Diário de Marias
Maria está no meio deles. Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses falam dos seus dias, que se fazem de concertos, exposições, filmes, pensamentos obscuros, desabafos e pequenos delitos entre amigos.
Diário de Marias é um encontro diário na rádio, dez minutos que pedem sempre por mais.
De segunda a sexta na Futura, 10.30, com extensão nas plataformas digitais.
Diário de Marias
Rebentar a Bernarda
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A fechar a semana, Marias lançam propostas de práticas de wellness. Quem nunca fez um banho de som que atire a primeira pedra.
Diário de Marias de segunda a sexta na futura, olá.
SPEAKER_02Boa sexta-feira, os teus vizinhos estão intensos?
SPEAKER_01Pois estão, criançada foi retirada das jaulas. Esta criançada das aulas, das jaulas. Das jaulas mesmo.
SPEAKER_02Não ouço os meus vizinhos, as paredes do meu prédio são bastante grossas.
SPEAKER_01Eu pensei que tu vivias num palácio, tu e as tuas joias, as tuas tiaras, os teus diamantes, as tuas pérolas.
SPEAKER_02Já se foram os anéis, não é? É assim é isso que se diz. Não, mas as paredes são bastante grossas, por vezes, por volta das duas e meia da manhã, três, ouço a minha vizinha de cima a fazer o quê? Eu acho que ela está a rearranjar a disposição da sala. Há assim umas pessoas que têm estas fixações à meia da noite. Depois muitas vezes ela entala-se e faz uns barulhos.
SPEAKER_01Ai!
SPEAKER_02E eu fico sem saber o que é.
SPEAKER_01Fico sem saber o que é. Na cómoda, não é? Sim, os pedidos, os pedidos.
SPEAKER_02Já me aconteceu a mim. No outro dia fiquei com um dedo em ferido, pois dei uma cacetada na minha cama e doeu-me e tive que pôr betadin. Betadin.
SPEAKER_01A pomada das betas.
SPEAKER_02Olha, sim. Falamos pouco aqui sobre um fenómeno que é o fenómeno Betnica, cunhado por Joana Barras, este termo que é um termo que se aplica a estas betas que se ocupam da questão Elness. Fui à Ericeira almoçar no fim de semana passado com uns amigos meus e.
SPEAKER_01Betos, com certeza, não é?
SPEAKER_02Um pouco, não vamos fingir, e estava a caminhar, a caminhar não, de carro chegando à Ericeira, que tem sempre aquele microclima, por acaso estava a bom tempo, e sucediam-se os placaros com anúncios de venha aqui a estes huts de retiro de som e retiro do banho do gelo. E pensei, antigamente estas bétnicas freaks não tinham nada que fazer, agora estão cheio de atividade.
SPEAKER_01Mas o que é que faziam as bétnicas então? Miçangas, não, não, não, não nada disso eu acho que iam para a Ásia, não é?
SPEAKER_02Antigamente um bocado Balis antes de Bali ser Bali e mesmo Índia, vou-me descobrir para a Índia que nós falávamos hoje os coletos de batik para vender triplo do preço uma palavra que usariam estive num bazar.
SPEAKER_01Um bazar, claro, claro.
SPEAKER_02Esta coisa um bocado do exotismo do Oriente, agora não, agora fazem sonhos, fazem banhos de luz e de som também a tira a primeira pedra que nunca fez um banho de som.
SPEAKER_01Tu já fizeste um banho de som?
SPEAKER_02Já fiz com diapasão. Também nunca fizeste com diapasão. Nós conhecemos uma pessoa que faz estas coisas.
SPEAKER_00Não sabia. Ou não foi ali que me fizeram? Não, não foi, não. Eu nunca fiz.
SPEAKER_02Já me lembro quem foi, foi uma facilitadora que é uma expressão que utilizamos pouco, Teresa, que me disse que era muito beta, ainda bem, dizia, às vezes zanam-me com o meu marido e lá em casa reventa-me a Bernarda. Que é a melhor expressão do mundo que depois do Filho da Mãe. Foi de rachar castanhas. Não é verdade? Sim, disse-me. Eu usei isso no meu episódio do Filho da Mãe.
SPEAKER_01De rachar castanho.
SPEAKER_02De rachar castanhas. Foi de rachar castanhas. Não está a ver? Portanto, eu às vezes fico a pensar, o que é feito desta. Agora tem. Antigamente elas não queriam fazer nada, agora fazem tanto.
SPEAKER_01Mas então esse banho de som.
SPEAKER_02Banho de som, com diapasão.
SPEAKER_01São duas coisas associadas que eu nem sei, nem percebo muito bem o que é que é.
SPEAKER_02E depois passam em mim.
SPEAKER_01E o que é que isso te traz?
SPEAKER_02Passo de espírito.
SPEAKER_01Não aconteceu, claro.
SPEAKER_02Não, mas eu já fiz muitas terapias destas, não é? Eu sei, eu sei. Uma vez fui levado para uma tenda no Montijo num yurte, com pedras a ferver no meio da tenda, repito, no Montijo, e era Mescal, Temescal, era como se chama, mas sem tomar nada. E o calor subiu por mim acima e eu passei mal.
SPEAKER_01E qual era?
SPEAKER_02Aquilo era dentro de uma tenda e eu fiz assim. Olha, a minha mão engarra. Pus a minha mão engarra e comecei a abrir assim um bocadinho para entrar um bocadinho de dar. Isso não era o cozido das fornas? Não, não, isso era mesmo uma tenda de TMScal no montijo. Há quem vai tulum, não é? Mas eu fui ao montijo.
SPEAKER_01Qual era o objetivo dessa terapêutica?
SPEAKER_02Libertar demónios? Sim, de libertar. Às vezes também somos um bocadinho.
SPEAKER_01Aqui é especificar, não é?
SPEAKER_02Mas queres libertar o quê? Nem sabes. E é que está a hipótese a oportunidade.
SPEAKER_01A objetiva liberar-se iria ao Montijo fazer um.
SPEAKER_02Iria, não é? Mas também éste devia regularizar e regulamentar estas práticas de wellness. Porque também não pode caber tudo em wellness. Por exemplo, cozidas.
SPEAKER_00Este fim de semana, pedras quentes.
SPEAKER_02Um daqueles aviões a passar na praia. Pedras quentes! Não perca! Engula uma pedra quente! Saudades. Fazer rádio todos os dias.
SPEAKER_01Qual foi a terapêutica mais jdrúxula e exótica que tu já tens feito?
SPEAKER_02Uma vez fizeram-me a compuntura japonesa no Anos? Não, mas também foi na margem sul, estava a pior e ela punha-me uns pauzinhos de madeira que ardiam contra a minha pele. Mas já fiz tu? Já fiz ventosa, já fiz a compuntura chinesa, já fiz Reiki e Raki tem nível 2 para quem precisar, estou a pôr agora no microfone, está a sentir. O que é que eu fiz mais? Fiz mesa radiónica eu entrego-me à morte, não é? De alguém para usar estas coisas que eu digo para me ajudar.
SPEAKER_01Tem alguma coisa a ver com rádio, não? Mesa radiónica.
SPEAKER_02Não, isto precisa ser uma mesa radiónica. Não, isto no fundo é para ver quantos opressores é que têm. E eu tenho sempre imensos. Eu tenho muita curiosidade, como sabemos, não é? E sinto-me ocupar esta sexta-feira com estes temas, porque eu acho que porquê que as pessoas fazem estas coisas? Ah, e aquele homem do pêndulo, onde eu ia, que foi com uma amiga milha, que lhe perguntou sobre o casamento e ele disse: não, isto está tudo ótimo, a casa, olha, cheia de quadros de folha, tipo com umas molduras de folha dourada, umas coisas herdadas, uns voludes muito antigos, uma energia, ele simpático, poucas. E ele tinha uma espécie de fórmula onde batia com o pêndulo e nos limpava a energia e também respondia à perguntas. E o pêndulo mexia. E ela pergunta-lhe: o meu casamento, como é que está? Posso continuar a investir nele? Ok ali disse, claro que sim, vocês estão ótimos. Divorciou-se 10 dias depois. Não é verdade? Sim, sim. E depois quando ela me disse, Oh Rui, levaste-me este bruxo que era péssimo, eu não tenho cara para dizer que não.
SPEAKER_01Não falámos em bruxas, mas eis que o bruxo imerge das brumas. Se tivesses, estamos quase no fim, nós nunca deixes. Nós nunca deixamos sugestões de fim de semana, não é? Se tivesse que aconselhar uma destas terapêuticas mais exóticas aos nossos ouvintes que querem correr mais riscos na vida, não é? Que terapêutica seria essa?
SPEAKER_02Saltar de um avião. Porque não é uma prática do wellness. Já e não disse a ninguém.
SPEAKER_01Não me digas.
SPEAKER_02Não conheceste a minha história em que eu estava num avião, tu vais prepara-te porque vais morrer com esta história. Então, eu, Mário Pardo é um base jumper português que tinha uma escola aberta de um dia aberto para as pessoas saltarem no avião. Então, fui lá e deparo-me no avião comigo, olho, e à minha frente está Quimbé. Quimbé, que é um simpático, e pensei, e se eles nos quiserem eliminar aos dois? É hoje? E então colei-me ao senhor que me disse assim, que era francês, e disse, tens que te agarrar a mim, e eu, ok, e eu então atirei a cabeça para trás colado ao senhor francês e precipitámos para o vazio, 4500, não sei quantos metros eram. E eu adorei, adorei, adorei, adorei. Portanto, a cair. Há vídeos disto, passei estes vídeos na televisão quando apresentava o curso de circuito. Quando estás a chegar ao chão, começas a rodar muito e ficas um bocado mal disposto e eu começo a ouvir um som lá ao fundo.
SPEAKER_01Era Kimber?
SPEAKER_02Não, ouço ô malatina, Ana Malhoa estava a dar um concerto e eu aterrei ao lado do concerto de Ana Malhoa, eu caio no chão e a primeira coisa que vejo é um concerto de Ana Malhoa. Há provas disto disto. Sendo que, abrindo aqui o livro, o diário, ela estava a animar o dia de Mário Pardo, portanto, no fundo aterrei, mas eu não sabia que ela ia basta no evento. Ela estava no evento de Mário Pardo a animar, e eu, caído dos céus, aterrei perante um ícone e isso não pode ser. E portanto eu acho que é uma terapia do Belness, fez o quê?
SPEAKER_00Muito pela minha crença, e Kimbé, no meio disto.
SPEAKER_02Perdiu, mas já está vivo.
SPEAKER_01Olha, gostei muito dessa história.
SPEAKER_02Esta é uma história que eu conto às vezes em festas.
SPEAKER_01Tu nunca me tinhas contado isto? Como é que é possível? Na altura deve ter contado e já não te lembras. Já passaram 20 anos para aí.
SPEAKER_02Eu tinha pai 20, 21. Sim, já foi há bastante tempo. E foi bastante, fez-me bastante bem, não tive medo nenhum e não disse a ninguém da minha família.
SPEAKER_01Antes de acontecer.
SPEAKER_02Não.
SPEAKER_01Vamos que a coisa corria mal.
SPEAKER_02Lá está. Bom, seriam informados. Estas práticas de wellness, eu acho que as pessoas procuram porque se querem conectar, descobrir. Eu também faço por entretenimento, não minto. Diverto-me bastante. É o quê? É preciso agora fazer yoga com cabras? Pode ser. O que é que acontece?
SPEAKER_01Tu és uma corajosa, Maria. Acho. Acho muito, muito, muito.
SPEAKER_02Eu tenho muita fome pelo desconhecido.
SPEAKER_01Eu sei.
SPEAKER_02É um dos meus problemas.
SPEAKER_01Bom, sou goloso por novas experiências.
SPEAKER_02Aqui nos separamos. Bom fim de semana a todos. Tenho uma palavra para dizer que é Namasté.
SPEAKER_01Eu pensei que era rachar castanhas.
SPEAKER_02Ouça Rui, foi de rachar castanhas. Rebentou uma Bernarda. Rebentou uma Bernarda e é melhor que rachar castanhas. O que é que é uma Bernarda? Fico sem saber.
SPEAKER_01Mas essas pessoas vivem no solar do século XIII.
SPEAKER_02Eu suspeito que moram em colares.
SPEAKER_01Quem fala de missangas também fala de colares. Até a segunda.
SPEAKER_02Boa punchline. Até segunda.