Diário de Marias
Maria está no meio deles. Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses falam dos seus dias, que se fazem de concertos, exposições, filmes, pensamentos obscuros, desabafos e pequenos delitos entre amigos.
Diário de Marias é um encontro diário na rádio, dez minutos que pedem sempre por mais.
De segunda a sexta na Futura, 10.30, com extensão nas plataformas digitais.
Diário de Marias
Iniciativa Liberace!
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Marias anunciam o lançamento de um novo partido político - Iniciativa Liberace! -, e mergulham num caso que está nas malhas da justiça francesa: a herança de Choupette, a gata de Karl Lagerfeld.
Diário de Marias, de segunda a sexta na futura, olé Maria a todos.
SPEAKER_01Olé, era a única coisa que eu sabia dizer, mas que não corresponde sequer ao vocabulário dos espanhóis, não é?
SPEAKER_00No dia a dia, olé, eles dizem olé, é para passar, quando alguém está, passa olé, as pessoas passam. Olha, estou no centro da Península Ibérica, não no centro político, atenção, no centro, porque Madri é no centro, e onde está muito calor, estão 42 graus hoje, terça-feira, e eu vou pintar o cabelo outra vez.
SPEAKER_01Não é verdade?
SPEAKER_00Sim, sim. Eles querem que eu pareça outra vez Cruella de Vil para este papel.
SPEAKER_01Eu achei que deve ser os teus dálmatas. Quando ficas com o cabelo assim, não sentes que há uma trela invisível puxada por 101 dálmatas.
SPEAKER_00Sim, sim, sim. Eu sinto, é um bocadinho como a mão invisível que está no mercado. Dirias, por exemplo, que eu poderia votar naquele partido que falaste há pouco que me disseste por mensagens?
SPEAKER_01Que eu inventei Iniciativa Liberace.
SPEAKER_00Sim.
SPEAKER_01Nós vamos iniciar aqui um processo de apoios, não é? Sim, sim, sim, sim. Vamos reunir assinaturas para lançar o Iniciativa Liberace.
SPEAKER_00Sim, vamos. Estamos a falar, como é que seria a sede do partido de Iniciativa Liberace?
SPEAKER_01Muitas lantejoas, glitter, não é? Candelabros de cristal. Solas compensadas.
SPEAKER_00Oh, sim. Olé.
SPEAKER_01Um piano de cauda. Sim.
SPEAKER_00Eu acho que a Iniciativa Liberace faria muita diferença, sobretudo no que tem a ver com esse lado das coisas, que é há pouca regulamentação no sapato de plataforma.
SPEAKER_01Sim, há pouca.
SPEAKER_00Mas pronto, por acaso o tema que trago hoje é um pouco dentro do universo de Iniciativa Liberate, que é, estou muito preocupado com o animal de companhia, o patudo, de Carl Lagerfeld, mentor, como sabemos, da Chanel, e Lagerfeld deixou um gato para trás, não o levou para a sua outra vida, como os faraós, mas sim deixou porquê?
SPEAKER_01Porque o gato tem sete vidas ou 300, não é? Com o dinheiro que ele recebeu.
SPEAKER_00Olha, bem lembrado, bem lembrado. Então, ele deixa parte da sua fortuna, mas uma parte considerável, uma fatia de leão, esta gata chamada Chop. Chopete foi habituada ao bom e do melhor, como diriam os entendidos, e portanto está há 6 anos à espera de receber a soberança.
SPEAKER_01Ela não sabe que está à espera, não é? Não sabe referir isso.
SPEAKER_00Um milhão e meio de libras, portanto, arredondado 2 milhões de euros, 5 milhões de contos na moeda antiga, por acaso não acho que são 10. Mas Carl Egerfeld Chopet não recebeu Chopette Lagerfeld, não recebeu o dinheiro que lhe é devido, mora com a governanta de Carl Egerfeld, uma senhora de nome Françoise Cassot, que já tentou envenenar várias vezes Chopet.
SPEAKER_01Mas, como Chopette tem várias vidas, não há maneira de morrer.
SPEAKER_00É considerada a gata mais rica do mundo, mas ela não sabe. Ela não sabe. Ela não sabe. A verdade é que a Chopet vive com esta mulher, ela dá tudo o que pode, mas tira da sua subvenção para pagar a vida da Chopete. A Chopete tem gostos e portanto tem sido complicado e tem lutado na justiça para trazer o dinheiro. Gostava de saber a tua opinião sobre as pessoas que deixam dinheiro para os seus animais de estimação, tratando os animais de estimação como pessoas.
SPEAKER_01Eu gosto muito de animais, eu sempre cresci com muitos animais, não é o caso agora em Lisboa, mas animais há muitos. Sempre cresci com cães, gatos, coelhos, galinhas, ou uma rapariga do campo, como bem sabes, não é? E sempre tive uma relação próxima, ou seja, eu foram os meus primeiros amigos realmente, mas há um lugar para os animais e há um lugar para os humanos, por mais animais que às vezes sejam. Portanto, não percebo, sei que há muita gente a passar mal nesta altura, não é da canícula. Não compreendo que alguém possa deixar o seu dinheiro ainda que tivesse vivido durante anos e tivesse sido feliz, como foi com o meu Gaspar, o meu Cocker Spaniel. Não consigo compreender que se possa deixar uma fortuna a um animal de estimação quando há muita gente a morrer à fome.
SPEAKER_00Eu diria que isto já configura uma certa queda para a loucura deixar para o seu gato todo o seu dinheiro. No entanto, eu acho que neste caso a Chopette fazia campanhas de moda e portanto tinha os seus próprios salários. O que eu acho curioso é isto ter passado, eles irem, estão na justiça a lutar pelo dinheiro, e portanto a gata é um joguete nas mãos destas pessoas. Mas o Extraordinário é que isso seja objeto de um processo de tribunal, já que o gato é verdade.
SPEAKER_01O homem deixou a fortuna à gata, não é? A gata, sendo um animal, não tem noção sequer do que se passa, não é? Um dia a Chopete morrerá, não é? E essa herança vai para quem?
SPEAKER_00Para quem ela designar? Se calhar nós. Se fomos agora para Paris e nos começássemos a dar com a Copete.
SPEAKER_01Tudo isto é muito ridículo, não é? Tudo isto é verdadeiramente ridículo. Alguém que se movimentou, eu percebo que se calhar o pobre Carl Lagerfeld não tenha feito muitos amigos no meio em que ele se movimentava, em que ele próprio se questionava onde é que estão os meus amigos, quem são os meus amigos, mas ele era um homem genial, mas muito difícil, não é?
SPEAKER_00Portanto, eu acho que há uma dose de exotismo nisto que eu acho que é a história que continua para além da vida dele, não é? Ou seja, ele morre, mas a história meia rocambolesca continua, herda, a gata, a gata a morar na almofada, a gata no private jet. Não sei, eu acho que é uma coisa, lá está, é muito longe daquilo que é a vida normal do dia a dia, de milhões e milhões e milhões de pessoas que moram de forma muito difícil.
SPEAKER_01E tira-nos para um patamar de muita futilidade, isto é a verdadeira futilidade, eu acho.
SPEAKER_00Também acho que sim. Nós na iniciativa Liberate combatemos isso, mas a questão é Chopete pode não ter partido? Poderia ajudar-nos com alguma subvenção para as artes? Poderia. As artes mais felinas, estou a falar do trapézio, por exemplo, de coisas assim, artistas da trapézio.
SPEAKER_01Neste caso é mais fácil chegar à governanta, como é que se chama? A Françoise Cassote. A Caçote, a Caçote de Tesouro, não é? Sim. Ela mora numa caçote de ouro. Depois é mais fácil chegar à Françoise e. Dirias chegar à fala com a Françoise? Chegar à fala, sim, chegar à fala. E tentar, enfim, uma pequena subvenção de modo a que consigamos erguer o nosso partido. Sim. Iniciativa Liberate.
SPEAKER_00Iniciativa Liberate.
SPEAKER_01Há pessoas que não sabem quem é a Liberate, portanto vão procurar essa informaçãozinha se querem fazer parte de.
SPEAKER_00Sim, sim, Liberate, uma grande figura, que vale a pena sempre conhecer a história. Um partido onde uma gola nunca é grande demais, não é?
SPEAKER_01Nem uma gola, nem um brilho. Nem um cabelo armado. Não é um cabelo muito armado. Vamos falar aqui porque foi um tema que me perseguiu nos últimos dias, não sei porquê, talvez por eu ter referido cheira-me a la Cafiero. As lacas devem ter perdido. La Cafiero era um must dos anos 80.
SPEAKER_00Tatcher usaria Lacafiero.
SPEAKER_01Com certeza, não é? As lacas devem ter perdido muito mercado.
SPEAKER_00Eu acho que isto é um tema para amanhã.
SPEAKER_01Eu também acho.
SPEAKER_00Amanhã continuarei aqui, já de cabelo armado, já com outro cabelo, com o cabelo dividido, que será. Amanhã tenho um fitz. Vou fazer um fitzing de roupa.
SPEAKER_01Quero saber tudo.
SPEAKER_00Então amanhã conto-te.
SPEAKER_01Adiós! Adiós, Maria.