Diário de Marias

Diário de Marias, a Quinta Semana

Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses

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0:00 | 58:35

Numa semana farta e recheada de calores, Marias dão um lamiré - e sobrevivem -, procuram novos heróis, fazem uma regressão, suspiram com saudades de Coronel Tapioca, enfrentam a homofobia e abrem a porta aos crushes da Saison.

SPEAKER_02

Diário de Marias de segunda a sexta na futura, olá Maria, boa segunda-feira.

SPEAKER_00

Boa segunda-feira, bons olhos te vejam. Esse polegarzito está um pouco machucado. O que é que se passou aí? Foi um doi-dói.

SPEAKER_04

Estou dizem dói-ói. Dói-dói e até jaze. falámos disso, mas não tínhamos falado de dói dói. Não, dói dói, não. Fiz um doi-dói, fiz, estava a ir mimir. Eu fiz um doidói. Não, foi uma coisa ridícula que foi para enfrentar a canícola que vivemos este fim de semana e que continuamos a viver em todo o país.

SPEAKER_00

Esteve dos ananases. Está dos ananases, especialmente na Madeira.

SPEAKER_04

A Madeira é banana, foi quase. Também ananases.

SPEAKER_00

Eu és mais ananás ou és mais bananinha da Madeira?

SPEAKER_04

Eu adoro uma boa banana da Madeira.

SPEAKER_00

Mas são muito pequenininhas.

SPEAKER_04

Sonsinhas, sãosinhas e são trabalhadoras. Porque como sabemos, um bananal, um bananal que é se calhar património da humanidade na Madeira.

SPEAKER_00

Qual é o adjetivo que eu tenho para a banana da madeira?

SPEAKER_04

Não.

SPEAKER_00

É ladina. É pequenina, mas ladina. É ladina. Ladina só. Ladina, trabalhadora, mexida. Mexida. Gosta de cima.

SPEAKER_04

Acho que gosto de gente ladina. Gente ladina, gente latina. Vamos seguir em frente, senão nunca mais simos daqui. Fiz uma feridi.

SPEAKER_00

Como é que aconteceu essa feridi?

SPEAKER_04

Essa Feridi aconteceu porque eu decidi que para enfrentar a canícola ia usar um cantil para a viagem. Porque eu fizemos o cantil. Então, não gatil. Vamos pararem neste cenário.

SPEAKER_00

Não, eu consegui imaginar-te qual coronel tapioca com o cantil. Ah, sim, saudades de coronel Tapioca acabou. A loja do coronel Tapioca tinha pinóculos, cantil, calções.

SPEAKER_04

Sim, as lésbicas choram até hoje. Estou a brincar. Todas as pessoas gostam de estou a ser estereoti a estereotipar estereotipar. Toda a comunidade do campismo é isso.

SPEAKER_00

Gosta da caparica.

SPEAKER_04

Sim, sofre com a falta de tapioca. Então eu fiz esta faridi porque eu estava a decidi cortar um pedaço de gelo com uma faca. Não foi muito inteligente. Queria cortar o pacabet dentro do cantilo. E não é que a faca se me apanhou ao meu pulgar.

SPEAKER_00

Maria, isso foi um momento de escotismo.

SPEAKER_04

Sim, eu não tenho muito jeito para o escotismo, nunca tive.

SPEAKER_00

Tu querias levar uma água refrescante dentro do cantilo. Exato, era água, não era ginho.

SPEAKER_04

Era a água, era a água. Eu fiz uma coisa, nunca fiz escutismo, mas fiz uns campos de férias quando era mais jovem, tinha 12 anos, chamado Aventura. E foi na Aventura, que fazia duas semanas no verão, que uma vez levei dentro da minha mal.

SPEAKER_00

Conto histórias traumatizantes.

SPEAKER_04

Não é traumatizante, mas é um bocadinho traumatizante que é eu ia à procura de uma água, enfiei a mão dentro do meu saco e cortei a mão numa gilete que eu levava para tirar o buço.

SPEAKER_00

Aqueles sete pelos.

SPEAKER_04

Sim, sim, sim, que eu tinha que levar para a aventura não fosse o diabo de selas. E fazíamos rapel, escalada e o buço.

SPEAKER_00

Tu nunca me tinhas contado disso.

SPEAKER_04

Eu sou uma caixinha de surpresas, foi também que fiz rapel na Praia da Ursa e que caí de costas.

SPEAKER_00

Rapel na Praia da Ursa é muita coisa.

SPEAKER_04

Escorrei e bati com as costas. É prova de que as coisas estão mesmo diferentes 20 anos, 23 anos, 6 anos, 5 anos, 25 anos. Não era assim. Eu tropecei, fiquei preso na corda e bati com a corda na rocha, nas costas na rocha, e toda a gente disse, Não faz mal! Hoje era tipo esta criança tem que ser levada em braços e isso fortaleceu o meu espírito de quê?

SPEAKER_00

Tu és rijo por causa dessa aventura de rapel na Praia da Ursa.

SPEAKER_04

Sim, senão iniciaria homossexual, portanto, trabalho, os mais rígidos é que aguentam. E tu, e nestas histórias de rapel?

SPEAKER_00

Não tenho de rapel nem de rapé, não é? Eu gostava de ter uma história de.

SPEAKER_03

Tens aqui seis caixas de rapés.

SPEAKER_00

Não adorava, agora estávamos aqui a abrir, em vez de abrir a caixa de Pandora, não é? Abriamos uma caixinha de rapé e estávamos aqui a espilrar.

SPEAKER_04

Se abrisse a caixa de Pandora. Vocês dizem espilrar porque enfiam às vezes eles onde não são chamados.

SPEAKER_00

É como à espera gique.

SPEAKER_04

Sim, às peres gique, agora não me ocorre mais nada. A caixa de Pandora sempre foi uma ideia que eu gostei, que é, se abrís a caixa de Pandora e sair em todos os males do mundo, qual era a pior coisa que podíamos encontrar dentro da caixa de Pandora?

SPEAKER_00

Não sei.

SPEAKER_04

A desilusão.

SPEAKER_00

Ah, eu estava a pensar numa coisa concreta.

SPEAKER_04

Tipo uma coisa praga de cafanhotros. Não, eu estava a pensar o que é que poderia ser horrível de encontrar na Caixa de Pandora. A certeza que não reencarnamos. Imagina coisas assim. Eu que a falar do meu sistema de crenças.

SPEAKER_00

Mas vais falar. Estou a sentir que estás quase a falar de UFOs outra vez.

SPEAKER_04

Não, eu por acaso pensei esta semana em falar de regressões, mas também podemos guardar para outra altura.

SPEAKER_00

Não, vamos guardar para esta semana, mas não para hoje.

SPEAKER_04

Não estás a acabar o episódio e está a acabar.

SPEAKER_00

Não, mas eu quero falar de cinco minutos depois de termos falado da tua féri, Calo. Eu nunca ter feito rapel nem rapé, eu queria contar que fui aos fados. Foste aos fados? Eu fui aos fados. Quais fados, de eu? Agora aos fados? Eu fui ao Faia, Faia com ela.

SPEAKER_04

Claro, sim, sim.

SPEAKER_00

Um belo lugar que eu aconselho vivamente aos ouvintes da futura, não é? Parece-me um nicho apropriado. O FAIA, ali em frente à ZDB, toda a vida, estou não sei. Eu estou toda a vida de um lado da rua, não é?

SPEAKER_04

E agora estás do outro lado da barricada.

SPEAKER_00

Agora estou do outro lado, não é? Fui ao FAIA, ouvi a belíssima Diana Vilarinho que canta no Faia. Ouvi um senhor com 88 anos chamado António Rocha, mais conhecido pelo Rocha, ó Rocha! Foi neste ponto.

SPEAKER_01

Muito bem!

SPEAKER_00

E depois a terminar a noite, Lénita Gentil. E foi um momento apatiótico, porque a Lénita Gentil faz estremecer de facto o Faia, não é? Um voseirão e um sentimento que vem da rua mais escura, mais sinistra, onde as mulheres, na minha animadíssima mesa, onde estavam Tose Brito, Pedro Marcos Lopes, enfim, foi uma noite de pagode. Curiosamente a uma segunda-feira, nós estávamos todos muito contentes pensando, vamos fazer mais segundas-feiras assim, adultos, a divertirem-se numa casa de fados. Então, obviamente, os fados são todos, todos têm letras machistas e misógenas, não é? Abracei-me a chorar quando te vi com a outra na rua, implorei que voltasses, mas agora o meu orgulho é passar por ti e não te falar, coisas assim, mas nem estou a ir tão longe como gostava. Mas eu nem sequer repara, claro que são os fatos são machistas e misógenos, mas eles nascem numa época em que ninguém surgia, não é? Portanto, eles são o retrato de uma época e eu aqui, longe de ser o oquista, oquista ouquista de gelo não se pode apagar esta história, portanto, estes fatos eu espero que nunca se deixem de cantar.

SPEAKER_04

Eu acho que eles podem ser reinterpretados também. Acho que espaço para as duas coisas, que é saber enquadrá-los e cantá-los, e depois o espaço de, por exemplo, a Carminho transforma alguns dos fatos que canta para, em vez, por exemplo, eu não me lembro qual foi quando foi no concerto dela, em que ela em vez de pôr um homem e uma mulher eram dois homens.

SPEAKER_00

Claro, claro, eu acho que é possível.

SPEAKER_04

E fez uma férias.

SPEAKER_00

E é salutar, que era uma palavra que tu não esperavas ouvir hoje.

SPEAKER_04

Mas que me enceu as medidas.

SPEAKER_00

É salutar que se façam outras leituras do.

SPEAKER_04

Mas não temos de apagar, é isso que eles dizem.

SPEAKER_00

Eu acho que não devemos apagar, porque apagar era apagar a história, mesmo que ela seja injusta.

SPEAKER_04

A história tem que ser enquadrada, não é? Acho que é que esse é o ponto, que é um bocadinho como fazeres o museu do Tesouro Real e falas sobre. Tiaras! Finalmente voltamos ao tema que mais me atrás. Ainda hoje li-me sobre tantas princesas, Princesa Clementine dos Belgas, que pôde casar após a morte do pai, porque ele não a deixava casar com ninguém.

SPEAKER_00

O pai viveu até que ideia?

SPEAKER_04

Pai 80, mas ela casa aos 37, tardíssimo, para o século XIX, sendo que o seu pai é o Facínora Leopoldo, rei dos Belgas, que fazia do Congo o seu, aliás, matou 6 milhões de pessoas no Congo.

SPEAKER_00

Nós também fomos trocidades pelo Congo, mas foi no Mundial.

SPEAKER_04

Pois foi.

SPEAKER_00

Mas, trocidades, mas enfim.

SPEAKER_04

Viste aquele vídeo dos adeptos do Congo, que eram tipo seis no meio do terreiro do Passo?

SPEAKER_00

Não vi.

SPEAKER_04

É lindo esse vídeo. Tinham uma mancha de portugueses enorme, para ir até o início da Rua da Prata, pessoas, pessoas, pessoas, pessoas, e de repente o gol do Congo e eles levantam-se e são seis. E as pessoas todas com um melãozão na cabeça e eles felizes, felizes, felizes.

SPEAKER_00

Sabes o que é que eu queria ter na cabeça? Um daqueles chapéus leopardo que eles trazem.

SPEAKER_04

Ah, eu gostei muito desse kit das seleções.

SPEAKER_00

Muito bonito, eu quero ter um.

SPEAKER_04

Mas tu não resistes a uma tigressão, Leopardo?

SPEAKER_00

É, eu quero ter assim, forma de barquinho.

SPEAKER_04

Dirias que vives na selva de petão?

SPEAKER_00

Maria, eu acho que tu hoje me mandaste uma mensagem a dizer uma coisa parecida. Gostas da ideia da selva de petão.

SPEAKER_04

A selva de petão da Rat Race, a competição.

SPEAKER_00

Posui-me aqui nesta selva de betão.

SPEAKER_04

Esta selva de pet, por favor, das pessoas não têm alma.

SPEAKER_00

Possuí-me nesta selva de betão. Como ao associo.

SPEAKER_04

Marco, desculpa. Cada pessoa teste.

SPEAKER_00

Acabou o nosso tempo.

SPEAKER_04

Ah, voltamos amanhã, terça-feira, dia promissor, para discutirmos sobre. Tenho que falar sobre isto, a regressão. Porquê que eu me estou a rir? Nós estamos bem disposos, ainda bem, porque está um calor insuportável e graças a Deus que tens aqui ar-condicionado no teu estúdio privado. Até manhã.

SPEAKER_00

Até amhã, Maria.

SPEAKER_02

Até manhã. Diário de Marias. De segunda a sexta na futura.

SPEAKER_04

Tu está lá.

SPEAKER_00

E as pessoas ainda dizem.

SPEAKER_04

Eu digo que está o meu pai. para ouvir ficar. Sim.

SPEAKER_03

O que é isto?

SPEAKER_04

Mas o meu pai está vivo. Como é que eu posso estar a ser um espectro em simultâneo? A verdade é que o universo esconde muitos mistérios. Olá a todos aqueles que estão a ouvir o Diário de Marias, seja em podcast, seja na Rádio Futura, bom dia!

SPEAKER_00

E vamos assinalar pontos geográficos onde somos discutados.

SPEAKER_04

Ah, queres fazer isso agora? Eu tenho aqui, não sei como é que me saiu agora, não sei como é que me saiu assim, mas eu vou te dizer porque tenho aqui as estatísticas dos nossos. Ai, está em modo de voo, porquê? Porque eu nunca tenho telefone ligado quando gravo. Este tipo de etiqueta perdeu assim, as pessoas fazem tudo às três pancadas. Bom, falavas dos territórios, falavas dos territórios, então, queres saber o top? Diz quem é que achas que está em primeiro lugar? Islândia Não, mas Islândia está no top. Eu sei que está no top. Em segundo lugar, qual é o país que está? Ok, obviamente que Portugal é o primeiro país, qual será o segundo? Não, Inglaterra Estados Unidos, terceiro país, Congo United Kingdom. Depois Holanda, Espanha, Islândia, num horroso sexto lugar, Alemanha, Itália, Suécia e França. Mas não pense, quem está a ouvir o Diário de Marias não somos ouvidos noutros lugares, noutras geografias, também na Ásia e na América do Sul somos ouvidos, embora 95% das pessoas que ouve o Diário de Marias esteja na Europa.

SPEAKER_00

Olá vamos em frente com estava prometido para hoje o tema da regressão.

SPEAKER_04

Um tema que me praz muitíssimo, para quem não conhece a regressão.

SPEAKER_00

Regrediste quando falei da minha idade ao Faia, não é? Regredino?

SPEAKER_04

Ah, sim, fizeste uma regressão no tempo?

SPEAKER_00

Fiz uma regressão, sim, voltei ao passado.

SPEAKER_04

Voltaste ao passado. A ideia da regressão é que nós todos vivemos muitíssimas vezes. O que é que achas sobre isso? Achas que vivemos mais vezes? Ou achas que esta é a tua primeira. Achas que esta é a tua primeira vida? Não é?

SPEAKER_00

Tu achas que não é? Acho que não.

SPEAKER_04

Acho que não. Por outro lado, pode ser porque a quantidade de coisas que tu acumulas, pode ser que a quantidade de beleza que tu pões à tua volta pode ser gênero, esta é a minha única vida, vou pôr mais coisas nas paredes.

SPEAKER_00

Pois não sei, acho que gostava de ter uma resposta, mas nem sequer.

SPEAKER_04

Nunca pensaste sobre isso?

SPEAKER_00

Não, pensei, mas posso dizer que é um tema que não me interessa muito. Não porque Maria, o que é que tu fazes com o conhecimento de vidas passadas?

SPEAKER_03

Contas em festas.

SPEAKER_04

Para que é que nós criámos este podcast? Para falámos de regressão, não foi por isso. A regressão é um convite.

SPEAKER_00

Por favor, não me faças rir.

SPEAKER_04

Eu vou olhar para ali para tu não te rires. A regressão é um convite que se faz através da hipnose, coisa que eu fiz. Ok, eu estava triste, estava a viver um breakup e fui parar a um consultório da minha psicóloga, foi a minha psicóloga durante 5 anos, and não fazia ideia que ela fazia hipnose. Fiquei contente, sempre tive vontade de experimentar. Dentro desse seu trabalho hipnótico, uma derivação desse tipo de terapias where podes fazer a visita a vidas passadas ou até a vidas futuras.

SPEAKER_03

Vidas futuras?

SPEAKER_04

Sim, sim, porque a ideia é que o tempo não é linear e tu podes estar em qualquer lado ao mesmo tempo. E ali em baixo no café a comer caracóis. Bom, fiz três regressões. Como quem faz três balais ou três mises, sobre cada meditação, cada hipnose, era sobre um tema. O primeiro tema foi não ser escolhido, não ser escolhido. O segundo tema foi a traição. Terceiro tema foi o abandono.

SPEAKER_00

Não nada de positivo.

SPEAKER_04

Não, eu estava a fazer terapia para me curar. revi que estou. E estou obviamente curado desde aí. Bom, primeira regressão. Portanto, quem está a ouvir? Se calhar fez regressão. Olá pessoas. Por favor, ponham o dedo no ar, que é estou a ver um dedo na Somália e outro em Tóquio. Bom, e então fazes uma. fizeste alguma hipnose? Não. Bom, então tu estás no fundo consciente, mas não te apetece mexer. Então é 10 9 8 e vão-te dizendo, e ela dizia, agora estás a descer umas escadas, caminho do jardim, e pronto, entretanto. Estava a ver na minha cabeça e depois agora despes o casaco da consciência, que no meu caso era um casaco até aos pés.

SPEAKER_00

Ah, eu não quero vestir o casaco da consciência.

SPEAKER_04

Então não sei que não, tinha reparado. Pronto, tirei o casaco da consciência e fico disponível para o que vai acontecer.

SPEAKER_00

Mas consciência é um nome próprio.

SPEAKER_04

Sim. Olha, eu conheço uma pessoa chamada Consciência. Entretanto, ela faz assim e tu voas no tempo e ela pergunta onde é que estás.

SPEAKER_00

E eu com a tiara.

SPEAKER_04

Não. Era pobrezinha. Mas era uma mulher. Então, olhei para baixo e era como se fosse um sonho vívido e vi dois sapatos pontiagudos e um vestido assim meio sujo e rasgado. E olho à volta e estou numa espécie de casa de madeira de aburralhar este. fora, sim, sim. fora, Neva, e ela pergunta o que é que estás a ir a fazer. E eu digo, estou à espera do meu marido. Naquela vida eu tinha um marido. Mas estava à espera dele. Então era na Irlanda, no século XVIII, e depois fui levado para um barco para ir para o novo mundo, coisa que aconteceu muitas pessoas na Irlanda. Houve grandes fomos na Irlanda. A história da Irlanda é uma história muito violenta. Eu quando visitei-o em setembro. Que continuar divertida. É que eu ia para a Grande Fome.

SPEAKER_00

Sim, sim, por favor. Quem é que não padece de uma grande fome?

SPEAKER_04

Na Irlanda padeciam tanto que, sobretudo, por tudo aquilo que produziam tinha que ir para a Inglaterra. Então eles tinham batatas apenas, não havia mais nada. Durante sete anos muitas pessoas morreram.

SPEAKER_00

Mas também o colesterol estava baixo. Estava baixo, é verdade.

SPEAKER_04

Temos que cuidar o copo meio cheio, não é?

SPEAKER_00

É, é.

SPEAKER_04

E então eu fui uma destas pessoas que foi levada para o novo mundo e matei-me no barco, atirei-me do barco e foquei-me. E ela pergunta, queres ver a tua morte? E eu, não. E de baixo estava eu na água. E esta é uma das minhas histórias. Tem outras que guardarei para outros momentos.

SPEAKER_00

Mas diz-me, Maria, com essas.

SPEAKER_04

Mas eu sentia coisas reais, era como se me tivesse acontecido.

SPEAKER_00

Mas o que é que tu ganhaste com isso?

SPEAKER_04

Fiquei sem medo da morte.

SPEAKER_00

Não é possível.

SPEAKER_04

Eu pensava muito na morte e deixei de pensar desde que fiz as regressões. Não sei. Mas eu também, como sabes, tenho uma costela muito mística.

SPEAKER_00

Achas que eu com esta obsessão danosa pelas batatas fritas de pacote, se fizer um sessão de hipnose, posso-te tratar.

SPEAKER_04

Podes ir ver que se calhar tu viveste em Versailles e morreste engasgada com uma batata frita. Ou mesmo, quem sabe, nos encontrávamos os dois na Ironia havia batatas, mas eu não vou contar a minha visita mística à Irlanda aqui, talvez ninguém, se quiserem, mas eu fui à Irlanda e foi bizarro. Eu fui ao sítio onde partem os barcos e passei muito mal, estive assim, eu estou a dar estou a dar coisas para quem quiser fazer um programa sobre estas coisas comigo vai descobrir. Não, mas tenho uma relação especial com a Irlanda desde sempre, e quando fui confirmei-a.

SPEAKER_00

Curioso, não é? Podia ser Fernão Ferro, mas não, mas era cork.

SPEAKER_04

Fiquei muito mal disposto em cork, mas também intolerante a luta.

SPEAKER_00

Aconselhas a mim, porque eu nunca fiz, e aconselhas aos nossos ouvintes uma sessão de hipnose e regressão.

SPEAKER_04

Sim, havia uns vídeos, eu ouvi uns CDs em miúdo do Brian Weiss, eu e minha irmã mais velha ouvíamos, e que para fazer regressão sozinho, mas não aconselho. Acho que é melhor fazer com um terapeuta. E pronto, e isto também é atenção, isto é um ponto de vista holístico, eu não sou um profissional da área, ainda. Quem sabe, não tenho jeito para ter espantaspíritos à porta de casa, sabes? Ou até espantaspíritos está-me à vontade de bater em alguém.

SPEAKER_00

Pois é, pessoas que ainda têm espantaspíritos, mas muitas delas não saberão que são espantaspíritos, apenas um motivo de decoração ou não?

SPEAKER_04

Eu suspeito que quem tem sabe que espantaspírito. Mas para que é que é espantar os espíritos algo nos valem a pena? Tu crês? Creio que sim, no entanto, ainda porta mística, mas não vamos escancarar a porta mística hoje toda. Temos que deixar alguma coisa para o Halloween, para a edição Halloween do Diário de Marias.

SPEAKER_00

Meu Deus, como poderá ser depois de tudo o que foi contado e prometido, não sei, enquanto molhas a palavra, devo dizer que estamos quase a terminar, mas devíamos deixar algo mais no ar.

SPEAKER_04

Mas por acaso falar sobre a idade, eu acho interessante descobrir como é que todas as semanas eu falo sobre a idade, não é? Então, cada pessoa tem os seus temas. Mas uma relação com a ideia de que se a morte não existe, ou se a morte existe, mas depois tu regressas, eu acho isso uma ideia muito bela e torna também tudo mais fácil.

SPEAKER_00

Nós nunca nos vamos embora, é isso que tu estás a dizer. Acho que não. Tu acreditas?

SPEAKER_04

Não acredito. pessoas, não sentes que pessoas que conheceste mais do que uma vez. Como o guarda-redesta da equipa de Cabo Verde de qualquer falar amanhã.

SPEAKER_00

Vozinha.

SPEAKER_04

O senhor chama-se Vozinha?

SPEAKER_00

Chama. Tu sabias? Vamos falar de vozinha amanhã e de outras temáticas, não é? Mas agora fiquei a pensar nas pessoas que parece que conhecia muito tempo, não é? Mas isso acontece-me todas as semanas, como tu sabes. Lembras-te do tempo em que eu todas as semanas tinha? Tínhamos um novo melhor amigo? Sim, e tu perguntavas esta semana quem é? Pronto, eu não sou essa.

SPEAKER_04

progrediste, não é? Todos estamos a apanhar essa. está. Também vamos progredir então para amanhã, quarta-feira, o dia mais chato da semana. Até amanhã.

SPEAKER_00

Até amanhã.

SPEAKER_02

Diário de Marias. De segunda a sexta na futura.

SPEAKER_00

Olá Maria.

SPEAKER_04

Olá Maria, bom dia.

SPEAKER_00

Bom dia. Onde quer que esteja? Seja. Eu queria fazer uma rima, mas agora não consegui.

SPEAKER_04

Será que estamos a ouvir a ser ouvidos em Cabo Verde?

SPEAKER_00

Em Mindelo, Cabo Verde. Esperemos que sim. As pessoas, estou a passar uns dias em Mindelo pensam imediatamente que se trata de Cabo Verde, mas não, é o meu Mindelo. O teu Mindelo Cabo Verde, ontem falámos assim, muito rapidamente de vozinha, que se tornou uma espécie de herói nacional e mundial, não é?

SPEAKER_04

Porque eu, como sabes, não sigo a Copa.

SPEAKER_00

Tu não ligas a Copas para.

SPEAKER_04

Não, não liga copas nem Copa D, nem Copa C, nem Copa.

SPEAKER_00

Sim, o Vozinha também não sei muito sobre vozinha, não é? Mas guarda-redes, 40 anos. Vamos dar aqui um lamire. Era esta expressão. Daram Lami que Lamiré.

SPEAKER_03

Sei, mas essas pessoas têm que ser presas. Eu vi, eu vi uma dar um lamire! Ele foi por ali, ele foi por ali.

SPEAKER_00

Nunca pensei, ele parecia tão boa pessoa, mas eu nunca pensei que ele pudesse dar um laminé. Ele foi levar os filhos à escola.

SPEAKER_03

Ele era uma pessoa normal.

SPEAKER_00

Ele foi levar os filhos à escola e de repente estava a dar um lamiré.

SPEAKER_03

Em todas as famílias acontece inesperado, mas todos nós temos assim pessoas que são aditas ao laminé.

SPEAKER_00

Vamos ter que procurar o sentido do manhã. Será que foi Juan Lamiré?

SPEAKER_04

Ou um francisista? Lamiré.

SPEAKER_00

Bom, Vozí, herói mundial, defendeu o Instagram.

SPEAKER_04

Ele defendeu e ele tinha poucas pessoas no Instagram e agora tem 15 milhões.

SPEAKER_00

Como é que isto acontece? Portanto, ele fez uma defesa esto passámos a seguir, o que é curioso, porque nós apontamos sempre os holofotos para o jogador jovem, não é? Que tem muito para dar, tem vício, não é? Eu com um Lamiré e com o viço estou mandada para os parodiantes de Lisboa. Nós somos os novos parodiantes de Lisboa.

SPEAKER_04

Lamire. Antes, não deixar cair estas tradições, minha querida, em desuso. É um bocadinho assim, não é? Temos de começar a fazer umas vozes um bocadinho mais aqui. E dizer rádio em vez de rádio.

SPEAKER_00

Vamos esquecer vozinha, até porque nós os dois ficamos muitas vezes afónicos, não é, Maria? Nós temos um problema de garganta.

SPEAKER_04

pessoas que acham que isto pode ter a ver com defesas imunitárias em baixo. Eu também acho que pode ter a ver com o olho gordo.

SPEAKER_00

Fala-me disso.

SPEAKER_04

Não, estou a brincar, mas supostamente uma relação com o que nós comunicamos e não comunicamos, e eu e tu, que utilizamos a voz como ferramenta para chegar aos outros e ao mundo. É curioso que por vezes ficamos tão apanhados da voz, não te parece?

SPEAKER_00

Parece-me, Maria sabe que eu passei duas semanas difíceis com um pequeno ensino.

SPEAKER_04

Com os dedos, tu também com os dedos em ferido, porque podias, é claro, não podias falar, não é?

SPEAKER_00

Não podia falar, fiquei a usar dedeiras.

SPEAKER_04

Sim, hénias de dedeiras e está.

SPEAKER_00

E eu fiquei, eu perdi a voz nessas semanas.

SPEAKER_04

Quando perdes a voz, é engraçado, eu imagino que haja quem deva pensar nisso, que é se tu trabalhas com a voz, o que é que significa para ti perder a voz? É um grande problema, não é?

SPEAKER_00

Ficar amputada, mas repara-se, isto me aconteceu nas férias também, não me preocupa muito, preocupa-me quando tenho gravações para fazer, ou quando as pessoas dizem, tu estás rouca.

SPEAKER_04

Não gosto muito dessa conversa.

SPEAKER_00

É óbvio que estou, não é?

SPEAKER_04

Claro, óbvio, e sinto-me diminuído.

SPEAKER_00

Bom, mas vamos ultrapassar a voz.

SPEAKER_04

Vozinha é um bom, ou seja, as pessoas apaixonaram-se pela história dele, o que deve ser muito curioso para alguém que vem de um país que normalmente não tem grande protagonismo nestas coisas. muitas nações africanas na Copa deste ano, daquilo que eu acho mais do que eu. estive a olhar, não havia um vídeo em AI que me explicou isto e descobri também que também tem sido muito maltratada a seleção portuguesa, não é? As pessoas têm tido reações muito vigerais.

SPEAKER_00

Mas sobre isso não vamos falar porque vamos encerrar aqui o mal de alguém endeusado. Eu queria a propósito de vózinha, dizer-te que esta de repente o facto de estarmos a adular, a adulatrar vozinha, apenas demonstra a nossa carência por nós não temos heróis. Nós somos órfãos de heróis, não temos heróis. Os novos heróis são estes que se inventam de um dia para o outro, não é? Que podem morrer no dia no sentido em que deixamos porque falhou deixa de ser novamente o herói. Nós temos heróis instantâneos. Havia as mousses instantâneas, aqueles bolsas. As latinas. As latinas basta juntar água. E agora temos heróis aos quais basta adicionar seguidores.

SPEAKER_04

Isso é um conceito muito perigoso e deste tempo. Acho que um pouco. Acertas Namus Inês Maria, peço desculpa Maria. pessoas que dizem Namuge Namuge, Amélia Muj, eu diria que isso é muito interessante porque de facto a nossa falta de te visitaram aquela fase em que queremos fazer o programa e não conseguimos, o que é um ótimo sinal.

SPEAKER_00

Mas isto ainda não tinha acontecido.

SPEAKER_03

Pois não ataques de riso de 5 e 5 minutos, não?

SPEAKER_00

Sou eu sou eu que estou dar uma vida porque vieste do campo.

SPEAKER_03

Pois foi, foi o campo.

SPEAKER_04

Esta ideia de que não temos heróis entronca numa ideia maior que é as pessoas vivem muito desapaixonadas e precisam de momentos para se lembrarem da sua humanidade. Do seu coração. Olha, o coração ainda bate. E de vez em quando, quando um momento deste fico, ah, é uma coisa maior que tu. É como se fosse superada uma inocência que perdeste-se.

SPEAKER_00

Mas como é que o que é curioso é nós não nos fomos apercebendo que não estávamos a desapaixonar. Isto leva uns anos em cima de nós, não é? Ah, é?

SPEAKER_04

Sim, porque também estamos muito mais divorciados da nossa própria vozinha interior. Que é se tu estás o tempo todo soterrada em informação, em imagens, em pensamentos dos outros, por mais que até os consigas filtrar ou peneirar, uma dimensão que se apaga que é a tua originalidade. E acho que tanto eu como tu e muitas pessoas que nos ouvem de certeza que se esforçam por encontrar a sua originalidade, o seu tom, as suas notas dissonantes, mas muitas vezes estamos completamente, como eu disse, soterrados, porque vimos 10 coisas hoje e ainda nem tomámos um café. E estes heróis também são necessários para nos lembrarmos do que é certo. Depois podemos discutir moralmente certo, moralmente errado, ser moralistas ou não, mas por exemplo, uma coisa que eu queria falar, falaremos amanhã, foi um ataque que aconteceu a uma pessoa LGBT na rua em Lisboa, na avenda de Roma, André Cabrita, e não houve heróis. Será que haverá heróis agora na sequência desse ataque que lhe acontece amanhã? Falemos melhor do ataque, mas eu acho que nós também estamos com pouca heroicidade. Houve aquela história agora daquele senhor que encontrou aqueles miúdos que tinham sido abandonados pelos pais, o padeiro e que tinha sete filhos ou seis filhos e que se sentiu logo impelido a salvá-los, e essas coisas acontecem, as pessoas são muito corajosas nas tempestades, nos incêndios.

SPEAKER_00

Nós ficamos espantados com o bem, com aquilo que seria natural, normal, eu sei reticências ou pontos de interrogação quando eu digo natural ou normal, mas seria nós estávamos habituados. Eu passei uma longa vida em paragens de autocarro, de comboide. As pessoas entreajudavam-se, não é? Tu pedias até mesmo, sei lá, a questão de pedir às vezes uma informação. Oh menina, pode ajudar-me aqui que eu não sei usar o cartão.

SPEAKER_04

Sim, sim.

SPEAKER_00

Hoje em dia as pessoas estão realmente a olhar para o lado.

SPEAKER_04

Eu no Porto via isso mais. No Porto quando via acontecer mais, muito mais. Olá Porto. Olá Porto, o sítio onde tudo é melhor. uma. Não, a sério, isso eu senti mesmo na cidade essa vibração das pessoas que repararem mais uns nos outros. As capitais normalmente têm esse problema, mesmo assim em Lisboa, comparativamente com Londres ou com Nova York, quer dizer, é que são mundos à parte. Mas estavas a dizer isso de repararmos nos outros. Lembraste-me daquele poema da Adili Lopes O mal é banal, o mistério maior é o bem, or algo do género. É o bem, o bem é que é o mistério maior. O bem é que é interessante, o bem é que é surpreendente, o mal isparável, a falta de cuidado, a falta de atenção ao outro, a violência. Esta coisa de falámos em regressões ontem, esta ideia de que se vais regredindo a um sítio primitivo, será que o que está por baixo das violências todas não estará o bem também?

SPEAKER_00

Eu acho que estará o mal, estará sempre o mal, e por isso é que nós somos salvos pelo bem, não é? O bem é esse mistério maior, é a surpresa, é o resgate.

SPEAKER_04

Mas é uma coisa que temos que regar, eu acho. É como as relações, tenho algumas amizades em que às vezes eu não tenho poderem dizer a amigos meus tu tens que te ocupar de regar esta amizade. Senão as amizades morrem. Sem dúvida. Tens mesmo e portanto o bem também tem que ser regado, não é? Portanto, nós encontramos pessoas que fazem o bem e fazermos delas esses heróis da sociedade é bom. Daí o pensamento, quando vou fazer um salto, nada tem a ver, mas também tem, que é eu estar numa cidade em que eu saio a rua, vou ver um café e a estátua da pessoa que está no meio do centro daquela praça foi um esclavagista. Falávamos no outro dia, temos que falar da história, apagar a história e enquadrar a história, sem dúvida. Mas a relação com o espaço, eu prefiro que o bem seja celebrado. Eu prefiro que as pessoas que eu considero, mas está, considero na minha leitura, hoje 2026, do que é que é o bem. Se calhar no século XVI, de certeza, o que era o bem era diferente.

SPEAKER_00

Não, por acaso não.

SPEAKER_04

Era diferente. O amor era diferente. coisas que são valores cristãos ou bases cristãs, depois tens a lupa de qual é o ponto, o globo onde estás a olhar para as coisas. Mas coisas que sim que são transversais.

SPEAKER_00

Quando falavas e tu tens o dom da palavra, eu tinha a gente de me rir, Roca perdi alguma voz, mas não fiquei com uma vozinha, não é? Mas estava a pensar se com estes exemplos de bondade que nos surpreendem e que são tão impactantes, se nós vamos a correr fazer o bem. Ou seja, será que o bem é contagioso? Eu acredito e a minha vida é pautada pelo bem, não é? Acho eu, claro que eu gosto de fazer travessuras, mas agarro-me muito ao bem e sempre foi, sempre o vi ser multiplicado em muitas vertentes. Mas eu não sei se as pessoas que hoje em dia cospem fogo em todo o lado, em praça pública e onde puderem, se vão com estes bons exemplos, se lhes apetece fazer uma coisa boa nesse dia.

SPEAKER_04

Eu achei muito curiosa a reação do André Carita, nós não temos tempo hoje para explicar, pois não? Mas amanhã falaremos sobre isso e acho que é muito importante acabar nessa nota, que é o fazer o bem é tão simples quanto ser simpático hoje para todas as pessoas que virmos, não é? Perguntar se alguém precisa de ajuda, por mais que isso às vezes nos desconforte.

SPEAKER_00

Voltaremos para dar novos lamirés amanhã, aqui na futura.

SPEAKER_04

E eu com o ombro de fora, porque embora o tempo tenha arrefecido a meio da semana, não é a canícola que foi, não é? Sim, mas a minha chama cega cesa. Até manhã, Maria.

SPEAKER_02

Até Diário de Maria, de segunda a sexta na futura.

SPEAKER_00

Olá Maria.

SPEAKER_04

Olá Maria, quinta-feira. Um dia frangamente bom. Enquadramos? Enquadramos, sim.

SPEAKER_00

Eu vinha numa viagem sufocante de Flixbus.

SPEAKER_04

Tu és tão próxima, és tão acessível, iré? Sou, sou.

SPEAKER_00

Num autocarro cheio de gente que provavelmente iria ver Linkin Park nesse dia. Mas isso é um detalhe. Mas o que é a vida sem detalhes, Maria? E de repente passou um veículo de grande porte que transportava carne branca. Aves. Aves. Aves. E o. Como é que se diz? O slogan?

SPEAKER_04

O slogan, sim, o manga.

SPEAKER_00

É frangamente bom.

SPEAKER_04

O que é genial? É genial. Parabéns. Parabéns a essa marca que até podia pagar Diário de Marias, se quiser uma cidade.

SPEAKER_00

Se chama Luzi Aves.

SPEAKER_04

Luzi Aves. É frangamente bom.

SPEAKER_00

Somos aves raras, isso é frangamente bom.

SPEAKER_04

Isso eu acho que rivaliza com um dos centros funerários mais reconhecidos do país, um sítio onde podemos cremar com alguma alegria, talvez. Calma, estou a fazer estas piadas, mas respeito muito a questão fúnebre. Chama-se Fan Fos, que é um centro de crematório na Figueira da Foja. Portanto, Fan Foz onde desagoa o cinzelhómetro, não é? Sim, as cinzas, as pessoas são enviadas com um sorriso na cara.

SPEAKER_00

É fã. É e é Foge.

SPEAKER_04

É um ponto saíremos destas areias mofetiças, não querendo antes das 11 da manhã criar problemas a quem houve a Rádio Futura. Muito bom dia. Ontem trouxe para cima da mesa um tema que me entristeceu bastante.

SPEAKER_00

E que partilhaste comigo em boa hora.

SPEAKER_04

Em boa hora em hora buena, porque houve um rapaz que se chama André Cabrita que fez um vídeo explicando que tinha sido vítima de uma agressão na Avenida de Roma. Portanto, à frente do Fruto Almeida saiu do carro e foi ao multibanco e é atacado por dois homens que começam a insultá-lo, ele não percebe que é com ele automaticamente. Uma pessoa queer, também como uma mulher no espaço público, muitas vezes pensa, não vou sequer dar qualquer reação, porque isto pode ser incitar a que continuem. Ele não não participa, como a ignora. Até que pergunta-me estou a falar comigo. E depois atacam-no e tiram-no ao chão e dou-lhe pontapés no abdomen. Isto na Avenida de Roma. Penso eu durante o dia.

SPEAKER_00

Pois não sabemos a que horas é que isto aconteceu. A minha dúvida é que o Fruto Almeidas e a Avenida de Roma são dois pontos que estão sempre apanhados, não é?

SPEAKER_04

Bom, mesmo que tenha sido à noite, é uma zona tão. Tem tanta gente, acho que 10 da noite à Avenida de Roma tem pessoas. Centro de Lisboa, a ideia de que a corpo queer pode ser violentado, são two homens que entretanto as imagens andam pelas redes sociais, mas a polícia acho que foi impecável, segundo aquilo que o André relata. Embora tenha demorado muito tempo a chegar, ele contou que a polícia foi a because não tinha carros disponíveis. Gratuito.

SPEAKER_00

O ódio gratuito é sempre gratuito. Embora ele possa ser muito elaborado, consequentemente não faz sentido.

SPEAKER_04

Foi porque lhes abeteceu e porque era uma pessoa queer, gay, que estava ali naquele momento. Podia ter sido outra pessoa qualquer, podia ter sido um imigrante, podia ter sido uma mulher, podia ter sido. E a ideia de não haver consequência e a ideia disso não ter uma reação automática, não sei onde é que estavam os heróis para ajudar o André neste momento, se calhar não estava ninguém, mas eu lembro muitas vezes de atravessar a cidade e isto estas coisas passam pela cabeça, sempre me passaram pela cabeça. Por isso, quando às vezes ouvi as minhas amigas a dizer que tinham medo de ir para casa a determinada hora, para mim isso não era assim, era mais distante, ou seja, não tenho a expectativa que me façam mal, mas não é assim tão distante, porque de facto estes acontecimentos e estas coisas acontecem. O facto de ter acontecido no centro de Lisboa, não muito longe de sítios que nós frequentamos diariamente, é para mim a prova que as coisas estão cada vez a escalar mais.

SPEAKER_00

Gostava de ter mais detalhes sobre o caso, não é? Tu partilhaste comigo que eu vi o vídeo, fiquei muito chocada por esse lado gratuito, ficaria sempre chocada com uma agressão, não é? Mas quem são estas pessoas, não é? Em que é que a presença do outro os incomoda? E como é que se sentem tão fortalecidos para atacar?

SPEAKER_04

Mas este é o país onde neonazis iam atacar a casa do primeiro-ministro, não é? Portanto, aqui um contexto, um barril de pólvora que toda a gente tinha alertado de que ia começar a ficar cada vez mais cheio, não é? Que falta acender e isso tem vindo a acontecer. E depois nós escolhemos sempre, muitas vezes, eu e tu, se calhar não falar tanto destas coisas porque achamos que pode estimular, fala por mim. Pontualmente vou a estes temas, mas não vou assim tanto porque sinto que também é quase como estar a dar palco ao ódio e não queremos isso. O que eu achei curioso na reação do André foi o André que eu não conhecia, nunca tinha ouvido, aparentemente acho que tinha falado com ele no Instagram, mas nunca tinha visto, não sabia bem quem era. O André não incita a violência. Uma das coisas que diz no seu vídeo é por favor, não façam o mesmo, agora apanhando os homens e estraçalhando-os. Até por homens mais velhos.

SPEAKER_00

Ele pede para se alguém conseguir identificar estes homens para o informar, mas por favor.

SPEAKER_04

Sim, reportar.

SPEAKER_00

Reportar, mas para não haver qualquer tipo de ajuste de contas. É isso, não é?

SPEAKER_04

E é estranhíssimo como é que estranhíssimo, não é? É a prova que a homofobia, existe sempre. Eu li umas declarações de um escritor espanhol uns dias em que dizia o primeiro insulto homofóbico que recebes, no fundo nunca sai da tua vida, porque todos os sistemas que existem ainda têm homofobia. E a homofobia aparece assim nestas coisas. É um comentário que está fora, é alguém que está no teu trabalho e que leva as coisas longe demais, uma brincadeira longe demais e não sabe parar, é uma piada que ninguém corrige, e nós achamos todos que somos todos muito sofisticados e se calhar quem houve a futura acha isto dantesco, jamais o faria, mas o mundo não é apenas aquilo que acontece dentro das nossas casas, ou com as pessoas que são como nós. E eu sinto um recrudescimento dessa virulência, desses dentes afiados. Porque uma certa. Sim, aconteceu nos países todos, a Inglaterra está igual, a Espanha também teve esses momentos. É muito estranho, é muito triste. E imagino tu que viste mais detrás as mudanças em Lisboa ainda seja mais dos anos 90, não tenho certeza que não era um que era doce.

SPEAKER_00

Quando vi este vídeo pareceu uma coisa antiga, muito antiga, até porque os senhores têm um ar antigo também. Se tivesse que explicar a uma criança o que é a homofobia, como é que explicavas?

SPEAKER_04

É o medo da alegria do outro.

SPEAKER_00

Eu ia dizer é o medo de gostar do outro.

SPEAKER_04

É o medo de gostar do outro. É o medo. Porque isso depois a homofobia é filha da misoginia, filha do machismo. E são todas estas coisas que nós não interpelámos devidamente, não é? Portugal é um dos países europeus onde mais morrem mulheres vítimas de violência doméstica todos os anos. Temos sempre os mesmos dois problemas, incêndios e violência doméstica, sempre os mesmos.

SPEAKER_00

Estamos agora com esta dúvida de tentar perceber se de facto temos mais casos ou se temos mais denúncias, não é? Porque todas as semanas temos de facto um caso.

SPEAKER_04

Mulheres que morrem, crianças que são mortas também, ou retiradas aos pais, ou é muito estranho porque acho que no fundo nós não estamos a interpelar as raízes dos problemas.

SPEAKER_00

Mais uma vez, voltamos à questão, estamos soterrados, estamos a receber demasiada informação e não paramos para pensar no essencial.

SPEAKER_04

Acontece porque nós nunca fizemos a tantas as razões, não descolonizaste a cabeça, não fizeste muitos homens estes fenómenos do red pill e a manosfera e de repente miúdos que têm 17 anos, 16 anos são mais retrógradas do que os pais. Como é que isto é possível? Como é que de repente as mulheres têm que estar na cozinha? Todas as thread wives que estão no Instagram. Agora de repente vamos fazer manteiga from scratch e não. E não tem mal nenhum a ver estilos de vida alternativos, não estou a dizer que as pessoas não podem fazer essa manteiga, mas qualquer coisa de são pessoas que não têm a memória. É a mesma coisa que pedir o que isto precisa mesmo é três salazares. É falta de memória e a memória fica em risco se ninguém falar dela. E portanto, de repente estas coisas podem acontecer mais. uma grande comoção à volta desta história do André e fico muito contente porque significa que as pessoas estão atentas e voltamos à mesma conversa, que é os direitos nunca estão garantidos, como aconteceu agora com o pacote Laboralco, que felizmente não foi aprovado, mas estas coisas estão sempre em cima da mesa.

SPEAKER_00

Não vamos fazer nenhuma piada com o pacote porque isto não é uma revista.

SPEAKER_03

Agora chamaste-te a atenção, não consigo não ver.

SPEAKER_00

Bom, voltamos amanhã.

SPEAKER_03

Sim, sim.

SPEAKER_00

Amanhã, sexta-feira. Hoje o tema foi um pouco mais sério. Sim. Eu me ri o suficiente também esta semana e.

SPEAKER_04

Iremos com força para sexta-feira. Está a acabar junho. Houve o solcício de inverno, nem eu nem tu dançámos ao da Lua.

SPEAKER_00

Não sabes, não te contaste.

SPEAKER_04

Dançaste em mim dele.

SPEAKER_00

O que é que achas que eu venho tão sorridente?

SPEAKER_04

Eu vi imagens de Stonehands e precisas-me tu.

SPEAKER_00

Até amanhã.

SPEAKER_04

Tchau, Laura.

SPEAKER_02

Diário de Maria. De segunda a sexta na futura.

SPEAKER_00

Olá Maria. Olá. Enquanto gotejas para dentro do estou.

SPEAKER_04

Estou em inglês poched. Estou sequioso. Às sexta-feira tenho sempre mais sede. Desidrato muito de quinta para sexta. Sede de sexta-feira. Sede de sexta-feira. Porquê? Porque. Vamos falar daqui a pouco. Estava à espera que completasses.

SPEAKER_00

Ainda não estou habituada a dizer sexta. Daqui a pouco vamos falar de apps, não é? Sim. Enrolanços. Enrolanços.

SPEAKER_04

Podemos falar de enrolanços.

SPEAKER_00

Enrolanada.

SPEAKER_04

Areia, ninguém ouve o que ele diz. Eu fico sempre preocupado com os seus desenhos. Não, eu não gosto muito, tu já. Claro que já. És adepta de práticas banhistas?

SPEAKER_00

Aconteceu. Aconteceu-te.

SPEAKER_04

Aconteceu muito. Com que marido? Número de um, dois ou três?

SPEAKER_00

Não, foi com o sétimo namorado.

SPEAKER_04

Bom. Por acaso praias não têm assim grande feeling. Eu, coisas outdoors.

SPEAKER_00

Passei pela praia.

SPEAKER_04

a experiência do cruis, que é muito poderosa na comunidade queer. Sabes o que é o cruising? Não sei. Cruising é eu revirar aos outros. Mas eu gosto que os ouvintes da futura estejam antes das 11 da manhã ouviram falar de cruising, porque alguns deles estão a caminho de locais onde isso acontece. Cruising é fazer sexo anónimo com pessoas que não conheces. Ali numa vereda ou na praia, ou e são homens, normalmente à procura de sexos com homens.

SPEAKER_00

Por acaso tenham amigos.

SPEAKER_04

Até tens um amigo que é, não é?

SPEAKER_00

Tenho um amigo que faz, por acaso até sexo.

SPEAKER_04

Por acaso tens. E pessoas que consideram isso muito excitante e pronto. Eu lembro-me quando tinha 2018 anos. Também perigoso, não é? Sim. sempre esse lado de o que é que o que é que pode acontecer. Eu lembro-me uma vez não ter percebido e havia uma zona ao de minha casa que era uma zona de cruising. Eu não me lembro se tinha namorado na altura, eu acho que não. E fui para de carro, tinha o meu primeiro carro que tinha 18 anos, e pus-me no carro a ver e havia carros a andar de um lado para o outro. E pensava, o que é que eles andam a fazer? Eu não estou a perceber nada. Eu, Virgem, sem perceber nada, e.

SPEAKER_00

Virgem que não designo.

SPEAKER_04

Sim, e depois na altura adivinhava que um dia não faria cruzinho, mas teria bastantes apps. Mas como sabes, e conheces bem o meu histórico emocional, Inés e Maria, eu tive relações seguidas, não é? Eu comecei a praticar a descoberta do mundo fora por volta dos 26.

SPEAKER_00

Com que idade entraste nessas veredas?

SPEAKER_04

Veredas. Veredas. Veredas da descoberta? 17. Veredas.

SPEAKER_00

Mais fundo ainda. Mais fundo ou mais superficial, não?

SPEAKER_04

Mas estamos a falar de práticas com pessoas em apps e coisas do género? Ah, não, isso mesmo de anos 26. Ou seja, eu fiz tudo um bocado tarde porque eu tive relações longas, nas quais acreditava bastante, e fui um bocado sem querer, porque eu, como sabemos, tinha, falámos os dois várias vezes. Eu queria que essa eu queria muito ter-me casado e ter tido outro tipo de enquadramento de vida. Mas hoje pensava, hoje não, uns dias pensava, como embora não tivesse nada daquilo que eu queria, tive tudo aquilo que eu precisava.

SPEAKER_00

Interessante frase para uma serigrafia, não é?

SPEAKER_04

Porquê? Porque eu achava que queria ter, queria ter uma espécie de caminho tradicional, com o lado de casar com um homem e não com uma mulher, mas uma ideia até muito casamos, casa, etc. And o meu sofrimento ando no coração, que durou tantos anos, a violência ofensedou-me infinitamente mais atento ao outro. I think me tornei muito mais empática, ou seja, o sofrimento para mim foi um portal para perceber o outro.

SPEAKER_00

Eu não acho que seja absolutamente necessário. que é uma coisa tão má, vamos tentar tirar qualquer coisa daqui.

SPEAKER_04

Mas acontece. Eu tirei porque havia várias coisas que para mim eram ideias vagas e que passaram a ser muito mais a solidão, é muito mais evidente, a dor é muito mais evidente, o erro, o malcasting, a saudade.

SPEAKER_00

Mas eu acho que isso também se agrava com a idade, não é?

SPEAKER_04

A consciência torna-se tu não teres aquilo que querias, mas teres as coisas que foram possíveis, também te ajuda a ter que confiar um bocado na vida, não é? Ou seja, eu sou provavelmente muito mais sensível e muito mais capaz de lidar com a minha frustração porque vivi uma dor tremenda. Ando isso para a experiência sexual and a busca sexual e a descoberta, eu tive que descobrir a série de coisas because I had viver aquel amor que não pude viver porque acabou. uma dose de solidão nestas apps, but I lembro-me I era tão bem sucedido no Tinder nos Estados Unidos que eu fui convidado por ir ao Tinder mesmo aos headquarters. Eu usei o Tinder quando estive a estar nos Estados Unidos. Eu fui com a Maria Petalhiminhos e fizemos uma viagem The Route 66, talvez te lembres, and eu chegava a cada estado e ligava ao Tinder e perguntava às pessoas onde é que devemos achantar, onde é que devemos fazer não sei o quê. E às vezes de facto conhecia umas pessoas interessantes e fiz tantos matches na altura, era bastante mais giro, tinha menos de 10 anos, aquelas pessoas que começam a dizer estas coisas. E eu até acho mais bonito.

SPEAKER_00

E és mais bonito agora, muito mais.

SPEAKER_04

E na altura fui convidado para ir ao Tinder e ofereci-me 100 dólares para ir ao Tinder dar a minha opinião. Estou a falar a sério. Não fui.

SPEAKER_00

Porquê?

SPEAKER_04

Porque estava em outro lado. 100 dólares pouco. Não, mas isto para dizer que eu volto às apps pontualmente e continuo à procura de me apaixonar. Ou seja, essa alegria ainda não me foi tirada.

SPEAKER_00

Infelizmente. Que porcentagem de encontros que valem a pena temos?

SPEAKER_04

De saídos destes. Olha, houve alguns amigos que saíram destas.

SPEAKER_00

Tu és um caso à parte porque o problema aqui é que tu és uma figura pública, portanto as pessoas. Em Portugal? Diz? Em Portugal.

SPEAKER_04

No resto do mundo ainda não.

unknown

Ainda não.

SPEAKER_00

Isso emquina um bocadinho. a descoberta, não é? Porque não é bem uma descoberta, sendo que será sempre uma descoberta. As pessoas pensam que te conhecem, mas não conhecem.

SPEAKER_04

Sim, mas nem é tanto sobre mim. Eu acho que um exercício hoje que no teu tempo onde as pessoas se conheciam, sei lá, na selva de petão, não é? Mas com o fax ligado com o fax debaixo do braço para receberem as mensagens, não posso chegar e sair o fax.

SPEAKER_00

Usávamos depois o fax para guardar para limpar coisas, árvores árvores.

SPEAKER_04

Eu na altura, ou seja, havia sempre, a descoberta era sempre ao vivo, não é? A descoberta era, tu estavas a ver as pistas do comportamento de alguém, o espanto e a desilusão em simultâneo. Sim, mas ao mesmo tempo tu progrides. Isso aconteceu pouco tempo, num filme que fiz, não vou contar agora coisas. Até porque tens um acordo de confidencialidade, mas não sobre os meus crushes on set. Mas tive um crush on set e foi durante two years eu estava. Ai meu Deus, meu Deus, é um crush. Eu estou mesmo, acho mesmo que isto é. O que traz alegria realmente? Traz imensa alegria. Eu não sabia que era esta pessoa de lado nenhum, nunca tinha visto no MAP, nunca tinha pensado. Porque aquilo que tu dizias sobre eu ter uma ideia sobre a minha persona, quem eu sou oral, que também podem ter em relação a ti, embora hoje sejas bem cansada. No caso, toda a gente hoje em dia tem isso.

SPEAKER_00

Como ouvimos de uma pessoa que ambos conhecemos, cavalo amarrado também pasta. Péssima expressão.

SPEAKER_04

Isso pasta. Mas pasta não basta. Mas quando hoje em dia toda a gente, como toda a gente tem um perfil, toda a gente tem uma leitura 2D do outro. Eu olhei para três fotografias e tirei uma conclusão. Antigamente era a música que ouvia.

SPEAKER_00

As pessoas pensam que é positivo porque encurta os passos. Nós agora olhamos para trás e pensamos, ai que horror, o que tínhamos que penar para conhecer alguém até acontecer alguma coisa. As pessoas veem três fotografias e pensam que encurtaram o processo quando? O processo é a magia de uma relação, de uma paixão, mesmo que esteja depois o desencanto. Sim, mas o desencanto significa que tu diz-me, por exemplo, quantos dias tu querias que durassem estas filmagens?

SPEAKER_04

15. Não porque estava a ser muito feliz a filmar, mas porque aquilo depois obviamente não deu em nada, porque a pessoa em causa até é heterossexual, portanto era tudo na minha cabeça, aparentemente. Eu acho que não. Mas não interessa. O ponto é, eu durante aquelas horas eu tive 15 anos. Porque ficava nervoso, porque ficava a pensar o que é que aquela pessoa estaria a achar de mim, eu, entretanto, vesti de uma maneira absurda que não posso revelar agora, porque adicionava ainda uma camada mais absurda à história toda, mas eu ia filmar nervoso e não estava nervoso porque ia filmar, estava nervoso porque eu ia ver. E esta coisa tão básica também vive desta ilusão, mas é uma coisa muito salutar.

SPEAKER_00

Não acontece muito nas apps.

SPEAKER_04

Não, porque tu decidiste tudo. O frição é, ai, acho que ela girou. Ah, parece gostar de coisas que eu também gosto. Ou a conversa é boa, é tão fácil fingir uma conversa vagamente aceitável.

SPEAKER_00

É tão fácil parecer vagamente interessante, não é? Tirar três títulos de livros, de filmes da NET e.

SPEAKER_04

Sim, mas o sentido de humor apanha-se rápido. E se não sentido de humor.

SPEAKER_00

Não diários de Marias. Bom, vamos terminar. Terminamos assim esta semana. O que é que nós tivemos aqui? Tivemos um início de semana eufórico.

SPEAKER_04

Dirias que fechamos com chave de ouro e neste estamos em modo de parodientes.

SPEAKER_00

Havia mulheres nos parodientes de Lisboa.

SPEAKER_04

Claro que havia mulheres.

SPEAKER_00

As mulheres falavam.

SPEAKER_04

Deveriam falar um pouco assim, sempre um pouco. Dizendo bem todas as palavras.

SPEAKER_00

Linda. Sim. Dizendo os elamandogama. Linda e linda.

SPEAKER_03

Linda, linda.

SPEAKER_00

As pessoas que dizem o L desta forma. Sei, estou não sei.

SPEAKER_04

São todas as parodientes de Lisboa. São mais de 6 milhões de pessoas.

SPEAKER_00

Somos atuais.

SPEAKER_04

Sim, nós somos contemporâneos. Junho está a acabar. Não esquecer para quem.

SPEAKER_00

Estou desanimado com isso.

SPEAKER_04

Não, porque está quase a chegar o momento em que eu vou para a Madrid fazer a minha série. Estou muito entusiasmadão.

SPEAKER_00

Vamos ter Diário de Marias, não é mesmo?

SPEAKER_04

Claro, mas também eu sou poucos dias. Sim, ainda não tem aqueles momentos em que mandam dois meses para a Islândia.

SPEAKER_00

Onde somos ouvidos? Pois é. Bom fim de semana para todos.

SPEAKER_04

Reikiavic. Não esquecer que o compacto do Diário de Marias este fim de semana. Para quem é mais preguiçoso e não gosta de carregar em episódios diferentes.

SPEAKER_03

Que bom ver-te.

SPEAKER_04

Adeus, minha querida.

SPEAKER_02

Se uma Maria incomoda muita gente.

SPEAKER_00

Olá Maria.

SPEAKER_02

Olá Maria. Duas Marias incomodam muito mais.

SPEAKER_00

Muita areia neste caminhão, que sou eu também.

SPEAKER_02

E que caminhão. E que caminhão Maria Pego. Rui Maria Pego e Inês Maria Menezes trazem-nos o seu diário cheio de inquietações. Se um livro para abrir, tem que ser o nosso diário. Diário de Marias, de segunda a sexta na futura. Maria vai com as outras. Eu?