Sempre aqui.
Sempre aqui.
Sempre aqui.
episódio 8
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meus puros, tive saudades e só passou uma semaninha :,)
neste episódio falamos sobre uma senhor que disse "shhhht!", ir à embaixada da Indonésia, ver Obsession e filmes de terror, as diferenças entre artistas numa belíssima conversa com uma senhora brasileira, andar a pé as usual e ficar todo nervoso quando falo com homens.
demos a recomendação e o ganda abraço da semana.
beijinhos meus manos!
Meus putos Meus Puras, como é que vocês estão? Como é que estão?
SPEAKER_03Michael Jackson, começar já assim, Os Purals, como é que vocês estão? Como é que foi a vossa segunda-feira? Foi um dia intenso. Foi um dia intenso. Ou foi um dia bom? Como é que foi? Como é que foi a vossa segunda-feira? Normostuma ser má, não é? Mas ontem foi boa? Ou foi má? Não sei porque vocês nunca dizem. Por isso, olha, eu a minha correu-me super bem. Foi daquelas segundas-feiras que aconteceu muita coisa, tipo, ou é trabalho, ou é coisas, de repente estou a almoçar, estou a fazer o almoço, é aquele teletrabalho em que vocês estão tipo fazer 37 mil coisas ao mesmo tempo. Eu não sei como, a sério, não sei mesmo como é que há pessoas, sobretudo do sexo feminino, que conseguem fazer tanto multitask. Eu juro que não sei como, eu tenho que eu sei que isto é bue não sei como adjetivar isto, mas é verdade. Eu não consigo fazer muita coisa ao mesmo tempo. Eu estar em casa é tipo, mas hoje consegui hoje, que é segunda-feira, consegui. Foi daquelas segundas-feiras que aconteceu muita coisa e eu consegui ir ao ginásio, consegui trabalhar, trabalhar bem, consegui fazer coisas, fiz o almoço à hora de almoço que é tipo eia bem, boedabum, uma bolhesa de atum, mas que leva bacon, malta. Vocês não façam cara de nojo antes de provarem, ok? Aquela refeição baratinha, mas olhem, corram a segunda-feira. Eu espero que tenha corrido bem a vossa. Tenho uma data de coisas para vos contar. Eu espero mesmo que vocês estejam bem. Vamos a isso? Vamos sempre aqui desta semana? Bora!
unknownSempre aqui.
SPEAKER_03Malta, esta semana que passou aconteceu até muita coisa, mas muita coisa boa. Sabem quando acontecem coisas boas na vossa vida e vocês de repente parece que até veem a vida com mais cor. Eu não sei se eu estou a dizer isto porque eu estou a gravar olhar para o céu e para as árvores e para os prédios e está a sol. Tipo, se tivesse a chover, será que eu ia dizer a mesma coisa? Provavelmente não, provavelmente não, temos que ser honestos. Mas foi daquelas semanas em que aconteceu tudo assim, correu tudo bem, aconteceram coisas boas, tirando ali no fim de semana, que foi ontem, que eu fui almoçar com o meu amigo Adin Adin Fui almoçar com ele e estávamos os dois a almoçar e estava uma senhora velhinha, coitadinha, coitadinha mesmo, coitadinha mesmo, que chamou o empregado da seguinte forma Oxeste é que é assim, é assim, a subiar do tipo já é mau homenina, homenino, já é agora, osteste estás-lhe a chamar Chiste e depois ela onde olhou para mim com aquela cara de que foi? É assim, você está com esse mood, claramente não houve sempre aqui. Devo-lhe já dizer que não houve. Enfim, é que estávamos a comer um franguinho assado muito bom, muito bonzinho, muito bom, correu tudo muito bem, e portanto compensou. Não olhei mais para a senhora, fingi só que ela não existia, tipo, que ela não estava a comer ao meu lado, mas pronto, tudo bem. Também um dia antes fui, acabei por ir parar à Embaixada da Indonésia. Malta, uma experiência muito gira, uma experiência muito gira. E assim, eu não sei se posso contar isto, mas eu acho que posso. Acho que posso, não posso. Público! Público em casa, posso? Acho que posso. Que eu vou preso. Agora estou com medo. Olha, fui parar à Embaixada da Indonésia porque houve um amigo meu que me convidou porque ele disse-me assim: Ah, tenho aqui uma oportunidade, pá, tu gostas muito de comunicar com pessoas. Eu gosto de comunicar com pessoas. Onde é que tu viste isso? Desculpa, desculpa, estás completamente certo. Enfim, fui lá parar porque supostamente gostava muito de comunicar com pessoas e achei aqui a comunicar mesmo para pessoas. Tanto que eu fiquei um bocado até intimidade porque é comunicar para pessoas numa embaixada. Mas tipo, estás a parar do que é que eu estou a fazer ou não? Eu faço as pessoas a rirem. Eu quero fazer as pessoas rirem, vou fazer rir numa embaixada? Que é para ser presa a seguir? Para as pessoas que controlam o mundo e as decisões diplomáticas vão ficar a saber quem eu sou.
SPEAKER_04Não sei se me agrade essa ideia.
SPEAKER_03Mas fui, na mesma. O que acontece? Não era nada disto. Não era nada disto. Era estar numa banca a vender coisas, a conseguir contactos, a vender. Portanto, está numa ativação numa ativação.
SPEAKER_02Malta estava numa ativação da marca, estava lá na embaixada a vender, estava lá a vender coisa, estava numa feira. Era por acaso não era a feira, era mercado culinário. Não tinham este sotaque, mas era parecido.
SPEAKER_03Querido, mas o que é que se. Eu acho que a minha segunda-feira correu demasiado bem para estar com este sotaque, não é? Quem é que é a pessoa que está assim tão bem disposta a uma segunda-feira? Alguém tem que estar também, não é? Verdade seja dita, mas pronto. Portanto, estava lá a vender coisas, a vender roupa, a vender raquetes de pádel. Muito giro. Foi muito giro agora. Estou lá, tipo, chego, tenho que montar o stand. Começo a montar o stand e começo a ver que há certas coisas que eles tinham planeado ter lá que não enviaram. Decidiram à última hora, pá, isto se calhar não vem. Eu começo logo a ver ali, ui, ui ui. E na por cima fui eu que tive que montar o stand, portanto, estava responsável pela montagem, estar ali aquele período de tempo e depois desmontagem do stand. Acontece que eu estou a montar e eu não sei como é que se chama aquilo, não é outdoor. São tipo um não sei, não sei. É um tipo um quadrozinho que puxa e fica com ferro a segurar e tem tipo uma lonasita. Isso é como uma. Olha, essa treta é horrível. Eu desrecomendo aquilo. A sério, é um dislike naquilo enorme. Malta, eu estava a montar aquilo, ok? Eu estava com tanta dificuldade, juro, aquilo é mesmo difícil de montar. Ainda por cima estava meio mal arrumada e sujo de outros eventos passados. Então, tipo, que nojo. Ainda por cima tinha levado um sapatin novo, um mocaçin novo.
SPEAKER_04Que ele pensou: ai, vai para o meio baixado, é muito importante, vai dar um muca sim. Pô, malá, vai-me montar standy. Vai-me montar standy. Ai, no stand, calor, e tudo mucassin, meu Deus, isso é tão importante, diplomacia.
SPEAKER_03Enfim, estava do lado de Mocaçan a montar este outdoor do demonio, que eu não lhe sei chamar, não tem mesmo outro nome. Malta, eu estava com tanta dificuldade que vem um gajo lá da organização, um indonésio, é indonésio que se diz, não é? Não quer estar aqui a entrar em racismo, nem xenofobia, nem dislike. Ok? Portanto, vem de lá um indonésio para me ajudar. Olha, eu estou a montar aquilo e aquilo é tipo. Como é que eu vou te explicar? Aquilo é uma estrutura que está no chão. Depois vocês puxam aquilo para cima, a estrutura continua no chão, mas o que estão a puxar para cima vai saindo uma lona com a imagem da marca, ou o que se quiser mostrar, o que se quiser comunicar. Eu estava a puxar aquilo, só que aquilo desprende e vai outra vez para baixo, aquilo é tipo elástico. Vocês puxam, aquilo vai fazendo força, mas se vocês largarem, aquilo para baixo. O Indonésio põe-se do outro lado, eu estou de um lado, ele está do outro, eu estava a puxar, ainda por cima era mais alto do que ele, estava a puxar aquilo e o gajo está do outro lado, estava a puxar aquilo, eu estava a puxar aquilo e o gajo estava do outro lado. Ora, eu puxo aquilo, aquilo escapa-me da mão, bate-lhe na cabeça que ele não tinha nada na cabeça, o gajo fica a sangrar, e de repente eu estou numa embaixada de mocação a montar um stand e meto um dos gajos a sangrar. Malta, eu não levo um tiro logo a seguir, não sei como. Imagina, logo anda a parado, vêm os amigos dele, os amigos, quer dizer, não são colegas, pá, isto parece bem racista, não é? Mas não, vêm os amigos, os amigos, vêm os. Estão ser cancelados, vêm os colegas de trabalho, os colaboradores, vêm colaborar com ele, vêm ajudá-lo, socorrê-lo, vem tipo três ou quatro, e eu de repente estou ali mal da fita, estou tipo, ei, mas continuem a montar o stand, porque há horas para cumprir, eu estou aqui e malta, eu tenho que montar o stand. O gajo desaparece, entretanto, nunca mais o vi, durante algum tempo. Depois voltei a vê-lo e pedir-lhe obviamente desculpa e só não lhe ofereci uma raquete paddle porque não são preços propriamente acessíveis para a minha carteira neste momento. Na outra altura de vida era logo. Olha, toma lá aqui uma destas, que é 2600€, só a primeira prestação. Toma. Coitado, ficou a sangrar, ficou triste. Eu vi que ele ficou triste. Ele ficou tipo, estou a sangrar, foi lá para dentro, assim meio a cambalear, cambalear, foi assim meio a andar triste, logo ali, pronto, enfim, montei o stand, consegui, depois vesti as roupas que eram precisas vestir, a primeira pessoa que chega chega uma senhora baixinha, Indonésia, vestida, muito bem vestida, diga-se de passagem, muito bem vestida, com um blazer rosa, mas não rosa choque, era um rosa muito giro, com uma calça branca, muito gira, com uma mala linda. Quem é que era? Embaixadora. Embaixadora tal. A primeira pessoa que eu atendo é a embaixadora. O que é que se está passando? É aqui uma pessoa a tentar fazer networking de repente estou a cumprimentar a embaixadora da Indonésia. Logo a seguir vem outro senhor. Ah, sorry, how much for this racket? Começa-me um gajo a traduzir do nada. Ah, he's asking for the price of the racket. E eu tipo, This racket is sold out. Para quem não percebe inglês, dá cá um milhão de euros. Não, não foi escolher isso. Esta raquete está esgotada. E ele. Indonésia? Língua da Indonésia, língua oficial da Indonésia. Toma, mas já não conseguem cancelar. E o gajo estava a traduzir e diz: Ah, he's asking if there's no discount. E eu tipo, No, there is no discount. Sorry. Ah, ok, ok. Fui-se embora. Mais tarde vim a perceber que ele também era uma pessoa importante. Não sei se era o representante, se era um diplomata, não sei o que é que era. Ai ai ai ai ai, uma experiência. Depois de repente estou ali meio a representar a marca. Estou numa situação super intensa. Estou de repente ali estou num mercado culinário e diga-se de passagem que a comida de Indonésia não adorei. Não adorei. Não adorei. Gostei daquelas massas com arroz, ok. Aquelas massas com arroz, não, massas de arroz. Mas tudo o resto super oleoso. Mas claro, ofereceram-me, eu tive que aceitar e muito bem, vim-me embora porque pronto. Mas foi isto. Malta, de repente estou na embaixada. Malta, eu conheço a embaixadora. Se vocês precisarem, precisem ir de um assunto diplomático. Não me perguntei. Até porque eu recusei-lhe a vender uma raquete porque estava escutada. Portanto. What the hell? Também aproveitei a semana passada para ir ao cinema com a minha donzela e um amigo Ver Obsession. Que eu não sei se estão a par do que é que é, de que filme é que se trata, é um filme de terror. É um filme de terror, a premissa é o rapaz gosta muito de uma rapariga, mas a rapariga não gosta dele. Então ele pede um desejo. Nem vou dizer aquela palavra. Eu até tenho medo de dizer a palavra desejo. Já nem desejo nada. Olha, olha, olha, não desejo. Não gostei de? Pede um desejo para que ela goste dele. O que acontece? Ela fica obcecada. Mas obcecada a um nível assustador. E por isso é que é um filme de terror. Se não, era um filme de ação. O de comédia. Foi um filme que eu vou-vos dizer uma coisa. Eu saí do filme de braços cruzados e não foi por estar chateado ou insatisfeito. Eu depois, dois dias depois, eu percebi: não, não, eu gostei do filme. Mas eu fiquei com uma burradita. Malta, eu fiquei tão assustado que a minha namorada estava-me a tentar tocar a síria e eu tipo, sai, sai para lá, não, não, não, não. Não, não, não, malta, eu passei o filme todo tenso, tenso, agarrado à cadeira, agarrado ao bal de pipocas, a suar, uma suadeira, as minhas costas, eu parecia sei lá o quê? Tinha uma mancha, que horror, que horror, uma mancha gigante a suar de todos os lados, uma tensão, estava sempre com aquela cara assim a ver o filme, mas estava a ver, mas estava a ver, ao contrário, ao contrário, das pessoas que eu acompanhei e que me acompanharam, que por acaso naquele filme até estavam a ver o filme como deve ser, mas muitas vezes estas pessoas que adoram, ai, eu adoro ver filmes de terror, ai, adoro, adoro, bora ver, bora, e depois vocês vão ver, e eles passam o filme assim com os olhos fechados, ou então com as mãos à frente da cara.
SPEAKER_02Ai, tão giro, adoro ver terror, mas não estás a ver nada.
SPEAKER_03Estás os olhos fechados? Uma vez aconteceu-me já há um ano, combinei com um grupo de amigos, ímos ver um filme de terror. Resultado, fiquei sozinho a ver o filme terror no meio da sala, meu. Sozinho. A televisão gritava comigo, gritava de volta, estava com uma tensão horrível. O resto da malta, toda a dormir. Ai, adorei o filme, adoro deixar esse roupa, adoro, manda fazer o meio do filme de terror, pumba, a dormessem. Quem é que fica a ver? Eu. Sozinho, em frente à televisão, parecia que estávamos a fazer de propósito. Estava uma rodinha de malta a dormir e eu no meio do chão, no meio do chão, tipo puto persuído, ok, de cocras, sentadinha, quer dizer, não era de cocras, era meio sentadinha às chinhas, a ver o filme de terror, ali a olhar para a televisão, mesmo diretamente.
SPEAKER_02Se o gajo gritava comigo, eu estava ali já.
SPEAKER_03Mas é esta malta que adora os filmes de terror, adoro ver os filmes de terror. Por exemplo, eu adorava ir ver jogos de futebol e vou ver jogos de futebol de olhos fechados, mas eu adoro futebol. Não foi a melhor analogia, mas vocês perceberam. Pronto. Uma coisa. E depois, ou pior, pior é aquela malta que. Ah, eu adoro filmes de terror. E depois vocês vão ver os filmes de terror com eles. E eles estão-se a rir no meio do filme.
SPEAKER_02Estão-se a rir. Qual é a piada? Explica-me lá o que é que há de engraçado. Uma gaja espeta um lápis no olho. Muito engraçado. Isto é engraçado. Estamos a. Qual é que é. Não estou a perceber. Não estou, não estou, não estou, não estou. Querem fugir.
SPEAKER_03Estou aqui, querem fugir. Esta malta maluca, pá, mas em relação ao filme, o filme, malta, eu sério, eu arrepiei-me todo. Eu estava. porque eu nem sei explicar. É assim, isto foi, eu estou-vos a dizer a minha reação em relação ao filme minutos a seguir a ter visto o filme, portanto, assim que saí da sala, eu o resto da noite fiquei super assustado. Mesmo, estava tenso, cheguei a casa, estava com medo do escuro. Depois sabem quando vocês têm medo do escuro, começam a entrar na divisão meia-dançada estava assim, estava assim, estava intenso, achei intenso, porquê? Mas depois passou-me, passados uns dias passou-me. É o mesmo que ir à feira de maio e andar, tipo, à feira de maio, não é à feira de maio. É o mesmo que ir à feira e andar numa diversão que é assustadora e. E há ali muita adrenalina, não é? Sobre adrenalina ou adrenalina, adrenalita? Adrenalina. Adrenalina. É sobre adrenalina aquilo. Portanto, vocês assustam-se, ficam assustados, mas depois passa. Depois passa. Pronto. Agora, em relação ao filme, eu adorei, sinceramente, acho que está super bem pensado. E de facto há certas cenas que têm piada. Há certas coisas que têm piada porque o filme é assustador, mas ao mesmo tempo têm piada. Agora não tem assim tanta piada. Há ali certas coisas tipo assustadoras. Há certas cenas assustadoras. Mas assustadoras a um nível tipo. Eu estava encolhido.
SPEAKER_02Estava com cara. Eu até agora até estou a olhar aqui à volta para ver se ela não está aqui.
SPEAKER_03Epá, eu estava mesmo com uma cara assim, porque aquilo é um terror que não há muito jump scares. É um terror que é tipo é medo. Vocês têm medo. É diferente, a sensação é diferente. Porque enquanto num jump scare vocês estão ali, ganham tensão, a tensão vai subindo e depois há um clímax, e vocês, ah, que susto! Passou. Não, ali não, ali é. Estão a ver a pessoa de fundo a olhar e para a outra que está focada. Estão a ver uma. E estão à espera que ela venha, mas ela não vem. E vocês ficam nesta tensão assim. Que horror! Que horror! E há uma cena, malta, eu até há uma cena em que ela é um dos é um jumpscare, dos poucos, é um jumpscare em que ela vem disparada, parte o vidro, vem com o cabelo à frente da cara, nem vejo nada, eu mandei um eu mandei um ajneirão no meio do cinema, que eu até me arrependi. Arrependi, eu vou ver os filmes de terror e fico assim, pronto, para que é que eu venho? Para que é que eu venho? É isto. É assim, e vocês vão ver um filme de terror comigo e eu estou assim, não faças isso! O que é que tu vais fazer? Não faças isso. Eu tenho que expressar, eu tenho que verbalizar aquilo que estou a sentir. Eu sou um homem sensível, sou um homem expressivo, preciso de. preciso de expressar. Epá, aquilo eu preciso. Então mandei uma caralhada. Eu assim, ai caralho! Então, mas eu estou no cinema, então, eu perco o controle. Perco o controle daquilo que está a passar ali. Não gosto, não gostei. E depois também se vocês pensarem como é que é estar com uma pessoa daquelas. Há uma cena em que vocês não, eles estão num restaurante, estão a ter uma refeição e aquilo não assusta, quer dizer, aquilo não é terror, aquilo assusta, é isso que eu quero dizer. Que é uma cena em que ela, ou seja, eles estão a ter um date, ela mentiu-lhe porque ela está obcecada e vai fazer tudo para o agradar, para o amar, e ela está, começa a fazer uma birra, mas é uma birra assustadora, do tipo, não, não, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, não, não, não, não, não, não. Não, não, não. Eu estava assim no filme. Estava assim, o filme todo, sempre tenso. Sempre tenso, foi bem fofinho, mas não foi assim tão fofinho o filme. Mas pronto, está tudo bem. Olhem, a semana passada também tive uma conversa muito interessante com a senhora que faz as limpezas no meu trabalho. Uma senhora. Muito pura? Sabem quando a pessoa quer dizer muito pura também. Eu já vi na festa de Natal fazer Twork. Portanto, é assim, é assim. Quem fala não é tudo bem? Mas tive uma conversa muito boa mesmo. A conversa foi pura. A conversa pode ter sido pura. Ela é brasileira, sabe? Ela é brasileira. And foi muito interessante. Cara, foi the conversas that I told in the life. Foi uma conversa sobre the arte and the artists and the differences between the artists.
SPEAKER_01De repente I'm a following bossa nova, you amounteth fundamental é mesmo amor.
SPEAKER_03Uh virão, pues é isto, pois é você novo. Ok. Foi muito interessante a conversa. E foi sobre o quê? Foi sobre arte e sobre artistas. E a diferença entre artistas portugueses e artistas brasileiros barra sul-americanos. Muitas vezes nós aqui em Portugal temos muito essa mania de, por exemplo, nós não valorizamos. Nós temos esta cena que é criticamos-nos a nós, nós não nos valorizamos, mas se alguém nos critica, nós ficamos super defensivos. Ou seja, mostra que nós temos aqui um bocado falta de amor próprio enquanto país. Imagina Portugal numa consulta, o que o psicólogo diria era tipo, tens falta de amor próprio, ok? Tens de valorizar. Não, mas ou seja, muitas vezes olhamos para, por exemplo, para o Pimba, olhamos para o Pimba, para o Kim Barreiros, para a Rosinha, e ficamos tipo, ah, sim, está bem, mas é pimba. Tipo é música pimba, não tem tipo, não é inteligente, não é uma música como, por exemplo, é o Bolsa Nova, ou por exemplo, Davi An Rosa, não é uma música assim, isto é verdade. E muitas vezes também os artistas são o contrário daquilo que artistas como o Kim Barreiros e a Rosinha são. São artistas que quando entram em palco parece que estão a pedir ao público em vez de dar, em vez de entregarem coisas ao público, eu acho que eu pronto, não é? Eu acho que, mas a música Pimba, artistas como o Kim Barreiros, a Rosinha, são artistas, inclusive é o Plutónio. Há pouco tempo vi um concerto dele e reparei que ele é um artista que apesar de ter aquela coisa toda de ser cool, de ser o Plutónio, de ser rap, de ser. Apesar disso tudo, ele está ali, o concerto está ali para dar às pessoas o momento de celebrar, de entreter, de divertir, de dançar, de cantar, e se nota-se pela forma como ele interage com o público, pelos momentos que cá para o público. Ele não está ali à procura de Wedabon, vocês têm que fazer venas enquanto eu estou aqui a atuar. Não se explica, não sei se faz sentido isto. Eu acho que muitas vezes nós parece que veneramos esses artistas ou nem é veneramos, mas optamos por isso em vez de artistas que realmente estão ali para entreter as pessoas, seja de que forma for, seja para dançar, seja para rir, seja para o que for. Não sei se isto faz sentido, mas eu sinto que tive esta conversa com ela e obviamente que há estas diferenças entre artistas portugueses e artistas brasileiros ou sul-americanos. Parece que são muito mais dados, mesmo por exemplo, o Bad Bunny, pessoas que foram, amigas minhas que foram ou amigos meus que foram reconheceram que é um espetáculo incrível, é um espetáculo incrível de tudo bem, vamos filmar e tudo mais, mas todo o espetáculo é bom para se dançar, para se expressar, ou seja, significa que o artista está a conseguir aquilo que se quer quando se vai a um concerto. Não significa que todos os concertos tenham também ser assim, se calhar, por exemplo, por exemplo, arte como o fado, ou géneros como o fado, por exemplo, se calhar são mais focados em malta, eu vou-vos aqui desabafar uma coisa, isto se calhar não é tanto para vos entreter, para vos alegrar, é mais para eu desabafar e expressar em frente a uma plateia, não sei, não sei o que é que vocês acham sobre isto. Eu acho o que eu acho é que um artista quando entra em palco, seja para fazer rir, seja para cantar, eu valorizo imenso quando ele consegue entregar-se e entregar e dar coisas às pessoas e não tanto parecer que está ali para receber vénias, para receber as suas flores, para receber algum tipo de aprovação, faz-vos sentido? Por exemplo, fui ver a Joana Marques e eu devo dizer que adorei, não estava à espera, não sou um consumidor ávido de Joana Marques, até porque se ela algum dia pegar nos meus episódios não vai acontecer nada, é verdade. É essa. Não, mas fui ver e adorei, adorei o espetáculo, senti mesmo que muitas vezes olhamos para ela como tipo ah, ela trabalha na rádio, ela não percebe nada de stand-up, mas ela é guionista e todo o texto que ela apresentou ali foi um texto bom. Foi um texto que, tendo em conta outros textos de comédia que já vi, não vou estar a dizer quais. Senti que aquilo foi para fazer rir as pessoas. Ela não está ali com uma postura de digam que eu sou boeba bom. Não, ela está ali para fazer rir as pessoas, para entreter. Para entreter. E isso acho que é uma diferença bastante grande entre artistas e é uma diferença que faz toda a diferença. Por exemplo, artistas como o Kim Barreiro, como a Rosinha, como estava a dizer, são artistas que estão ali, como o Toy, são artistas que estão ali para alegrar, para animar. Eles não estão à espera que o público diga, tu escreves, não, isto que tu disseste foi mesmo tipo porra, tu és mesmo gênio. Não, eles estão ali para animar as pessoas. Eu não quero aqui dizer que só há uma forma de fazer as coisas, porque não há, mas eu gosto quando vejo alguém fazer a sua arte e está a fazê-la para entregar alguma coisa ao público. Até porque, se vocês pensarem, se pensarmos, para se fazer isso é preciso ter uma espécie de valorização pessoal e saber separar as coisas. Porque muitas vezes parece que vemos o artista colocar o seu valor pessoal na arte e não. Mas já estamos a entrar aqui por caminho. Desculpa, mal, estava aqui a criar uma nuvem. Estava aqui já. A criar uma atenção que não é suposto. O que eu só queria dizer é que é giro. É bonito ver quando os artistas estão ali para dar, para se entregar, para entregarem uma coisa ao público e para os fazer sentir. E gostei de ver isso na Joana Marques e gostei de ouvir relatos de quem foi ao Bad Bunny. Ainda sobre a conversa com a senhora que faz as limpezas no meu trabalho. Vocês não têm na vossa vida uma voz ou um tipo de voz que vos adormece. É um trigger. Aquilo adormece-vos. A pessoa começa a falar com vocês e vocês começam a ir naquele embalo, uma voz assim tão suave. Imagina, eu estava a ter uma conversa interessantíssima com ela, mas eu estava tão relaxado que eu estava tipo, ah bem, agora é para ir dormir, agora vamos dormir. Eu tinha isto com o meu avô, nunca mais me gusta. Eu ia sempre no carro do meu avô, sempre que ele me ia buscar, íamos ouvir bandas de filarmónica, e eu na altura, eu nem gostava daquilo no início, mas aquilo começou a ser um hábito, aquilo começou a entrar ali, de repente eu adorava e depois que o sol a bater quentinho começava a adormecer, depois a voz dele rouca. Não, já, de repente estou ali naquele look a dormir. E depois acordo, porque são uma da tarde e há coisas para fazer, mas vocês não têm isto, acredito que têm também como fiquei com uma FOMO ou gigante, quer dizer, não fiquei com FOMO, não fico com FOMO, ok? Como fiquei, obviamente, com uma FOMO ou gigante de não ter ido ao bed bunny, porque uma pessoa parecia a dada altura, uma pessoa a comentar com a minha donzela ficámos os dois, é suposto nós irmos, tipo, alguém nos convidou, e era suposto ir. É que via-se tanta gente a ir, tanta coisa acontecer, tudo a falar sobre marcas e tudo a falar sobre. Mas eras suposto irmos todos. Malta, havia um convívio e ninguém nos convidou, era suposto ir. E depois eu fiquei, ouvia aqui assim de fundo, ai, ouvia assim um bed bunny. Que eu pá, por acaso até nem me arrependo de ter ido, porque eu não conhecia assim muitas músicas, então se calhar ia ficar um bocado à toa. Mas, pelo que vi, pelo que ouvi, pareceu-me um concerto muito bonito. E tanto pareceu que uns dias a seguir eu fui dar a minha voltinha a pé ao estádio do Benfica, ou seja, fui lá dar a voltinha à pé e dei por mim a parar para olhar lá para dentro, para ver. Será que eles ainda estão? Será que o Bad Bun ainda está aqui? Estavam a desmontar o palco. Eu estou curioso ali a olhar lá para dentro, a olhar a desmontarem o palco. E de repente parei, tipo aqueles velhinhos quando param a olhar para uma obra, sabem? De repente parei ali, a olhar para uma obra, não é? Muitas vezes nós achamos que os velhinhos estão a olhar para a obra a ver se está bem feito e não sei o quê, não é? Mas eu dei por mim a olhar e a refletir do tipo, ah que giro, ele esteve aqui. Será que ele ainda está aqui? Claro que não, claro que não está. Como é que se proceu? Estão a perceber? Dei por mim ali a questionar uma data de coisas e se calhar é por isso que os velhinhos param a olhar para as obras. Eles vão tão bem com aquela postura de Ah, dá-te mal feito! Se calhar alguns que estão, tipo a velhinha do Shst, se calhar ela está. Mas também ela deve parar e olhar para e refletir. Olha ele tão simpático, tão nostálgico, tão tipo. Mas é verdade, os velhinhos param se calhar para refletir, para questionar, olha que giro, vou fazer isto aqui muito engraçado. Eu dei por mim com esta curiosidade de velhinho, se calhar sou uma alma velha, não é? Provavelmente sou. E como é habitual, vamos então à recomendação da semana. Estamos perante uma recomendação. Como era suposto ter acontecido desde o episódio 1, hoje só temos uma recomendação. Normho trazer duas, três, quatro, cinco. Mas não, esta semana só temos uma recomendação. E o que é que é a recomendação? Eu recomendo irem às compras sem estarem muito elegantes. O que é que eu quero dizer com isto? Malta, imaginem, acabaram de sair de um treino, vão às compras. Mas vão às compras, vão comprar roupa como tão, assim, parecem meio sem abrigo. É verdade. Vão às compras assim e vão ver o quão icónico vocês não estão a ser. Porque vocês estão ali, tipo, sem esforço. Estão ali tipo, ai, eu estou bem ocupadíssimo. Estou super ocupadíssimo. Fui um treino e agora venho aqui comprar a roupa e vão ver que os empregados não vão dar nada por vocês, nada. Eles vão olhar para vocês do tipo. Podes sair da loja, por favor. Até que vocês começam a comprar coisas e eles ficam tipo, e depois vocês continuam a comprar mais coisas e eles começam tipo, ah, ok. Eles se calhar é tipo um trimilionário que eu não conheço. E é muito giro, porque vocês veem as pessoas a mudar. Vêm tipo. Imaginem, eu fui porque este fim de semana eu fui comprar roupa, porque já não comprava há algum tempo. E eu adoro comprar roupa. Antigamente não, hoje em dia sim, portanto fui. E fui comprar um valor até bastante grande. Eu não costumo comprar, não sei como é que vocês fazem, nem sequer se vocês não compram. É que eu ponho-me em cada ponto meu. Que é tipo, isto vai. Estou a me dar um tiro no pé. Não compram roupa. Andam a roubar. Ou então andam nujo. Não sei. Deve ser o único que anda a comprar a roupa. Fui comprar roupa. Não sei como é que vocês fazem. Se fazem, vão gastando mensalmente, vão gastando por coleção. Pá, eu imagino, eu é tipo, eu não compro durante imenso tempo e depois compro imenso num só tempo. Portanto, fui comprar e o valor era bastante elevado. Estamos a falar de 14 milhões em roupa, ok. Portanto, eu cheguei à caixa e a rapariga riu-se do tipo. Mas foi um riso que eu fiquei tipo. Parece que eles começam a tratar-vos melhor. Ah, também não quer levar uma meia. Por acaso até dava jeito, olha, até quer levar uma meia ou um perfume. Neste caso nem foi ela que sugiriu, foi mesmo meu que, olha, por si acaso até dava jeito levar aqui ou uma cueca, ou um perfume, ou uma meia, ou uma graveira-se. Estou a levar e ela sempre tratam-vos muito melhor. Pronto, a minha recomendação é isto: é irem comprar roupa sem estarem bem vestidos, vão tipo, de fato, treino, ou suado, quer dizer, também não vão para lá tipo também não vão assim, ok? Mas pronto, o que é que aconteceu naquele momento que foi engraçado? Vamos por isso passar para o grande abraço desta semana. Olha, sabes que mais? Gande abraço O grande abraço desta semana vai para um rapaz que trabalha nesta loja. Porquê? Eu quando cheguei, como disse, cheguei de. Cheguei mal vestido, cheguei de boné e tudo, mesmo a dizer epá, não quero menos saber das regras. Também não quero estar aqui a recomendar irem para lá, agora vão todos as compras a cheirar mal e com dentro de podre, não quero isso, não quero ser acusado de desordem na sociedade ou assim. Pronto. Ok. Não, não é? Ok, pronto, ok, ok, ainda bem que dizem, ainda bem que dizem que não. Fui e eu estava de fones e primeiro eu cruzei-me com este rapaz e diga-se de passagem um rapaz muito bem aparentado. É o chamado Gigante que é softy. O gajo era tipo gigante mesmo, tipo musculado, boeda grande, mas softy. Tinha um olhar fofo. E eu sei que isto é já a boeda panina, de estar aqui, já sei, estão a ouvir já me estão tipo, ai lá está ele, não tem contacto, mas clarino, já não sabe. E é verdade, é verdade, eu não sei ter, eu não estou habituado a ter contacto com muitos homens. Então quando tem é tipo. É estranho, é estranho, eu fico demasiado contente. E por isso o meu grande abraço vai para ele, porque ele foi super impecável. O gajo deu-me, para já estava de fones, ele cruzou-se comigo, deu aquele tipo. Mas agora estão as motas aqui. Para já eu entrei de fones, o gajo olhou para mim, não me quis incomodar, fez aquela que é tipo percebi que estás de fones, se quiseres alguma ajuda, chama. Estive lá, comprei várias coisas, pedi-lhe tamanhos, o gajo deu, foi um boy da simpático. E depois, o grande abraço foi para ele, porquê? Porque eu senti que era igual a ele. Eu senti, eu vim, eu vim-me nele. Ai, ai, que horror! Oh meu que faz horrível de dizer! Eu vim-me nele, foi mesmo isso que aconteceu. Eu vim-me, eu vi-me a mim, a mim nele. Eu vi a minha pessoa na dele. Porquê? Porque eu pedi-lhe para experimentar uns sapatos, os sapatos demoraram um bocadinho mais e ele, quando veio falar comigo, o gajo ficou tipo baralhado. Ele ficou tipo, olha, os sapatos demoraram um bocadinho mais, mas vê qualquer coisa, vê aqui coisas na loja. Malta, o gajo ficou baralhado a falar comigo e depois eu a seguir e responder-lhe tipo, ah, não, eu posso ir já a comprar os sapatos, mas ainda não tinha experimentado os sapatos e tive este pensamento, então fiquei tipo, quer dizer, se calhar é melhor não? E rimo-nos os dois. Malta, de repente estou ali, dei-lhe um beijo na boca a seguir. Não é por mal, mas é tipo. O gajo era super bem aparentado. Eu se fosse gajo, seria o meu gajo ideal, bro. Nós temos que reconhecer isto, ou não?
SPEAKER_04Temos que avançar enquanto sociedade, ou se calhar não.
SPEAKER_03Mas é assim, o meu grande abraço vai para ele porque eu senti que era igual a ele. Eu provavelmente ficaria nervoso também, e até porque eu queria ser gigante. Esse é o meu grande abraço vai para ele porque eu queria ser gigante como ele. Portanto. Sinto que este grande abraço se calhar não fez muito sentido. Se calhar não fez muito sentido. Estava aqui a fazer uma grande análise sobre artistas e sobre não sei quê. Não, mas também não vou estar aqui agora a ficar com pena de mim, fazendo vítima e de não sei o quê. O grande abraço vai para ele porque ele foi bacana e porque na verdade eu gostei imenso dele. Tanto que depois a despedir-me, eu até fiquei tipo. Estão olha, bro, tchau, até à próxima. Ele, tchau, mano, abraço. E eu, let's go, let's go. Ganhei um amigo. Mas por acaso, se é uma coisa boa, é quando. Eu sinto que é bom os homens serem sentimentais, ou não? Não é uma coisa boa de se ver. Por exemplo, quando as crianças são. As crianças, tipo, os putos são sentimentais, não é ótimo. Não é uma coisa tão boa de se ver. Acho que nós homens devíamos perder isso, devíamos continuar a ser expressivos e a ser sentimentais. Malteza é sobre isto. É isto que eu tenho para vocês esta semana. Um grande abraço também para vocês que nunca vos deu um grande abraço. Vamos todos dar um grande abraço agora. Será que este podcast é o podcast mais fofinho de Portugal? Se calhar é. Ou se calhar não, porque ao mesmo tempo também estamos a recomendar a ir comprar roupa aparecem a briga, se calhar, não sei, está aqui um bocado um yin-yang, é um equilíbrio. Mas pronto, malta, é tudo para esta semana. Espero que estejam bem, ok? Eu espero que vocês estejam bem, com força, não desistam. E se vocês nem sequer estão nessa vibe, já estão tipo, então continua. Keep going, ok. Ok. E um grande beijinho e um grande abraço para vocês, ok? Falta uma boa semana e até à próxima.
unknownMm.