WDM Podcast SHOW
We Don’t Mystic Podcast Virtual de estudos compilados de Kabbalah.
Hosts: Tony e Fátima - agentes virtuais criado por IA que são fascinados por Kabbalah e Espiritualidade.
Esse podcast é independentemente e administrado por estudantes do The Kabbalah Centre. Não há vínculo social e judiciário com o centro.
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Derrubando a Torre de Babel
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Existe uma interpretação da Torre de Babel que quase ninguém conhece. Talvez ela nunca tenha sido sobre uma torre. Nem sobre idiomas. Mas sobre um conhecimento que jamais deveria ter sido usado daquela forma.
O que realmente aconteceu em Babel?
E se a história que chegou até nós escondesse um significado muito mais profundo?
Neste episódio, Tony e Fátima - seus hosts criados por IA - exploram a visão da Kabbalah sobre um dos maiores mistérios do Gênesis.
Talvez Babel nunca tenha deixado de existir e pergunta mais certeira sobre Babel seria: O que ainda está acontecendo?
Dê o play e vem com a gente derrubar essa Torre!
Fonte: Compilados de estudos do Kabbalah Centre Brasil e Internacional. Zohar Noach - Capitulo 40 ao 44.
Podcast não contém vínculo social e nem judiciário com o Kabbalah Centre e os autores citados no podcast.
Hoje a gente vai fazer um mergulho profundo numa pilha de textos fascinantes que, olha, prometem revirar completamente algumas daquelas ideias que a gente carrega desde a infância.
SPEAKER_00Com certeza. É um prazer enorme estar de volta pra mais esse Papa.
SPEAKER_03O prazer é todo meu. E, gente, a nossa mesa aqui tá cheia de traduções diretas do Zohar. Pra quem tá ouvindo e talvez não lembre, o Zohar é a principal obra do misticismo judaico.
SPEAKER_01Exatamente, é a base de tudo.
SPEAKER_03Pois é. E a gente também tem análises super complexas do grande cabalista do século XX, o Rav Ashlag, além de uns comentários modernos sobre as entrelinhas da criação.
SPEAKER_01E o material de hoje é pesado, viu? No bom sentido, claro.
SPEAKER_03Muito. A nossa missão nessa análise profunda hoje é desconstruir uma daquelas histórias que todo mundo acha que conhece de trás pra frente, sabe? A famosa Torre de Babel.
SPEAKER_01É, todo mundo tem uma imagem muito fixa dessa história.
SPEAKER_03E um motivo da gente estar fazendo isso é que esses textos, na verdade, ocultam lições absurdas sobre tecnologia espiritual, a verdadeira física da intenção humana e o poder assustador da união.
SPEAKER_01Olha, é incrível poder mergulhar nisso.
SPEAKER_02Porque o que acontece com essas narrativas muito antigas é que elas sofrem bastante com o tempo, sabe? E com as traduções simplistas também.
SPEAKER_03Aham, vira meio que telefone sem fio, né?
SPEAKER_02Exato. Vira um telefone sem fio cósmico. O Zoar estabelece uma premissa muito rígida logo de cara sobre isso. Ele diz que absolutamente nada nas escrituras é redundante.
SPEAKER_03Nada mesmo.
SPEAKER_02Nada. E nada foi escrito só para relatar um evento histórico isolado. Não estamos diante de um diário de obras ou um registro de construção civil da Antiguidade.
SPEAKER_03Certo, vamos desempacotar isso então, porque a quebra de paradigma aí já é imensa.
SPEAKER_02É, a gente está lidando com códigos, né? Esses textos descrevem as leis universais da física espiritual.
SPEAKER_03Nossa física espiritual, normalmente, quando a pessoa pensa na Torre de Babel, venha logo à mente aquela imagem quase infantil, tipo de livro ilustrado, sabe?
SPEAKER_02Sim, aquela pintura clássica.
SPEAKER_03Isso. Um grupo de pessoas meio que em trapos, batendo pedras umas nas outras, segurando umas machadinhas rudimentares de ferro e tentando empilhar tijolo sobre tijolo até tocar as nuvens. É uma imagem de puro esforço braçal.
SPEAKER_02E é exatamente essa imagem que o zoar pede pra gente apagadamente.
SPEAKER_03Pois é, a instrução central que salta dessas páginas é muito direta. Esquece essa ideia de um povo primitivo. Os construtores daquela torre eram, na verdade, arquitetos espirituais extremamente avançados, com acesso a reinos altíssimos.
SPEAKER_02Eles tinham um nível de consciência que a gente mal consegue conceber hoje em dia.
SPEAKER_03E eu acho que a gente precisa entender o cenário. Qual era exatamente o nível de capacidade mental e espiritual que essa geração possuía?
SPEAKER_02É uma ótima pergunta, porque sem entender o contexto dessa capacidade, a história inteira parece só um conto de fadas bobo.
SPEAKER_03E a gente sabe que não é.
SPEAKER_02Exato. Para ilustrar como essa humanidade antiga operava nos momentos de maior elevação, os sábios trazem um precedente intrigante para os nossos estudos. É o relato da construção do candelabro, a famosa menora do templo.
SPEAKER_03Ah, aquela que aparece no livro de Êxodo, né?
SPEAKER_02Isso mesmo. O texto traz umas instruções detalhadíssimas sobre como esse objeto deveria ser feito de uma única peça de ouro puro, batido ali, sabe?
SPEAKER_03Aham, parece um trabalho de ourivesaria impossível.
SPEAKER_02E era. Só que a grande sacada está no idioma. Quando a gente analisa o hebraico original, os estudiosos apontam uma anomalia gramatical que a esmagadora maioria das traduções ocidentais simplesmente ignora.
SPEAKER_03O que diz lá? Exatamente.
SPEAKER_02O mandamento divino não diz algo como você o construirá, ou então quando os artesãos o construírem. A conjugação verbal, a palavra TAC, diz literalmente se construirá.
SPEAKER_03Espera aí um pouco. Se construirá. Como se a coisa ganhasse vida e tomasse forma sozinha na frente deles.
SPEAKER_02É. A leitura mística diz que não é só uma figura de linguagem bonita. O zoar explica que, naquele nível de conexão altíssimo, o objeto literalmente se construía por meio de um milagre.
SPEAKER_03Caramba, eu tô chocada. Como assim?
SPEAKER_02A bênção e a energia primordial pairavam sobre as mãos dos artesãos de uma maneira tão mais tão intensa que no momento em que eles começavam o trabalho, a própria arte os ensinava a se mover.
SPEAKER_03Nossa!
SPEAKER_02O fluxo era totalmente involuntário. Não havia a necessidade de ferramentas de ferro brutas, ninguém ouvia o som de martelos lascando a matéria, sabe?
SPEAKER_03Então as mãos humanas serviam apenas como, tipo, condutoras para que a forma geométrica sagrada se manifestasse a partir do ouro.
SPEAKER_02Perfeito. As mãos eram só um canal.
SPEAKER_03Olha, isso soa incrivelmente parecido com um, não sei, uma espécie de impressora 3D espiritual.
SPEAKER_02Uma impressora 3D espiritual. Gostei da analogia.
SPEAKER_03É, porque pensa bem, é como se o artesão tivesse o projeto mental perfeito e aí a pura intenção dele contornasse completamente o suor e a força bruta, fazendo com que o objeto simplesmente brotasse na realidade física.
SPEAKER_02Essa é uma excelente forma de visualizar o processo. É bem por aí. E a Kabala explica a mecânica exata dessa impressora 3D que você falou.
SPEAKER_03Tá, e como funcionava a mecânica? Porque não era mágica, né?
SPEAKER_02Não, de jeito nenhum. Não era mágica, era método, uma tecnologia pura. Esses artesãos sabiam como despertar uma emanação espiritual altíssima, chamada Binar.
SPEAKER_03Certo, vamos pausar rapidinho aí pra não perdermos ninguém no jargão. Pra quem tá acompanhando a gente, o que seria exatamente essa emanação de Binar?
SPEAKER_02Justo, é bom esclarecer. Pensa na árvore da vida cabalística como se fosse o sistema circulatório do universo.
SPEAKER_03A rede de energia?
SPEAKER_02Isso. Binar é uma das esferas mais elevadas desse sistema todo. A gente pode traduzir o termo como entendimento.
SPEAKER_03Entendimento.
SPEAKER_02Tá. É tipo o vasto reservatório cósmico onde reside todo o potencial puro. Sabe aquela energia latente logo antes de se transformar em matéria concreta?
SPEAKER_03Entendi. É o projeto antes de virar prédio.
SPEAKER_02Exatamente. O que esses antigos sabiam fazer era acessar um caminho chamado Zei Anpin. E Zen Anpin funciona basicamente como um transformador elétrico cósmico.
SPEAKER_03Um transformador.
SPEAKER_02É, porque se a energia gigantesca de Biná descesse direto para o nosso mundo, ela fritaria a nossa realidade. É intensa demais, não aguentaríamos.
SPEAKER_03Ah, tipo, ligar um aparelho de 110 volts numa tomada de 220.
SPEAKER_02Exato. Iria dar curto. Então Zeirampim reduz a voltagem dessa energia, permitindo que a intenção mental do artesão se conecte de forma super segura a essa força primordial.
SPEAKER_03Uau!
SPEAKER_02E ao fazer isso, eles atraíam o desejo do Criador, que é a vontade infinita de conceder bem, de dar abundância. Era essa vontade que manipulava a matéria no mundo físico lá embaixo.
SPEAKER_03Uau! Certo, uma vez que a gente entende que essa geração tinha a chave desse transformador elétrico cósmico e que eles podiam unir a intenção pura, a matéria, de forma super direta, algo não se encaixa na história de Babel.
SPEAKER_02Onde você vê a falha?
SPEAKER_03Se eles tinham esse poder alucinante de criação espiritual limpa, por que diabos eles se dariam ao trabalho de construir uma torre física, de tijolos, no meio de um vale aleatório? O que levou aquela galera ao evento de Babel?
SPEAKER_02Ah, essa é a grande transição da história. É o momento exato em que a tecnologia espiritual que a gente descreveu foi virada do avesso.
SPEAKER_03Eita!
SPEAKER_02O livro de Gênesis relata que essas pessoas partiram do leste e encontraram um vale na terra de Xinar. Isso. E novamente a chave aqui não é a topografia do terreno físico. A geografia nos textos místicos funciona como um mapa da consciência humana, não é GPS.
SPEAKER_03Então, partir do leste quer dizer algo muito mais profundo do que simplesmente colocar uma mochila nas costas e caminhar em direção ao pôr do sol, né?
SPEAKER_02Muito mais profundo. A palavra hebraica para leste no texto é Kedem. E Kedem compartilha a mesma raiz de palavras como origem, ou aquilo que vem antes.
SPEAKER_03Entendi.
SPEAKER_02Sair do leste, nesse contexto kabbalístico, significa afastar-se da origem da luz. Na linguagem dos sábios, o texto está sugerindo que eles decidiram, de forma deliberada, sair da esfera de Mauchut do mundo de Azilut.
SPEAKER_03E lá vamos nós com os termos técnicos de novo. Vamos clarear isso para quem está ouvindo não ficar perdido.
SPEAKER_02Claro, claro, desculpa. O mundo de Aziluth é o nível espiritual mais alto e refinado que existe, tá? É um estado de pura unidade, onde o ego humano não existe.
SPEAKER_03Pura harmonia, então?
SPEAKER_02Isso. E mauschute é o ponto de ancoragem, a base desse mundo superelevado. Estar nesse estado de mauschute de Aziluth significa viver em harmonia total com a criação, o que a Bíblia, aliás, geralmente codifica como o jardim, o jardim do Éden.
SPEAKER_03Ah, agora fez muito sentido. Então, quando o texto diz que eles partem do leste, eles estão, na verdade, abandonando esse estado de consciência iluminada por escolha própria?
SPEAKER_02Exatamente. Uma escolha consciente de desconexão. E aí eles chegam a esse vale de Chinar, que é a região da Babilônica.
SPEAKER_03Que, pelo que eu li nos nossos documentos de estudo de hoje, é descrita como a própria raiz do caos e da confusão.
SPEAKER_02Sem dúvida. A Babilônia representa a fragmentação total. É o lado esquerdo, sabe? A polaridade puramente negativa e restritiva da árvore da vida.
SPEAKER_03Nossa, que queda!
SPEAKER_02Ao se desconectarem lá da fonte, essas pessoas começaram a experimentar um vazio interno terrível, uma instabilidade existencial absurda, porque cortaram o cordão umbilical cósmico.
SPEAKER_03Faz sentido.
SPEAKER_02E para compensar essa queda brutal, para tentar ancorar algum tipo de poder num ambiente totalmente caótico, eles decidiram construir.
SPEAKER_03E é aí que entra o famoso projeto de Babel. Só que, claro, a torre não é um prédio comercial ou um monumento de ego físico.
SPEAKER_02Longe disso.
SPEAKER_03Comentário do Zorhar aponta que a tal cidade mencionada no texto é o código para Choque do mundo impuro. E choque seria a sabedoria divina, mas ali corrompida.
SPEAKER_02Exato. A sabedoria do lado negro, digamos assim.
SPEAKER_03E a torre seria Biná, a inteligência corrompida, estruturada lá no lado negativo que você mencionou. Mas, olha, o que realmente me pegou na leitura de hoje, e eu quero muito que a gente explique isso com cuidado, é a questão do material de construção.
SPEAKER_02Os tijolos e o betume.
SPEAKER_03Isso. O texto original fala em tijolos e betume. Mas qual é a verdadeira natureza desses tijolos? Porque a gente já sabe que não era barro.
SPEAKER_02A leitura atenta desses códigos antigos revela que os tijolos nunca foram feitos de barro assado. Os tais tijolos eram, na verdade, as letras do alfabeto aramaico e hebraico.
SPEAKER_03Letras? Como se fossem, tipo, linhas de código de programação?
SPEAKER_02De certa forma, sim. É uma ótima ponte. A tradição ensina que o universo foi literalmente falado à existência. O famoso haja luz. Exato. As letras para eles não são apenas símbolos bonitinhos desenhados no papel. Elas são as frequências vibracionais que estruturam e sustentam a nossa realidade física. Caramba. O que aquela geração estavam fazendo em Babel era pegar as ferramentas sagradas da linguagem, os códigos do Criador, e arranjá-las em fórmulas super complexas para criar uma estrutura espiritual maciça, mas do lado impuro da existência.
SPEAKER_03Mas aí a grande pergunta que fica martelando na cabeça é por quê? O texto diz que eles queriam fazer um nome para si mesmos.
SPEAKER_01Isso.
SPEAKER_03Que os nossos materiais de estudo traduzem como criar um sistema alternativo, um falso Deus. Mas a gente pode pensar nisso como uma tentativa de causar um curto circuito cósmico.
SPEAKER_02Como assim um curto circuito?
SPEAKER_03Tipo, eles queriam a luz, a energia infinita, o li-fi do universo, vamos dizer assim, mas sem precisar pagar a conta.
SPEAKER_02Sem precisar fazer o trabalho espiritual de refinar o caráter.
SPEAKER_03Entende?
SPEAKER_02Sim. A analogia do curto circuito é muito, muito precisa. Porque o lado negativo da realidade não possui nenhuma luz própria. Ele é puramente parasítico.
SPEAKER_03Ele só suga a energia de quem produz.
SPEAKER_02Exatamente. Ele suga. A ambição daquela geração inteira era forçar o acesso a uma quantidade gigantesca de energia, prazer e sustento de forma totalmente imediata, sem passar por nenhum processo ético.
SPEAKER_03Eles queriam burlar o sistema. Era um hack no universo.
SPEAKER_02Era um hack. E a curto prazo, a gente tem que admitir, isso concedeu a eles um poder brutal, mesmo sendo algo totalmente insustentável ao longo prazo.
SPEAKER_03Mas, sabe, lendo as análises com calma, fica muito claro que o buraco era ainda mais embaixo. Não era só ganância por energia rápida.
SPEAKER_02Tinha um trauma profundo aí.
SPEAKER_03Pois é, havia um trauma geracional imenso conduzindo essa ambição desmedida. Eles não queriam apenas energia grátis para viver bem. Eles estavam obcecados com um plano de contingência cósmica.
SPEAKER_02Contingência contra o que, especificamente?
SPEAKER_03É aí que está. Toda a empreitada da torre foi concebida para combater uma força específica. A força que causou o famoso dilúvio de Noé.
SPEAKER_02A história de Noé?
SPEAKER_03Sim. E confesso que a explicação que os textos místicos trazem sobre o dilúvio é bastante desconfortável, né? É muito diferente daquela história fofinha da arca com os animais aos pares que a gente aprende.
SPEAKER_02Olha, o zoar nunca adocica a realidade, ele é muito direto.
SPEAKER_03Pois é. O dilúvio é frequentemente descrito nas interpretações mais comuns que a gente vê por aí como uma chuva punitiva para pessoas que eram genericamente más.
SPEAKER_02Os pecadores. Mas a análise mística revela que, na verdade, foi o resultado de uma grave corrupção do DNA e da energia criativa humana. Especificamente, o texto fala através de transgressões sexuais e imoralidades levadas ao extremo absoluto.
SPEAKER_03Nossa!
SPEAKER_02Na visão cabalística, o mau uso dessa energia vital cria um desequilíbrio severo no sistema ecológico e espiritual do planeta inteiro.
SPEAKER_03E a resposta natural do universo a isso foi a água. Mas a gente não está falando simplesmente de moléculas de H2O caindo de uma nuvem, certo?
SPEAKER_02De jeito nenhum. A água do dilúvio, nos códigos do Zohar, é o código para um transbordamento da emanação de Shockmah. Isso é a sabedoria primordial, a energia bruta e infinita da luz. Então, o dilúvio foi uma inundação avassaladora de energia purificadora.
SPEAKER_03Uma inundação de luz.
SPEAKER_02Pense o seguinte: quando um recipiente físico está rachado e totalmente corrompido, e você joga uma luz de potência infinita sobre ele, o que acontece?
SPEAKER_03Uau! Ele não aguenta a pressão.
SPEAKER_02Exato. O dilúvio foi exatamente isso: uma overdose de energia que o mundo físico daquela época não teve estrutura moral nenhuma para suportar. A Terra precisou ser lavada dessa negatividade impregnada.
SPEAKER_03Que imagem forte.
SPEAKER_02E vale lembrar um detalhe crucial que o texto traz. A humanidade recebeu 200 anos de avisos contínuos sobre esse colapso iminente. 200 anos.
SPEAKER_03200 anos? Tá brincando?
SPEAKER_02Não. Foi muito tempo. Mas apenas a família de Noé optou por ouvir e mudar o curso.
SPEAKER_03Caramba.
SPEAKER_02E isso nos leva direto de volta a Babel, né? Porque os textos afirmam que, quando chegaram ao Vale de Chinar, aqueles construtores encontraram os ossos da geração do dilúvio.
SPEAKER_03Os ossos? Outro código. Sim, porque novamente a gente não está falando de arqueologia e escavação de fósseis. Estamos falando dos restos da sabedoria ancestral, sabe? Dos fragmentos corrompidos da cabala que sobreviveram de alguma forma ao desastre.
SPEAKER_02É isso mesmo. Eles acharam os resquícios dessa tecnologia.
SPEAKER_03Eles pegaram essa tecnologia, viram o que deu errado com os antepassados e tentaram consertar a falha. Mas para poderem continuar no erro. Eles queriam alterar o código-fonte do universo para garantir que nenhum outro dilúvio pudesse acontecer.
SPEAKER_02Nenhuma outra lei de causa e efeito.
SPEAKER_03Exato. Eles queriam pecar à vontade sem que a causa e efeito pudesse varrer-los do mapa como consequência.
SPEAKER_02Olha, se tem uma definição suprema para a arrogância espiritual, é essa. Eles queriam usar os segredos da própria criação, da luz, para criar uma blindagem contra a justiça inerente e natural do universo.
SPEAKER_03E é aqui que a coisa fica realmente fascinante. Mas me deixa fazer o papel do advogado do diabo por um segundo, porque quem está ouvindo deve estar pensando a mesma coisa.
SPEAKER_01Manda.
SPEAKER_03Se essas pessoas pegaram o conhecimento ancestral da árvore da vida, pegaram a vibração das letras hebraicas, as emanações de luz e usaram tudo isso para construir estruturas invisíveis de poder ditatorial e barrar leis universais, a sensação que dá de que a cabala é alguma espécie de livro de magia sombrios.
SPEAKER_02Eu entendo perfeitamente o seu ponto.
SPEAKER_03É essa a conclusão que a gente deve tirar depois de ler tudo isso?
SPEAKER_02Essa é uma confusão muito, muito comum. Mas a resposta é um sonoro e categórico não. Os cabalistas deixam claríssimo que não há absolutamente nada de intrinsecamente sombrio na estrutura do universo ou nos ensinamentos.
SPEAKER_03Tá, me explica melhor isso.
SPEAKER_02O que a gente estuda aqui não é feitiçaria, não é bruxaria de conto de fadas. É o equivalente à física quântica da alma. É só a mecânica matemática de como a intenção humana interage com a realidade superior.
SPEAKER_03Ah, fez muito sentido agora. É exatamente como energia nuclear, não é?
SPEAKER_02Energia nuclear? Como assim?
SPEAKER_03Pensa bem, a física nuclear não tem qualquer senso de moralidade embutido nela. Com o mesmíssimo conhecimento matemático sobre a fissão do átomo, um grupo de cientistas pode construir uma usina segura e fornecer eletricidade super limpa para aquecer dezenas de hospitais no inverno rigoroso.
SPEAKER_02É verdade.
SPEAKER_03Mas, com a exata mesma equação, outra pessoa pode fabricar uma ogiva atômica e simplesmente varrer uma metrópole inteira do mapa em segundos. A equação não é cruel, ela só existe. Cruel é a intenção da pessoa que se senta lá na cadeira de controle.
SPEAKER_02Nossa, o raciocínio é simplesmente perfeito, é exatamente isso. A sabedoria espiritual é apenas uma ferramenta. Uma ferramenta neutra, monumental e superpodosa. E o único propósito original dela é nos alinhar de volta à harmonia do Criador. Em Babel, o que ocorreu foi que uma geração com mentes brilhantíssimas, mas com corações completamente obscurecidos e apodrecidos pelo egoísmo, sequestrou essa ferramenta divina. O crime não foi usar as letras. O crime não foi entender as emanações.
SPEAKER_03O crime foi a intenção por trás, né?
SPEAKER_02Exato. O crime foi a intenção de subverter a ordem natural de compartilhar, transformando tudo num sistema de consumo egoísta desenfreado.
SPEAKER_03Sabe, sabendo de todo esse arsenal que eles tinham à disposição deles. Fica a dúvida cruel. Como eles chegaram tão longe na prática?
SPEAKER_02Como eles quase venceram.
SPEAKER_03Isso. Como quase conseguiram instalar esse verdadeiro vírus no sistema operacional da criação. As fontes que a gente leu dão um destaque enorme a dois elementos que parecem muito banais no nosso dia a dia, mas que guardam uma força absurda.
SPEAKER_02E quais são eles?
SPEAKER_03A fala e o conceito de união.
SPEAKER_02Nossa senhora, esses são os pilares. Vamos olhar para a frase que dispara todo o projeto de construção no texto bíblico. Lá diz, Eia, façamos tijolos.
SPEAKER_03Parece só um mestre de obras chamando a galera para o batente.
SPEAKER_02Pois é. A leitura tradicional, mas rasa, vê nisso apenas um chamado comum ao trabalho. Mas os comentários rabínicos mais profundos explicam que essa frase funcionou como um juramento inviolável.
SPEAKER_03Um juramento.
SPEAKER_02Sim. Naquele tempo, antes da separação, as palavras proferidas na língua sagrada eram as mesmíssimas palavras que as forças celestiais, que o texto chama de anjos ministradores, compreendiam e usavam para operar.
SPEAKER_03Peraí, então, quando eles diziam Vamos construir, não era tipo Um plano futuro numa prancheta. Era um comando enter sendo pressionado no teclado do universo.
SPEAKER_02Um enter? Exato.
SPEAKER_03E aí a construção acontecia meio que simultaneamente nos planos superiores invisíveis da realidade. A intenção se convertia em lei imediata. A famosa união.
SPEAKER_02Isso. O texto descreve que havia, em hebraico, Safa Ahats na Terra.
SPEAKER_03Que a gente traduz como.
SPEAKER_02Uma só língua e uma mesma fala. Mas não se trata apenas de uma gramática unificada ou um dicionário comum, entende? Trata-se de um pensamento uníssono, uma concordância mental e de propósito total entre eles.
SPEAKER_03Uma mente de colmeia, quase.
SPEAKER_02Perfeito. E aqui o Javi Aschlag traz uma reflexão que é, para dizer o mínimo, assustadora para nós hoje. Ele diz que a força da união é tão, mas tão implacável, que ela independe totalmente da moralidade.
SPEAKER_03Como assim, independe da moralidade? A união não é algo inerentemente bom? É aí que está o susto.
SPEAKER_02Se um grupo de indivíduos com intenções absolutamente terríveis estiver perfeitamente unido num único propósito, eles possuem poder espiritual suficiente para subjugar um grupo inteiro de pessoas muito boas, mas que esteja fragmentado ou brigando entre si.
SPEAKER_03Caramba, eu tô arrepiada. Então, se o mal for organizado e o bem for bagunçado, o mal ganha a queda de braço espiritual?
SPEAKER_02Pelas leis cósmicas, sim. A união é o atributo primário do próprio Criador. Ele é um. Portanto, quem quer que invoque a união verdadeira, seja para qual finalidade for, acessa um poder incalculável.
SPEAKER_03Olha, isso realmente muda tudo. A união perversa deles formou um escudo impenetrável ao redor daquela obra maligna.
SPEAKER_02Exatamente. Era o escudo perfeito.
SPEAKER_03Mas, claro, a gente sabe como a história bíblica caminha, a intervenção acontece de alguma forma e o caos é interrompido antes do desastre total. O relato tradicional diz: Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre.
SPEAKER_02É, e como a gente já estabeleceu desde o começo, a leitura literal dessa frase é super enganosa.
SPEAKER_03O criador não tem um corpo físico precisando pegar um elevador cósmico para descer, né?
SPEAKER_02Pois é, ele não está no espaço sideral, precisando descer de nuvem em nuvem de binóculos para observar um prédio mal feito.
SPEAKER_03O Zohar codifica a palavra ver nessa passagem como o ato de direcionar o atributo do julgamento para alguma coisa.
SPEAKER_02A luz da justiça divina iluminou a raiz do problema. Exato. E observe algo sutil no texto, muito sutil. A intervenção recaiu sobre a cidade e a torre, tá? Não foi um raio fulminante caindo na cabeça das pessoas. Na lei do reparo espiritual cabalístico, para você sanar um distúrbio crônico na raiz, você não corta só os galhos podres da árvore, você seca a raiz corrompida.
SPEAKER_03Nossa, e a raiz era justamente aquele código de programação impuro que eles mantinham rodando com tanta perfeição, como a gente falou. O antídoto divino foi, cara, foi genial, se pararmos para pensar.
SPEAKER_02Sim, foi cirúrgico.
SPEAKER_03Porque não houve um terremoto pirotécnico para derrubar a torre de tijolos físicos. A ação corretiva, o julgamento, foi confundir os idiomas, estilhaçar a língua sagrada original em dezenas de dialetos diferentes. É literalmente cortar o sinal do Wi-Fi.
SPEAKER_02Cortou o sinal. Foi uma quebra de frequência brutal, não teve violência física. Ao introduzir a confusão de linguagens, aquela famosa safarra hat, a união de mentes e propósitos inquebrável, foi desfeita em questão de segundos.
SPEAKER_03Eles pararam de se entender de uma hora para outra.
SPEAKER_02Pararam de se entender no nível mais fundamental da alma. E sem essa sintonia fina operando, aquele canal de comunicação direto entre a intenção física deles e a manipulação espiritual foi rompido de forma irreversível.
SPEAKER_03Acabou a impressora 3D espiritual.
SPEAKER_02Acabou. Sem a sustentação daquela união maligna e das letras sagradas sendo articuladas de forma conjunta, a imensa estrutura invisível e impura que eles criaram lá em cima desmoronou no mesmo instante. O poder imenso dele simplesmente evaporou.
SPEAKER_03É uma história de queda livre impressionante.
SPEAKER_02Muito.
SPEAKER_03A humanidade não está mais vagando fisicamente pela planicidad. O que a gente faz com esse conhecimento milenar de que os tijolos, na verdade, são as palavras que a gente fala, de que as torres são essas realidades espirituais super densas, e de que a união é o verdadeiro motor oculto da história.
SPEAKER_02Olha, o Rava Ashlag traz uma aplicação brilhante de tudo isso para os dias de hoje. Para o momento que a gente chama de Era de Aquário.
SPEAKER_03E qual é a visão dele?
SPEAKER_02Ele observa que o panorama do mal mudou bastante. Hoje em dia, as pessoas com intenções mais destrutivas estão hipnotizadas por ilusões totalmente diferentes.
SPEAKER_03Tipo o quê?
SPEAKER_02Eles estão obcecados com o mercado financeiro, com criptomoedas, com o ganho material imediato e com essas disputas mesquinhas de poder político, sabe? As forças do caos se vulgarizaram muito.
SPEAKER_03É, o foco virou só o dinheiro e o ego superficial. O que, ironicamente, abre uma oportunidade gigantesca e completamente desimpedida para aqueles que genuinamente buscam evolução hoje em dia, né?
SPEAKER_02Precisamente. Você pegou o ponto. O caminho para usar a verdadeira tecnologia espiritual hoje está livre daquela apropriação indevida e perigosa que a gente viu lá em Babel.
SPEAKER_03O caminho está livre para nós.
SPEAKER_02Sim. O poder interno mais profundo, o entendimento das frequências, das letras que estruturam a realidade e o bem está amplamente disponível para quem tiver a coragem de sentar, estudar e assumir a responsabilidade. E usar para o bem. Sim, usar para o bem. As pessoas que mantêm o coração no lugar certo agora possuem ferramentas poderosíssimas na mão. Podem usar essa sabedoria milenar para promover a verdadeira união. Mas uma união sem agendas ocultas, sabe? E assim trazer misericórdia ao mundo, desmantelando dia após dia, com suas boas intenções, essas torres de negatividade que ainda temam e aparecer espalhadas na nossa sociedade.
SPEAKER_03Nossa, e isso nos traz de volta ao cerne da nossa missão logo na abertura do nosso papo de hoje. Essa história bíblica não é sobre um conto antigo para crianças dormirem. É sobre a gente perceber com clareza que não somos meros habitantes casuais que só consomem oxigênio neste planeta.
SPEAKER_02É, não somos vítimas do destino.
SPEAKER_03Somos arquitetos muito ativos da realidade ao nosso redor. O nosso mergulho profundo nas fontes místicas de hoje deixa cristalino que as palavras nunca foram e nunca serão apenas oxigênio vibrando nas nossas cordas vocais. Nunca. Se lá em Babel aquelas sílabas funcionaram como juramentos invioláveis, como tijolos pesados que erguuiam fortalezas espirituais gigantescas, muito antes de qualquer coisa se manifestar fisicamente aqui embaixo, a reflexão que se impõe para quem está ouvindo a gente é meio inevitável, né?
SPEAKER_02É pesada.
SPEAKER_03Que tipo de cidades e torres invisíveis a gente anda construindo, às vezes até no anonimato das nossas rotinas. Sabe quando alguém escolhe palavras supercarregadas de ressentimento? Ou quando decide se engavear nas conversas destrutivas e fofocas que dividem e separam o ambiente inteiro de trabalho? O que exatamente essa pessoa está pavimentando nos bastidores cósmicos da própria vida?
SPEAKER_02A gente construindo as próprias prisões, né?
SPEAKER_03Exatamente. E por outro lado, qual é o tamanho da luz gigantesca que a gente invoca quando, no meio de um mundo que está super barulhento e dividido, a gente opta conscientemente por oferecer um vocabulário de encorajamento, de paciência e de verdadeira união dentro da nossa própria casa.
SPEAKER_02Muda tudo. A vibração do ambiente muda na hora.
SPEAKER_03Muda na hora. A verdade incômoda e, ao mesmo tempo, acho que libertadora é que a grande maioria das pessoas hoje atua como mestres de obras, de um reino completamente invisível, mas operam na mais absoluta distração.
SPEAKER_02Apert o Enter o dia inteiro sem ler a tela?
SPEAKER_03Sim. Apertando o Enter sem ver o que estão programando para o universo. Fica então o pensamento provocativo para a gente levar adiante para o público mastigar durante a semana. A estrutura invisível que você está erguendo hoje com cada fala cotidiana sua, ela está bloqueando a passagem da luz ou ela está pavimentando o caminho para ela? O impacto real de cada pequena palavra proferida que a gente viu hoje é muito, muito mais tangível do que os nossos olhos conseguem ver.