Diário de Marias

Que Grande Ricotta

Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses

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O fim de Hacks. Idadismo. A IA vai assassinar os Séniores?

Diário de Marias de segunda a sexta na futura: Olá Maria Olá Maria, tchau. Continua longe de mim. É verdade, daí este som diferente para quem consome Diário de Marias. Importa dizer a todos aqueles que ouvem na futura, olá, bom dia, ou desde cor, porque sempre. Ainda não falámos disto. A seleção musical que nos circunda na futura é mágica. É de Pedro Ramos, temos que o admitir. É de Pedro Ramos na nossa, mas é de uma enorme beleza. Na semana passada costariámos de ir de Marias e dos cinco episódios que temos disponíveis, para a sua alegria, para a vossa alegria, tenho a dizer que o que mais me espantou foi a diversidade de locais aon chegámos, Maria, porque nós temos pessoas a ouvir do Vietnam a Tóquio ao Texas, a Guadalajara fez a saber, Maria, que o último episódio sexto bateu muito em Guadalajara, México. Quem está em Guadalajara, por favor, que se acuse. Nós gostávamos de saber quem é essa ouvinte ou essa ouvinte. Era bom. É muito bom. Não sei se fala, mas pelo menos ter um sinal de vida dessa nossa ouvinte ou o ouvinte. Habla com ele, habla com nós. O único ouvinte em Guadalajara, podia ser o nome de um podcast que vivemos do dia. O único ouvinte em Guadalajara. Olha, eu estou aqui na Toscânia, estrearemos o nosso espectro dentro de dois dias, ontem meditávamos sobre amizades e neste fim de semana acelerámos o passo, estudámos o passo e de repente o Rex arabou-se-nos nas mãos. Ainda me dói, ainda me dói, porque nós vimos mais ou menos ao mesmo tempo, é muito curioso, não combinámos. Vimos ao mesmo tempo e sei que Maria também chorou desse lado, não é verdade? Chorei e ri. Eu ri e chorei. Eu ri, chorei e voltei a rir. Eu também fui, olha, fui curiosamente assim também comigo. Ri. Porque se a morte tristeza, também ela pode dar um bocadinho de alegria, não é? Não queremos dizer spoilers, mas sorriso. Ri sempre, porque mais triste que um sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir. uma coisa que me preocupa muitíssimo, que são as pessoas a quem tu perguntas então, tudo bem? Olá, como é que estás? E a pessoa diz sempre bem! Não confio, não é? É o tipo de pessoa que dizia que dirá sempre a rir. Eu até desconfio das pessoas que aparecem sempre a rir, não é? Sim. Estão sempre bem dispostas. Sim, eu acho muito bem e lembro-me sempre a ideia de um cachalote sorridente. Os cachalotes também têm problemas. Quem não tem problemas? Até Deborah Vance, a nossa heroína de Rex. O que é que sentiste? Olha, senti que havia que dar um fim à série e portanto foram buscar uma coisa mesmo dramática, mas atenção, calma, calma, não é drama, e portanto precipitou-se ali um fim que continuou a ser sarcástico, com um pouco mais de ternura, talvez, aqui ali aducicado, mas que continuou a ter os seus momentos de grande paródia, não é? Eu gostei muito de como Deborah Vance fintou, ou melhor, deu a volta àquele volte faço que acontece no penúltimo episódio. Não vou fazer um spoiler, mas foi muito foi um torpedo, um torpedo que abalou bastante. Deborah Vance. Eu gostei muito do Rex e acho que acaba bem. Eu acho que às vezes aquela coisa do ai o último episódio ou a última temporada traiu a ideia original. Não acho nada, acho que houve um equilíbrio muito eficaz durante a série toda e durante as várias temporadas e estou muito feliz que eu cheguei um bocado tarde a Rex e acho que quem não viu está a perder essa ideia. Eu acho que é um confronto entre a beleza, a comédia, a tragédia, o absurdo e esta ideia de Hex, o que é que é um hack? Que é alguém que acabou, que não interessa, que é um bocado um alguém que não vale a pena, que oh, he's a hack, alguém que falha sempre, que nunca acerta. E no fim do dia, cita do teu livro, Enjo Maria Menezes, sempre. Sim. Eu não sei se quando falámos de Rex nos referimos a esta questão do idadismo, não é? Porque a série vem de 2021, portanto, 5 anos, claro, 5 anos se falava do idadismo, e agora fala-se mais ainda. E de facto nós continuamos a olhar para as pessoas mais velhas e eu estou aqui a pôr o dedo no ar quando digo pessoas mais velhas. Tu não me estás a ver hoje. Não, compreendem nenhum. Por acaso não me disserte tens vestido, coisa muito. Porque as pessoas não estão nada bem vestidas. Eu sei que pode parecer difícil, mas é verdade. Eu sinto um bocadinho esta coisa do idadismo por mais que tu faças a dada altura, ou seja, continuas ativo, continuas. O exemplo do meu marido, não é? Que aos 75 anos continua a fazer mil e uma coisas, mas um certo, quase, vamos dizer, mipri, um desprezo da sociedade em relação às pessoas mais velhas do género. Porquê que vamos continuar a valorizar esta pessoa quando podemos olhar para o sangue novo? Eu não enquanto pessoa mais velha, porque tu és tu és muito novo. Mas também bastante mais novos do que eu. Ou seja, o que acontecia antes era eu ser mais novo sempre, não acontece, não é? Claro que sou mais novo e portanto não vivo isso na pele dessa forma. O meu cabelo começa a deixar as suas opiniões sobre esse tema. Mas eu acho que tu tens razão, embora queira acreditar, que quando tivermos que espremer aquilo que realmente interessa, vamos precisar figuras que nos norteiem. E eu acho que a sabedoria não é naquela coisa de uma mulher de cabelos brancos como Briduz e uma túnica que me vai dizer uma anciã, exatamente, uma vibe meio druída. Não venho por aí. O que eu quero dizer é que uma das coisas que mais me faz confusão agora, no nosso meio, é muito, por exemplo, nas relações houve uma erosão dos mais seniors, portanto, o que acontece é pouca, eu ainda que vivi um bocado disso nas relações, mas com figuras mais velhas, como por exemplo eras mais velha do que eu, outras pessoas eram mais velhas do que eu, e que me foram dando pistas. E eu sinto que hoje muito menos interação de gerações, ou seja, exatamente se calhar para essa fome da substituição, mas depois não se passa a saber, não é? Portanto, essa coisa do idadismo para mim é muito estúpida, mas de facto, sei lá, basta olhar para o cinema, basta olhar para as televisões e basta olhar para aquelas que são as figuras que são se calhar mais celebradas e se calhar por acaso em Hollywood acho que o caso da Jean Smart Deborah Vance é um exemplo de como fome por histórias diferentes e a Meryl Streep está a história de que os 52 ou 53 em que no mesmo ano recebeu quatro proporções para fazer de bruxa e ela achou, meu Deus, a carreira acabou, não é? E é a Meryl Streep. E a Meryl Streep desde a carreira dela deu muitas reviravotas e é uma das atrizes mais nomeadas sempre para os outros casos, senão a mais nomeada, portanto, obviamente que a Meryl Streep é um caso se calhar excepcional e único, mas eu não acredito que o futuro seja apenas dos jovens. Eu também não. Até porque dada essa erosão, a dada altura, vamos precisar mesmo de ter faróis, não é? Tu falaste da televisão, por exemplo, em Portugal. Eu tenho realmente saudades de ver determinadas pessoas no ecrã e de ver cabelos brancos, reparaste que pouco íssimos cabelos brancos e imensa gente pressionada a pintar o cabelo. Sim, é verdade. E nós tínhamos muito, eu também não sou assim tanto dessa geração, mas nas redações havia sempre alguém mais velho a quem se recorria a perguntar como é que se escreve isto, isto que aconteceu foi mesmo verdade. Os nossos velhos foram substituídos pelo Google e pelo chat GPT, não é? Sim, não chat com a Agvanto que não tem a graça de uma pessoa mais velha a fumar charute e a ver conhacas desde a mulher. E isso tão é importante. Eu acho que é falta de vida, não é? É falta de mundo. Falta mundo, de facto neste momento essa punição em relação aos mais velhos. Teste um bom exemplo da Meryl Streep, não é? Mais fulgrante do que nunca. Todos os dias, mas isso é o meu algoritmo, todos os dias me parece uma coisa qualquer sobre a Meryl Streep, porque eu adoro também, é verdade. E é engraçado que nem sempre tive esta devoção em relação a ela. Não sei, acho que toda a gente passa ali uma fase em que nós somos sempre muito injustos com o outro, não é? Somos muito voláteis. Irritava-te a unanimidade, era? Não, havia qualquer coisa, eu acho que ela está mais bonita que nunca, está mais luminosa que nunca. Se houve ali uma altura, nem de sei precisar exatamente quando, mas não sei o que ela fazia. viste como isto é injusto? O que ela fazia parecia-me basso, mas se calhar quem estava basso era eu, mas isso não é sempre assim. Eu acho que sim, que boa conclusão. Para terminarmos a pergunta, sim. Bom, vou comer uns canolis e falamos amanhã. O meu pequeno almoço aqui é sempre Carzoni, Canoni, Aproxuto. Beijinhos, Maria. Ricota, faltava dizer ricota. Ricota. Olhem, gostei que foi uma grande ricota. Mas fui. Estávamos a falar de pessoas mais velhas, tínhamos que falar de rico. Até manhã, Maria.