Diário de Marias

Rebentar a Bernarda

Rui Maria Pêgo e Inês Maria Meneses

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A fechar a semana, Marias lançam propostas de práticas de wellness. Quem nunca fez um banho de som que atire a primeira pedra.

SPEAKER_01

Diário de Marias de segunda a sexta na futura, olá.

SPEAKER_02

Boa sexta-feira, os teus vizinhos estão intensos?

SPEAKER_01

Pois estão, criançada foi retirada das jaulas. Esta criançada das aulas, das jaulas. Das jaulas mesmo.

SPEAKER_02

Não ouço os meus vizinhos, as paredes do meu prédio são bastante grossas.

SPEAKER_01

Eu pensei que tu vivias num palácio, tu e as tuas joias, as tuas tiaras, os teus diamantes, as tuas pérolas.

SPEAKER_02

Já se foram os anéis, não é? É assim é isso que se diz. Não, mas as paredes são bastante grossas, por vezes, por volta das duas e meia da manhã, três, ouço a minha vizinha de cima a fazer o quê? Eu acho que ela está a rearranjar a disposição da sala. Há assim umas pessoas que têm estas fixações à meia da noite. Depois muitas vezes ela entala-se e faz uns barulhos.

SPEAKER_01

Ai!

SPEAKER_02

E eu fico sem saber o que é.

SPEAKER_01

Fico sem saber o que é. Na cómoda, não é? Sim, os pedidos, os pedidos.

SPEAKER_02

Já me aconteceu a mim. No outro dia fiquei com um dedo em ferido, pois dei uma cacetada na minha cama e doeu-me e tive que pôr betadin. Betadin.

SPEAKER_01

A pomada das betas.

SPEAKER_02

Olha, sim. Falamos pouco aqui sobre um fenómeno que é o fenómeno Betnica, cunhado por Joana Barras, este termo que é um termo que se aplica a estas betas que se ocupam da questão Elness. Fui à Ericeira almoçar no fim de semana passado com uns amigos meus e.

SPEAKER_01

Betos, com certeza, não é?

SPEAKER_02

Um pouco, não vamos fingir, e estava a caminhar, a caminhar não, de carro chegando à Ericeira, que tem sempre aquele microclima, por acaso estava a bom tempo, e sucediam-se os placaros com anúncios de venha aqui a estes huts de retiro de som e retiro do banho do gelo. E pensei, antigamente estas bétnicas freaks não tinham nada que fazer, agora estão cheio de atividade.

SPEAKER_01

Mas o que é que faziam as bétnicas então? Miçangas, não, não, não, não nada disso eu acho que iam para a Ásia, não é?

SPEAKER_02

Antigamente um bocado Balis antes de Bali ser Bali e mesmo Índia, vou-me descobrir para a Índia que nós falávamos hoje os coletos de batik para vender triplo do preço uma palavra que usariam estive num bazar.

SPEAKER_01

Um bazar, claro, claro.

SPEAKER_02

Esta coisa um bocado do exotismo do Oriente, agora não, agora fazem sonhos, fazem banhos de luz e de som também a tira a primeira pedra que nunca fez um banho de som.

SPEAKER_01

Tu já fizeste um banho de som?

SPEAKER_02

Já fiz com diapasão. Também nunca fizeste com diapasão. Nós conhecemos uma pessoa que faz estas coisas.

SPEAKER_00

Não sabia. Ou não foi ali que me fizeram? Não, não foi, não. Eu nunca fiz.

SPEAKER_02

Já me lembro quem foi, foi uma facilitadora que é uma expressão que utilizamos pouco, Teresa, que me disse que era muito beta, ainda bem, dizia, às vezes zanam-me com o meu marido e lá em casa reventa-me a Bernarda. Que é a melhor expressão do mundo que depois do Filho da Mãe. Foi de rachar castanhas. Não é verdade? Sim, disse-me. Eu usei isso no meu episódio do Filho da Mãe.

SPEAKER_01

De rachar castanho.

SPEAKER_02

De rachar castanhas. Foi de rachar castanhas. Não está a ver? Portanto, eu às vezes fico a pensar, o que é feito desta. Agora tem. Antigamente elas não queriam fazer nada, agora fazem tanto.

SPEAKER_01

Mas então esse banho de som.

SPEAKER_02

Banho de som, com diapasão.

SPEAKER_01

São duas coisas associadas que eu nem sei, nem percebo muito bem o que é que é.

SPEAKER_02

E depois passam em mim.

SPEAKER_01

E o que é que isso te traz?

SPEAKER_02

Passo de espírito.

SPEAKER_01

Não aconteceu, claro.

SPEAKER_02

Não, mas eu já fiz muitas terapias destas, não é? Eu sei, eu sei. Uma vez fui levado para uma tenda no Montijo num yurte, com pedras a ferver no meio da tenda, repito, no Montijo, e era Mescal, Temescal, era como se chama, mas sem tomar nada. E o calor subiu por mim acima e eu passei mal.

SPEAKER_01

E qual era?

SPEAKER_02

Aquilo era dentro de uma tenda e eu fiz assim. Olha, a minha mão engarra. Pus a minha mão engarra e comecei a abrir assim um bocadinho para entrar um bocadinho de dar. Isso não era o cozido das fornas? Não, não, isso era mesmo uma tenda de TMScal no montijo. Há quem vai tulum, não é? Mas eu fui ao montijo.

SPEAKER_01

Qual era o objetivo dessa terapêutica?

SPEAKER_02

Libertar demónios? Sim, de libertar. Às vezes também somos um bocadinho.

SPEAKER_01

Aqui é especificar, não é?

SPEAKER_02

Mas queres libertar o quê? Nem sabes. E é que está a hipótese a oportunidade.

SPEAKER_01

A objetiva liberar-se iria ao Montijo fazer um.

SPEAKER_02

Iria, não é? Mas também éste devia regularizar e regulamentar estas práticas de wellness. Porque também não pode caber tudo em wellness. Por exemplo, cozidas.

SPEAKER_00

Este fim de semana, pedras quentes.

SPEAKER_02

Um daqueles aviões a passar na praia. Pedras quentes! Não perca! Engula uma pedra quente! Saudades. Fazer rádio todos os dias.

SPEAKER_01

Qual foi a terapêutica mais jdrúxula e exótica que tu já tens feito?

SPEAKER_02

Uma vez fizeram-me a compuntura japonesa no Anos? Não, mas também foi na margem sul, estava a pior e ela punha-me uns pauzinhos de madeira que ardiam contra a minha pele. Mas já fiz tu? Já fiz ventosa, já fiz a compuntura chinesa, já fiz Reiki e Raki tem nível 2 para quem precisar, estou a pôr agora no microfone, está a sentir. O que é que eu fiz mais? Fiz mesa radiónica eu entrego-me à morte, não é? De alguém para usar estas coisas que eu digo para me ajudar.

SPEAKER_01

Tem alguma coisa a ver com rádio, não? Mesa radiónica.

SPEAKER_02

Não, isto precisa ser uma mesa radiónica. Não, isto no fundo é para ver quantos opressores é que têm. E eu tenho sempre imensos. Eu tenho muita curiosidade, como sabemos, não é? E sinto-me ocupar esta sexta-feira com estes temas, porque eu acho que porquê que as pessoas fazem estas coisas? Ah, e aquele homem do pêndulo, onde eu ia, que foi com uma amiga milha, que lhe perguntou sobre o casamento e ele disse: não, isto está tudo ótimo, a casa, olha, cheia de quadros de folha, tipo com umas molduras de folha dourada, umas coisas herdadas, uns voludes muito antigos, uma energia, ele simpático, poucas. E ele tinha uma espécie de fórmula onde batia com o pêndulo e nos limpava a energia e também respondia à perguntas. E o pêndulo mexia. E ela pergunta-lhe: o meu casamento, como é que está? Posso continuar a investir nele? Ok ali disse, claro que sim, vocês estão ótimos. Divorciou-se 10 dias depois. Não é verdade? Sim, sim. E depois quando ela me disse, Oh Rui, levaste-me este bruxo que era péssimo, eu não tenho cara para dizer que não.

SPEAKER_01

Não falámos em bruxas, mas eis que o bruxo imerge das brumas. Se tivesses, estamos quase no fim, nós nunca deixes. Nós nunca deixamos sugestões de fim de semana, não é? Se tivesse que aconselhar uma destas terapêuticas mais exóticas aos nossos ouvintes que querem correr mais riscos na vida, não é? Que terapêutica seria essa?

SPEAKER_02

Saltar de um avião. Porque não é uma prática do wellness. Já e não disse a ninguém.

SPEAKER_01

Não me digas.

SPEAKER_02

Não conheceste a minha história em que eu estava num avião, tu vais prepara-te porque vais morrer com esta história. Então, eu, Mário Pardo é um base jumper português que tinha uma escola aberta de um dia aberto para as pessoas saltarem no avião. Então, fui lá e deparo-me no avião comigo, olho, e à minha frente está Quimbé. Quimbé, que é um simpático, e pensei, e se eles nos quiserem eliminar aos dois? É hoje? E então colei-me ao senhor que me disse assim, que era francês, e disse, tens que te agarrar a mim, e eu, ok, e eu então atirei a cabeça para trás colado ao senhor francês e precipitámos para o vazio, 4500, não sei quantos metros eram. E eu adorei, adorei, adorei, adorei. Portanto, a cair. Há vídeos disto, passei estes vídeos na televisão quando apresentava o curso de circuito. Quando estás a chegar ao chão, começas a rodar muito e ficas um bocado mal disposto e eu começo a ouvir um som lá ao fundo.

SPEAKER_01

Era Kimber?

SPEAKER_02

Não, ouço ô malatina, Ana Malhoa estava a dar um concerto e eu aterrei ao lado do concerto de Ana Malhoa, eu caio no chão e a primeira coisa que vejo é um concerto de Ana Malhoa. Há provas disto disto. Sendo que, abrindo aqui o livro, o diário, ela estava a animar o dia de Mário Pardo, portanto, no fundo aterrei, mas eu não sabia que ela ia basta no evento. Ela estava no evento de Mário Pardo a animar, e eu, caído dos céus, aterrei perante um ícone e isso não pode ser. E portanto eu acho que é uma terapia do Belness, fez o quê?

SPEAKER_00

Muito pela minha crença, e Kimbé, no meio disto.

SPEAKER_02

Perdiu, mas já está vivo.

SPEAKER_01

Olha, gostei muito dessa história.

SPEAKER_02

Esta é uma história que eu conto às vezes em festas.

SPEAKER_01

Tu nunca me tinhas contado isto? Como é que é possível? Na altura deve ter contado e já não te lembras. Já passaram 20 anos para aí.

SPEAKER_02

Eu tinha pai 20, 21. Sim, já foi há bastante tempo. E foi bastante, fez-me bastante bem, não tive medo nenhum e não disse a ninguém da minha família.

SPEAKER_01

Antes de acontecer.

SPEAKER_02

Não.

SPEAKER_01

Vamos que a coisa corria mal.

SPEAKER_02

Lá está. Bom, seriam informados. Estas práticas de wellness, eu acho que as pessoas procuram porque se querem conectar, descobrir. Eu também faço por entretenimento, não minto. Diverto-me bastante. É o quê? É preciso agora fazer yoga com cabras? Pode ser. O que é que acontece?

SPEAKER_01

Tu és uma corajosa, Maria. Acho. Acho muito, muito, muito.

SPEAKER_02

Eu tenho muita fome pelo desconhecido.

SPEAKER_01

Eu sei.

SPEAKER_02

É um dos meus problemas.

SPEAKER_01

Bom, sou goloso por novas experiências.

SPEAKER_02

Aqui nos separamos. Bom fim de semana a todos. Tenho uma palavra para dizer que é Namasté.

SPEAKER_01

Eu pensei que era rachar castanhas.

SPEAKER_02

Ouça Rui, foi de rachar castanhas. Rebentou uma Bernarda. Rebentou uma Bernarda e é melhor que rachar castanhas. O que é que é uma Bernarda? Fico sem saber.

SPEAKER_01

Mas essas pessoas vivem no solar do século XIII.

SPEAKER_02

Eu suspeito que moram em colares.

SPEAKER_01

Quem fala de missangas também fala de colares. Até a segunda.

SPEAKER_02

Boa punchline. Até segunda.