermos ensinar a palavra divina, é que primeiro vivamos de acuerdo com os mandamentos e nos transmitamos aos outros através do nosso comportamento? Eu me pergunto sempre, eu convido cada um de vocês a nos perguntar. Será que as nossas famílias, os nossos vizinhos e aqueles que encontramos em nossos trabalhos conseguem ler o Evangelho através das nossas atitudes diárias? Será que a nossa fidelidade no pouco e no muito? A nossa longa na aprovação e o nosso amor sincero é uma luz que ilumina os ambientes onde estamos presentes? Pois falar não basta. Como nos diz o Saulo Clemente, os pagãos, quando ouvem a palavra de Deus de nossas bocas, admiram a sua beleza. Mas quando olhem para a nossa vida e veem que as nossas obras não corresponde a nossa palavras, a sua admiração se transforma em blasfémia, e dizem que a nossa fé não passa de um mito e de palavras vazias. Exatamente como nos ensinamos ao Irineu de Leon, que seja a sua vida com o próprio sangue. A verdadeira glória de Deus é o homem vivente, o homem cuja vida e ações testemunha a Cristo até a morte, porque a verdadeira vida do homem consiste em refletir a glória de Deus e encarnar a sua bondade no mundo. Esses dois santos, mencionei esses dois santos, viveram na era da perseguição, na era do martirio, onde a palavra era pesada como sangue. O mundo, no tempo da perseguição, não prestava atenção em livros escritos como tinta, mas ficava estupefato diante de mártires que escreveram a sua fé como a própria carne e sangue. Porque a luz verdadeira na era do mírio era a vida vivida e o testemunho vivo. Portanto, se os nossos antepassados testemunharam a Cristo como sangue na era da perseguição, o que dizer de nós hoje? Nós aqui no Brasil, graças a Deus, não enfrentamos espadas nem perseguições. Pelo contrário, vivemos na plenitude da liberdade religiosa. E glória e graças sejam dadas ao Senhor e a este grande país e a este grande povo. No entanto, não acham que essa própria liberdade traz consigo um desafio? O perigo de hoje não é morrer por Cristo, mas o perigo de viver em um comodismo espiritual, de permitir que a nossa fé se dilua e se torne apenas tradições, costumes ou palavras que repetimos na igreja no domingo e que terminam na puerta. Na era da liberdade religiosa, o mundo não precisa de nós discursos. Ele está sedentando pelo testemunho pelo exemplo vivo, não discursos. O martílio hoje é morrermos para o nosso orgulho e egoísmo, sermos fiéis e honestos em nossos trabalhos e fazermos com que a sociedade no Brasil, em todo o mundo ao nosso redor, vejam em nós um modelo vivo de amor, paciência e pureza da vida. Quando as nossas atitudes diárias nas nossas casas, ruas e lugares de trabalho o reflexo real da nossa fé, somente aí seremos mártir, testemunhas de Cristo na era da liberdade. Nossa vida se torna o quinto Evangelho. Sim, uma responsabilidade de fazer nossa vida se tornar o quinto Evangelho aberto e lido por todos. Por isso, não caminhamos dispersos como os habitantes da aldeia no início de nossa caminhada de hoje, nossa palavra, aqueles habitantes que buscavam a criança. Mas demos as mãos uns aos outros na oração, no serviço e na unidade. Sejamos o amparo que acende a vela do irmão cansado. Vivamos o mandamento primeiramente para que a nossa vida por si só seja uma pregação silenciosa e eficaz. Pedimos ao Senhor hoje, pela antecessão dos Santos Padres, dos concílios ecumênicos, que nos conceda a graça da verdadeira unidade e na fé e nas obras, para que as pessoas vejam as nossas boas obras e não glorifiquem a nós, mas glorifique o nosso Pai que está nos céus. Amém.
SPEAKER_02Ao encerrarmos nosso encontro de hoje, pedimos a Deus que este tempo que estivermos juntos seja uma semente de luz em nossos corações neste dia e ilumine os nossos passos. Para conhecer mais a nossa igreja, convidamos você a participar conosco da Divina Liturgia, celebrada todos os domingos às 10h30 da manhã, na Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba, localizada na rua Brigadeiro Franco, 375 nas Mercedes em Curitiba. Até o nosso próximo encontro e caminhemos juntos no caminho da vida.