Diário de Marias
Maria está no meio deles. Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses falam dos seus dias, que se fazem de concertos, exposições, filmes, pensamentos obscuros, desabafos e pequenos delitos entre amigos.
Diário de Marias é um encontro diário na rádio, dez minutos que pedem sempre por mais.
De segunda a sexta na Futura, 10.30, com extensão nas plataformas digitais.
Diário de Marias
Viagem ao Purgatório
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Entre Pasta al Pomodoro e um reptiliano, Marias entram num vagão e conversam sobre viagens, esse reino onde descobrimos tudo sobre o outro.
Diário de Maria de segunda esta na futura. Olá Maria. Olá Maria. Tchau. Como estáis? Estou em Toscana. Sabias que Toscana é considerado ou ver o sorregimento. Ainda fomos pouco sobre a beleza das paisagens. Paisagens onde estou. Eu percebo-te falando italiano, depois já tens dificuldade. Fica muito difícil. Olha, ficas a saber que também pode ser o efeito do Quiante, que é aqui desta zona. É dessa zona mesmo. Sim, sim. E a tuquerem também mais de 120 e das ilhéus, para quem é fã destes temas geográficos. É engraçado. É porque sabes que eu sou. Eu antes de viajar passo horas a preparar, sabes? E não quero dizer nada, já com tudo tratado. Como é que estás? Eu estou bem. Agora lembrei-me de um filme que eu adoro, Turista Acidental, com o William Hart, que ele era um profissional, um jornalista de viagens com tudo anotado, e aquelas pessoas que são tão disciplinadas e organizadas que vão para uma viagem com tudo detalhado. Eu, obviamente, não sou essa pessoa. Faço a minha mala meia hora antes de ir embora e preparo muito pouco. Ok, levo dois ou três restaurantes anotados e depois deixo que o inesperado me apanhe, não é? Gostas de ser apanhada na curva, então? Eu gosto de ser apanhada nas curvas e Rui Maria, como é que gosta de ser apanhado? Eu gosto de ser apanhado por vezes desprevenido, também gosto de ser apanhado em valso, gosto de ser apanhado com os dois braços também, dependendo de onde é que me estou a atirar. Eu diria que o importante nas viagens, há uma coisa muito importante que falámos, que é eu acho que desconto. Diz isto? O avião não cair. Sim, o avião não cair, é importante, mas a parte mais importante das viagens, não é? Sabes que eu não tenho medo nenhum de voar. Zero medo, adoro voar, tu tens algum medo, não tens? Eu tenho algum medo. Está bem. Só sou maldiã, eu sou uma aldeã. Mas eu não tenho medo nenhum. Mas acho que tu descobres tudo sobre a outra pessoa, seja ela um amigo, um colega ou com quem decidiste viver, numa viagem. Eu acho que as viagens são microcosmos muito interessantes e uns vortex para descobrir exatamente quem é a outra pessoa, porque descobres tudo. O que é que as irrita? Onde é que elas se são ou não estáveis, emocionante, e também se o fliquel encaixe é possível. Há pessoas com quem se calhar eu tenho umas amizades menos profundas, mas com quem consigo ver já melhor do com às vezes outras pessoas que adoro. O encaixe não é evidente, concordas? Concordo. Eu acho que as viagens, viagens, férias, mas sobretudo a ideia da viagem, que traz sempre alguns constrangimentos, são pequenos cercos sentimentais. Eu queria dizer isto porque me surgiu agora, pareceu-me profundo e bonito. Mas repara que muitas relações conjugais de amizade acabam muitas vezes depois de uma viagem. Porque esse cerco é tão apertado e as pessoas acabam por, como dizias, revelar fragilidades, é um território muito fértil para irritações, coisas mundanas, mas que às vezes dão cab de uma amizade ou de uma relação. Sim. E portanto, são grandes testes de facto. Para namorados, amigos, amantes, conhecidos, eu acho que eu escolho muito bem com quem viajo. Eu preciso de me sentir muito confortável. Pois eu concordo contigo e já tive, aprendi. Eu viajo muitas vezes sozinho, recentemente, agora aqui em Itália, estou com a companhia que está a fazer este espetáculo, mas no passado viajei muitas vezes sozinho, por exemplo, a última vez estive na Islândia, na Irlanda sozinho, eu gosto muito de me perder entre elfos, vou sempre para estes destinos. Mas eu lembro-me que uma vez, falando das viagens onde percebemos tudo sobre o outro, acabaram comigo na Torre Eiffel. E eu pensei se alguém escolheu romântica. Exatamente, mas não era que não deu-me tontade de rir, como noutro dia, que foi o meu namorado na altura, aquele comigo na Torre Eial e depois ainda tínhamos mais duas, mas de viagem por frente, e foi intenso. Como é que foi? Como é que foi? Foi éramos muito miúdos, não tínhamos para a 19, 20 anos, mas 20, 21, sim. Foi duro, mas ao mesmo tempo foi o nosso final. O que estou alguma graça prepartiu uma tour, porque nós íamos a Paris, Berlim e Londres, sem grandes luxes, seres muito miúdos, mas lembro-me de em Paris termos acabado e termos ficado eu estar estressado. Em Berlim, ele de repente já querer voltar, e em Londres não haver hipótese nenhuma de alguma vez voltarmos. Portanto, foi assim a revelação também foi geográfica. Eu acho que de facto as relações e também um bocado tu irás a música, claro, também é muito reveladora. Os livros, por exemplo, também são momentos de são línguas, não é? Línguas comuns. E determinadas palavras também. Uma palavra errada pode significar uma relação errada. Sim, vamos mimir. Até jaz. Olha, vai vir, vamos mimir. Até jaz. Vamos culpar. E pedimos desculpa aos nossos ouvintes para quem estas palavras são fundamentais no seu léxico. Mas e então diário da verdade, não diário política corretinês, Maria, desculpa. É, Maria, sabes o que é que eu estava agora a lembrar-me, o mais longe que eu já fui contigo foi até ao Purgatório. Nós nunca fomos mais longe que o Purgatório. Isto agora parece apenas literário, mas é verdade. Nós fomos e dormimos no Purgatório, que é um pequeno sítio no Alentejo. Ah, pois foi. Chamava-se Purgatório, já não me lembrava. Não, chama-se, o sítio existe, não é? Nós dormimos no Purgatório, mas fizemos a viagem de comboio. Pois foi, pois foi. E conhecemos aquela senhora inglesa estranha. Tu lembraste? Não, nós conhecemos várias figuras estranhas. Uma multimilionária inglesa que tinha uns amigos peculiares que, a dada altura, mergulhados numa piscina, se viraram para nós e perguntaram-se o que é que nós achávamos dos reptilianos. Pois foi! Será que me está a escapar alguma coisa? Eu nunca ouvi falar em reptilianos. E claro que depois daquilo tudo fomos fazer uma pesquisa, não é? Já foi há muitos anos e percebemos que é toda uma cena à volta dos reptilianos. Aliás, os reptilianos mais na moda do que nunca. Será que ainda se fala nos reptilianos? Ok, agora é que se fala de reptilianos, então os reptilianos são aparentemente uma das raças alienígenas que será revelada no momento da grande revelação. Revelada no momento da grande revelação. Tem que ler mais livros. Porque vai haver The Great Closure, ou seja, em julho ou em agosto, ninguém sabe é o certo, a humanidade saberá que existem outras raças de humanoides, alienígenas, que existem não só na Terra, como na galáxia. E uma dessas estirpes de aliens são os reptilianos. E há esta conspiração, esta teoria de que muitas figuras que têm poder na esfera mundial são por dentro reptilianos. Portanto, já na altura. Descobrimos. Foi isso que nós descobrimos naquele dia, depois daquela aventura, com aquelas pessoas que para nós nós não conhecíamos, não é? Portanto, fomos surpreendidos pelas próprias pessoas e com a descoberta dos reptilianos e fomos investigar e percebemos que ela era reptiliana. A Inglaterra era reptiliana. Então dizes-me, porque eu percebo e percinto aí um fiozinho de saliva a escorrer o teu queixo neste momento e não é da ricota. Tu adoras estes temas, não é? Sim, fico louco. Dizes-me tu que será em julho ou em agosto essa regulação. Eu estou com muita atenção, tenho também uma história para contar gerente a estes aliens, posso contar já ou posso deixar para amanhã? É que siges? Vai ficar para amanhã, não é? Penso que já não temos muito tempo. Sim, temos mais de dois minutos três. Bom, posso começar a contar a história. Eu sei que querias falar de Patti Smith, mas Petty Smith não me parece reptiliana. Não, não. De todo, de todo. Mas eu tenho uma história boa para contar de aliens, que envolve eu ligar à última pessoa do mundo a quem me ter ligado para contar que sim, vi uma nave espacial. Portanto, se quiser muito ouvir esta história, se quiserem muito ouvir esta história, é amanhã ouvirem mais uma página do nosso diário. Amanhã que é feriado. Mas eu não sabia que o corpo de Deus era um feriado a sério. É um feriado volante, não é? Pois não sei. É um fado de canapé. Corpo de Deus. Corpus Christi. Por favor, continua a falar o que puderes. Diventar teu Corpus Christi. Eco. Proponha-te falares em latim. Eu tive três anos de latim, mas só sei dizer rosa rosai. Eu sei dizer Draco Dorminos no Gotitilandos. Aliás, já que te siti ainda. E Amichi. Amichi! Britiamo Nomani. Até amanhã, Maria. Adomani. Adomani.