Diário de Marias
Maria está no meio deles. Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses falam dos seus dias, que se fazem de concertos, exposições, filmes, pensamentos obscuros, desabafos e pequenos delitos entre amigos.
Diário de Marias é um encontro diário na rádio, dez minutos que pedem sempre por mais.
De segunda a sexta na Futura, 10.30, com extensão nas plataformas digitais.
Diário de Marias
Ovulazione
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Sextou outra vez e Marias discutem a beleza dos homens italianos, a falta de apoio aos artistas portugueses +35, e a micro-violência de flash mobs operáticas a meio de um orecchiete.
Diário de Marias de segunda a sexta na futura mais exagerado.
SPEAKER_01Tchau, Venerdi será Venerdi ou Venerdi? Eu acho que é Venerdi. É primo de Mercredi e tio de Vanderdi.
SPEAKER_00Sim, Vendredi. Se fosse Sexta Disnonspee, Sexta feira, em francês. Pois que é vendredi. Exatamente, sexta-feira é o último dia em que estou aqui, nesta terra magnífica, terra do vindo da pasta, terra de. Olha, doutor Faraniente. Ah, nunca tinha ouvido esta extensão. É uma expressão disso.
SPEAKER_01Os homens, os homens são realmente belos.
SPEAKER_00Ah, são, são. Então, não venham cá com coisas. Ainda há pouco tempo um amigo meu que já estava morto da cintura para baixo, fica esta gráfica, se desculpa, mas ele viveu umas dificuldades do ponto de vista amoroso, tinha decidido que estava completamente com o cofre fechado para o mundo. Um dos meus problemas é ter o cofre muito aberto, como sabemos. Bom, ele estava com o cofre bastante fechado e diz-me, aterrado em Milano, comecei a ovolar. E portanto, minha querida, a verdade é o volar, não o levamos de facto, mas nós associamos a isso, isto tem lexico comossessual, quer dizer que começou a sentir palpitações nervosas, pois os homens à sua volta eram verdadiente quianti. Morto.
SPEAKER_01Estou-me fascinada, estou fascinada com o verbo, com a imagem, com todo esse grafismo do homem parado de um bigo para baixo, não é? Mas vamos avançar. Eu sei que tu queres contar, queres falar de um determinado tema, porque a ideia é essa, não é? É que fazemos sempre de alguma coisa. Mas agora lembrei-me de um amigo teu, que eu não conheço, quer dizer quem é, a quem aconteceu uma coisa muito bonita. Houve uma união, esse teu amigo ganhou uma bolsa para ir.
SPEAKER_00Ah, sim, é verdade! Temos que falar sobre isso. O Luís Gonzaga Moreira, que é um ensinador português, que durante 10 anos fez a sua própria companhia de Shakespeare em Portugal, o Filho do Meio, e sem qualquer apoio, fez teatro independente durante 10 anos e conseguiu levar 10 mil pessoas ao teatro para Shakespeare in Portuguese. Nunca teve apoio nenhum. Ele no passado estudou durante algum tempo em Londres, but estudou sobretudo em Portugal, and pouco tempo entrou numa das maiores escolas inglesas chamadas Central School of Speech and Drama Speech and Drama, where, for example, and Luiz entrou num estado de ascensão e não tinha capacidade financeira para pagar tudo, e não só isso, não tinha ainda conseguido juntar o dinheiro todo, porque o problema também era a partir dos 35, isto era um tema que eu queria falar, a partir dos 35 anos em Portugal não há qualquer ajuda, que é uma coisa que me choca muitíssimo, que é existe até aos 35 anos a possibilidade de se tentar no contexto artístico a Bolsa de Artística da Goldenken, existe também a Fundação da Caixa, existem sim algumas soluções, mas muito poucas, o Ministério da Cultura não tem nenhum apoio, por exemplo, que eu acho absurdo. Portanto, se alguém de repente tiver a percepção de que quer mudar de vida, consiga uma coisa ordinária como esta e não tiver capacidade financeira para poder perseguir esse sonho, não vai. E acho isso muito triste.
SPEAKER_01Ou seja, voltamos quase ao início da semana a falar do idadismo a partir dos 35 já não és o tal sangue novo desejável e portanto acabam-se os apoios.
SPEAKER_00É como aquela coisa de comprar ou não comprar? Ou seja, agora já como é que se chama? As para vezes comprar casa até aos 35. Depois dos 35 não há. Eu que fiz dois meses depois de lendar, dois meses depois fiz anos para lembrar em vigor. Portanto, eu tinha logo 36, devia comprar de uma casa aos 12 anos, devia previste isto tudo.
SPEAKER_01Oh Rui, como é que tu não pensaste em comprar uma casa aos 12 anos?
SPEAKER_00Não sei, eu acho que eu era uma criança muito, olha, demasiado ocupada a ler sobre magia. Eu também tive a minha fase weacon, mas depois lhe sempre disse. Bom, mas estou muito contente pelo Luís. O Luís conseguiu juntar o dinheiro que precisava.
SPEAKER_01Mas é, falta dizer que ele conseguiu juntar 10 mil euros.
SPEAKER_00Mais de 10 mil euros, e acho que já deve ter ultrapassado a meta dos 12, o que é muito ordinário. Portanto, todas as pessoas que ajudaram, o Luís está assim muito assobrebado porque não acreditava que alguém quisesse dar. Mas muitas foram tipo 5€, 10 euros, 20 euros, mas a verdade é que se 500 pessoas fizerem isso é possível. E foi isso que aconteceu. E pronto, é uma história, uma boa notícia esta semana. É o triunfo do bem. Esta semana diz-me. Eu desviei-te da tua rota inicial. A minha rota que estava ligeiramente não tínhamos medo das palavras sexualizada, porque também a Itália puxa por mim, mas Putcha, Putcha, que é também uma marca de roupa que eu adoro.
SPEAKER_01Também ao Pucci, não é?
SPEAKER_00Ó Pucci, ó Pucci, baby. Bom, eu tenho que me pronunciar sobre uma coisa que me aconteceu no restaurante italiano. Estava eu com duas amigas minhas, convém dizer que este restaurante italiano é em Lisboa, um restaurante que as pessoas gostam muito, é até um restaurante caro, onde fui algumas vezes, e numa destas vezes, uma segunda-feira à noite, fui surpreendido com o acontecimento que me marcou muitíssimo. Estava eu a meio, se não me engano, de uma carbonara, mas podia ser um Orechetti, não me lembro bem o que era, Orechietti, e de repente é-me posto no colo, ou pelo menos ao lado da minha mão direita, uma letra e uma música. E então, alguns dos empregados de mesa estavam disfarçados, pois eram na verdade cantores de ópera. E então, subitamente ao meu lado, começa alguém assim, não, não, não, e eu pensei, eu vou desfazer-me em líquido-me, o que é o que? Matar-me, disseste tu? Levantar-me, não, levantar-me. Não, é que depois éramos coagidos, Maria. Estamos coagidos a cantar com eles. Portanto, nós os dois vamos jantar. E estás-me a contar uma coisa traumática que te aconteceu. Ou eu estou a contar-te, sei lá, o meu pai morreu, que não é o caso, está-me vivo, graças a Deus. Mas eu estava a te a contar que o meu pai tinha morrido e alguém começa, e depois só fica-te a participar.
SPEAKER_01Como assim? Não havendo a possibilidade de teres um botão ali para desligar o sono, não é? Não, Figaro cá, Figaroá.
SPEAKER_00Percebes? De repente alguém está a cantar das bodas de Fígaro e tu só queres conseguir ouvir a tua, tu com quem estás a jantar. A minha pergunta é: tu achas isto ringes e ligeiramente um bocadinho impositivo? Quero saber a tua opinião. O que te aconteceu? O que é que tu sentiriste?
SPEAKER_01Já aconteceu, já me aconteceu também com. Agora não me lembro onde é que foi que entraram entraram uns músicos não portugueses. Eu sou a favor da presença de músicos não portugueses em Portugal. Queria deixar isto claro. Mas entraram uns músicos que começaram a gritar muito perto das nossas Oriquietis. Quando vieram ter connosco, eu só não me lembro onde é em que restaurante foi. Eu lembro-me de ter ficado, não conseguia conversar com a pessoa com quem estava, não é? E quando nos vieram perguntar, então estava tudo bem, estava, mas se fosse sem a música teria estado mil vezes melhor. Eu acho a experiência péssima. Aliás, acho que devia ser ilegal de ires para um sítio e de repente seres brindado com uma coisa que não podiste, exatamente.
SPEAKER_00A ideia de não poder escolher e de repente estar cercado por cantores de ópera, mascarados de pregados deza, vestidos de branco, era uma coisa que eu não sei, eu senti que de repente o Mama Mia me tinha entrado pela janela. Foi uma coisa estranhíssima. É que tu até poderias gostar, não é? Sim, mas não, e nem é só isso. Quer dizer, eles começaram pelo assolemio e depois de repente acharam e estava a ver o Figaro, Ficar Ouá, Ficar Ou, Ficaró, Fica o Quá, Ficar O Lá, Fica o Sul, Fica o Gio. E tu pensavas, mas como assim? Porquê que isto não aconteceu?
SPEAKER_01Pode pedir-me um café para fazer o propósito disso. Tu voltaste a esse restaurante?
SPEAKER_00Não. Ou se voltei, voltei muito tempo depois. Eu acho que isto era uma sei lá uma animação contratada para turistas, provavelmente.
SPEAKER_01Diz para apagar o trauma. Precisa de tempo para apagar o trauma.
SPEAKER_00Quer dizer que a comida é muito boa e eles são muito simpáticos. O restaurante é ótimo, eles são muito simpáticos e eu gosto muito de lá ir, mas de facto fui a suberbado, atropelado por uma área entre anteiga e o café. Eu queria contar-te rapidamente, muito tempo, não é? Ainda temos algo, é sexta-feira.
SPEAKER_01Por falarem em espetáculos inesperados, embora neste caso eu sabia mais ou menos para o que ia, foi o pior sítio onde eu estive no mundo. Não desejo a ninguém, sabendo que portugueses vão para lá passar férias. Benedorme tinha 17 anos, pois, mas também não vais. E a Lória Delmar, pronto, porque já é uma coisa geracional, não é? Eu sou do tempo de Ben e Dorme, tu és do tempo já de Lória Delmar, não é? Lore é, olhou, sim. Então nós tínhamos combinado, sabia lá eu porquê, ir ver um espetáculo de uma senhora, isto provavelmente ainda existe, não sei, de uma senhora que tirava lenços, metros de lenços da sua cavidade mais íntima, que não era o rabo, ela tirava metros de lenços. Isto é um mistério, tu que gostas tanto de mistérios, ela fazia duas coisas com devido respeito por estas profissionais, atenção, mas ela abria garrafas de Coca-Cola, refrigerantes vários, abria garrafas com essa cavidade íntima, tirava lenços. Isto foi uma coisa que me marcou muito, Rui Maria, tu percebes? Tinhas 17 anos que eu gosto tanto de adereços.
SPEAKER_00Acho que isso espita muito a maneira como tu gostas de alimentar os teus outfits. Porque há coisas que às vezes, olha, falavas tu no início da semana, ou melhor, com a quarta-feira, de como há coisas que sei lá, que nos marcam na infância e na adolescência. Olha cá está. Muito, muito. Ela tirava lenços de que natureza? Lenços de seda, lenços. Lenços, lenços, não.
SPEAKER_01Como os panhos se tiram da boca, eu felizmente não estava assim tão perto, não é? Percebes, não é? Neste caso a proximidade era importante.
SPEAKER_00Mas ela também faziam serviço de bar, porque dizias-me tu.
SPEAKER_01Não, era apenas o número dela, era abrir garrafas e tirar metros de lenços. Eu acho que entre nós e os que nos estão a ouvir, a nossa comunidade já fial, podemos começar a utilizar a expressão da mesma forma que o teu amigo disse que comecei a volar, foi isso. Estou a volar, nós podemos começar a dizer estou pronto para abrir garrafas, estou pronto para abrir garrafas.
SPEAKER_00Eu disse, com essa imagem da senhora em Benidorm, claro, eu não vivi isso, mas estive na Tailândia, em Bangkok, e confesso que na altura fui a Bangkok com uma amiga que já nos interrompeu na turma de uma gravação, e estávamos os dois estávamos na Tailândia os dois, uma viagem em que fingimos que éramos noivos para ter acesso a pacotes especiais nos hotéis, a quem confesso também, e na altura essa minha amiga Lia dos 50 Sombras de Grey na praia, e dizia Que seca, não queria não estar aqui contigo. E ao que eu dizia, acabaste de revelar quem acabei de falar quem era, mas não faz mal, não se importa. E eu pensei, pois, eu também prefiro estar aqui com um homem, mas foi muito divertido, e sabe que em Bangkok há o famoso ping-pong show, neste caso, tu tiveste acesso a outro tipo de arte, uma arte se calhar mais ocidental.
SPEAKER_01Muito semelhante, muito semelhante, outra forma de cuspir bolas.
SPEAKER_00Sem dúvida, olha, adorei bater bolas contigo esta semana.
SPEAKER_01Bolas contigo, também bolas para isto. Vou ter-te no meu colo novamente.
SPEAKER_00Sim, em breve. Volto hoje, vou de Firenze para Lisboa. Desculpa, vou de Firenze para Lisboa e pronto, a partir daí voltarei, voltarei aqui. Sento na próxima semana tenho uma boa notícia para todos os fãs, os nossos ouvintes bracarenses estarei filmando na cidade de Braga, de Braga. De Braga, o meu primeiro filme internacional, Inês, o meu primeiro filme de sempre, e estrei no cinema de Calígula, disseste tu? Sim. Quem me dera, não, mas olha, já fiz uma audição para Calígula. Se eu me dizer Calígula, sabe? Sim, eu Calígula está uma Calígula, também as pessoas dizem.
SPEAKER_01Uns amigos meus dizes há uns amigos meus que vão ser pais, não é? Eu todos os dias envio um nome diferente, atribuindo esse nome ao recém-nascido que virá aí, não é? Que aí virá, e hoje vai ser Calígula.
SPEAKER_00Mas são sempre nomes com boa energia, já poderia Nero. Depois tu sabes isso, eu partilhei contigo, não é? Pois foi, bom, será a minha estranha no cinema, não posso revelar mais.
SPEAKER_01Mas segunda-feira vais falar um bocadinho mais disso?
SPEAKER_00Sim, entre filmagens.
SPEAKER_01Entre filmagens, uma palavrinha em italiano para a despedida. Tchau. Bom fim de semana, Maria.
SPEAKER_00Tchau. E os ouvintes. Boa semana pertuti. Para tutti. Beijinhos. Vem de Redi. Vem da Redi.