Diário de Marias

La Féria dos Hipsters

Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses

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Marias enfrentam o luto após o fim de "The Bear", visitam Wes Anderson, regateiam o preço da pisadela e lembram o programa de televisão "Ai os Homens".

SPEAKER_02

Diário de Marias de segunda a sexta na futura Olá Maria Olá Essa é a voz de quinta-feira quinto Gostas de Bears Tu és um pequeno bear? Não me reduzas estéreó Eu gosto de Bears A a ameaça do estereótipo senti aqui do meu lado esquerdo a ameaça do estereótipo Eu adoro homens barbudos Eu alguns Bears acho giros Grossinhos assim encorpaditos Não tenho uma opinião depende muito da pessoa Naturalmente não é bem a minha vibe, mas eu gosto de homens com um peito peludo Se me fazes essa pergunta eu respondo Eu ia fazer-te essa pergunta Acho um bocado irritante Eu não aguento ser aqui isto é um horror e se calhar vou ser maltratado mais tarde Mas eu não gosto de homens de pilados Parece que estou na cama com uma foca Eu estou a fazer um golfinho Um jogar de repulsamento Mas há muito esta tendência Eu em guia Eu imagino uma foca Eu não suporto homens depilados, desculpem os amigos que nos estão a ouvir e que se depilam por certo Se calhar gostam Gostas do verbo depilar Nem por isso nunca me depilei Por causa depilaram uma vez um braço na televisão Bos tempos Final dos anos 2000 Eu terminei a quinta e última temporada de The Bear Acabou, acabou Acabou Chorei muito, ri, vibrei, senti muitas coisas diferentes, não só por Jeremy Alan White, que é um homem bonito, sexy, poderoso Embora The Bear me dê ansiedade, nunca passei do primeiro episódio Mas porquê? A edição é um universo um bocado hetero demais para mim quando me dizias antes de nos encontrarmos hoje quinta-feira, que tinhas desistido, eu pensei imediatamente, vou estereotipar também, mas pensei, demasiado hetero, cozinha porcalhona em Chicago antes de ser fine Dining, cozinha porcalhona, muitos homens dizerem palavrões Eu percebo, ou seja, do ponto de vista dramatúrgico, ou seja, aquilo é muito bem feito, mas eu não me senti puxado pensei esta história não é para mim E fui obviamente ver um documentário sobre rainhas no século XIX que foram maltratadas Há alturas em que eu me sinto o homem desta relação, claro Também não faz mal E não faz mal, eu adoro, eu sei que há um homem dentro de mim Como é que se chamaria esse homem Manel Achas que seria Manel Vicente Vicente Vicente sem dúvida Bom, é com algum pesar que então deixo de ver Orfa sinto-me um bocadinho orfã, mas enfim Im a rever a pegar nestas cinco temporadas e a vê-las de novo para absorver cada detalhe porque repara aparecem muitas coisas apetitosas muita comida boa, não é? A forma de confeccionar, a própria comida, a ansiedade que se gera em torno de um prato que depois se come num ápice, essa coisa gostosa também chamada Jeremy Allen White, e depois toda a ideia de coletivo, porque a coisa que vem à tona é, sem dúvida, a ideia de equipa. Eles tratam-me não sei se sabes, mas a dada altura começam todos a tratarem-se por chefe.

SPEAKER_00

Yes, chef.

SPEAKER_02

Yes, chef, todos são, eu gosto muito disto, somos todos iguais aqui, não é? Evidentemente há uns que são mais chefe que outros. Há ali uma ideia de coletivo muito forte que está em evidência até ao último episódio, e eu fiquei entre, desta vez não chorei, mas fiquei triste porque é uma receita de amor que desaparece da minha vida, aquilo era uma receita de amor, era uma receita familiar e de amor que desaparece e portanto vou ter que rever tudo outra vez, mas é uma série que eu gostava que tu visses porque acontece ali muita coisa com a qual tu te vais identificar, é engraçado. Acho que se calhar tenho que investir, deixa-me ser pirosa e dizer que acontece ali uma magia com a qual tu te vais identificar. Passada essa fase, aquela fase de chefe que vem do fine dining para salvar o restaurante familiar, irmão que morreu, superado o luto que na verdade nunca se supera. Vamos abandonar o negócio dos sanduíches para fazermos um restaurante de luz, seremos capazes, nós seremos, lá está à crença. Eu acho que há ali um encaixe mágico no qual tu te irias rever, mas.

SPEAKER_01

É curioso que digas isso, pois a primeira coisa que eu pensei foi, ok, eu vejo o potencial, percebo que as pessoas estão a gostar, o pacing, o ritmo daquilo dava-me ansiedade, mas também isso é pensado, obviamente, as cozinhas, aquele lado alucinado de todo aquele universo, mas uma das coisas que eu pensei foi não me apetece mais uma série real. Eu preciso de fantasia.

SPEAKER_02

Mas há magia, mas a questão é essa que é.

SPEAKER_01

Mas imagina, eu fui agora, tenho sede de fantasia e fui ver o Grand Budapest Hotel, que eu nunca tinha visto todo e partes, nunca tinha visto todo, e há qualquer coisa de existir naquele universo Wes Anderson que me faz brincado. Lá a férias dos Ips, sou uma vez que chama-me.

SPEAKER_02

Sim, e que bom, e que importante. Claro, claro que sim. Na verdade acho que existe num programa de televisão.

SPEAKER_01

Mas eu acho isso bom porque precisamos todos de um Fátima. Sim.

SPEAKER_02

Sim, eu disse sim antes de desistir.

SPEAKER_01

Foi bom. Eu acho que.

SPEAKER_02

Nós convidamos ir vir um lá a férias juntos.

SPEAKER_01

Não fomos ainda. Não sei se Carmina Miranda ainda está. Que é uma coisa que ambos gostaríamos de ver. Tu entrevistas a Anabela há pouco tempo?

SPEAKER_02

Intervistei, sim. Gostei muito.

SPEAKER_00

À noite na cidade há sempre um sonho. É assim? Até ser dia.

SPEAKER_01

As pessoas a ouvir o futuro a pensar, meu Deus, eu vou bater com o carro.

SPEAKER_00

Acho que quem ouve o futuro pode gostar dessa cansada?

SPEAKER_01

Eu era um grande fã da Anabella, tinha 4 anos.

SPEAKER_02

E essa criança ainda está aqui comigo.

SPEAKER_01

É verdade. Esta criança acreditava que um dia poderia pisar o palco do Festival da Canção. Não pisou esse palco, mas pisou muitos outros.

SPEAKER_02

Depois pisou, e também foi pisado por vezes. Por vezes, exato. Deve ser pisado.

SPEAKER_01

Not really. Há pessoas que procuram isso, não é? Por exemplo, há pessoas que têm até esse part-time, pisar pessoas e ganhar dinheiro com isso.

SPEAKER_02

Bom, se me dissessem que agora eu só precisava de pisar e isso.

SPEAKER_01

Pisarias as tuas inimigas?

SPEAKER_02

Não, não, nada.

SPEAKER_01

Ah, não, por trabalho, por trabalho.

SPEAKER_02

Por trabalho, isso voltando a dizer.

SPEAKER_01

Uma pisadela, quanto é que cobrarias cada pisadela?

SPEAKER_02

Eu cobraria 200€ por pisar um corpo. Alguém lá em cima parece ter sido pisado.

SPEAKER_01

200€ por. Temos que ver a tabela, o valor da tabela.

SPEAKER_02

Eu cobraria 200€ por.

SPEAKER_01

E usarias um estileto?

SPEAKER_02

Se preciso fosse. Acomodamos, não é? Acomodamos, sim. 200€. O que quer dizer que pisaria várias vezes em várias sessões, não é?

SPEAKER_01

Pois. A convencer um estileto, bons, porque depois, com a abrasão.

SPEAKER_02

Tu tratas disso.

SPEAKER_01

Claro, obviamente.

SPEAKER_02

Vamos. Terminamos a.

SPEAKER_01

Terminamos. Há uma coisa importante.

SPEAKER_02

Talvez desde uma hipótese, the bear.

SPEAKER_01

Talvez dê uma hipótese, mas eu não.

SPEAKER_02

Jamie Lee Curtis é brilhante.

SPEAKER_01

Olivia Coleman. Eu não quero nunca diminuir o vazio que fica pós fim de série. Que é um problema.

SPEAKER_02

Pois é.

SPEAKER_01

É um bocado uma ressaca. Já sofri muito. Percebo-te? Também sofri com o final do Bai os homens.

SPEAKER_02

Lembra-me o que era.

SPEAKER_01

Era o problema do Zé Figueiredo em que ele tirava homens para dentro da piscina.

unknown

Ok.

SPEAKER_01

Ai ai, os homens. Olha, os tempos dourados da Sick.

SPEAKER_02

Foi assim que tudo Rui começou a ruir. Bom, assim.

SPEAKER_01

Rui o Pego. Beijinhos.

SPEAKER_02

Rui eu pego.

SPEAKER_01

Também é.