Diário de Marias
Maria está no meio deles. Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses falam dos seus dias, que se fazem de concertos, exposições, filmes, pensamentos obscuros, desabafos e pequenos delitos entre amigos.
Diário de Marias é um encontro diário na rádio, dez minutos que pedem sempre por mais.
De segunda a sexta na Futura, 10.30, com extensão nas plataformas digitais.
Diário de Marias
Polvo do comércio
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Marias começam a semana arejando traumas e revelando micro-agressões que viveram. Dores com aporte nutricional elevado em mais uma semana de Diário de Marias.
Diário de Maria de segunda a sexta na futura, olá Maria. Olá Maria, fim de semana quente este que vivemos, não foi? Vamos dizer outra vez a palavra Canícola. Oi, Canícola. Como é que tu estás? Estou bem, estou entusiasmada. Uma semana de primeiras vezes de viagem, por acaso não é bem a primeira vez, já fui a Madrid antes, mas vou para Madri amanhã, porque, como sabes, assinei um contrato de confidencialidade e foi a minha primeira cena internacional.
SPEAKER_01Olha Maria, tu és uma Maria muito viajada. Este calor afeta-te muito?
SPEAKER_00Olha, eu gosto da sensação de ter as portas do inferno abertas. Há um certo empurrão na vida. Agora eu gosto também de voltar para casa e não estar a esse calor. E a ti? Ficas com afrontamentos?
SPEAKER_01Olha, eu não tenho afrontamentos, eu sou uma surtuda porque estando na menopausa eu não sofre nada. Eu não sofro, nem me lembro da menopausa, e sei que há muitas mulheres que estão a passar mal neste momento, neste exato momento, mas eu tenho outros problemas, não é? Tu sabes que eu fico os tornozelos muito inchados, muito inchados, fico com uma pata de elefante medonha, achas que deixas a tua marca? Boa para pisar inimigos. Eu no outro dia tento fintar estas maleitas, não é? Não é a única, eu tenho qual é a mulher que não tem várias maleitas, não é? E no outro dia, depois de um dia longo de trabalho em várias frentes, estava eu a apresentar um livro e não me palcosito e vem uma senhora que me parabeniza abundantemente pelo meu trabalho em várias frentes, seguia tudo e mais alguma coisa. Depois agarra-me o braço e diz: reparei que os seus tornos eles estavam inchados. Oh meu Deus, eu bati tão no fundo.
SPEAKER_00Respondeste?
SPEAKER_01Eu disse, estão sempre.
SPEAKER_00Que é, eu adoro que esta pessoa é segue o teu trabalho, admira-te, mas o que ela tem mesmo para dizer é: olha, reparei que esses tornozeles estão enchados.
SPEAKER_01Eram 8 da noite. Eu tinha acordado às 8 da manhã para encher um evento, fiz mil e uma coisas e o meu dia, a frase com que o meu dia fecha é reparei que têm os tornozelos enchentes.
SPEAKER_00Eu vivi coisas similares, não és só tu que passas por estas agruras.
SPEAKER_01Eu gostava que primeiro, espera, eu quero ouvir os teus problemas, mas gostava que alguém nos escrevesse a dizer como é que eu posso resolver o problema dos tornozelos da pata de elefante e se passam pelo mesmo. Se a canícula vos afeta, a canícula, o álcool, também podemos depois falar um pouco do álcool.
SPEAKER_00O olho gordo, eu trago sempre um bocadinho de misticismo. Ah, o molho gordo enxamou isso.
SPEAKER_01Mas é o olho gordo dentro do tornozelo gordo.
SPEAKER_00Fica a parecer, é porque esta pontinha fica a parecer um olho.
SPEAKER_01Aham. Aqui no tornozelo. O que eu tenho no tornozelo é olho gordo.
SPEAKER_00É o olho gordo.
SPEAKER_01Como é que eu devo fazer, Maria?
SPEAKER_00Eu acho que deves pôr as pernas para cima.
SPEAKER_01Mas eu às vezes não posso pôr as pernas para cima, não é?
SPEAKER_00Pois não. Olha, eu não pus as pernas para cima, de resto eu estava na minha estrutura normal.
SPEAKER_01Semana não puseste as pernas para cima.
SPEAKER_00Não puste, não pus as pernas para cima e tinha ido fazer análise porque anda a tentar despistar uma leita também. Como é que está a tua microbiota? Minha microbiota está com desafios. Só me lembro de uma vez que fui uma nutricionista e eu disse: Olha, eu de facto eu a meio da semana não sei muito bem o comer, a meio do dia, ou seja, almoço sentar ela. É assim, Rui, eu sei às vezes como uma lata de atum. Ao que ela me disse, oh Rui, isso são snacks que não brilham. Que a melhor expressão do mundo. Oh Rui. O atum é um snack que não brilha.
SPEAKER_01Mas não é suficientemente glamoroso a isso?
SPEAKER_00Não, porque não é nada. Porque tem, porque está dentro de uma lata, porque não é uma espécie de moqueca, não é uma carpioca. Uma carpioca de não é algo que tem um aporte nutricional fantástico. Portanto, é um snack que não brilha. O que é que é um snack que brilha? Não é? Dá de ser uma barrita, uma barrita com tamaras? Não sei. Sim, as tamaras, as tamaras e o aporte. O aporto, o aporte nutricional. Eu tenho o léxico. Pois tens. A minha microbiota está com desafios. Não quero agora abrir o livro, mas a microbiota é também agora o segundo. Acontece se tens algum problema? É microbiota. É sempre a microbiota.
SPEAKER_01E a sua microbiota, como é que está hoje?
SPEAKER_00Exato, a pergunta que já fazemos: fora dos lares, mesmo no dia a dia. Bom, eu fui fazer as análises, saí das análises e estava com um ratinho, pois tinha estado em jejum. Depois não me deixaram fazer os exames do jejum porque eu tinha comido, estava a tomar probióticos. Estou para ajudar o teu carro, eu amo. Bom, vou ao café. Café daqueles, café honesto, mas é um nome de cafés que me irritam um bocadinho. São cafés que têm, tu compras as coisas, pedes as coisas, para mim está toda a gente mal disposta, e depois dão-te um cartão com um número para tu Isaar caixa, número 327, nunca mais me esquece. É verdade? Era verdade, era 327. Fui e esta senhora que tratava das questões do pagamento também vendia vipings, vendia revistas, vendia raspadinhas, aquela mulher é um povo no comércio, ela é um povo. E eu, ok, lá cheguei, fui pagar e ela disse aqui com cartão só acima de 5€. E eu disse, ah, ok, então lhe dê-me uns olhos de qualquer coisa. E ela diz-me, ela é muito tratada a vida dela, e ela 5,50€. E eu paguei com o telefone e ela olha para mim e diz: pensava que fosse mais alto. Ao que eu respondi é a minha atitude, é capaz de ser. Portanto, 9h30 da manhã e já alvejado, não é? Já alvejado. Portanto, o fim de vestaste o dia, eu comecei o dia. Não é a primeira vez que me dizem, mas pensava que fosse mais alto.
SPEAKER_01Como é que tu enfrentaste o resto do dia?
SPEAKER_00Olha, pondrei ir a pé para casa para deixar aquela raiva sair, mas estavam 45 graus devido à canícola, e então, fui dober. Portanto, passam estes desafios que nos põem também a pensar, não é?
SPEAKER_01Eu nunca mais saí de casa para não me verem os tornezelos inchados. Eu há uma semana que não saio, Maria.
SPEAKER_00Eu reparei, mas também porque compraste ar condicionado e para que sair, não é?
SPEAKER_01Estou com aquelas botas hugs para semar o tornozelo que não disse sem mais.
SPEAKER_00Podes usar uma daquelas meias de descanso, meias de descanso, mas não de descaso, minha querida.
SPEAKER_01Eu ia dizer que não tinha 87 anos, mas estou disponível para receber uma meia.
SPEAKER_00Nos aviões, nos aviões e meias de descanso. Nós tínhamos temas, mas tirámos-se para longe neste.
SPEAKER_01Nós queremos é ouvir da parte de quem nos acompanha diariamente, ou às vezes só uma vez por semana também. Queremos conhecer as vossas maleitas, se são também atravessados por feridas verbais como estas.
SPEAKER_00Isto são microagressões, ou macro, dependendo da hora. Eu convém dizer que nós estamos ouvidos em 40 países. Ainda não tinhas falado 294 cidades. Temos uma nova entrada em Sydney e New South Wales, High Sydney, Sheffield e Sinus, e também Hagen, no Rhein Westfalia.
SPEAKER_01E se lembra-me agora o Paris Texas Amador, aquele bone emblemático da futura a todos. Podia ser a Sines Sidney, não é?
SPEAKER_00Sinus Sidney. Há coisas que são. Há coisas que te dizem que estas coisas são engraçadas, mas às vezes as pessoas são muito. perdem muita cabeça e dizem coisas absurdas no dia a dia.
SPEAKER_01Tratam-nos com os pés? Tratam-nos com os pés que estão enchados.
SPEAKER_00Mas eu fico fascinado com o que as pessoas dizem.
SPEAKER_01Mas muitas vezes as pessoas só querem dizer alguma coisa e conhecem apenas o despropósito, não é? Percebes? A vontade é tanta de dizer mais qualquer coisa que sim, e de serem simpáticas, já me aconteceu também. Já me aconteceu dizer coisas que não faziam sentido, mas nunca apontei para os tornoselos de ninguém.
SPEAKER_00Nunca disse pensava que eras mais bonito. Pensava que eras mais bonito. Por acaso achavas que achava que eras mais inteligente. Este tipo de coisas não digo, mas penso.
SPEAKER_01Mas nós aqui estamos, não é? Nós ultrapassámos essas feridas, essas chagas, ainda são chagas que aqui estamos.
SPEAKER_00Lembras-te quando aquele senhor que dizia que tinha as chagas de Cristo foi à televisão àquele programa de Tres Aquilhar, programa de Balém, e era tudo mentira. Ele tinha umas chagas nas mãos e na testa. Lá está, eu tinha que ir um bocadinho para um sítio místico. E eu fico a pensar, um bocadinho como vobayana, que falámos a semana passada, quando te apercebes que mentiste, ou melhor, que toda a gente descobre que tu mentiste, como é que tu te reinventas?
SPEAKER_01Com novas chagas nos tornozelos. Achas que eu posso ir ao programa da tua mãe falar dos meus tornozelos inchados?
SPEAKER_00Eu acho que podias.
SPEAKER_01Eu posso fazer uma tatuagem de Cristo nos tornozelos. E dizes apareceram-me estas chagas? Sim. Não, apareceu-me Cristo nos tornozelos. Bom, vamos ficar por aqui.
SPEAKER_00Vamos, amanhã já estarei em Direto de Madrid, teremos que nos separar, olé, porém. Já não vais ver estas flores. Estas, estas.
SPEAKER_01Estas são reais? São sempre reais. As outras eram secas. Mas é uma exceção.
SPEAKER_00Não, estas são reais e têm um púrpura fortíssimo. Nós temos que pintar. Porque a rádio, a rádio, Inês, é o teatro da mente. Pinta. Lembras de quem era o diretor que me dissiste? Esta vai para queijinho. Qual queijinho? Deixa o teu critério. Foi um diretor que é mesmo. Tivemos.
SPEAKER_01Não é pessoal. Não é fácil, tivemos tanto incomodado. Sim, sim, sim, o labirinto da mente. É uma rádio são imagens. Até amanhã é púrpura.
SPEAKER_00Até olé. Ah, está bem, eu