Diário de Marias
Maria está no meio deles. Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses falam dos seus dias, que se fazem de concertos, exposições, filmes, pensamentos obscuros, desabafos e pequenos delitos entre amigos.
Diário de Marias é um encontro diário na rádio, dez minutos que pedem sempre por mais.
De segunda a sexta na Futura, 10.30, com extensão nas plataformas digitais.
Diário de Marias
É preciso ter muita laca
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Quarta-feira entre Madrid, Lisboa e os festivais onde Marias foram felizes. Memórias made in Med, Kalorama, Wilderness e Burning Man.
Diário de Marias de segunda a sexta na futura, olá Maria. Olá como estás? Continuas em Madrid? Sim, apartado de mim.
SPEAKER_00Sim, apartado de ti, mas o meu apartado é 2070. Olha, o meu apartado agora é perto da Grande Bia, porque estou aqui ainda deslocado do meu país. Olha, a tentar a minha sorte Alem Fronteiras. Ontem fiquei a pensar todo o dia na laca, laca que é inflamável, não é bom para este tempo. Pois não. Não se pode pegar em maquinaria pesada nem em laca pesada.
SPEAKER_01Pois quando falam muito em cuidado com fazer fogos nas florestas e não sei o quê, e a laca?
SPEAKER_00A laca é uma boca de incêndio. Precisarás de uma boca de incêndio, lembras-te a tua?
SPEAKER_01Eu tinha uma rubrica chamada Boca de Incêndio. Está no teu programa.
SPEAKER_00Imagina.
SPEAKER_01Imagina, nós há 50 anos já fazíamos um programa juntos.
SPEAKER_00Foi há 17 anos, Inês? 17 anos. 16, sim, 16, 17.
SPEAKER_01Quem eras tu, Maria? Olha, quem és tu, miúd?
SPEAKER_00Olha, fiquei a passar na laca, porque a laca me transporta para o passado. Dizias, achas que as pessoas já não se entregam à laca como é?
SPEAKER_01Eu penso que a laca perdeu muito mercado, não é? O quê? Porque as pessoas querem coisas mais frescas. Quem é que quer andar com o cagalo armado, não é?
SPEAKER_00E a Margaret Thatcher, sabes que eu ainda estou a ver The Crown? Acabei a The Crown há pouco tempo, a Thatcher perdeu o peso.
SPEAKER_01Eu tenho a impressão que tu vês The Crown à Anne todos os dias. Estou a repetir, estou a ver tu desde o início.
SPEAKER_00Adoro, adoro. Mas olha, sabes onde é que assenta bem uma tiara? Num cabelo com laca, porque fica lá presa.
SPEAKER_01Pois tens razão, mas na iniciativa liberados eu não sei se vamos ter tiaras.
SPEAKER_00Não, mas olha, a minha avó usava bastante laca, já a minha mãe não tanto, mas a televisão ainda se utilizou muito nos anos 90. But in those familias, cada um tem os seus vícios, não é?
SPEAKER_01É verdade. E há sempre uma latinha de laca perdida. Há sempre um daqueles armários deprimentes de casa de banho que se abre com mola. Com mola, não é? E lá está uma embalagem de uma lata de laca perdida. O que viveu aquela lata, não é? O que é que ela viu?
SPEAKER_00É preciso ter muita lata. Cabelos tristes no despertar, cabelos que anoiteciam Marrianto, não é um bocadinho de puxar o cabelo e levando até ao Divino e ir ao supermercado e esconder coisas por baixo.
SPEAKER_01Exatamente.
SPEAKER_00Mas Kiki Espírito Santo certamente não faria isso. Embora como as coisas correram. Banco Espírito Santo. Vamos sair daqui.
SPEAKER_01É melhor sairmos daqui. Olha, eu estive em Lulé, fui ao festival MED em Lulé, achei muita graça este festival, uma coisa muito de rua, com muita multiculturalidade. Arnaldo Antunes, Bonga, o nosso Tótrips da futura, o Expresso Transatlântico, muita coisa a acontecer e onde vi, passou lá o documentário feito dos 20 anos do Fala Comela, eu passei música com Pedro Ramos, curiosamente também da futura, não é? Ele passou Burborrag de Amor que eu dancei, é verdade, e onde se vive livremente o espírito do festival, com agitação espontânea nas ruas, e onde ninguém prepara o seu outfit para ir para um festival. Podem comprar-se túnicas e miçangas ali em Lolé para o Festival Med, mas não se preparam mais.
SPEAKER_00A missanga está no extremo oposto das antípodas.
SPEAKER_01Está, está, está. Já não vamos abandonar esta coisa de nos armarmos até o cabelo para irmos para um festival, não é? Já não se vai.
SPEAKER_00Não, já ninguém vai, mas olhando pelos looks do Rockin Ryu devíamos pensar mais nisso. Porque também nós temos que estar presos em 2006, não é? Aconteceu. Umas botas de cor, umas franginhas, muita franginha.
SPEAKER_01Uma napa a fingir de pele. Imagina a napa com esta canícola. Ui!
SPEAKER_00Gotas de suor, não é? Bom, a Napa é uma alternativa vegan também, não é? Porque não vem dos animais. Dos para todos. Dos para todos, nossos amigos para todos. Eu percebo o que dizes. De facto, é sempre estranho para mim, porque tanto eu como tu fomos a 200 mil festivais, em trabalho, sem ser no trabalho, e eu sempre gosto da ideia de estar no ar and haver uma ideia, uma imagem para o festival, porque de facto é diferente, mas de facto tem que ser coisas minimamente práticas. Claro! Um bocado malucas, embora eu tenha ido um festival muito engraçado há muitos anos chamado Wilderness, que é em Inglaterra, no Oxfordshire.
SPEAKER_01Desta vez não foste com a Raquel Estrada. Fui com a Raquel Estrada.
SPEAKER_00Estás a ver como tu ainda não tínhamos trazido. Fui com a Raquel Strada e este festival.
SPEAKER_01Olá, Raquel! Olá!
SPEAKER_00Não, está tudo bem, não tens que te arranjar muito. Pronto, este festival onde eu vi Benedit Campabetch, que estava no nosso Yurt do lado, pronto, era um festival, não é? Era uma grande pepineira. Ele é giro ao vivo. Este é sempre um ano meio esgasiado. E aliás foi neste festival onde eu conheci Jon Snow, o ator, o Kit Harrington, que estava em estava ligeiramente noutro sítio, não estava naquele festival, e uma pessoa que eu conheço foi falar com ele e disse, não chateias, coitado. Eu achava que era parecido com a minha vida. Não chatei, é chatear, ele está ali na vida dele. E depois apareceu outra a dizer que parecia uma do Gayman Front, a Sophie Turner, que nos disse que era a Sophie Turner, nós estávamos tão bem dispostos que acreditámos, guardámos o número dela, tirámos trofia com ela. Tá os ter fias com a Sophie Turner, que era a irmã do Kit Harrington. Só tínhamos acabado de ouvir a ele, porque é que não poderia ser ela. No dia seguinte, ele seguiu-me no Instagram, e meu Deus, isto vai acontecer, eu fiquei sem bateria. No dia seguinte abre o telemóvel. Não só ela não me seguia, como depois fui ver os pessoas que me tinham seguido, não era ela, era uma pessoa parecidíssima, e que andava a fingir no festival that era do Game of Thrones.
SPEAKER_01Mas vocês tinham sniffado lá, que era e foi isso.
SPEAKER_00Aquilo era um festival mais gastronómico, curiosamente, com os chefes. Eu vi Grace Jones, que nunca tinha gostado ao vivo. Pois é, pois é. Pois é, pois é. Eu gosto do calorama. E a Grace Jones foi incrível. E lembro-me que esse festival era todo sobre os chefes que estavam. Tu compravas o bilhete e depois tinhas acesso a banquetes, era o que eles chamam, e eram experiências gastronómicas com estes chefs. Chama-se a Luna, é um festival para familias, comida era ótima, and tinha estas menesses, estas figuras que apareceram.
SPEAKER_01Vocês foram enganados.
unknownPorquê?
SPEAKER_00Porque achámos que há haver música. Sim, não, mas o Kit Harrington era o Kit Harrington.
SPEAKER_01Mas vocês fantasiaram mais um pouco. Acontece-te, Maria, fantasiares.
SPEAKER_00Há uma pessoa que eu já revelei aqui, que é o Jonathan Bailey. Não, meu marido.
SPEAKER_01Porque alguém As pessoas conspiram a meu favor.
SPEAKER_00Não, ninguém previu. Disseram, por acaso disseram é possível, mas isso foi uma bruxa mais antiga, não é uma bruxa com o que eu tenho falado.
SPEAKER_01Também ainda não tínhamos falado de bruxas estas semanas. Estava a estranhar, não é?
SPEAKER_00Mas não, mas isto para dizer que, voltando ao que tu dizias, nesse wilderness e há uma coisa nos festivais ingleses de uma certa despejado, não é? Ou seja, até podes montar e depois há sempre os aristocratas a fingir que não são e que não são os ilunionários e vou com umas túnicas. Eu por acaso até pintei a cara na altura e usei umas coisas na cabeça e tal.
SPEAKER_01Initiativa Liberados.
SPEAKER_00Muita iniciativa liberada, eu já te posto a fotografia. E Biuns Express ao Martini. Estás a perceber o nível do festival, não era exatamente tipo, ah, não há casas de banho, não era isso. Mas de facto eu acho que depois quando eu fui ao Burning Man com Raquel Serrada O Burning Man vive dessa coisa montada, mas eu hoje não iria ao Burning Man porque acho que aquilo acabou por se tornar numa cena muito comercial e esquisita.
SPEAKER_01Mas não é essa parte que me interessa. A mim interessa-me realmente esta coisas terem se tornado sempre uma montra, não é?
SPEAKER_00Para fora, não é?
SPEAKER_01Para fora ter acabado.
SPEAKER_00Estás ao lado de alter ego divertido, não é? Ou seja, uma coisa é o alter ego que a Burning Man or Waking Life, a boom pressupõe. No, tenho curiosidade, mas nunca fui.
SPEAKER_01Eu não planei. I don't say me disses that the tub depends.
SPEAKER_00A boom that acontece portias, or is that a acontecer, or acontece the semana passada? Quimar um tornozelo e mandar fazer. Que boa ideia! Conheço que já tenha feito partes do corpo. A saber? Já falamos disto ou não? Não, falamos fora do ar. Não fez, eu acho que era um ombro. São as coisas mais bizarras, não é tipo um braço ou uma perna. Será que há pílas em cera? Provavelmente. As escalas da rainha não são assim tão longe.
SPEAKER_01Pillas queimadas no santuário de Fátima?
SPEAKER_00Para quê? Para desbloquear a vida sexual? Sim. Se calhar?
SPEAKER_01Ou pílas que se querem grandes e que sejam ou vulvas. Será que se pode mandar? Manda-se fazer, não é?
SPEAKER_00Manda-se fazer também podíamos ter isto, este guichê na nossa iniciativa Liberace, que é qual é a parte do corpo que precisa acender?
SPEAKER_01No meu caso, é o tornozelo.
SPEAKER_00No meu caso é a garganta, que eu tenho sempre tantos desafios.
SPEAKER_01Pois é.
SPEAKER_00E a microbiota? Como é que acendes a microbiota com o vinho branco, certamente? Pois. Mas isto os festivais das torces de montarem, eu acho que era essa a ideia do alter ego e de haver uma. Mas eu lembro-me quando acabou o Burning Man e todos os efeitos da magia de estar no Burning Man. Estava todo queimadinho, com menos de 3 kg.
SPEAKER_01O nome do festival é esse porque as pessoas saem de lá todas queimadinhas.
SPEAKER_00Mas é muito extraordinário. O momento em que a ar do homem, aquela escultura em madeira, e depois metes-te lá os teus desejos e aquilo é tudo. E é bonita a ideia de haver uma sociedade onde não há dinheiro.
SPEAKER_01Estávamos a falar do centuário de fátio e meio de.
SPEAKER_00Eles pegam fogo ao homem e depois há umas pessoas nuas a dançar à volta e são 70 mil pessoas no meio do deserto. Cria-se uma sociedade que vive sem dinheiro. E depois há uns que lá está tem muito dinheiro. Sim, mas há uns acampamentos onde as pessoas chegam de helicóptero. Também existe este lado. Eu tive uma boa experiência, mas quando aquilo acabou parecia que tinha sido um baile de máscaras, os alter eggs acabaram, a magia daquele momento acabou, andam só pessoas mascaradas. Ou seja, não há magia.
SPEAKER_01Está a passar o avião das 10h50. Estou a ouvir aqui, aqui não há aviões em Madrid. Ah, tu não ouves, tu não ouves. Até amanhã. Adiós.