No Caminho da Vida
Podcast da Igreja Católica Ortodoxa Antioquina S. Jorge de Curitiba, com temas do Evangelho, curiosidades culturais, históricas, cantos e orações.
No Caminho da Vida
Ep. 23 - 10º Domingo após Pentecostes.
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A Descida do Tabor ao Vale
No monte, glória. No vale, um pai desesperado e um filho que se jogava no fogo. Os discípulos tentaram curar e não conseguiram. E Jesus diagnostica: esta espécie não sai senão pela oração e pelo jejum. Neste episódio: o que é kénōsis, por que os Padres do Deserto diziam que a contemplação não é um fim em si mesmo, e o que o monte Tabor tem a ver com a descida ao sofrimento do outro.
Venha conosco, No Caminho da Vida.
Bem-vindos! É com alegria que nos encontramos com vocês em nosso programa semanal No Caminho da Vida, um espaço de encontro com o Senhor, dedicado à leitura da palavra de Deus, às orações, aos cânticos, às reflexões espirituais e às tradições da nossa Igreja Ortodoxa Antioquina. Este programa é apresentado com a bênção do nosso querido pai metropolita Dom Damasquinos Mansur, arcibispo metropolitano da Igreja Ortodoxa Antioquina em São Paulo e de todo o Brasil. Permaneçam conosco e caminhemos juntos no caminho da vida.
SPEAKER_05Glória a ti, ó Deus nosso, glória a Ti. Senhor misericordioso, posso o teu santo corpo ser para mim o pão da vida eterna e o teu precioso sangue ser a cura de toda enfermidade. Glória a Ti, ó Deus nosso, glória a Ti. Corrompido por meus feitos indecentes, eu, o miserável, sou indigno da comunhão do teu puríssimo corpo e divino sangue, ó Cristo. Torna-me digno de recebê-los. Santíssima Mãe de Deus, salva-nos, ó abençoada noiva de Deus, ó solo fértil, da qual brotou a semente não semeada para a salvação do mundo, concede-me que seja salvo ao comungar dele. Glória a Ti, ó Deus nosso, glória a Ti. Tu me estabeleceste na rocha da fé e abriste a minha boca contra os meus inimigos, por isso minha alma rejubila ao cantar. Não há santo como o nosso Deus, nem justo como tu, Senhor. Glória a Ti, ó Deus nosso, glória a Ti. Concede milágrimas, ó Cristo, para a purificação do meu corpo impuro, para que, purificado e com consciência tranquila, eu possa aproximar-me com fé e temor da comunhão dos teus divinos dons, Senhor. Glória a Ti, ó Deus nosso, glória a Ti. filântropo, que o teu puríssimo corpo e divino sangue sejam para a remissão dos meus pecados, para a comunhão com o Espírito Santo, para a vida eterna e para a libertação das paixões e aflições. Santíssima Mãe de Deus, salva-nos. Ó Santíssima, sendo tua o banquete do pão da vida, que por sua misericórdia desceu do alto e deu a vida nova ao mundo, concede a mim, indigno que sou, que coma dele com temor e viva. Glória a ti, ó Deus nosso, glória a Ti. Tu te encarnaste para a nossa salvação, ó misericordioso, e aceitaste ser sacrificado como um Cordeiro pelos pecados da humanidade. Por isso rogo a ti que apagues também os meus pecados. Glória a Ti, ó Deus, glória a Ti. Cura as feridas da minha alma, ó Senhor, e santifica-me por inteiro. Concede a mim, miserável, que sou participar da tua divina ceia mística. Santíssima Mãe de Deus, salva-nos. Propicia-me aquele que veio de teu ventre, ó Senhora, e conserva imaculado e sem culpa a mim, teu servo, para que obtendo a pérola espiritual, eu possa ser santificado.
SPEAKER_03Leitura do Santo Evangelho, segundo o Evangelista São Mateus. Estejamos atentos. Quando chegaram ao lugar onde estava a multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se diante dele e disse: Senhor, tem misericórdia do meu filho, ele tem convulsões e está sofrendo muito. Muitas vezes cai no fogo ou na água. Eu o trouxe aos seus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus respondeu: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Traga-me o menino. Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino, que daquele momento em diante ficou curado. Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: Por que não conseguimos expulsá-lo? Ele respondeu, Porque a fé que vocês têm é pequena. Em verdade lhes digo que se tiverem fé como um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: vá daqui para lá, e ele irá, e nada será impossível para vocês. Mas esta espécie não sai se não por meio de oração e jejum. Reunindo-se eles na Galiléia, Jesus lhes disse: O Filho do Homer entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão e no terceiro dia ressuscitará. Os discípulos ficaram tomados de tristeza. Glória a Ti, ó Senhor, glória a Ti.
SPEAKER_00O episódio começa depois da Transfiguração. Cristo descende do Monte Tabor. Tem alguma palavra teológica que descreve o gesto de Cristo de vir até nós?
SPEAKER_04É Kenossis, a palavra vem do grego Kenos, que significa vazio, esvaziado. São Paulo usa quenossis na carta aos Filipenses para descrever o que Cristo fez. Esvaziou-se a si mesmo, tomou a forma de servo, não se apegou à igualdade com Deus. A Kenosis não é perda por fraqueza, é despojar e por amor, é voluntariamente quem tem tudo escolher abrir mão para que o outro viva. Cristo, no tabor mostrou a glória. Cristo no vale praticou aquenoses, e é precisamente a quenoses que opera a cura. A glória sozinha não salva. O esvaziamento, esse sim.
SPEAKER_00E o menino que o pai traz tem uma condição descrita com uma palavra grega que vem do nome de um astro. Qual?
SPEAKER_04A palavra é selenias, e ela deriva de Selene, Lua. Na antiguidade, acreditava-se que as fases da Lua influenciavam certas afeições. Convulsões, acessos, distúrbios que pareciam obedecer a um ciclo. O mal é astucioso. Ele não aparece como algo inteiramente estranho. Ele se disfarça nas dobras da própria natureza. Usa a lógica das fases, o ritmo dos ciclos para oprimir. O menino não está simplesmente doente, está sob domínio de algo que se aproveita da linguagem da natureza para se esconder dentro dela. O demônio não cria nada, distorce o que já existe.
SPEAKER_00E Cristo descreve a geração de uma forma que parece um diagnóstico. Qual é essa palavra?
SPEAKER_04O verbo é diastrefo, perversa, distorcida. E diastrefo significa literalmente aquilo que foi entortado, retirado do eixo. Aquilo que deveria estar reta e foi torcido. A criação é boa, o ser humano é bom. Mas quando se desvia do eixo, quando se torce, torna-se perversão. Não no sentido moralista que a palavra ganhou depois, mas no sentido original, profundo. Algo que perdeu o centro. Algo que se curvou sobre si mesmo e não consegue mais olhar para o outro. Uma geração de astrefo é uma geração que se encurvou, que não se levanta para o céu, que só vê o próprio umbigo. E a Kenosis de Cristo, o esvaziamento divino, é o remédio exato para a humanidade entortada.
SPEAKER_03Há uma tentação antiga na vida cristã, tão antiga quanto a Igreja. É a tentação de transformar a fé em refúgio privado, em experiência individual, em algo que se guarda dentro de quatro paredes. Vivemos numa época que exalta o indivíduo, cada um com sua verdade, cada um com a sua espiritualidade, cada um com a sua versão de Deus, e o cristianismo, às vezes, se deixa contagiar por isso. Vira uma espécie de programa de bem-estar espiritual. Eu busco a Deus para me sentir melhor. Eu guardo a minha fé, como quem guarda um objeto precioso numa gaveta, para não se perder, para não se sujar. Mas a igreja não é isso. A igreja não é um museu onde se expõe a luz divina atrás de um vidro. Não é um salão onde nos reunimos para celebrar o que já conquistamos. A igreja é hospital. Hospital espiritual, lugar de feridos, de doentes, de gente que arrasta os próprios filhos até a porta porque já não sabe mais o que fazer. E se a igreja é hospital, o cristão não é alguém que se basta. O cristão é alguém que carrega, que se faz próximo, que não se permite o luxo de uma fé contemplativa, sem uma fé atuante, que não se tranca no monte da transfiguração, enquanto o vale está cheio de gente quebrada. A experiência individualista da fé é aquela que busca a glória sem a dor, o conforto sem a cruz, a luz sem sombra. Essa experiência é a experiência dos discípulos que não conseguiram curar o menino. É uma fé que se esvazia de potência justamente quando mais precisa operar, justamente quando o pai chega chorando, justamente quando o demônio ri. E Jesus diz à razão: esta espécie não sai senão pela oração e pelo jejum. A oração nos une a Deus. O jejum nos liberta dos apegos que bloqueiam essa união. São os dois pulmões da vida espiritual. Sem eles, a fé pode ter formas, mas não tem força.
SPEAKER_04Seis dias antes, Jesus havia subido ao Monte Tabor. Levou consigo três discípulos, Pedro, Tiago e João. E ali no alto aconteceu algo que as palavras mal conseguem segurar. O rosto de Cristo resplandeceu como o sol. As vestes tornaram-se brancas como a luz, e apareceram Moisés e Elias conversando com eles sobre a sua partida que estava para se cumprir em Jerusalém. O Monte Tabor fica na Baixa Galileia, isolado na planície de Jezreel. Tem quase 600 metros de altura e é visível de longe em todas as direções. Na Antiguidade, era um lugar de destaque estratégico e religioso. O Antigo Testamento menciona em conexão com batalhas e com a presença de Deus. Pedro, ao ver a cena da transfiguração, quis construir três tendas e ficar ali. A reação é compreensível. Diante da glória, o instinto é permanecer, capturar o momento, transformar aquela experiência numa morada permanente. Mas a voz do Pai os envolve numa nuvem e diz: Este é o meu filho amado em quem me comprazo, escutai-o. E quando a nuvem se dissipa, Jesus está sozinho e diz para descerem. A descer é tão importante quanto a subida. O tabor não é um fim em si mesmo. É uma confirmação para o caminho que vem a seguir. Jerusalém, a cruz, o túmulo. Os três discípulos foram ao monte para serem fortalecidos. Desceram para serem enviados, e no vale encontraram o pai desesperado, filho oprimido, e os outros discípulos que haviam tentado curar e não conseguiram. É assim que a tradição exicasta da igreja ortodoxa entende a contemplação. Ela não é um fim em si mesma. A luz do tabor não é para ser guardada, e sim para ser trazida ao vale. O monge que orou por anos no deserto desceu para cuidar dos doentes. O pai que contemplou o mistério no ícone se levantou para servir à mesa. A glória não nos exime da dor do outro. Ela nos envia para ela.
SPEAKER_02É justo em verdade. Glórifica, Oh Mãe de Deus. Sempre bem-aventurada, inmaculada, mais de nosso Deus, mais venerável que os querubins, e mais gloriosa, que os serafins, que liberamente deste, a luz do verbo de Deus, logo és verdadeiramente de Deus, pois nós teávamos.
SPEAKER_06Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, um só Deus, amén. Queridos irmãos e irmãs em Cristo, há poucos dias atrás vivemos juntos a grande alegria da festa da transfiguração de nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo, naquela cena majestosa, Pedro, Tiago e João subiram com Jesus ao monte Tabor e contemplaram a sua glória divina e a sua luz incriada que resplandeceu como o sol. Aí se abriu, Moisés e Elias apareceram falando com ele, andam a voz do Pai clamando da nuvem Este meu filho amado em quem me escutai. Diante de tamanho, espanto e hésatas espirituais, o apóstolo Pedro desejou que o tempo parasse e que aquele encontro luminoso jamais terminasse. Disse ele, Senhor, estamos aqui. Os discípulos queriam ergar três cabanas para desfrutar daquela luz, longe do barulho do mundo, de seus problemas e de suas dores. No entanto, Jesus não os deixou permanecer lá, Ele os fez descer do topo do monte para retornar à dura realidade. E na base do monte, no vale, esperava-os um cenário completamente oposto. Um cenário cheio de lágrimas, clamores e desfiguração humana. Ali encontraram um pai angustiado e quebrado, de joelhos, como seu filho lunático, possuído por um demônio que o atormentava brutalmente, atirando-o muitas vezes no fogo e muitas vezes na água, para o destruir e apagar a sua dignidade humana. Diante da impotência ando dos discípulos que haviam permanecido na base da monte em expulsar aquele mal, o Pai clamou com dor andou a Jesus: Senhor, tenha misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito. Nesse momento, Jesus voltou para seus discípulos e para a multidão, soltando um brado que sacou as consciências. Oh geração incrível, é perversa. Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Em seguida, repreendeu o demônio e coro ao menino. Que contraste gritante é este? No alto do monte, a luz, transfiguração e um Deus glorificado. Na base do monte, há trevas, gritos e um demônio atormentando a infância. Aqui o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma lição fundamental para a nossa fé. O cristianismo é uma contemplação estática e isolada apenas no topo de uma montanha distante. The cristianismo is consciente anda ao vale da dor humana. Mas Jesus recusou uma glória cujo preço o homem ainda não havia pago. A verdadeira glória divina não se realiza fugindo do sofrimento dos homens, mas passando pelo coração dele e transformando-o. A luz que contemplaste no monte na vos foi dada para monopolizar o seu calor. Mas para descerdes como él ilumined a escuridão dos quebrandados no vale. Enquanto Jesus estava como os tres no topo de tabor, contemplando a glória, los otros nove discípulos que ficaram na base do monte, no vale da dor, eran incapazes de curar o menino lunático. Porque aqueles que estavam no vale queriam o poder da cura sem a oração e o jejum. E os que estavam no monte julgaram que a luz e os serviam para o monopólio e o descanso. Então viu as duas partes dos discípulos? Assim, entre a impotência dos nove na base e o desejo dos três de se estabelecer no topo, manifesta-se a falha de uma fé individual e superficial que nunca amadurece na verdade. Nesse sentido, Gregorio de Nissa contemplenta a ideia com força. A luz que os discípulos viram na monte não deveria ficar trancada em sua experiência individual. A igreja não nace nos picos isolados das montanhas, mas nasce nos vales onde a humanidade gema, se a luz de tabor não se traduzir em um toque de cura y uma obra de sacrifício no meio do mundo atribulado permanecerá apenas como uma memoria sentimental pasajera. Pergunta essencial. Porque Jesus disse, hasta quando estarei convosco, hasta cuando vos sofrerei? Jesus não proferiu essas palabras como ira o ressentimento, mas como un profundo sofrimento e dor divina. Até quando estarei convosco e a vossa fé não passará das aparências. Até quando veréis a dor dos homens e o tormento dos pequenos e permaneceréis impotentes sem nada poder desfazer. Até quando buscaréis o hésatas o conforto e a glória para vós mesmos enquanto eu busco esvaziamento? Que não está em grego esvaziamento, é a subida à cruz para a salvação dos otros. Essa pergunta não foi dirigida apenas aos discípulos fracassados, o ao Pai que clamava com uma fé vacilante. É uma pergunta viva que o Senhor dirige hoje a cada um de nós, Cristóvão. Santo Cirilo de Alexandria retorna para esclarecer a profundidade dessa impotência, dizendo: a fragilidade que atingiu os discípulos no vale não foi um defeito no dom divino que receberam, pois o Senhor não concede dádivas imperfeitas. Ao contrário, foi uma prova de que a graça não opera no ser humano de forma mágica. A graça necessita de uma fé viva que se alimenta do combate espiritual. Se eles falharem foi porque julgaram que a autoridade divina fosse uma mera posse pessoal, esperando-a da oração fervorosa e da união compassiva e profunda como as dores deste menino atormentado. Prestare atenção, meus queridos, se a igreja permanecesse apenas como um conjunto de rituais repetitivos, festas folclóricos e pulpitos de preguiça eloquente sem um impacto real na vida do povo, ela se tornaria um museu de antiguidades ou um cofre para preservar tradições mortas. A Igreja, em sua essência, é o corpo vivo de Cristo caminhado no vale da dor humana. Os santos padres nos ensinaram com palavras severas, a Igreja que não alivia o sofrimento do povo e não compartilha os seus fardos não é a Igreja de Cristo. Se um ser humano atribulado, necessitado, quebrado pelas injustiças da vida, recorre às nossas paróquias ou aos nossos corações e encontra indiferença, frieza ou rejeição por trás de uma máscara de adoração puramente ritualística, de qual transfiguração e de qual glória ousamos falar. O homem que sofre não quer discursos teóricos distantes de sua realidade, quer tocar a presença curadora de Cristo a través de tuas mãos, de tuus olhos y de tu corazón. A imagem de este menino lunático a quem o demônio atiraba hora no fuego, hora na água, no es apenas um relato histórico, mas também um espelho que reflete a realidade da nossa sociedad contemporánea hoje también. Olha para a violência disseminada, a falta de justiça social e a exploração do mais fraco sobre a lei da selva materialista. Olha para o declínio dos valores, a competição fera pelo dinheiro que sufoca a vida espiritual. É a cultura do lucro rápido e da hipocrisia que desumaniza o homem y apaga a sua imagem divina. Tudo isso constituía o fogo e a água, como o demônio atormentava aquele pobre menino. A este respeito ao Basilio Magno estabelece a sua regra de oro. O Espírito de Dios habita onde há uma liberdade digna, mas onde quer que haya opressão, escravidão, as paixões do mundo, a ausência de justiça. Ali o inimigo do bem domina para corromper a criação de Deus. Por isso, a igreja é chamada hoje, em cada um de seus membros, a partir de mim, a libertar as pessoas de esas escravidões modernas. Este es el nuestro verdadero combate cristal. Queridos hermãos e hermanos en Cristo. Mas por qué fallamos a veces en expulsar o mal al nosso redor? Porque caímos na misma armadilha de Pedro no Tabor. Queremos la gloria sem a dor. Queremos disfrutar da luz de Cristo sentados en nossas salas confortáveis y recusamos de ser a escuridão dos becos onde estão os que sufren. Repito, a incapacidade dos discípulos em curar não foi um defeito no dom divino que receberam, mas porque ainda não estavam prontas para compartilhar com Jesus o seu esvaziamento. As suas dores e a sua cruz. Quem busca consolo apenas para si mesmo, perde a glória de Cristo. Qual é a solução, então? Jesus nos dá a receita divina com clareza. Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração pelo jejum. A oração é a união contínua com Deus e o preenchimento com sua luz. O jejum é o exercício diário de autocontrole y da libertação da vontade e da escravidão da matéria. Mas no sentido teológico mais profundo, a oração e o jejum son ferramentas para nos unirmos à pessoa de Jesús. Esta unión que começou con combate lágrimas no vale, completou-se e inflamou-se como o fuego do Espírito Santo após a Resurreição en el glorioso dia de Pentecostes. Assim a oração e o jejum deixaram ser os deveres e tornaram-se o canal através do qual os discípulos se uniram totalmente a Cristo. De modo que eles diminuíram para que o Senhor habitasse neles. Por isso, após a ressurreição de Pentecostes, os discípulos já não eram impotentes. Pois, por exemplo, Pedro ergueu-se e disse ao coxo Em nome de Jesus Cristo, Nazareno, levante-te e anda. O cristianismo não é uma religião de confortos intelectuais e sentimentos passageiros. O cristianismo é um modo de vida. Quer que a sua igreja seja apenas um cofre de rituais e um museu de arte litúrgica? Sim, sem problema que ela seja revestida de toda a beleza, mas com a condição de ser também um hospital espiritual e um templo vivo onde o necessitado entra e encontre cura e descanso. Não busque a glória e o pouso para si mesmo. Desce do tabor, desse é o vale, pois ali existem famílias se destruindo. Jovens se perdendo nas trevas, das depedências e do desespero. E marginalizado sem esperança. Cristo não construiu uma tenda para permanecer no tabor. Ele deseu imediatamente para tocar o lunático. Desce você também estende a tua mão. Não seja um cristal mestre nas palavras, mas estéril nas ações e na misericórdia. Até quando Jesus suportará a nossa poca fé e o nosso isolamento? Até quando? Talvez até o dia em que decidamos, com coragem, estar com Ele na glória, mas passando por Ele pelo caminho da dor e da entrega ao próximo. Pois não há ressurreição, nem transfiguração, nem sem a cruz e a decida ao vale, a terra da realidade. Amém.
SPEAKER_01Ao encerrarmos nosso encontro de hoje, pedimos a Deus que este tempo que tivermos juntos seja uma semente de luz em nossos corações neste dia e ilumine os nossos passos. Para conhecer mais a nossa igreja, convidamos você a participar conosco da Divina Liturgia, celebrada todos os domingos às 10h30 da manhã, na Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba, localizada na rua Brigadeiro Franco, 375 nas Mercedes em Curitiba. Até o nosso próximo encontro e caminhemos juntos no caminho da vida.